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Porto Alegre, domingo, 28 de fevereiro de 2021.

Jornal do Comércio

Porto Alegre,
domingo, 28 de fevereiro de 2021.
Notícia da edição impressa de 26/02/2021.
Alterada em 28/02 às 16h40min

Os hotéis do Centro Histórico

FERNANDO ALBRECHT/ESPECIAL/JC
Alguns antigos e memoráveis hotéis do Centro Histórico de Porto Alegre resistem em regime de stand by, esperando tempos melhores. Caso do City Hotel, no comecinho da José Montaury. Vai longe o tempo em que o City de Fernando Dexheimer Kessler era o preferido dos agropecuaristas. Certo fim de tarde, na parte final dos anos 1970, a conversa entre integrantes de uma famosa roda formada por advogados, jornalistas e homens do campo foi interrompida pela entrada de um esbaforido retardatário, que veio com as últimas. Um deles, bom de copo, havia entrado no Proalccol, de microdestilarias de álcool. Depois de alguns segundos, um deles falou.
Alguns antigos e memoráveis hotéis do Centro Histórico de Porto Alegre resistem em regime de stand by, esperando tempos melhores. Caso do City Hotel, no comecinho da José Montaury. Vai longe o tempo em que o City de Fernando Dexheimer Kessler era o preferido dos agropecuaristas. Certo fim de tarde, na parte final dos anos 1970, a conversa entre integrantes de uma famosa roda formada por advogados, jornalistas e homens do campo foi interrompida pela entrada de um esbaforido retardatário, que veio com as últimas. Um deles, bom de copo, havia entrado no Proalccol, de microdestilarias de álcool. Depois de alguns segundos, um deles falou.
- Ué! Mas ele nunca saiu...

O Bom Fim de Scliar

Quantas vezes este colunista conversou sobre o bairro Bom Fim com Moacyr Scliar, falando do Stink (Fedor), do Bar João e outras casas da área. O notável escritor não era boêmio, mas gostava de contar histórias do Fedor, que também era churrascaria. Finda a revoada noturna, os corpos precisavam de injeções de proteína. O Bar João era um paradoxo. De dia, era frequentado por pacatos senhores de cabelos brancos, mas à noite, às vezes, virava barra pesada... Scliar é tema da Reportagem Cultural desta edição.

Peças de reposição

Na contramão da crise, indústria gaúcha do setor de autopeças de reposição, a Viemar Automotive, de Porto Alegre, teve dupla comemoração nesta semana. Festejou 25 anos e elevou em 27% as vendas de produtos, ao ponto de ter que contratar 20% a mais de funcionários para atender a demanda.

Agruras no dia-a-dia

Leitor se queixa da limitação do horário de funcionamento das academias, que, no seu caso, fecha às 20h. Como ele e muita gente trabalham o dia inteiro, só lhe resta agendar horário entre 19h e 20h. Problema: todos que a frequentam tem a mesma necessidade, ultrapassando o limite de ocupação de espaço. Ele também pergunta por que academia é considerada serviço não essencial, se trata do corpo (e a mente).

O tempo passa...

...o tempo voa, e alguns vereadores ainda acham que compete a eles tabelar serviços. Agora, um deles quer tabelar sepultamentos. Ou é demagogia ou desconhecimento de limites. Além disso, tanto os eleitores quanto os eleitos medem a eficiência de um parlamentar pelo número de projetos de lei que apresenta. Costuma ser o contrário.

Como de hábito

A Petrobras registrou um lucro líquido de R$ 59,1 bilhões no quarto trimestre de 2020, o que resultou em lucro líquido de R$ 7,1 bilhões no ano, enquanto os analistas previram prejuízo. No futuro, saberemos que os especialistas estavam quase sempre errados.

Em queda

Estudo da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo com a FX Data Intelligence mostra que houve queda de 33% no faturamento dos shoppings, de R$ 192,8 bilhões em 2019 para R$ 128,8 bilhões em 2020, além da diminuição do fluxo de pessoas, que passou de 502 milhões de visitas ao mês em 2019 para 341 milhões em 2020. Ressalta-se também a retração de 9,5% na geração de empregos diretos.

10 em 1

Dá para dizer que em um ano de pandemia, houve transformações que levariam uma década para se instalar. Entre tantas outras mudanças aceleradas está a da operação dos bancos. As instituições físicas tradicionais estão sendo substituídas pelos bancos digitais. Então, surfa essa onda ou se afoga.

Ocorre que...

...a transição será braba para os que não se acertam com operações digitais. Já está sendo, aliás. E com isso, o número de vigarices e vigaristas também se multiplica por 10.

Quem diria

Quem diria há apenas alguns anos que o País teria uma crise enorme e economia paralisada por falta de leitos hospitalares e UTIs.

O avalista do Chevette

Como diz o antigo ditado, por que me odeias se não te fiz bem? O agradecimento por bondades feitas geralmente rende desilusões a quem a fez. Foi mais ou menos o caso de um ás da comunicação, e digo mais ou menos porque no decorrer da bondade houve um episódio inusitado. Nosso homem era daquelas pessoas que todo mundo conhece, e calhou de outra pessoa que todo mundo conhece lhe pedir um favor. E que favor.

Logo que o Chevette foi lançado, representava um andar superior ao bom e velho fusca. Sua reputação o precedia naqueles tempos de poucas marcas e ruas de sobra. Pois era esse o desejo de consumo da outra pessoa que todo mundo conhecia.

Certo dia, procurou o amigo para pedir algo que até para irmão se titubeia, ser avalista na compra de um Chevette zero bala. E ele não sabia dizer não. A financeira também conhecia o homem que todo mundo já tinha pelo menos ouvido falar. Para resumir, era tão pontual como um relógio parado.

O gerente foi claro. Só autorizaria a operação se ele tivesse um avalista tão bom que nem o pecado original tinha, o oposto do outro. Foi assim que os dois se relincharam certa noite na casa deste. No sofá ao lado, a esposa estava vendo televisão. E era muito bonita, dessas de virar a cabeça da homem.

Entrementes, os dois acertaram.

Como tinha toda uma papelada a providenciar, negativas, declaração de bens, registro de firma, xerox do extrato da conta, o fiador resolveu entregar tudo à prestação, só para ver novamente a bela mulher que sempre estava assistindo televisão, ela e sua formosura.

Nestas idas e vindas a mulher do amigo fez olhinho. Não havia dúvida, era olhar de desejo. E assim que um dia ela deixu de olhar televisão para olhar o teto do quarto do motel.

O financiamento saiu, o Chevette veio e tudo estava na Santa Paz, quando um dia o avalista recebeu carta da financeira, nenhuma prestação fora paga. Trêmulo, foi à casa do amigo mostrar a cobrança. O devedor nem se deu ao trabalho de ler. Apenas desviou um olho para a mulher vendo televisão e disse uma só frase.

- Quem janta paga a conta!

O bondoso avalista entendeu o recado. Saiu de lá com a carteira destroçada. Vagueou pelas ruas e acabou em um bar, onde encontrou um amigo comum. Contou-lhe o triste causo, que ficou ainda mais triste quando ele ouviu a real, conhecedor que era das manhas do devedor, realidade qie destruiu também a sua auto-estima.

Fora tudo premeditado. Mulher, TV, sofá, motel.

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Fernando Albrecht
Fernando Albrecht
Informações exclusivas em notas curtas, objetivas e bem-humoradas. Bastidores da política, observações econômicas, causos do cotidiano e um olhar diferenciado sobre a vida urbana estão na coluna Começo de Conversa.