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Combustíveis

- Publicada em 01/11/2021 às 03h00min.

Preço do diesel preocupa empresas de ônibus urbanos

Companhias deverão acionar as cláusulas de reajuste tarifário e reequilíbrio dos contratos

Companhias deverão acionar as cláusulas de reajuste tarifário e reequilíbrio dos contratos


MARIANA ALVES/JC
A escalada do preço do óleo diesel virou motivo adicional de preocupação para as operadoras de ônibus urbanos no Brasil, que amargaram queda na demanda durante a pandemia.
A escalada do preço do óleo diesel virou motivo adicional de preocupação para as operadoras de ônibus urbanos no Brasil, que amargaram queda na demanda durante a pandemia.
No dia 28 de outubro, a NTU (Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos), que representa o setor, emitiu um posicionamento no qual faz críticas ao governo federal e à política de preços dos combustíveis em vigor no país. As informações são da Folhapress.
"Preço do diesel mostra que governo quer ônibus lotado e serviço ruim", diz o comunicado.
A política adotada pela Petrobras leva em conta a variação da taxa de câmbio e das cotações do petróleo no mercado internacional. Essa estratégia é vista com bons olhos pelo mercado financeiro, que enxerga uma tentativa de equilíbrio nas finanças da estatal.
"A omissão do governo federal frente aos sucessivos reajustes do óleo diesel, insumo que representa em média 26,6% do custo do transporte público coletivo, está forçando a insolvência das empresas operadoras e o colapso dos sistemas de transporte público organizado em todo o país", diz a NTU.
Procurado, o Ministério da Economia afirmou que não vai se manifestar sobre o assunto.
Segundo a entidade, o setor amarga um prejuízo acumulado de pelo menos R$ 17 bilhões durante a pandemia. O quadro reflete sobretudo as restrições geradas pela Covid-19.
"A situação é de calamidade", afirmou o presidente-executivo da NTU, Otávio Cunha. Conforme a entidade, houve redução de 51,1% na quantidade de viagens realizadas por passageiros pagantes em 2020 frente a 2019, considerando as médias dos meses de abril e outubro de cada ano.
Além disso, o preço do diesel engatou a escalada no país. O reajuste mais recente, de 9,1%, foi anunciado pela Petrobras na segunda.
Com a medida, o combustível passou a acumular alta neste ano de cerca de 65% nas refinarias da estatal. De acordo com a Petrobras, o aumento refletiu a elevação das cotações internacionais do petróleo e da taxa de câmbio.
"A política de preços dos combustíveis está ajudando a asfixiar o paciente que é o transporte público", disse Cunha.
No comunicado divulgado nesta quinta, a NTU afirma que, em razão da alta no diesel, "as operadoras não terão outra opção além de acionar as cláusulas de reajuste tarifário e reequilíbrio dos contratos de concessão para evitar a suspensão da prestação dos serviços".
"Tal suspensão representaria grave prejuízo para toda a população, que seria privada dos serviços públicos organizados de transporte e passaria a depender do transporte clandestino e irregular, muitas vezes operado pelo crime organizado", emenda.
A escalada do diesel também provoca reclamações de caminhoneiros. Parte dos motoristas ameaça realizar uma nova greve a partir do dia 1º de novembro.
"A situação exige que os poderes públicos locais -estados e municípios- cumpram com sua responsabilidade e reestabeleçam o equilíbrio econômico-financeiro dos sistemas de transporte público; e que o governo federal adote, com urgência, uma política de preços para os combustíveis que garanta um mínimo de previsibilidade e estabilidade, que não fique simplesmente à deriva das variações cambiais e das cotações das commodities", aponta a NTU.
O presidente Jair Bolsonaro defendeu, no dia 28, um "viés social" para a Petrobras e afirmou que a empresa deveria lucrar menos. No terceiro trimestre de 2021, a companhia teve lucro de R$ 31,1 bilhões, conforme balanço apresentado nesta quinta.
 

