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Infraestrutura

- Publicada em 03h00min, 01/09/2020.

Demanda global de energia deve fechar 2020 com recuo

Choque no consumo é o maior já visto nos últimos 70 anos

Choque no consumo é o maior já visto nos últimos 70 anos


NICOLE KÖHLER POR PIXABAY/DIVULGAÇÃO/JC
Ao fim deste ano, a demanda de energia deve ter registrado queda de 6% em todo o mundo, recuo sete vezes maior do que o atingido durante a crise financeira de 2009, aponta análise da empresa de contabilidade e auditoria PwC, elaborada com base em dados da Agência Internacional de Energia para 2020 (IEA). O choque no consumo é o maior já visto nos últimos 70 anos.
Ao fim deste ano, a demanda de energia deve ter registrado queda de 6% em todo o mundo, recuo sete vezes maior do que o atingido durante a crise financeira de 2009, aponta análise da empresa de contabilidade e auditoria PwC, elaborada com base em dados da Agência Internacional de Energia para 2020 (IEA). O choque no consumo é o maior já visto nos últimos 70 anos.
O estudo Futuro da Indústria de Óleo & Gás prevê ainda que o ano será encerrado com diminuição de 20% nos investimentos em energia. Como fator principal da redução, o documento aponta a recessão global, que, por sua vez, está relacionada às restrições decorrentes da pandemia de Covid-19, como limitação de circulação de pessoas e de atividades econômicas.
A PwC destaca também que a crise gerada pela pandemia desestabilizou todos os níveis do setor de energia, do suprimento à produção de combustíveis. O estudo avalia que haverá consequências tanto para a segurança energética como para a adoção de fontes de energia limpa. Um dos prognósticos é de que a energia nuclear seja a menos afetada pelas medidas de quarentena.
O que se imagina é uma pausa na transição energética como resultado da falta de recursos para viabilizá-la. Segundo os especialistas da PwC, o processo voltará a avançar à medida que os países se recuperem economicamente e tenham condições de financiar a transição.
Há probabilidade de que a estagnação econômica perdure até 2022 e de que o cenário comece a se reverter entre 2023 e 2025. Somente entre 2025 e 2030 é que os países deverão voltar a crescer, segundo o estudo. ara Jaime Andrade, sócio da PwC Brasil, a tendência é de que a substituição do petróleo e do gás por fontes alternativas se complete somente após décadas. Ele destaca, porém, que, devido às particularidades de cada região, isso pode ocorrer de forma mais acelerada, mas que em muitos países a transformação será mais lenta, por conta da pandemia.
O relatório ressalta também que o preço do petróleo deve subir nos próximos três ou quatro anos, em virtude da escassez de oferta. Por isso, é esperado um ciclo de expansão para a indústria de petróleo e gás entre 2024 e 2030. A perspectiva é de que levará cerca de quatro anos para que a demanda global volte a 100 milhões de barris por dia e que o valor do Petróleo West Texas Intermediate (WTI) - petróleo bruto do Texas cujo valor serve de referência para se fixar o preço do petróleo no mercado norte-americano - alcance US$ 53,98 em janeiro de 2024.

Governo federal muda tática para vender Eletrobras, mas Câmara Federal prefere deixar debate para o próximo ano

Em nova tentativa de agilizar a privatização da Eletrobrás (estatal com foco em geração e transmissão de energia), o governo quer que um senador apresente um "projeto clone" da proposta enviada pelo Executivo ao Congresso no ano passado. A estratégia visa a inverter a ordem de tramitação do texto, começando pelo Senado para depois seguir para a Câmara, porque o presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), já deixou claro que prefere deixar as discussões sobre o tema para 2021.

Técnicos, no entanto, argumentam que um senador apresentar o PL enviado pelo Executivo é inconstitucional, algo que pode até mesmo parar na Justiça, atrasando ainda mais o cronograma.

A apresentação do "projeto clone" caberia a um senador que ainda seria escolhido, mas a relatoria seria do senador Eduardo Braga (MDB-AM), que participou de reuniões com o Ministério da Economia e de Minas e Energia. Para ele, antes de qualquer coisa, é preciso que a equipe econômica chegue a um acordo com a Câmara em relação à privatização da Eletrobrás, maior elétrica da América Latina. "Se o governo quiser avançar, tem de ser para ontem. Mas não dá para avançar de maneira atabalhoada", afirmou. "Não sou contra privatizar, sou contra dar barato e jogar fora a estratégia que isso representa para o País."

Pela Constituição, um projeto de lei de autoria do Executivo precisa, necessariamente, iniciar sua tramitação pela Câmara dos Deputados. Como o PL enviado pelo Executivo está parado na Câmara, surgiu a ideia de clonar o projeto para que um senador o apresente. Contudo, essa estratégia pode enfrentar polêmicas jurídicas.

A Constituição reserva ao Executivo a iniciativa de propor projetos de lei de algumas matérias. Por isso, a rigor, elas não poderiam ser objeto de um projeto de lei de iniciativa de um senador, pois daria origem ao chamado vício de iniciativa. Para fugir desse problema, uma saída, que já foi usada em outras oportunidades, é a apresentação de um projeto de lei autorizativo, em que o Poder Legislativo autorizaria o Poder Executivo a privatizar a Eletrobras.

Inconstitucional. O Supremo Tribunal Federal (STF), no entanto, já se manifestou pela inconstitucionalidade das chamadas "leis autorizativas" por diversas vezes. A Corte entende que essas propostas violam o princípio de independência e harmonia entre os Poderes. Estudo da Consultoria Legislativa no Senado segue o mesmo entendimento. Além disso, o plenário do Senado vedou, em 2015, a apresentação de projetos de lei de iniciativa parlamentar que autorizem o Executivo ou o Judiciário a adotar ato em matéria que seja de competência reservada do próprio Poder em questão.

Vale vai instalar sistema de armazenamento de energia em Terminal do Rio de Janeiro

A Vale fechou parceria com a Siemens e a MicroPower Comerc (MPC) para desenvolver um sistema de armazenamento de energia em bateria nas suas operações no Terminal da Ilha Guaíba, no Rio de Janeiro, que vai reduzir em cerca de 20% o custo com energia no porto, ao substituir o fornecimento da concessionária nos horários de pico de demanda, quando a tarifa é mais elevada. O novo equipamento tem capacidade para armazenar 10 megawatts-hora, o suficiente para abastecer 45 mil residências por uma hora.
A empresa disse em nota que a tecnologia é um passo importante para o processo de descarbonização da empresa. Em maio, o fundo soberano da Noruega, o maior do mundo, excluiu a mineradora da sua carteira de investimentos de US$ 1 trilhão, devido aos danos ambientais causados por dois rompimentos de barragens da companhia, um em Mariana, e três anos depois, em Brumadinho, ambos em Minas Gerais, que deixaram centenas de mortos.
No mesmo dia da sua exclusão pelo fundo, a Vale anunciou investimentos de US$ 2 bilhões para reduzir em 33% suas emissões absolutas e indiretas até 2030, além de se tornar neutra em carbono até 2050.
"À medida que a Vale continua a descarbonizar suas operações, o uso de baterias de tornará uma parte cada vez mais importante na eletrificação da nossa frota de equipamentos", disse em nota o diretor de Energia da Vale, Ricardo Mendes.
O novo sistema do porto é composto por baterias de íon-lítio fabricados pela Tesla. O equipamento será carregado sempre que a demanda de energia estiver baixa, para substituir a rede da concessionária nos momentos em essa demanda for mais alta, explicou a companhia.
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