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Porto Alegre, terça-feira, 16 de outubro de 2018.

Jornal do Comércio

Notícia da edição impressa de 15/10/2018.
Alterada em 16/10 às 08h29min
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A origem do comércio chinês com o mundo

Turistas atravessam o deserto de Gobi em camelos, refazendo o roteiro dos antigos comerciantes

Turistas atravessam o deserto de Gobi em camelos, refazendo o roteiro dos antigos comerciantes


/THIAGO COPETTI/ESPECIAL/JC
Dunhuang
Dunhuang - hoje uma pequena cidade da província de Gansu, Noroeste da China -, há centenas de anos, foi um grande centro comercial e cultural. A cidade é, literalmente, um oásis cercado pelo deserto de Gobi. Era o último entreposto onde mercadores chineses paravam antes de seguir a longa viagem da milenar Rota da Seda rumo ao Ocidente. Por ali, circularam milhares de pessoas, de origens, nacionalidades e etnias diversas. Hoje, é uma cidade minúscula para os padrões chineses: conta com apenas 200 mil habitantes em um país de 1,4 bilhão de pessoas. O fluxo de turistas, porém, impressiona. Chegou a 9 milhões de viajantes em 2017, o equivalente a 45 vezes a sua população.
Turismo, cultura e história, além das origens do comércio chinês com o mundo, se apresentam por todos os cantos da cidade, assim como são a base da sua economia. Dunhuang conta, inclusive, com apoio da Unesco para se tornar uma espécie de "cidade símbolo" de um roteiro turístico que pode virar patrimônio histórico mundial. Na verdade, boa parte já é. Desde 2014, a Unesco considera o roteiro de cerca de 5 mil quilômetros entre a China e o Cazaquistão como um patrimônio cultural mundial.
ONDE FICA:
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ARTE JULIANO BRUNI/JC
 "Há 15 anos, trabalhamos para incluir toda a antiga Rota da Seda como patrimônio cultural do mundo. Além do comércio, ao longo da rota, criou-se uma das maiores interconexões mundiais em termos artísticos, religiosos e filosóficos", explicou o diretor-geral assistente de Cultura da Unesco, Ernesto Renato, em evento que reuniu representantes de cerca de 100 países em Dunhuang, no final de setembro.
Renato destacou, ainda, o grande potencial que a economia criativa tem para levar riquezas a pequenas comunidades pobres ao longo da Rota da Seda. E especialmente a mulheres, que, segundo ele, representam mais de metade das pessoas que fazem da cultura, do artesanato, da dança e da música uma fonte de renda.
Um dos maiores símbolos da civilização e da cultura criada ao longo da Rota da Seda são as cavernas Mogao. O conjunto de cavernas ancestrais foi inscrito na Lista do Patrimônio Mundial da Unesco em 1987. Construídas há quase 2 mil anos, as cerca de 500 cavernas Mogao foram escavadas em uma grande rocha e abrigam milhares de estátuas e pinturas budistas em suas paredes. Construídas, primeiramente, no século IV, abrigam cerca de 45 mil metros quadrados de murais e mais de 2 mil esculturas pintadas. Por se localizarem em um ponto estratégico da Rota da Seda, o local, em meio ao deserto de Gobi, tornou-se o último entreposto chinês para reabastecimento das imensas caravanas de camelos que seguiam do Ocidente ao Oriente carregando tecido, porcelana, metais preciosos e especiarias, entre outros.
As cavernas, de acordo com a Unesco, estão fortemente ligadas à história das relações transcontinentais e à difusão do budismo por toda a Ásia. Durante séculos, o oásis de Dunhuang, perto do qual dois ramos da Rota da Seda se bifurcavam, foi muito mais do que um ponto de compra e venda de mercadorias, mas um lugar de conexão de ideias e pensamentos chineses, tibetanos e uigures, e até mesmo manuscritos hebraicos foram encontrados dentro das cavernas.
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Comentários
Francisco Berta Canibal 16/10/2018 06h22min
Vale ler e entender sobre a Rota das Sedas. Muito bem.

Thiago Copetti

A convite do Centro Internacional de Imprensa da China, o repórter está participando de um intercâmbio no gigante asiático. No blog Conexão China, apresentará, além de informações econômicas e políticas da segunda maior economia do mundo, também curiosidades culturais e gastronômicas, dicas de turismo e como é o cotidiano da vida em Pequim.