Não há solução no curto prazo para crise dos ônibus urbanos, afirma presidente da NTU

O presidente-executivo da NTU, Otávio Cunha, disse não enxergar no curto prazo uma solução definitiva para a crise do setor de ônibus urbanos. A esperança, segundo ele, viria da criação de um marco legal para o transporte público. Na visão do dirigente, a medida poderia dar forma a subsídios que ajudassem a cobrir parte das tarifas de ônibus, especialmente para as camadas da população com renda menor. "Com o marco legal, o governo federal poderia recomendar aos municípios a constituição de fundos públicos", relata. "Os recursos desses fundos buscariam garantir uma remuneração justa dos serviços de transporte e a capacidade de pagamento da tarifa pelos usuários."

Para o economista Claudio Frischtak, da consultoria Inter.B, medidas para o setor devem ser avaliadas em conjunto com outros modais. Nesse sentido, o analista considera adequada a criação de um marco legal para a área de mobilidade urbana. "É preciso modernizar vários pontos, considerar o âmbito metropolitano, a integração intermodal e intramodal, o bilhete único [...]. A criação de subsídios, desde que seja inteligente, faz sentido para mim. Não pode ser algo horizontal. Precisa olhar para a renda das pessoas", afirma. "Acho que, neste governo, um marco legal não é mais possível. O governo a ser eleito na próxima eleição deveria ter na sua agenda essa discussão sobre a mobilidade urbana", acrescenta.

Marcus Quintella, diretor do centro de estudos FGV Transportes, destaca que o transporte de ônibus urbanos precisa ser pensado em integração com outros modais, como trens e metrô, nas metrópoles brasileiras.

Para Fetransul, explosão no preço do combustível desestabiliza o setor de cargas

Kieling demonstra preocupação
Modal passa por grandes dificuldades mercadológicas, afirma Kieling
MARCO QUINTANA/JC
Entidade que representa 13 sindicatos e mais de 20 mil transportadoras de cargas no Rio Grande do Sul, a Fetransul alerta que a alta no preço do diesel está levando o setor ao limite. Conforme comunicado da Fetransul, assinado pelo presidente Afrânio Kieling, "somente em 2021, o diesel já subiu 65%, o que desencadeou aumentos semelhantes nos equipamentos e insumos utilizados, como caminhões, implementos, pneus e câmaras de ar", entre outros.
Semana passada, o litro do diesel S-10, com menor teor de enxofre, alcançou em outubro maior preço médio mensal real (descontada a inflação) da última década, sendo vendido a R$ 5,033. Os dados são do Monitor dos Preços dos Combustíveis, lançado dia 5 pelo Observatório Social da Petrobras (OSP).
"Diferentemente da monopolista condição da Petrobras, que eleva o preço dos combustíveis sem pressões de mercado, o modal rodoviário de cargas, totalmente alicerçado na iniciativa privada e livre concorrência, passa por grandes dificuldades mercadológicas", informa o comunicado. Deste modo, assim como fazem as distribuidoras e postos de abastecimento, a única saída diante da elevação do preço dos combustíveis é o seu imediato repasse aos fretes.
Sobre uma possível paralisação de caminhoneiros autônomos nos próximos dias devido à elevação do diesel, a Fetransul destaca que a medida não inclui as empresas de transporte de cargas. "Além de utilizarem frota própria, as empresas também subcontratam os caminhoneiros autônomos para realizarem o serviço, sendo remunerados por isso. Portanto é um equívoco especular que as empresas estariam por trás deste movimento dos autônomos, pois as transportadoras também terão que pagar esta conta".
Para a Fetransul, como todas as atividades econômicas, "não há como manter o transporte de cargas operando com prejuízo e não é razoável continuarmos a assistir a passividade dos governos federal e estadual diante destes aumentos e suas consequências nefastas à economia", finaliza o comunicado.
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