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Porto Alegre, sexta-feira, 25 de outubro de 2019.

Jornal do Comércio

Notícia da edição impressa de 25/10/2019.
Alterada em 24/10 às 21h41min
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O jovem Törlessde Robert Musil

A publicação faz parte da Biblioteca Áurea da Nova Fronteira

A publicação faz parte da Biblioteca Áurea da Nova Fronteira


REPRODUÇÃO/JC
Considerado por muitos como um dos mais importantes escritores da literatura alemã do século XX, ao lado de Thomas Mann e Hermann Broch, o austríaco Robert Musil (1880-1942), autor do clássico O homem sem qualidades, começou sua carreira em 1906, com a publicação de O jovem Törless, que há poucos dias foi objeto de nova e cuidadosa edição pela Editora Nova Fronteira, com tradução de Lya Luft e apresentação inédita de Antônio Xerxenesky, escritor, tradutor e doutor em Teoria Literária pela USP.
Considerado por muitos como um dos mais importantes escritores da literatura alemã do século XX, ao lado de Thomas Mann e Hermann Broch, o austríaco Robert Musil (1880-1942), autor do clássico O homem sem qualidades, começou sua carreira em 1906, com a publicação de O jovem Törless, que há poucos dias foi objeto de nova e cuidadosa edição pela Editora Nova Fronteira, com tradução de Lya Luft e apresentação inédita de Antônio Xerxenesky, escritor, tradutor e doutor em Teoria Literária pela USP.
A publicação faz parte da Biblioteca Áurea da Nova Fronteira, na qual já foi publicado o romance O homem sem qualidades. Musil foi oficial militar, depois estudou engenharia. Doutorou-se, no entanto, em filosofia. Trabalhou em diversas revistas literárias e integrou o Exército austríaco na primeira guerra. Por sua atuação foi condecorado capitão. Com a ascensão do nazismo, seus livros foram proibidos na Alemanha e na Áustria, o que fez mudar-se para Genebra, Suíça, onde passaria os últimos anos ao lado da mulher, Martha Marcovaldi.
Ao narrar a formação de um adolescente vivendo em um rigoroso internato, este romance, na verdade, é uma das primeiras e mais radicais denúncias dos sistemas totalitários europeus que surgiriam depois da Primeira Guerra Mundial. Nas aventuras e desventuras de Törless, o que fica patente é o protesto contra todo e qualquer sistema que só se impõe à custa da violação da liberdade do indivíduo. No livro estão presentes as audaciosas análises psicológicas que logo depois se tornariam características do expressionismo germânico.
"Uma nova edição de Törless serve para rastrear as origens de sua obra-prima, O homem sem qualidades. Kathrin Rosenfield, a maior especialista do Brasil na obra de Musil, expôs, em diversos artigos, a maneira como Törless apresenta a matéria-prima ética e estética que seria intelectualmente desenvolvida ao longo de anos e culminaria em O homem sem qualidades, ao mesmo tempo em que o livro existe e resiste como uma joia narrativa em si", escreveu Antônio Xerxenesky na apresentação.

E palavras...

