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Porto Alegre, sexta-feira, 16 de agosto de 2019.
Dia do Filósofo.

Jornal do Comércio

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Jaime Cimenti

Livros

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Edição impressa de 16/08/2019. Alterada em 15/08 às 21h25min

Bíblia do liberalismo

Jaime Cimenti
Da liberdade individual e econômica (Faro Editorial, 160 páginas, R$ 34,90, tradução de Carlos Szlak), de John Stuart Mill (1806-1873), filósofo e economista britânico, é uma das principais obras do pensamento liberal e analisa os princípios e as aplicações do liberalismo. Publicada originalmente em 1859, apresentou uma das mais eloquentes defesas da liberdade individual na filosofia social e política do século XIX e é hoje o argumento liberal mais estudado sobre o valor da liberdade.
Da liberdade individual e econômica (Faro Editorial, 160 páginas, R$ 34,90, tradução de Carlos Szlak), de John Stuart Mill (1806-1873), filósofo e economista britânico, é uma das principais obras do pensamento liberal e analisa os princípios e as aplicações do liberalismo. Publicada originalmente em 1859, apresentou uma das mais eloquentes defesas da liberdade individual na filosofia social e política do século XIX e é hoje o argumento liberal mais estudado sobre o valor da liberdade.
No tratado que lançou a base para o pensamento liberal moderno, Mill, um dos maiores pensadores da história, debate com clareza e profundidade o conceito de liberdade e exalta a individualidade, a diversidade e a inconformidade, como comportamento saudável das civilizações. Explorando quais são os limites do governo na vida do indivíduo, o autor foi um dos pioneiros a refletir o papel da autoridade social e a soberania individual.
O texto conceitua princípios extremamente atuais e influentes e fala muito da necessidade de proteger a liberdade individual da "tirania da maioria". Mill defende a liberdade de expressão como um processo de determinação da verdade, bem como o direito de ser "protegido" da falsidade.
Em síntese, diz Mill, um dos maiores defensores de liberdade, inclusive no direito ao voto das mulheres: "A única liberdade que merece este nome é a de perseguir o nosso próprio bem à nossa maneira, desde que não tentemos privar os outros ou impedir os seus esforços para obtê-la".
Em um momento em que se discute, talvez como nunca antes na história do mundo, questões sobre liberdades básicas, suas máximas e suas objeções à intervenção dos governos e instituições, o pensamento atemporal de John Stuart Mill está aí para contribuir para as imprescindíveis discussões que precisam ser travadas nas sociedades contemporâneas.
Liberdade de pensamento e discussão, individualidade como um dos elementos do bem-estar, limites da autoridade sobre o indivíduo e aplicações dos princípios liberais estão no volume para auxiliar a lidar com questões milenares, ainda presentes.
 

