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Porto Alegre, sexta-feira, 20 de julho de 2018.
Dia do Amigo.

Jornal do Comércio

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Jaime Cimenti

Livros

Edição impressa de 20/07/2018. Alterada em 20/07 às 01h00min

A Rússia contemporânea

Acabamos de assistir a Copa do Mundo na Rússia com a vitória da França, que deve estar repensando questões de imigração. A Copa foi gramado de novidades mundiais, até mesmo em termos de futebol, que ainda apresenta algo diferente, como o juiz eletrônico big brother que, a princípio, tudo enxerga, mas que pode ser revisto pelo juiz bípede.
Do Socialismo Soviético ao Capitalismo Russo - A Transformação Sistêmica da Rússia (Ateliê Editorial, 254 páginas), da professora Lenina Pomeranz, que se doutorou em planejamento na Rússia Soviética e foi aluna dos célebres economistas poloneses Michal Kalecki e Oskar Lange, é obra que está sendo publicada em momento mais do que oportuno.
A cobertura da Copa pela imprensa mostrou, além da saudável overdose futebolística, vários aspectos de um sistema que surgiu com a revolução de 1917 e desmoronou, dando lugar às transformações pós-1991.
Lenina, professora associada à FEA-USP organizou a obra Perestroika. Desafios da Transformação Social na URSS (1990) e, segundo Felipe Castilho de Lacerda, apresentador do volume, é certamente a pessoa indicada para falar sobre o "homem soviético" e os impasses do socialismo, desde seus inícios até sua dissolução. Ela estudou in loco a história russa, desde 1917 até os anos Putin que marcam e seguirão marcando a contemporaneidade. A obra pretende mostrar como se estruturaram as bases do novo sistema capitalista russo, que mescla elementos herdados do passado com características adquiridas pela inserção da Rússia no concerto das nações.
O processo russo de transformação sistêmica, segundo o livro, passou por três fases. A primeira foi a perestroika, com Gorbatchov, que pretendia a implantação apenas do socialismo democrático. Depois de muitos conflitos, a segunda fase envolve os dois períodos da gestão Yeltsin, entre 1991 e 1999, com a escolha do capitalismo como sistema para o país. Doença de Yeltsin e escândalos de corrupção marcaram o período, causando uma "anomalia governamental". A terceira fase das transformações é a era Putin, inicialmente como primeiro-ministro e depois como presidente. O período é marcado pela centralização do poder, alterações de estruturas, regulamentações, nacionalismo como base ideológica e "democracia administrada".
Como se vê, ótima obra para compreender a Rússia atual e sua relação com os demais países.

Lançamentos

Crônicas de um condado mágico (Wwlivros, 244 páginas), do escritor e professor universitário João Manoel Moraes da Silva, autor de livros de crônicas e culinária, traz bem elaborados e inspirados textos inspirados em cenários, situações e personagens de condados mágicos: Macondo e Itaguaí, na real Roca Sales, Roca para os íntimos. Livros, filmes e notícias estão na obra de João, leitor de Machado e G. García Márquez e que canta bem sua aldeia universal.
A menor ideia (Class, 130 páginas), estreia individual em poesia da atriz premiada, professora, tradutora e escritora chilena Lota Moncada. Ricardo Silvestrin apresenta: "Seu texto traz as boas marcas da poesia de língua espanhola e uma convivência amorosa com a lírica brasileira. Na mistura, a nota grave, tangueira, fala mais alto". Por exemplo: "Há dias em que/mais que um outro olhar/ é preciso, ao menos, um olhar".
Dança da escuridão (Faro Editorial, 256 páginas) do escritor e roteirista carioca Marcus Barcelos, é a continuação de seu romance Horror na Colina de Darrington (Faro Editoral, 2016). Onze anos depois de sua condenação, Benjamin Francis Simons sofre com as duras lembranças de seus atos passados. Ben se vê abruptamente amarrado a uma cadeira de metal, no breu de um local desconhecido, onde um homem grita, tentando arrancar-lhe uma obscura confirmação.

