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Porto Alegre, terça-feira, 08 de outubro de 2019.
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Jornal do Comércio


Alterada em 08/10 às 19h24min
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Ford desenvolve, no Brasil, novo composto de borracha para uso com biodiesel

O material apresenta características técnicas próprias para tubulações que conduzem esse combustível e custa a metade do similar importado. O composto de borracha foi criado pela área de engenharia de materiais do centro de desenvolvimento de produto da Ford em seu complexo industrial de Camaçari (BA), e já gerou duas patentes nos Estados Unidos, estando também em processo de registro no Brasil, China e Europa.
O material apresenta características técnicas próprias para tubulações que conduzem esse combustível e custa a metade do similar importado. O composto de borracha foi criado pela área de engenharia de materiais do centro de desenvolvimento de produto da Ford em seu complexo industrial de Camaçari (BA), e já gerou duas patentes nos Estados Unidos, estando também em processo de registro no Brasil, China e Europa.
Desde 2008, a legislação brasileira determina que carros e caminhões a diesel sejam homologados para receber o biodiesel. Inicialmente, a adição foi na proporção de 5%, a mistura aumentou para 10% em 2018 e há a previsão de chegar a 15% - o chamado B15.
Além de ser uma fonte de energia renovável, o biodiesel possui alto ponto de fulgor, o que torna o manuseio e o armazenamento mais seguros, assim como excelente lubricidade. Para permitir seu uso, foi necessário alterar o material das mangueiras e vedações que ligam o bocal de abastecimento ao tanque de combustível. Tais peças passaram a ser fabricadas com borracha nitrílica hidrogenada (HNBR), importada, que oferece resistência química superior, mas a um alto custo.
“As peças que sofrem contato com o biodiesel S10 não podem ter acúmulo de carga eletrostática, devido à baixa condutividade desse combustível, o que pode gerar eventuais faíscas em períodos de menor umidade e comprometer a segurança veicular. As peças de borracha HNBR importadas possuem a propriedade de dissipar as cargas elétricas, mas são cinco vezes mais caras que as convencionais”, explica Cristiano Hubert, especialista em polímeros e elastômeros do time de engenharia de materiais da Ford.
Em 2017, essa área da empresa começou a pesquisar materiais alternativos e desenvolveu o novo composto de borracha, o PVC/NBR condutivo, que atende às características desejadas com menor custo. Uma das fórmulas patenteadas emprega como componente o grafeno. Outra, aplica a sílica obtida a partir da cinza de casca de arroz, material sustentável que atua como reforço mecânico e tem a capacidade de reduzir o inchamento em contato com o biodiesel.
As primeiras peças feitas com o PVC/NBR condutivo devem estrear no mercado em 2020, na picape Ranger, e também poderão ser licenciadas para outras marcas, inclusive fabricantes de caminhões, que são grandes usuários de diesel. A produção em escala desse material, que consegue suportar concentrações de até 30% de biodiesel, é favorecida também pela abundância de matéria-prima, já que o Brasil é o maior produtor de arroz fora da Ásia.
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Vinicius Ferlauto
Vinicius Ferlauto
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