História das mudanças demográficas e migrações

Todos sabemos que daqui a algumas décadas, em muitos países europeus, haverá mais imigrantes do que nativos. Há quem diga que essa será a maior revolução da história. Migrações em massa, epidemias, fome, guerras, progresso tecnológico. O mundo moderno foi definido por ondas de transformação demográfica. Nós todos somos os atores da maior história do planeta.
A maré humana: a fantástica história das mudanças geográficas e migrações que fizeram e desfizeram nações, continentes e impérios (Editora Zahar, 380 páginas, tradução de Maria Luiza X. de A. Borges ) de Paul Morland, pesquisador fellow no Birkbeck College, Universidade de Londres, trata justamente do tema que é essencial na atualidade. Morland é especialista em demografia e graduou-se na Universidade de Oxford. Posteriormente, obteve seu PhD na Universidade de Londres.
O grande e muito bem embasado estudo de Morland trata, na primeira parte, do peso dos números, números que são nada menos que a soma de esperanças, amores e medos de cada ser humano individual. A segunda parte da obra trata da maré montante entre os europeus, falando do triunfo dos anglo-saxões, dos desafios alemão e russo, do perecimento da "Grande Raça", do Ocidente desde 1945 desde o baby boom até a imigração em massa e da Rússia e Bloco do Leste a partir de 1945 e a demografia da derrota na Guerra Fria.
Na terceira e última parte do volume, o autor mostra a maré humana tornando-se global, para além da Europa. "Japão, China e Ásia oriental, o envelhecimento dos gigantes", "O Oriente Médio e o Norte da África, a demografia da instabilidade" e "Nada de novo sob o sol?, fronteiras finais e perspectivas futuras" são os títulos dos capítulos.
Nas páginas finais do livro estão dois apêndices sobre cálculo de expectativa de vida e cálculo de taxa de fecundidade, além de notas, índice remissivo, agradecimentos e referências bibliográficas.
A ascensão e a queda do Império Britânico; o surgimento dos Estados Unidos como uma superpotência; desafios globais como o nazifacismo e a Guerra Fria, essas são as manchetes da história, mas elas não podem ser de todo compreendidas sem entendermos o papel desempenhado pela população.
Nascimentos, mortes e migrações foram a força motriz do mundo moderno, e a demografia (o estudo da população) é a chave para interpretá-lo. A maré humana mostra como períodos de rápida transição populacional - um fenômeno que emergiu primeiro nas Ilhas Britânicas a partir de 1800, mas aos poucos se espalhou pelo globo - moldaram o curso da história.
Mudanças demográficas explicam por que a Primavera Árabe eclodiu e se desfez, como a China ascendeu de modo tão meteórico e por que, recentemente, a Grã-Bretanha votou pelo Brexit e os Estados Unidos por Donald Trump. Com sua visão panorâmica e poder absoluto dos números, o livro deixa muito claro que a história moderna é a história da transformação demográfica global.

Lançamentos

LIVRO ERA UMA VEZ
O volume tem ilustrações de Douglas Davin Fernandes
REPRODUÇÃO/JC
Era uma vez (Intus Forma, 36 páginas) (acima) Ficção infantojuvenil de Ana Pregardier, escritora e autora do método Ludico Vivencial de Formação de Hábitos, propõe aos leitores a escolha do caminho da história, trabalhando sentimentos como o amor, a lealdade, a gentileza e a honestidade. O volume tem ilustrações de Douglas Davin Fernandes.
A ponte flutuante dos sonhos seguido de Retrato de Shunkin (Editora Estação Liberdade, 156 páginas) (abaixo), do grande escritor japonês JunIchiro Tanizaki, traz no primeiro texto um extraordinário elogio da maternidade e uma reflexão sobre a representação feminina. No segundo, há uma meditação filosófica sobre a verdadeira natureza do êxtase.
Manuscrito do fogo - Antologia poética ( Editora Ardotempo, 224 páginas) de Mariana Ianelli, escritora, cronista e poeta, apresenta densos e bem elaborados poemas, tratando de amor, vida, morte, família e outras essências. "Que sei eu da tua vida feira de milhões de instantes? Das tuas monstruosidades, tuas taras, teus dramas? Que sei eu dos teus contrabandos no caminho até agora?". São versos de Mariana, poeta premiada.
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Tanizaki, traz no primeiro texto um extraordinário elogio da maternidade e uma reflexão sobre a representação feminina REPRODUÇÃO/JC

A propósito...

Nesse momento, quando milhões de pessoas se transferem de um país a outro, de um continente a outro, em condições tantas vezes precárias e desesperadoras, e quando a Europa está por ser habitada por mais imigrantes que europeus, uma obra como a de Paul Morland, com todo seu precioso arsenal teórico, é importante e auxilia a lidar com situações variadas, em muitos locais. As políticas de Trump, os problemas da Venezuela, os números da população islâmica, que cresce vertiginosamente, e um mundo onde se vive mais tempo, com mais demandas e necessidades, são temas que pedem reflexão e ação. Temas desafiadores, que pedem estudos globais, muito diálogo e soluções que sejam as melhores para o planeta. Tarefas de tamanho oceânico, vitais e urgentes. A história dos imigrantes europeus no Rio Grande do Sul é inspiradora. História de pessoas humildes, religiosas e trabalhadoras, que tiveram que comprar a terra onde plantaram o futuro que está aí. Foi, é e será muito. (Jaime Cimenti)
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