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Negócios corporativos

- Publicada em 03h00min, 05/01/2021. Atualizada em 11h06min, 08/01/2021.

Faturamento do e-commerce cresce 122% até novembro

Comércio digital representa 8,6% do varejo, de acordo com o último dado, de outubro de 2020

Comércio digital representa 8,6% do varejo, de acordo com o último dado, de outubro de 2020


freepik/divulgação/jc
Nem em suas previsões mais otimistas, as empresas que trabalham com vendas digitais conseguiram acertar o desfecho de 2020. O faturamento do comércio online no Brasil mais que dobrou.
Nem em suas previsões mais otimistas, as empresas que trabalham com vendas digitais conseguiram acertar o desfecho de 2020. O faturamento do comércio online no Brasil mais que dobrou.
O crescimento foi de 122% no acumulado do ano até novembro, na comparação com o mesmo período de 2019, mostra indicador de ecommerce da Câmara Brasileira da Economia Digital e da empresa Neotrust.
Durante os 11 meses, foram movimentados R$ 115,3 bilhões, impulsionados pelas gigantes de ecommerce, que tiveram um ano marcado por investimento em infraestrutura. Segundo a Neotrust, elas responderam por 86% do mercado no terceiro trimestre deste ano.
O comércio digital representa 8,6% do varejo, de acordo com o último dado, de outubro.
O setor já estava aquecido antes de a Covid impor restrições sociais e ampliar o comércio digital. Com o novo cenário, que incentiva os negócios online, companhias como Mercado Livre, B2W, Magazine Luiza, Amazon e Via Varejo intensificaram processos de automação e expandiram área de armazenagem, inaugurando ou investindo em centros distribuição e logística durante a pandemia.
A expectativa de empresas e especialistas do setor é que o desempenho do comércio digital se mantenha acima de níveis pré-pandemia no médio e longo prazo.
"O desempenho das grandes está relacionado, também, ao das pequenas, já que muitas empresas menores utilizaram a estrutura digital das grandes varejistas", diz Kelly Carvalho, economista da FecomercioSP. Empresas tradicionais do varejo, como Magazine Luiza, abriram suas plataformas online a pequenos comerciantes.
"A tendência é que o crescimento fique acima do nível pré-crise, pois a pandemia fez o setor avançar com muito mais força do que antes, e o ingresso de novos consumidores deve manter trajetória de alta", diz a economista.
A performance de algumas empresas sinaliza bem essa tendência. Na Via Varejo, dona de Casas Bahia e Pontofrio, o marketplace e o canal online venderam R$ 4,1 bilhões entre julho e setembro, quando as medidas de isolamento já eram mais brandas. Trata-se de um crescimento de 219% em relação ao mesmo trimestre de 2019. A plataforma Vendedor Online ou o Me Chama no Zap representou 16% das vendas online no terceiro trimestre.
Na Magazine Luiza, que investiu em uma série de startups durante a pandemia e adaptou a função de suas lojas físicas, o crescimento ano a ano das vendas digitais da companhia foi de 148%, fechando o trimestre de setembro a R$ 8,2 bilhões. O setor responde por dois terços das vendas da empresa, de acordo como o último balanço.
Segundo a Neotrust, que monitora dados de grandes varejistas (não inclui Mercado Livre e OLX), o terceiro trimestre de 2020 teve 5,8 milhões de novos consumidores, que fizeram sua primeira compra pela internet. No mesmo período de 2019, foram 4,4 milhões.
O consumo de eletrônicos, produtos mais caros e com alta demanda devido ao trabalho remoto, foi um dos principais responsáveis pelos ganhos no ano. No entanto, explica Fernando Yunes, vice-presidente sênior do Mercado Livre, o setor foi beneficiado por uma mudança generalizada nos hábitos de consumo.
Destacam-se a entrada de novas lojas nos shoppings virtuais, a diversificação dos produtos nos carrinhos de compras, que cresceu no período, o ingresso de novos consumidores no comércio online, bem como o fato de clientes antigos adotarem novos hábitos, intensificando as compras digitais.
"São 8,9 milhões de pessoas que passaram a consumir, e os que já compravam, passaram a comprar mais vezes, aumentou muito a frequência de compra", diz Yunes. O investimento da empresa foi de cerca de R$ 4 bilhões em 2020.
Na pandemia, o Mercado Livre lançou cinco novos centros logísticos, quatro no Sudeste e um no Sul, para início de operação entre o fim de 2020 e o início de 2021, e contratou uma frota com quatro aviões para entrega.
Os armazéns foram implementados para diminuir o tempo de frete, um dos critérios que define a posição de um negócio na competição entre as grandes. A empresa tem a meta de dois dias úteis a entregas a todo país.
A Amazon, que em 2019 lançou seu primeiro grande centro de distribuição no Brasil, em Cajamar (SP), tem hoje oito armazéns do tipo em cinco estados, quatro inaugurados na pandemia.
A companhia não especifica quantas lojas entraram em seu marketplace, mas diz que as categorias de itens oferecidos passaram de 16 para 30, e o número produtos disponíveis subiu de 20 milhões para 30 milhões de um ano a outro.
Assim como em outras empresas de ecommerce, o aumento na busca de itens de supermercado e farmácia fizeram diferença na cesta. "Observamos crescimento geral da demanda em diversas categorias de produtos, como itens de primeira necessidade que têm uma demanda mais alta durante a pandemia. São alimentos, produtos de higiene e limpeza da casa, por exemplo", diz Juliana Sztrajtman, líder de Marketing e Prime da Amazon no Brasil.
Já a B2W, que reúne Americanas, Shoptime e Submarino, passou a contar com quase 80 mil vendedores em sua base no terceiro trimestre, contra 38,7 mil no mesmo período de 2019. Dos 20,8 milhões de clientes ativos, quase 6 milhões entram no sistema nos últimos 12 meses.
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