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Porto Alegre, quinta-feira, 07 de junho de 2018.
Dia da Liberdade de Imprensa.

Jornal do Comércio

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Dom Jaime Spengler

A voz do Pastor

Notícia da edição impressa de 07/06/2018. Alterada em 06/06 às 21h21min

Não permitamos que nos roubem a esperança!

Na última semana, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) publicou uma nota na qual manifestou a sua posição diante dos graves acontecimentos nacionais das últimas duas semanas. 
O descaso presente em setores da sociedade pela coisa pública, as manifestações do corporativismo de setores da sociedade mais interessados no particular que no coletivo, os contundentes sinais de corrupção e manipulação interesseira do bem comum, as manifestações de expressões do judiciário que não responde à altura dos desafios da Nação e o populismo oportunista oferecem sinais preocupantes.
As pessoas que desejam dias melhores para as futuras gerações não podem permanecer indiferentes diante dos enormes desafios que atingem a todos os cidadãos.
A situação que o nosso povo está vivendo exige responsabilidade de todas as forças da sociedade, de modo especial, os poderes públicos constituídos. A nota lançada pela CNBB tem como base uma citação bíblica: "Jesus entrou e pôs-se no meio deles e disse: A paz esteja convosco" (Jo 20,19).
Em seguida, a Conferência, por meio de sua presidência, expressa solidariedade para "com os caminhoneiros, trabalhadores e trabalhadoras, em manifestações em todo território nacional, e preocupada com as duras consequências que sempre recaem sobre os mais pobres, conclama toda a sociedade para o diálogo e para a não violência. Reconhecemos a importância da profissão e da atividade dos caminhoneiros". 
A crise é grave e pede soluções justas. Contudo, "qualquer solução que atenda à lógica do mercado e aos interesses partidários antes que às necessidades do povo, especialmente dos mais pobres, nega a ética e se desvia do caminho da justiça" (CNBB, 10/03/2016). Nenhuma solução que se utilize da violência ou prejudique a democracia pode ser admitida como saída para a crise.
Não é justo submeter o Estado ao mercado. Quando é o mercado que governa, o Estado torna-se fraco e acaba submetido a uma perversa lógica financista. "O dinheiro é para servir, e não para governar" (Papa Francisco, Evangelii Gaudium, 58).
É necessário cultivar o diálogo que exige humilde escuta recíproca e decidido respeito ao Estado democrático de direito, para o atendimento, na justa medida, das reivindicações.
As eleições se aproximam. É preciso assegurar que sejam realizadas de acordo com os princípios democráticos e éticos, para restabelecer nossa confiança e nossa esperança. Propostas que desrespeitam a liberdade e o estado de direito não conduzem ao bem comum, mas à violência.  
Celebramos, recentemente, a Solenidade do Corpus Christi, fonte de unidade e de paz. Quem participa da Eucaristia não pode deixar de ser artífice da unidade e da paz. O pão da unidade nos cure da ambição de prevalecer sobre os outros, da ganância de entesourar para nós mesmos, de fomentar discórdias e disseminar críticas; que desperte a alegria de nos amarmos sem rivalidades, nem invejas, nem murmurações maldizentes (cf. Papa Francisco, Festa do Corpus Christi, 2017). O pão da vida nos motive a cultivar o perdão, a desenvolver a capacidade de diálogo e nos anime a imitar Jesus Cristo, que veio para servir, não para ser servido.
Conclamamos, por fim, todos à oração e ao compromisso na busca de um Brasil solidário, pacífico, justo e fraterno. A paz é um dom de Deus, mas é também fruto de nosso trabalho. Nossa Senhora Aparecida, interceda por todos!
 
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