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Mobilidade

Atualizada em 03h00min, 28/07/2020.

Ciclovias mais largas podem ser legado da pandemia

Várias cidades do mundo criaram pistas temporárias para bicicletas em avenidas, e parte delas deverão se tornar definitivas

Várias cidades do mundo criaram pistas temporárias para bicicletas em avenidas, e parte delas deverão se tornar definitivas


LUIZA PRADO/JC
Folhapress
As ciclovias ganharam espaço nas cidades brasileiras na última década, mas nem sempre na parte mais nobre das vias. É comum vê-las em ruas secundárias e com trajetos cheios de zigue-zagues, que atrasam a viagem e desestimulam seu uso como meio de transporte. Em meio à pandemia, várias cidades do mundo - embora poucas no Brasil - criaram ciclovias temporárias em avenidas. A lista inclui Paris, Milão, Buenos Aires, Bogotá, Curitiba e Belo Horizonte. Parte dessas pistas deverão se tornar definitivas depois, planejam as prefeituras.
As ciclovias ganharam espaço nas cidades brasileiras na última década, mas nem sempre na parte mais nobre das vias. É comum vê-las em ruas secundárias e com trajetos cheios de zigue-zagues, que atrasam a viagem e desestimulam seu uso como meio de transporte. Em meio à pandemia, várias cidades do mundo - embora poucas no Brasil - criaram ciclovias temporárias em avenidas. A lista inclui Paris, Milão, Buenos Aires, Bogotá, Curitiba e Belo Horizonte. Parte dessas pistas deverão se tornar definitivas depois, planejam as prefeituras.
São Paulo não criou ciclovias temporárias nesse período, mas retoma as ciclofaixas de lazer neste domingo (19), após quase um ano de suspensão por falta de patrocínio. O traçado tem 117 km e só ficará disponível aos domingos e feriados.
Trata-se de uma estratégia para dar opções de deslocamento com menor risco de contágio pela Covid-19, especialmente para quem quer evitar o transporte público, e também de priorizar uma alternativa mais saudável e menos poluente do que o carro.
Na capital argentina, foram criadas faixas na enorme avenida Nove de Julho, que tem 200 metros de largura e faz a conexão norte-sul, passando pelo Obelisco.
A cidade quer avançar com mudanças nas avenidas, para sanar um problema. Na área chamada de macrocentro, 60% dos ciclistas não usam as ciclovias, pois buscam rotas mais ágeis. Com isso, 86% dos acidentes graves envolvendo bicicletas ocorrem fora das faixas reservadas a elas.
"Queremos evitar o modelo de trechos entrecortados e criar novas ciclovias temporárias em grandes avenidas. Esperamos fazer mais 56 km e com isso atrair até 17 mil novos ciclistas", disse Carlota Pedersen-Madero, assessora da Subsecretaria de Planejamento da Mobilidade de Buenos Aires.
Na Cidade do México, a rede para as bikes também foi ampliada e incluiu avenidas principais. Lá, um trecho de ciclovia recebia em média 2.000 ciclistas por dia em abril. Depois da expansão da rede, no começo de julho, a demanda aumentou para 5.400.
Na capital colombiana, há 96 km de faixas temporárias, sendo que um terço deve ser tornada permanente. Em um dos trechos, no horário de pico, trafegam 7.500 ciclistas. Como comparação, seriam preciso mais de 70 viagens de ônibus comuns para levar essa mesma quantidade de pessoas.
Galeria O futuro do transporte Série retrata desafios do transporte público com a pandemia do novo coronavírus https://fotografia.folha.uol.com.br/galerias/1672224763679976-o-futuro-do-transporte *** Bogotá colocou mais de 300 policiais para patrulhar as ciclovias, tanto para orientar o tráfego quanto para impedir assaltos.
"Notamos que a presença de mulheres é baixa: são apenas 14% dos usuários. Queremos dar mais segurança para que elas também possam pedalar mais", aponta Laura Bahamon, gerente de bicicletas da cidade.
No Brasil, Belo Horizonte montou um traçado leste-oeste de 30 km de ciclovias. "Podemos aumentar mais alguns trechos ainda. Temos esperança de que não seja algo apenas temporário", planeja Eveline Trevisan, coordenadora de Sustentabilidade da BHTrans.
Em Curitiba, há faixas temporárias que funcionam apenas durante o dia, em áreas comerciais, quando o fluxo é maior. A cidade também planeja readaptar as paradas dos corredores de ônibus e incluir paraciclos nelas.
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