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Porto Alegre, sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020.
Dia de São Valentim.

Jornal do Comércio

Notícia da edição impressa de 14/02/2020.
Alterada em 14/02 às 03h00min
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Sexualidade, identidade, maternidade e erros

A obra é best-seller do The New York Times e originou a série homônima da HBO

A obra é best-seller do The New York Times e originou a série homônima da HBO


REPRODUÇÃO/JC
Sra. Fletcher (Editora Planeta, 304 páginas, R$ 54,90, tradução de Flavia Souto Maior) é o novo livro de Tom Perrotta. A obra é best-seller do The New York Times e originou a série homônima da HBO, que estreou no final de 2019, com a atriz Kathryn Hahn no papel principal.
Sra. Fletcher (Editora Planeta, 304 páginas, R$ 54,90, tradução de Flavia Souto Maior) é o novo livro de Tom Perrotta. A obra é best-seller do The New York Times e originou a série homônima da HBO, que estreou no final de 2019, com a atriz Kathryn Hahn no papel principal.
Perrotta já teve obras adaptadas para os filmes Eleição e Pecados íntimos e para a série The leftovers (os deixados para trás) e é também roteirista e produtor do seriado. Perrotta nasceu em Nova Jersey e, atualmente, mora nos arredores de Boston, nos Estados Unidos.
Sra. Fletcher acompanha a evolução e o amadurecimento de Eve Fletcher, uma mulher divorciada de 46 anos que se vê sozinha em casa pela primeira vez, depois que o filho único vai para a universidade. Nas primeiras páginas está bem narrado o dia em que o rapaz deixa o lar.
Enquanto vai se acostumando com o ninho vazio, Eve se depara com uma estranha mensagem de texto de um anônimo na internet e a coisa vira fixação. Ela fez novos amigos, inscreveu-se num curso de estudos de gênero, mas a estranha mensagem mexe com possibilidades românticas e com sua vida calma no subúrbio.
Já o jovem Brendan, seu filho, vê que o charme de garoto universitário, que impressiona as meninas do Ensino Médio, pode não ser tão atraente para as colegas da faculdade. Isolado e com notas medíocres, o rapaz tenta se adaptar no campus, onde privilégios para homens brancos não são tolerados.
Quando o outono se torna frio, mãe e filho estão enredados em situações moralmente carregadas, que vêm à tona em uma fatídica noite de novembro.
O romance, com sua linguagem afiada e seu tom espirituoso e provocativo, é uma análise atemporal de temas como sexualidade, identidade e maternidade, e dos grandes erros que as pessoas podem cometer quando não têm mais certeza de quem são - ou a que lugar pertencem.
Para o The New York Times, Sra. Fletcher é o romance mais doce e encantador sobre vício em pornografia e as questões angustiantes de consentimento sexual que você provavelmente lerá.

