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Porto Alegre, sexta-feira, 10 de agosto de 2018.

Jornal do Comércio

JC Logística

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Transporte

Edição impressa de 10/08/2018. Alterada em 10/08 às 01h00min

Ferrovia reduz custos e diminui as emissões de poluentes

Brasil já teve 32 mil quilômetros de vias férreas, mas atualmente apenas 14 mil são operacionais

Brasil já teve 32 mil quilômetros de vias férreas, mas atualmente apenas 14 mil são operacionais


/COMPANHIA VALE DO RIO DOCE/DIVULGAÇÃO/JC
Agência Globo

O Brasil já teve 32 mil quilômetros de ferrovias, mas hoje apenas 14 mil quilômetros são operacionais. Um maior uso das ferrovias para o transporte de cargas poderia reduzir significativamente os custos, a emissão de gás carbônico e os acidentes no trânsito, que causam a morte de 37 mil pessoas por ano. O assunto foi um dos temas do evento E agora, Brasil?, realizado no final de julho, em São Paulo.

"É preciso aproveitar a experiência passada, aprimorá-la e investir. Mas a ferrovia foi sendo deixada de lado", frisou o ex-ministro dos Transportes e presidente da Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR), César Borges.

De acordo com Paulo Resende, da Fundação Dom Cabral, em 2002, o valor dos ativos de infraestrutura brasileira, incluindo as ferrovias, equivalia a 22% do PIB. Hoje, está em 12%. Em termos de comparação, no Japão, essa proporção é de 65%, e nos Estados Unidos, de 50%. E o governo Donald Trump já considera um grande gargalo a recuperação da infraestrutura americana, enumerou Resende. "Ou seja, em 15 anos, mesmo com investimentos da iniciativa privada e dos programas do governo federal, nós tivemos uma desvalorização jamais vista entre as principais economias do mundo.

O diretor-presidente da Arteris, David Díaz, lembrou que, na Espanha, a maior parte das vias ferroviárias é deficitária em resultado operacional, mas a atividade cria muitos empregos. Na visão de Díaz, não dá para olhar a infraestrutura de forma isolada, "porque os projetos trazem muitos empregos e, a longo prazo, há um efeito multiplicador".

Na pauta do País para as ferrovias, o governo federal espera concluir, ainda neste ano, a renovação antecipada de concessões, em troca de novos investimentos. Isso porque, sem a participação da iniciativa privada, a União não tem como investir nesse setor. A expectativa é concluir os projetos, que dependem do aval do Tribunal de Contas da União (TCU). Mesmo com a mudança de presidente, não seria possível reverter o processo. Em contrapartida, as empresas se comprometem a investir R$ 25 bilhões no setor ao longo dos contratos.

Serão renovados antecipadamente, por mais 30 anos, cinco concessões: Malha Paulista (Rumo), as ferrovias da Vale (Vitória-Minas e Estrada de Ferro Carajás), MRS (Malha Regional Sudeste) e Ferrovia Centro-Atlântica (FCA).

"O Programa de Parcerias de Investimento (PPI) tem condições de aprimorar as concessões de infraestrutura do passado", disse Adalberto Vasconcelos, secretário do programa.

O impacto da paralisação dos caminhoneiros na atividade econômica, que pôde ser comprovado por meio de indicadores como inflação e produção industrial, reforça a necessidade de reduzir a dependência desse meio de transporte. O Brasil tem 195 mil quilômetros de rodovias, contra apenas 14 mil quilômetros operacionais de ferrovias, 9,3 mil quilômetros de hidrovias e 7,4 mil quilômetros de cabotagem.

Paulo Resende, da Fundação Dom Cabral, ressaltou que os números expõem a necessidade de diversificação dos modais. E disse que o governo tem "zero" de conhecimento da função logística. "Não temos traços de multimodais no Brasil. Não temos nem a noção do que é a formação de um frete."

Estudo da Fundação Dom Cabral aponta que as rodovias respondem hoje por 52,7% das cargas que circulam pelo País, contra 27,2% do modal ferroviário. As hidrovias e a cabotagem respondem, juntas, por 16,9%; e os dutos, por 3,2%. Mesmo que saiam do papel todos os projetos previstos pelo governo federal, a proporção será: 50,1% para rodovias; 31,2% para ferrovias; 16,1% para hidrovias e cabotagem; e 1,6% para os dutos.

O vice-presidente do Sindicato Nacional das Empresas de Navegação Marítima (Syndarma), Cleber Cordeiro Lucas, lembrou que não há incentivo governamental para a cabotagem, cujo custo de combustível é 20% maior que o da navegação de longo curso. "Somos um modal energeticamente mais eficiente que as rodovias e emitimos menos CO2. Temos todos os elementos para ser algo incentivado.

A diversificação dos modais dará mais eficiência à matriz de transportes brasileira", concluiu David Díaz, diretor-presidente da Arteris.

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