Porto Alegre All Jazzeira

Todo mundo sabe que Porto Alegre é uma cidade cinemeira, mesmo sem os antigos e queridos cinemas de calçada, hoje raríssimos. Para quem ainda não sabe, se é que existe alguém, Porto Alegre, há quase um século, é uma cidade altamente jazzeira. Depois de surgir no início do século XX em New Orleans, a melhor criação norte-americana de todos os tempos, o jazz, nos anos 1930, baixou em Porto Alegre.
Nos anos 1940, pintou o primeiro conjunto de jazz na Rádio Farroupilha. No final dos anos 1950, o acordeonista norte-americano Art Van Damne e o pianista cego londrino George Shearing inspiraram muitos, e aí Breno Sauer, Conjuntos Flamingo e Flamboyant foram chegando, abrindo a cena para o lendário Adão Pinheiro nos anos 1960. Adão foi do Jazz 6, sexteto de sete integrantes de Luis Fernando Verissimo, que, dizem, quando chegava o sax, começava a dizer umas coisas com sua voz humana.
Nos anos 1950 e 1960, rolava muito jazz nos bordéis e casas de prostituição do Centro da Capital, e Hardy Vedana fundou o primeiro Clube de Jazz por aqui. Nos 1980, Ivone Pacheco criou o Take Five, clube de jazz com o título da canção imortal de Dave Brubeck, o saudoso Marco Antônio mandava ver na batera no Big Som da Joaquim Nabuco, e bandas como Raiz de Pedra mesclavam rock com jazz.
Nos últimos anos, uma gurizada medonha de boa apareceu: Michel Dorfman, Max Sudbrack, Marmota, Kula Jazz, Jazz 6, Jazz Gig e outros, ocupando o London Pub, o Café Fon-Fon (do saxofonista Luizinho Santos e da pianista Betty Krieger), o Agulha e outros espaços.
O POA Jazz Festival e outras atividades, como o Dia Internacional do Jazz, se consagraram entre nós, e o jornalista e radialista Paulo Moreira, que sabe tudo de jazz, tem dividido sua rica experiência no Instituto Ling. Quem quer se aprofundar no improviso, na espontaneidade e no infinito do jazz, leia O livro do jazz - De Nova Orleans ao século XXI, da Editora SESC-Perspectiva, de Berendt e Huesmann, com discografia de Thomas Loewner e posfácio de Carlos Calado.
Sexta-feira e sábado passados, no Espaço 373 da Comendador Coruja, charmoso clube de jazz estilo nova-iorquino, o premiado grupo Delicatessen (três CDs, nove Açorianos e mais de 12 milhões de plays no Spotify), que lotou o Blue Note de São Paulo, apresentou sua nova cantora, a britânica Rowena Jameson. Com casa lotada, sucesso de público e crítica, aplaudida de pé por uma plateia experiente, a inglesa, em estilo pessoal e esbanjando técnica e simpatia, apresentou standards de Cole Porter, Gershwin e Duke Ellington, e interpretações jazzísticas de obras de Tom Jobim, Menescal e Moacir Santos.
Não por ocaso, o oráculo Nelson Motta falou "o Delicatessen está à altura de qualquer grupo internacional desta praia cheia do jazz e bossa". Está mesmo. O Tom Jobim falou que existem as "delicatessen" e as "groceries". Antônio Flores (guitarra), Nico Gomes (baixo) e Mano Gomes (bateria) encarnam o melhor do espírito do jazz, com técnica, foco na música, improviso e espontaneidade. Delicados jazzmen, voltem sempre.
 

Lançamentos

  • Traidores da pátria - As maracutaias dos irmãos Batista na JBS (Matrix Editora, 88 páginas), de Claudio Tognolli, premiado jornalista, radialista e professor da USP, autor de 17 livros, apresenta as histórias das falcatruas da JBS e de seus criadores, que tomaram vultosas verbas públicas e acabaram prejudicando empresários, governo e cidadãos em geral.
  • O poder da gratidão - O sentimento transformador de vidas (Companhia Editora Nacional, 296 páginas), da editora, jornalista e produtora de televisão Janice Kaplan, autora de 12 livros, incluindo o best-seller I see you again, conta como passou um ano vivendo em gratidão e como isso lhe deu nova vida, em termos de casamento, trabalho e saúde.
  • O coveiro de Buenos Aires (Class, 320 páginas), quarta obra de ficção de Mauro Maciel, é um romance sobre escravos. A história começa em Pelotas e avança pelo universo platino. Violência, desespero e crueldade em detalhes para dar vida aos que sonharam em ser livres. Nada é mais infame que a escravidão, na época da Guerra do Paraguai, em meio a horrores, correntes, açoites e outras insanidades.
 

A propósito...

Digo e repito: o jazz é a melhor criação que os Estados Unidos ofereceram para a humanidade. Melhor curtir trompetes jazzísticos do que certas trumpeteadas políticas desafinadas, com seus acordes dissonantes. Desculpem se, neste pequeno artigo, não citei todas as datas e pessoas. Faz parte do espírito libertário e meio anárquico do jazz. Isso. Jazz não é só arte, gênero musical e não é moda. É eternidade. Jazz é música pairando democrática em todo lugar, feita por gigantes ou por músicos de rua, de praças e metrô. A praça pública (ou eletrônica) ainda é o palco mais digno. Não só do jazz.
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