Coringa, o palhaço pós-moderno

A quase centenária Academia de Artes e Ciências Cinematográfcas, criada em 1927 em Los Angeles, não costuma premiar comédias e comediantes com seus famosos Oscars. Os dois Oscars para o sucesso de bilheteria e de público Coringa mostram que a Academia está antenada, ao premiar Joaquin Phoenix como melhor ator e conceder uma estatueta para a trilha do filme.
Palhaços existem há uns 4.500 anos, desde o antigo Egito, passando depois por China, Grécia e Roma. Palhaços antigos eram líricos, inocentes, ingênuos, angelicais e frágeis. Melancólicos, românticos, bufões, mendigos, caipiras e engraçados, muitas vezes se apresentavam com roupas multicoloridas e adereços de tamanhos desproporcionais.
Os bobos da corte, que muitas vezes eram anões e pessoas com deficiências, ainda por cima tinham por vezes suas espinhas dorsais modificadas para ficarem corcundas e faziam graça para que os reis e poderosos não lhes cortassem as cabeças. Os artistas e palhaços de rua faziam graça para não morrer de fome e, claro, alguns palhaços mais modernos andam por aí, não apenas em circos, mas em mídias eletrônicas, ganhando o leitinho e o caviar das crianças.
Os palhaços do crime surgiram nos quadrinhos e nas telas, mostrando que os tempos são outros, mais violentos. Ao invés de apanhar e até morrer, alguns palhaços matam.
Coringa coloca, com suas cores, máscaras, ações, sons, personagens e objetos fortes, bem mais do que histórias de modernos palhaços assassinos. O filme discute violência, diversidade, doença mental, mídia, desigualdade e coloca em questão os velhos conceitos de "normalidade", se é que existe algum ainda em vigor. O filme coloca na roda questões de comportamento, linguajar, convivência e intolerância.
Num mundo de tantas individualidades, autoridades e personalidades exacerbadas, de tanta exibição, falta de privacidade e delicadeza e de tantas palavras, ruídos, sons, imagens e notícias estonteantes, Coringa definitivamente faz pensar. O palhaço Carlitos do imortal Charlie Chaplin levantou, de outro modo e em outra época, questões semelhantes e mostrou como o humor e a irreverência podem nos dar um mundo melhor.
Grandes humoristas são muitas vezes pessoas sérias, deprimidas, e alguns se suicidaram. Alguns não conseguiram mais rir ou fazer rir para não morrer. Certa vez, um homem foi ao psiquiatra e disse: "estou muito deprimido, não vejo saída, quero morrer, me matar". O médico respondeu: "não faça isso, vá ao circo que está na cidade e verá um palhaço maravilhoso que o fará sorrir". Aí o homem falou ao psiquiatra: "doutor, aquele palhaço sou eu...".
Humoristas, escritores e artistas têm sido alvo de ameaças de morte, atentados, bombas, censuras e outras violências. Há quem aponte limites para os profissionais do riso, quem queira disciplinar as coisas ou quem não ache graça de nada. Quase sempre foi assim na história desse velho mundo.
Rir é o melhor remédio, sem humor a vida fica pequena e triste. Melhor se não houvesse palhaços assassinos na arte ou na vida real.

A propósito...

Vai ficar na história da Academia e de todos nós a forma como Joaquin Phoenix recebeu sua estatueta de melhor ator de 2020. Sem cumprimentos, mesuras, sorrisos, agradecimentos ou brincadeiras habituais, o ator saiu discursando forte sobre o conteúdo de Coringa e sobre questões candentes do mundo atual. Falou que o filme e o personagem lhe ensinaram a ser menos arrogante e difícil. Pediu atenção a todos do planeta para desigualdades, dificuldades, intolerância, violência e falta de respeito ao próximo. Marlon Brando certa vez pediu a uma jovem índia que fosse receber seu Oscar e protestasse. Joaquin Phoenix foi pessoalmente dar seu duro recado. A Academia, esperta, está de olho. Um olho no gato, outro olho no peixe e os dois olhos de olho no centenário dela, logo aí em 2027, com drama, comédia, loucura, humor e bilheteria, que sem bilheteria não tem circo. (Jaime Cimenti)

Lançamentos

  • 10 mentiras que o seu médico conta que podem matá-lo (Editora Pensar, 112 páginas), de Dr. Magno Magalhães, médico, professor de Semiologia Médica e palestrante, coloca em xeque práticas comuns e rotinas aceitáveis na nossa rotina de cuidados com a saúde. A obra é um alerta corajoso sobre supostas verdades propagadas pela mídia.
  • 2020 - Cada dia é uma nova chance (Editora RJR, 162 páginas), produzido por Ana Carolina Rodrigues e Igor Bueno, apresenta textos deles e de colaboradores, bem como de autores famosos, para inspirar cada dia do ano. Mentes e mãos de várias partes do mundo se unem para que os leitores busquem mais felicidade, oportunidades e realizações em 2020.
  • Quatro mulheres (Class, 92 páginas), de Neusa Demartini, jornalista, escritora e professora universitária aposentada, narra o conflito moral que se instala no velório do desembargador Afrânio. Três mulheres agem como viúvas e Vania, a empregada, também está em cena. Uma quarta mulher com nome de inseto surgirá.
     
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