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Trânsito

- Publicada em 03h00min, 27/04/2021.

Renaest está presente em 18 estados e em vias federais

No momento, a tecnologia trabalha com os dados validados de mais de dois milhões de registros de acidentes

No momento, a tecnologia trabalha com os dados validados de mais de dois milhões de registros de acidentes


/MARCO QUINTANA/arquivo/JC
O Registro Nacional de Acidentes e Estatísticas de Trânsito (Renaest) já conta com a participação de 18 Detrans, além de todos os órgãos responsáveis pela administração das vias federais. Desenvolvido pelo Serpro para o Ministério da Infraestrutura, o sistema traz informações consolidadas que ajudam na criação de políticas públicas redução dos acidentes nas ruas e estradas de todo o país. No momento, a tecnologia trabalha com os dados validados de mais de dois milhões de registros de acidentes.
O Registro Nacional de Acidentes e Estatísticas de Trânsito (Renaest) já conta com a participação de 18 Detrans, além de todos os órgãos responsáveis pela administração das vias federais. Desenvolvido pelo Serpro para o Ministério da Infraestrutura, o sistema traz informações consolidadas que ajudam na criação de políticas públicas redução dos acidentes nas ruas e estradas de todo o país. No momento, a tecnologia trabalha com os dados validados de mais de dois milhões de registros de acidentes.
"O Reanest vai garantir a chamada "analytics", as informações qualificadas de gestão que serão utilizadas para reduzirmos o número de acidentes de trânsito no país. A ideia é tentarmos nos aproximar ao máximo da meta do Pnatrans, que prevê uma redução de 50% até 2023", explica o diretor-geral do Denatran, Frederico Carneiro.
Instituído pela Lei 13.164, o Plano Nacional de Redução de Mortes e Lesões no Trânsito, ou Pnatrans, é uma proposta criada para oferecer uma resposta mais eficiente aos trágicos números do trânsito brasileiro, que chegou a registrar mais de quarenta mil mortes por ano. "A partir desses dados, é possível a implementação, pelo governo, de ações mais eficazes, baseadas em dados estatísticos, o que pode contribuir em muito para preservar a integridade física e mesmo salvar vidas dos motoristas brasileiros", afirma José Antônio de Almeida, gerente do Serpro de uma das áreas responsáveis pela tecnologia.
Neste momento, o Renaest se encontra em sua "segunda onda" de implementação, ou seja, os Detrans agora estão incluindo placa do veículo, localização e data de nascimento dos envolvidos no acidente. No futuro, haverá dados como condições meteorológicas, situação da via e gravidade da lesão. Assim, será possível fazer o mapeamento do número e localização dos acidentes, além de suas principais causas. As estatísticas são disponibilizadas a todas as instituições envolvidas (Denatran, Detrans, DNIT, PRF, DER) por meio de um painel online, com os principais indicadores de acompanhamento.Também existe a previsão de que algumas dessas informações sejam divulgadas para o público em geral, de forma anonimizada, como apoio para campanhas de prevenção de acidentes de trânsito.
As informações do Renaest já estão sendo acessadas pelos estados do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rondônia, Roraima e São Paulo. O sistema é fruto de uma parceria do MInfra e Serpro com as empresas Ambev e Falconi. O projeto conta com o apoio da United Nations Institute for Training and Research (Unitar), órgão da ONU que presta apoio a ações em países em desenvolvimento. O Renaest foi regulamentado de acordo com a Resolução nº 808, de 15 de dezembro de 2020.

Respeito à faixa de pedestre reduz em 83% número de atropelamentos em Brasília e vira modelo nacional

Há 24 anos a capital federal instituiu o respeito ao pedestre na faixa
Há 24 anos a capital federal instituiu o respeito ao pedestre na faixa
/MARCUS BRANDT/AFP/JC

Considerada uma das campanhas de trânsito mais bem-sucedida no Brasil, a campanha educativa para uso da faixa de pedestres em Brasília completou este mês 24 anos com um resultado extraordinário: reduziu em 83% o número de mortes de pedestres na capital federal.

"Esse número é ainda mais impressionante se considerarmos que, em termos absolutos, a população atual de Brasília é, pelo menos, três vezes maior do que a de 1997, quando teve início a campanha", disse à Agência Brasil o diretor de Educação de Trânsito do Detran-DF, Marcelo Granja, servidor que participou de todo o processo de campanha e implementação da cultura da faixa no Distrito Federal.

Segundo Granja, em termos de marketing e de sensibilização, essa foi "a maior campanha já feita em termos de visibilidade e de resultados", o que fez dela referência para os Detrans de todo o país. "Nossos técnicos passaram a ser convidados para participar de palestras no Brasil inteiro", disse o diretor.

Brasília mostrava, com essa campanha, que a ligação da capital do país com boas práticas no trânsito ia além da coincidência de seu aniversário, comemorado hoje (21 de abril) vai além de, na data, ser comemorado também o Dia Nacional da Paz no Trânsito.

Implementada em 1997, a campanha consolidou Brasília como "a capital da travessia segura na faixa". Naquele ano, houve uma redução de 24% no número de pedestres mortos (202) em relação ao ano anterior (266).

De lá para cá, mesmo com uma frota de tamanho triplicado, segundo o Detran, saltando de 605 mil veículos em 1996 para 1.870.203 veículos em 2020, o número de pedestres que morreram em atropelamento no trânsito do DF caiu de 266 para 44 mortes por ano.

De acordo com o Detran, apenas um dos óbitos ocorreu em acidente durante a travessia na faixa. Os demais (43 pedestres) foram atropelados quando atravessavam a via fora da faixa. Segundo Granja, Brasília tinha cerca de 300 faixas de pedestres em 1997. "Atualmente temos cerca de 4.800 faixas".

O diretor de Educação de Trânsito lembra que, antes dessa campanha específica teve início um trabalho de conscientização da comunidade, com ações educativas lúdicas que incluíam peças teatrais e brincadeiras levadas às escolas do Distrito Federal.

"A peça 'Quem Viu a Via' ganhou espaço, sendo até apresentada em teatros", lembra Granja. Outro fator anterior que favoreceu a implementação da campanha foi a criação da Escola Pública de Trânsito, obrigatória para quem fosse tirar a carteira de motorista.

"A faixa de pedestre era um dos temas abordados. Ao tomarem conhecimento sobre essa regra, que empodera o pedestre, dando a ele prioridade em relação aos carros, as pessoas começaram a questionar a não obediência à regra pelos motoristas", acrescenta o diretor.

Os instrutores notaram muitas dúvidas dos alunos sobre procedimentos que garantissem a segurança na hora de atravessar a faixa. "Foi aí que vimos a necessidade de incluirmos um gesto a ser dado pelo pedestre para alertar o motorista sobre a intenção de se fazer a travessia. Essa orientação foi apresentada em cartilhas e folders, até para evitar engavetamentos, já que a velocidade nas vias costumava ser alta devido ao menor número de carros".

A criação de uma "cultura da faixa de pedestre" foi também reforçada por matérias de jornais locais que fizeram uma espécie de contagem regressiva para a data em que teria início a fiscalização sobre o cumprimento dessa regra.

"Na sequência, matérias nacionais mostraram essa nova realidade, o que acabou mexendo positivamente com a autoimagem dos brasilienses. Até então os motoristas se achavam mais do que os pedestres, principalmente quando tinham carro importado", disse Granja. "Nascia ali um ponto de virada que reverteu prioridades."

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