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Porto Alegre, terça-feira, 21 de julho de 2020.

Jornal do Comércio

Porto Alegre,
terça-feira, 21 de julho de 2020.
Notícia da edição impressa de 20/03/2020.
Alterada em 19/03 às 21h45min

A maior palavra

GIOVANNI ISOLINO/AFP/JC
Aprendi que a maior das palavras da língua portuguesa era inconstitucionalissimamente, significando "de modo absolutamente inconstitucional". Pois lhes conto que, dois dias antes da recente suspensão das aulas, meu neto Victor, de seis anos e nove meses, aluno da 1ª série do Ensino Fundamental, apresentou-me um papel em que, na escola, ele escrevera - tudo em maiúsculas - uma palavra composta por 46 letras distribuídas em 20 sílabas: PNEUMOULTRAMICROSCOPICOSSILICOVULCANOCONIÓTICO.
Aprendi que a maior das palavras da língua portuguesa era inconstitucionalissimamente, significando "de modo absolutamente inconstitucional". Pois lhes conto que, dois dias antes da recente suspensão das aulas, meu neto Victor, de seis anos e nove meses, aluno da 1ª série do Ensino Fundamental, apresentou-me um papel em que, na escola, ele escrevera - tudo em maiúsculas - uma palavra composta por 46 letras distribuídas em 20 sílabas: PNEUMOULTRAMICROSCOPICOSSILICOVULCANOCONIÓTICO.
É claro que todos os nossos leitores terão lido a palavra acima com a maior facilidade... Mas quem não conseguiu pode tentar mais algumas vezes... (Risos!).
Pois entreguei a batata quente ao professor Paulo Flávio Ledur, dizendo-lhe: "Por favor, vê o que é e descobre o significado". O competente mestre do idioma português foi atrás e descobriu. O Dicionário Houaiss já registra a palavra, que teria surgido em 2001, informando que se refere ao "indivíduo portador de doença pulmonar causada pela inspiração de cinzas vulcânicas".
Assim, a tal palavrona, pelo menos por enquanto, passa a ser a maior palavra do português com registro em dicionário.
 

Vantagens e desvantagens

Trabalhar em casa pode ter algumas vantagens. Em tempos de coronavírus, empresas tendem a aumentar significativamente o trabalho remoto para muitos dos seus postos que não exigem presença física do empregado. Parece muito bom: trabalhar em sossego, sem distração, fazendo refeições saudáveis, sem se estressar no trânsito no caminho (ida e volta) do escritório.

Mas o colunista de tecnologia do jornal The New York Times, Kevin Roose, antecipou, nesta semana, os dados de uma pesquisa que fez para um futuro livro e revelou: "Pessoas que trabalham em casa perdem em criatividade e pensamento inovador".

E também: "Os que trabalham em conjunto chegam mais rapidamente a soluções de problemas do que os que trabalham remotamente".

O home office que não deu certo

Esta é contada pelo advogado gaúcho Rafael Berthold, com o cuidado de não revelar os nomes das pessoas. Para prevenir a disseminação do coronavírus, um casal e seu filho - todos advogados e titulares do mesmo escritório - foram pioneiros em Porto Alegre, há duas semanas, na decisão: eles e os colaboradores trabalhariam remotamente de suas residências, o famoso home office, enquanto perdurasse o risco de contágio.

Não deu certo, porque o patriarca sisudo exigia pontualidade e traje formal na rotina do home office. A esposa e mãe apresentou-se com trajes simples e bobbies nos cabelos. E o jovem profissional (inscrição na OAB na faixa do nº 90.000) autodeterminou-se que o mais confortável seria usar camiseta básica, bermuda e sandálias Crocs.

A decisão de voltarem, com cuidados, à estrita rotina do bem postado escritório foi tomada no mesmo dia em que, na tela do notebook caseiro da matriarca, o filho havia deixado uma pergunta: "Mãe, o que vais preparar para o almoço de hoje?".

Garagens para aviões

Pelas contas da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), 37 aviões da Gol e da Latam estarão fora de circulação nos próximos dias por causa da redução do número de passageiros e do cancelamento de voos provocados pelo novo coronavírus (os números da Azul não foram revelados). O aluguel para estacionar tais frotas em aeroportos privados não é barato. Há uma articulação para levar essas aeronaves para uma base aérea da FAB.

Nos Estados Unidos, nos períodos de baixa demanda, aviões são estacionados em "cemitérios" até o aquecimento da economia. A maior e mais famosa "necrópole" de aviões do mundo fica na Base Aérea de Davis-Monthan e virou ponto turístico no Arizona. Ali, a baixa umidade do deserto de Sonora ajuda a conservar as aeronaves.

Keep distance!

A pequena cidade de New Rochelle, nos EUA, a 34 quilômetros de distância do nova-iorquino Times Square, foi colocada em quarentena. Um raio de uma milha foi estabelecido - com o aviso de "Mantenha Distância" - ao redor da cidade, de onde pessoa alguma passa. Ninguém entra, ninguém sai. Os habitantes registrados são 77 mil.

Seus primeiros moradores foram os índios Siwanoys, até 1738. New Rochelle é, desde o século passado, destacada por ambientalistas, pelos seus lindos e numerosos parques.

Para lembrar

Em 1973, em decorrência do toque de recolher a partir da tarde de 11 de setembro daquele ano, milhares de pessoas ficaram várias semanas em suas casas. Foram silenciados os jornais El Clarín, El Siglo e Puro Chile, e muitas emissoras de rádio.

Nove meses depois foi constatado um baby boom - a maior taxa chilena de natalidade na década de 1970.

A quarentena italiana

De Torino, Norte da Itália, onde reside desde 2009, a advogada gaúcha Sabrina Strassburger, natural de Campo Bom (RS), relatou para o Espaço Vital "os efeitos imediatos da quarentena no âmbito do Direito Penal". O não cumprimento de qualquer norma em relação à saúde pública é passível de pena de prisão de até três meses.

O primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, assinou dois "decretos ministeriais", nos dias 8 e 11 de março, que entraram em vigor no dia imediato, sem necessidade de aprovação pelo Parlamento. As normas criaram medidas drásticas para a contenção e a gestão da emergência epidemiológica.

Quem não respeitar a regra de permanecer isolado e sem contato com outras pessoas pode ser punido pelo Codice Penale: o artigo 452, que trata dos "crimes culposos contra a saúde pública", prevê reclusão de três a 12 anos.

Para consolo

Alguns números de recente levantamento comparativo da Fundação Getulio Vargas (FGV) são entusiasmantes para brasileiros. Entre países - como Itália e Japão - onde a pandemia é maior, os habitantes sofrem mais por terem a maior proporção mundial (30%) de idosos acima dos 65 anos. É aí que a faixa da letalidade é maior.

No Brasil - garante a FGV -, o percentual de idosos é de apenas 8,2%. É um alento saber.

C versus Cs

Um conselheiro da OAB-RS foi criativo, nesta semana, nas redes sociais.

Depois de ressaltar que tem "apenas 50 anos de idade", ele avaliou que "o mundo vive uma guerra de coronas contra coroas".

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Marco A. Birnfeld
Marco A. Birnfeld
Informações exclusivas sobre o meio jurídico, notícias sobre processos importantes no Estado e no País. Além de causos lembrados por advogados e juízes, contados com bom humor na seção Romance Forense. Essas e outras pautas estão na coluna Espaço Vital, publicada nas terças e sextas-feiras no Jornal do Comércio.