Comentar

Seu comentário está sujeito a moderação. Não serão aceitos comentários com ofensas pessoais, bem como usar o espaço para divulgar produtos, sites e serviços. Para sua segurança serão bloqueados comentários com números de telefone e e-mail.

500 caracteres restantes
Corrigir

Se você encontrou algum erro nesta notícia, por favor preencha o formulário abaixo e clique em enviar. Este formulário destina-se somente à comunicação de erros.

Porto Alegre, terça-feira, 18 de dezembro de 2018.
Dia Internacional do Migrante.

Jornal do Comércio

Jornal da Lei

COMENTAR | CORRIGIR

Entrevista

Edição impressa de 18/12/2018. Alterada em 18/12 às 01h00min

"O conhecimento é um investimento a longo prazo", diz Carlos Santos da Silva

Leis - Carlos José Santos (Cajé) - Divulgação Escritório Machado Meyer

Leis - Carlos José Santos (Cajé) - Divulgação Escritório Machado Meyer


/MACHadO, MEYER advogados/JC
Caroline Grüne
O Centro de Estudos das Sociedades de Advogados (CESA) tem como principais finalidades promover estudos e manifestar-se sobre questões relativas à administração da Justiça e ao exercício da profissão de advogado. Com exclusividade ao Jornal da Lei, o Presidente Nacional do CESA, Carlos Santos da Silva (Cajé), falou sobre os estudos mais relevantes promovidos pelo Centro – citando a importância de as sociedades se atentarem aos advogados que virão das Universidades, criando vínculos e preparando-os para o futuro da advocacia.
Jornal da Lei – O CESA existe desde 1983. Quais foram os principais meios de atuação neste período?
Carlos Santos da Silva (Cajé) – O CESA é o braço que leva interesses comuns para a OAB. Essa união de forças viabiliza interesses maiores e sociais. Nós entramos em debates no Supremo, em temas relevantes quer seja pela Ordem de Advogados ou de interesse público, representando o amicus curiae, ou seja, o amigo da corte. Nós defendemos o direito. Na reforma do código penal, criamos um comitê para tratar deste tema e enviar sugestões. Nas questões tributárias, fomos procurados para discutir propostas da reforma. Percebemos que não adianta reclamar que a lei é péssima. Temos que participar do processo legislativo.
JL – O Centro acompanhou as mudanças sociais que influenciam a advocacia, a sociedade e o trabalho dos advogados. De que maneira os estudos sociais impactaram as ações do CESA?
Cajé – Há anos começamos a notar uma retenção do talento feminino nas sociedades de advogados. Nas Universidades 50% dos estudantes eram mulheres, mas o número de sócias era muito menor. Fomos para as Universidades pesquisar em que momentos perdíamos esses talentos. Sabemos que o diferencial do advogado é o conhecimento. Este é um investimento de longo prazo. Quando perdemos um profissional, nós perdemos o investimento que foi feito nele. A partir das pesquisas, encontramos soluções para lidar com as questões que afastavam as mulheres, sugerindo, por exemplo, o home office em meio turno após a gravidez. Esta é uma das questões do Incluir Direito, dentro do Comitê de Diversidade Pro Bono (do latim “para o bem”). Quando fazemos mudanças, reduzimos preconceitos e igualamos os estudantes. A mesma coisa aconteceu quando, em uma radiografia das sociedades de advogados, descobrimos que 1% dos membros são negros. No Brasil 54% da população é negra. Os jovens, porém, não chegavam aos nossos processos seletivos. Propomos às Universidades um levantamento da quantidade de alunos negros nas graduações. Desenvolvemos dois projetos: a longo prazo, queremos identificar talentos ainda nas escolas e dar bolsas em instituições particulares. Só é possível igualar os alunos nos vestibulares através do conhecimento. No projeto à curto prazo, nos aliamos à Universidade Presbiteriana Mackenzie para dar cursos de inglês, português jurídico e conhecimentos para preparar e empoderar os jovens para concorrer nas vagas em nossos escritórios. Criamos inclusive uma “bolsa palitó”, para alunos de baixa renda comprarem um guarda-roupa básico para o horário de trabalho. O projeto Incluir Direito recebeu patrocínios e esses recebem um Selo de Qualidade. Com isso, todos ganham. No 1º ano já recebemos o prêmio de iniciativa para a diversidade da publicação inglesa Latin Lawyer. 
JL – Considerando os estudos voltados aos estudantes de Direito, qual é o perfil do advogado do futuro?
Cajé – Muitas profissões que vão liderar no futuro ainda não existem. Nós percebemos que no movimento da advocacia haverá transferências. Quem faz trabalhos manuais irá para outras áreas e os trabalhos intelectuais serão diferencial. O advogado do futuro tem que ter noções de administração, contabilidade, línguas estrangeiras e habilidades que os tornem gestores. O mercado está mudando e o jovem de hoje tem outra cabeça. Eu preciso das melhores cabeças no meu escritório, portanto preciso desse jovem. Para isso, ele tem que querer trabalhar no meu escritório. Os alunos de direito são o futuro da advocacia. Quando eu entrevisto um estagiário não busco uma mão de obra barata, mas um futuro sócio. No momento que eu tenho esta visão eu vou tirar o melhor. Queremos que eles se sintam assim também. Motivados a se preparar para o futuro.
COMENTAR | CORRIGIR
Comentários
Seja o primeiro a comentar esta notícia