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cinema

Edição impressa de 02/09/2019. Alterada em 02/09 às 03h00min

Sucesso internacional impulsiona 'A vida invisível' rumo ao Oscar

Premiado no Festival de Cannes deste ano, longa brasileiro é dirigido por Karim Aïnouz

Premiado no Festival de Cannes deste ano, longa brasileiro é dirigido por Karim Aïnouz


BRUNO MACHADO/DIVULGAÇÃO/JC
A Academia Brasileira de Cinema escolheu, na última terça-feira, o filme A vida invisível, de Karim Aïnouz, para representar o Brasil no Oscar 2020. O longa, com estreia no País programada para o dia 31 de outubro, inicia a campanha para conquistar uma das cinco vagas na categoria de melhor filme internacional, antigamente conhecida como "melhor filme estrangeiro". As indicações serão reveladas em 13 de janeiro, e a premiação ocorre em 9 de fevereiro, em Los Angeles, nos Estados Unidos.
A Academia Brasileira de Cinema escolheu, na última terça-feira, o filme A vida invisível, de Karim Aïnouz, para representar o Brasil no Oscar 2020. O longa, com estreia no País programada para o dia 31 de outubro, inicia a campanha para conquistar uma das cinco vagas na categoria de melhor filme internacional, antigamente conhecida como "melhor filme estrangeiro". As indicações serão reveladas em 13 de janeiro, e a premiação ocorre em 9 de fevereiro, em Los Angeles, nos Estados Unidos.
Estrelado por Carol Duarte e Julia Stockler, o filme foi o grande vencedor deste ano na mostra Um Certo Olhar, em Cannes. Além da história de forte carga emocional e a ênfase na experiência feminina em um mundo hostil, um dos trunfos do filme para convencer os jurados do Oscar é a participação de Fernanda Montenegro, indicada à estatueta de melhor atriz em 1999, por Central do Brasil.
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O filme é inspirado no livro A vida invisível de Eurídice Gusmão (2016), romance de estreia de Martha Batalha. A trama acompanha a vida de duas irmãs cariocas - Guida e Eurídice - criadas no ambiente machista e repressor típico dos anos 1940. Fortemente unidas durante a infância, as duas são separadas quando Guida (interpretada por Stockler) fica grávida do namorado, aos 18 anos, e é rejeitada pelos pais. Ainda assim, e mesmo com a passagem dos anos, ela e Eurídice (Carol Duarte) fazem de tudo para se reencontrar.
Outro fator a favor de A vida invisível na disputa pela premiação inédita é a presença de Rodrigo Teixeira na produção. Teixeira atuou como coprodutor em títulos de destaque internacional, como Frances Ha (2012) e Me chame pelo seu nome (2017), indicado ao Oscar de melhor filme. O diretor Karim Aïnouz, por sua vez, é benquisto no circuito de festivais - desde Madame Satã (2002), todos os longas do cearense participam de mostras internacionais.
"O filme fala de um tema muito importante hoje em dia, o machismo, mas olha para isso através da intimidade de duas mulheres incríveis, grandes personagens criadas pela Martha Batalha", explica Aïnouz, realçando sua expectativa de que o filme "toque e emocione" os espectadores.
A diretora Anna Muylaert (de Que horas ela volta?) presidiu a comissão de nove especialistas do meio cinematográfico encarregados de escolher o representante brasileiro. Segundo ela, a seleção levou em conta, além do gosto pessoal de cada integrante, as chances de o filme escolhido agradar a Academia de Hollywood. "A comissão, dividida ou não, deseja o melhor para A vida invisível. Que faça uma grande campanha e consiga a tão desejada vaga no Oscar", disse Anna.
A disputa pela indicação foi acirrada. O filme de Aïnouz recebeu cinco votos, com as outras quatro escolhas indo para Bacurau, dirigido por Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles. Vencedor do Prêmio do Júri em Cannes, o violento faroeste distópico estreou no circuito comercial brasileiro na semana passada, e era considerado por muitos o favorito para representar o Brasil. Mas, mesmo com a boa repercussão nas sessões de pré-estreia, Bacurau acabou superado pela assinatura visual e pelo caráter mais próximo do drama do longa de Aïnouz - o que, segundo críticos, dá ao escolhido aquela "cara de Oscar" tão difícil de definir.
Os dois filmes votados disputaram a indicação com outros dez títulos: Bio, de Carlos Gerbase; Chorar de rir, de Toniko Melo; Espero tua (re)volta, de Eliza Capai; Humberto Mauro, de André Di Mauro; Legalidade, de Zeca Brito; Los silencios, de Beatriz Seigner; Simonal, de Leonardo Domingues; Sócrates, de Alex Moratto; A última abolição, de Alice Gomes; e A voz do silêncio, de André Ristum.
Nos últimos cinco anos, os filmes escolhidos para representar o Brasil no Oscar foram O grande circo místico (2018), de Cacá Diegues; Bingo: o rei das manhãs (2017), de Daniel Rezende; Pequeno segredo (2016), de David Schürmann; Que horas ela volta? (2015), de Anna Muylaert; e Hoje eu quero voltar sozinho (2014), de Daniel Ribeiro. A última vez que o País disputou uma estatueta na categoria para filmes não falados em inglês foi com Central do Brasil, de Walter Salles, em 1999 - estrelado pela mesma Fernanda Montenegro que, espera a comissão, pode servir de chamariz para o sucesso do indicado mais recente.
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