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Aviação

- Publicada em 03h23min, 23/06/2020. Alterada em 03h00min, 23/06/2020.

Empresas aéreas têm dificuldades para retomar voos

No mês de abril, demanda por voos domésticos havia sofrido queda de 93,09%

No mês de abril, demanda por voos domésticos havia sofrido queda de 93,09%


/NELSON ALMEIDA/AFP/JC

O setor aéreo foi um dos mais afetados pela pandemia da covid-19. Aeroportos fechados, rotas canceladas, voos internacionais proibidos, além de novos protocolos sanitários nacionais e internacionais. As companhias aéreas vivem seus piores resultados da história. A demanda por voos domésticos teve queda de 93,09% em abril, em relação a igual mês do ano passado, conforme dados da Abear (Associação Brasileira das Empresas Aéreas). A oferta de assentos recuou 91,35% na mesma comparação. Segundo a associação, foram os resultados mensais mais baixos da série histórica da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), iniciada em 2000. O volume de passageiros transportados em voos nacionais caiu 94,55%, para 399.558 pessoas, pior resultado mensal em 20 anos.

O setor aéreo foi um dos mais afetados pela pandemia da covid-19. Aeroportos fechados, rotas canceladas, voos internacionais proibidos, além de novos protocolos sanitários nacionais e internacionais. As companhias aéreas vivem seus piores resultados da história. A demanda por voos domésticos teve queda de 93,09% em abril, em relação a igual mês do ano passado, conforme dados da Abear (Associação Brasileira das Empresas Aéreas). A oferta de assentos recuou 91,35% na mesma comparação. Segundo a associação, foram os resultados mensais mais baixos da série histórica da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), iniciada em 2000. O volume de passageiros transportados em voos nacionais caiu 94,55%, para 399.558 pessoas, pior resultado mensal em 20 anos.

A fim de auxiliar as empresas aéreas em um momento tão difícil, o governo federal trabalha junto ao BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Social) com um aporte na ordem de R$ 6 bilhões e a expectativa é que as três maiores empresas (Latam, Gol e Azul) recebam, cada uma, R$ 2 bilhões.

Para o engenheiro de infraestrutura aeronáutica Mozar Alemão, ninguém sabe ao certo, ainda, o que irá acontecer; mas mudanças serão inevitáveis por questões sanitárias e de demanda. "As pessoas terão receio de viajar como antes. Existe a possibilidade de que grandes aviões terão problemas. Já se fala na aposentadoria do A380. É provável que seja melhor voar com aviões menores. Não é possível tirar 30% da capacidade de uma aeronave como o caso da poltrona do meio. A operação é cara e as receitas não estão grandes. As empresas vão ter que ajustar seus preços, tipos de operação para o turismo e também para os voos executivos. O futuro da aviação é de aeronaves de menor porte, com maiores frequências e com custo mais elevado".

Somado aos resultados ruins, o setor ainda vive a expectativa de como será a rodada de leilões e concessões programadas para 2020, em que pretende atrair R$ 5 bi em investimentos para 22 aeroportos. Isso em um cenário no qual, além da queda histórica na demanda, verifica-se mudanças no atendimento e adaptações na infraestrutura dos aeroportos. A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), por exemplo determinou medidas como a higienização de equipamentos, utilização de EPIs (equipamentos de proteção individual) e a atuação em casos identificados da doença. Já a Iata (Associação Internacional de Transportes Aéreos) propôs diretrizes como autoatendimento sem toque, triagem de temperatura em pontos do terminal e higienização de ambientes e equipamentos entre outras ações.

Para o engenheiro de infraestrutura, as mudanças propostas afetarão as modelagens das concessões que foram feitas antes da pandemia. "Os passageiros terão as temperaturas medidas? Haverá um funcionário para isso? E se a pessoa estiver contaminada, ela será levada para onde? Essa área irá conter um consultório médico? Isso trará novos custos. Os dados devem ser revistos para verificar se vale a pena manter as concessões para esse ano ou esperar para o ano que vem para verificar a demanda. Regras internacionais e nacionais devem ser revistas".

Alemão ainda cita que novos valores virão dos protocolos de limpeza e higienização que serão permanentes e envolvem mais profissionais com EPI (Equipamento de Proteção Individual). Por fim, considera que o risco da concessão, hoje, mantendo os critérios que já estavam previstos é de o leilão não ter interessados ou se obter valores mínimos para o governo. "Aeroporto é sempre um bom negócio, mas em curto prazo o lucro será muito reduzido", diz.

Já o coordenador de transporte da FGV (Fundação Getúlio Vargas), Marcus Quintella, destaca que é difícil mensurar parâmetros em um contexto que não se sabe em quanto tempo as operações irão voltar ao normal. "Quanto tempo os aeroportos irão retornar a números razoáveis? A previsão otimista é de, em 2023, voltar ao patamar de 2019".

Sobre os leilões esse ano, ele cita que o momento é de muita incerteza por não se saber quais mudanças irão ocorrer. "O momento era interessante até o mundo ser desligado. Se eu estou em um leilão pela iniciativa privada, eu estaria muito desconfiado com as premissas que serão estabelecidas. Como será o fluxo de negócio, atividade das empresas? Como será a retomada no exterior? Como serão as medidas de distância nos aviões, será tirado o acento do meio? Isso vai ser pago por outro passageiro".

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