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Porto Alegre, sexta-feira, 07 de junho de 2019.
Dia da Liberdade de Imprensa.

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Jaime Cimenti

Livros

LIVROS

Edição impressa de 07/06/2019. Alterada em 06/06 às 21h47min

O megarrival de Machado de Assis

Jaime Cimenti
O homem que odiava Machado de Assis (Faro Editorial, 240 páginas, R$ 39,90), romance histórico do premiado escritor e também Defensor Público José Almeida Júnior, mesclando realidade e ficção, questiona: e se o principal livro de Machado de Assis fosse autobiográfico?
Com o romance de estreia Última hora, vencedor do Prêmio Sesc de Literatura e finalista do Prêmio Jabuti e do Prêmio São Paulo de Literatura, José Almeida Júnior obteve sucesso de público e crítica e abriu caminho para marcar presença na área do romance histórico brasileiro.
A narrativa de O homem que odiava Machado de Assis se inicia com a morte de Machado, nosso maior escritor. Seu megarrival bebeu duas doses de conhaque em casa e toma a terceira numa taverna a poucos metros do edifício do Silogeu, sede da Academia Brasileira de Letras, onde Machado estava sendo velado. O livro é o primeiro a trazer a imagem de Machado negro em sua capa, fruto da Campanha da Faculdade Zumbi dos Palmares, lançada em 3 de maio passado.
No segundo capítulo, o narrador-protagonista fala de sua infância. Ficou órfão aos seis anos, em São Paulo. Foi levado para ser cuidado por uma tia materna no Rio de Janeiro, numa chácara do Morro do Livramento. Lá vivia um agregado chamado Joaquim Maria Machado de Assis, que logo se torna seu desafeto. Dois garotos, de origens muito diferentes, são forçados a conviver por alguns anos e acabam por ver suas trajetórias enlaçadas por um destino irônico.
Pedro Junqueira, o narrador, vai estudar em Portugal e lá conhece Carolina. Ela fica grávida e ele a abandona. Algum tempo depois, Pedro volta ao Rio e, num sarau de comemoração à Lei do Ventre Livre, reencontra Carolina casada com Machado, o inimigo de infância. O destino não poderia ser mais cruel e injusto. Ter como adversário o escritor de maior prestígio na literatura brasileira não deve ser fruto apenas do acaso, mas uma maldição.
 

Papel da Imprensa no Tá Na Mesa 1.000

No dia 29 de maio, Simone Leite, presidente da Federasul, recebeu para a milésima edição do Tá Na Mesa, um dos principais pontos de encontro do empresariado rio-grandense. Em 25 anos, o evento reuniu mais de 250 mil pessoas e o tema - O Papel da Imprensa na Construção da Sociedade - não poderia ser melhor, dois dias antes do Dia da Imprensa e nesse momento crucial de nossa República.
Guilherme Kolling (Jornal do Comércio), Marta Gleich (RBS), Reinaldo Gilli (Bandeirantes), Carlos Toillier (SBT), Sérgio Cóssio (Bandeirantes), Mário Gusmão (Grupo Sinos) e Paulo Sérgio Pinto (Pampa e Agert) foram os convidados e foram unânimes em ressaltar os valores democráticos, a liberdade de imprensa essencial para o desenvolvimento de toda e qualquer sociedade e o papel de "gatekeeper" dos profissionais da mídia.
Antigamente, nos tempos em que saúva era um problema nacional (Ou acabamos com a saúva ou ela acaba com o Brasil!), tínhamos notícias "plantadas", espécie de vovós das atuais fake news e fake news requentadas. Hoje o inimigo nacional, o cupim da República, é a corrupção. Saudades da formiga e do bucólico Brasil Rural.
Mais do que nunca a imprensa deve checar com rigor as fontes, filtrar as informações, não apenas informar, mas bem informar (como ressaltou Kolling), interpretar, analisar, comentar, investigar (usando meios legais) e, enfim, ser "olhos e vistas da Nação", auxiliando no desenvolvimento social e seguindo com as tradições mundiais que envolvem uma atividade indispensável para todos.
Nessa época em que, como previu McLuhan, toda pessoa é seu próprio editor, cheio de si, de opiniões, informações, filmes, fotos e tudo mais, é difícil o trabalho jornalístico. No Brasil temos milhões e milhões de "jornalistas amadores", formadores de opinião e não apenas milhões de técnicos de futebol como antes.
Buscar a verdade nunca foi fácil. Há mais de dois mil anos, Pilatos perguntou a Jesus Cristo: o que é a verdade? Em nossos tempos pós-modernos de muitas ou nenhuma verdade, a pergunta segue e precisamos dar respostas, ainda que precárias, para descobrir as coisas ou buscar alguma firmeza, alguma coisa eterna ou simplesmente tentar dizer o que realmente é.
No jornalismo descrever os fatos e as pessoas como são segue desafio e dever. Uns preferem invenções, mentiras, ficções e usar a comunicação para outros fins. Mentira tem perna curta, diz o povo, sábio. Os velhos e melhores valores do jornalismo devem ser mantidos, são conquistas milenares da humanidade e ninguém tem o direito de subtraí-las, sob qualquer pretexto.
Há quem diga que existem muitas verdades, que é impossível saber exatamente o que é a verdade e qual a mais verdadeira. Tema infindável, instigante até a medula, mas a gente sabe muito bem quais as verdades verdadeiras e perenes. O tempo e a História mostram que há verdades atemporais e universais. O direito à vida, à liberdade e os valores democráticos, entre outros, são verdades vivas como o mar.
 

Lançamentos

  • Apenas por nós choramos (Editora Penalux), obra mais recente da consagrada poeta e escritora Anna Mariano, traz 78 densos e bem elaborados poemas inéditos sobre o tempo, a vida, as lembranças, a família e o amor, como "Por que me buscas se já não me queres? Por que te quero se já não te busco?". Apresentação de Pedro Gonzaga.
  • Vidas Solidárias - Cidadania e cultura do voluntariado (144 páginas, Edição do Autor), com fotografias de Eurico Salis, textos do jornalista Marcelo Beltrand e José Alfredo Nahas, prefácio de Leo Voigt e posfácio do Dr. JJ Camargo, traz belos e inspiradores imagens e textos sobre pessoas e entidades envolvidas com o voluntariado no Rio Grande do Sul.
  • De pai para filho na migração gaúcha (Padrinho Agência de Conteúdo, 98 páginas), texto do premiadíssimo jornalista Carlos Wagner, imagens de Emilio Pedroso, completa a trilogia de viagens do autor pelo Brasil de Bombachas, oeste brasileiro, onde estão migrantes gaúchos. Na obra, o cotidiano deles e os complexos processos de sucessão familiar.

A propósito...

Nesse momento, como diria Getúlio Vargas, "de grave crise nacional", jornalistas e todos os brasileiros podem e devem fazer algo para dar um futuro melhor às novas gerações. A imprensa tem um papel gigante na reconstrução do País e não pode e não deve deixar de cumprir suas tarefas. As redes sociais estão aí, para o bem e para o mal, mas não podem de modo algum substituir os meios de comunicação. Digamos que todos somos protagonistas, que se não batalharmos pelo coletivo, seremos indivíduos sem futuro feliz. O parto do Brasil pode ser demorado, mas a criança vai nascer, envolta no manto da liberdade de imprensa.
 
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