Autoajuda-te a ti mesmo

Consta que tem um autor por aí, muito sincero, transparente e ganancioso que está escrevendo um livro intitulado Autoajuda-te a mim mesmo. Grande coisa, geralmente as obras de autoajuda ajudam o autor. Se eles não ajudam, não compre porque deve ser ruim. Abre o olho, autoajuda-te a ti mesmo. Eu estava no lançamento de uma obra cujo autor estava preso. Disse para o editor, brincando, claro, que era o autor ideal para um editor, estava preso, não iria perturbar com pedidos de prestação de contas, revisão de erros de impressão, pagamento de direitos autorais e outras chatices.
Disse ao tal editor que livros de autoajuda vendem mais que pão quente, pastel em dia de carreira e cupom de Mega-Sena acumulada em R$ 70 milhões, que geralmente sai, por exemplo, para um solitário apostador de Uiramutã, interior de Roraima. Mas a gente segue jogando, que é preciso enriquecer algum irmão brasileiro. Alguns livros de autoajuda são uma Mega-Sena para os autores.
Eu disse para o tal editor que ia escrever um livro utilíssimo, principalmente para mim e para ele, chamado "Como escolher seu manual de autoajuda - Autoajuda-te a ti mesmo agora". O olho do editor brilhou, ele farejou altas granas e disse que me publicaria logo. Até agora não escrevi a imprescindível obra e acho que o tal editor não se ajudou e sumiu, mas não desisti de me ajudar. Desde a Bíblia até o "A sutil arte de ligar o f*da-se", primeirão na lista da Veja desta semana, muitos livros rolaram, dando conselhos de felicidade, ganhar milhões, perder vinte quilos em 10 dias, pegar centenas de pessoas e atingir oito orgasmos múltiplos, conquistar um milhão de amigos, se achar Deus, primeiro e único e ser ajudado por todo mundo, provocar milagres cotidianos ou descobrir o oceano de ação, otimismo e criatividade que está mergulhado em você.
Brincadeira séria à parte não te aconselho a comprar livros de autores que ficaram pobres (e só enriqueceram editores), que tomam sopa com garfo, que se suicidaram junto com seus discípulos, que dizem que têm tantas dúvidas quanto você e querem te fazer acreditar que você decide tudo, pode tudo e que todos os universos e galáxias vão te ajudar até a ganhar sozinho a Mega-Sena acumulada de R$ 150 milhões. Abre teu olho, a coisa não é tão simples. Livros de autoajuda e dietas pegam mais que pulga em guaipeca. Escolhe bem teu manual.
É melhor não saber nada sobre o autor autoajudante-a-ele-mesmo. Se o escritor-auxiliar for misterioso para você, aí você acredita em tudo o que ele diz e verá revelados os infinitos mistérios que dormem no âmago mais profundo do teu ser. Os mistérios serão docemente acordados com os teus poderes, o poder do sol, do dia, da manhã dourada, da ação, da autorresponsabilidade e do energético agora, que não para de voar. Vida é o que acontece enquanto lemos dezenas, centenas, milhares de livros de autoajuda. A vida é tu, o teu agora, a luz que não apaga e a infindável capacidade de acreditar e ter esperança, mesmo no Brasil-2018, à beira de um ataque de eleições e do precipício que está quase maior do que o País.
 

A propósito...

Sei lá, honestamente, quer saber? Não acredite facilmente nos conselhos de ninguém, muito menos nos meus. Eu também falho, acredite. Não sou a Rainha Elizabeth ou o Sarney, sou mortal. Desconfie de mim e desses milhões de how to do books autoajudantes. Não há verdades eternas e absolutas. Eterno e absoluto só Ele. A verdade somos nós mesmos, nossos sentimentos, ações, decisões, indecisões, mentiras e delírios. A verdade é dia e é noite. É luz e sombra. Pensando bem, quem sabe o título do meu livro fique melhor assim: "Chega! Não aguento mais! - Como não depender de manuais de autoajuda". Se eu encontrar o editor aquele que não se autoajudou, acho que ele vai gostar. (Jaime Cimenti)
 
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