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Porto Alegre, sexta-feira, 29 de junho de 2018.
Dia da Telefonista.

Jornal do Comércio

JC Logística

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Transporte

Notícia da edição impressa de 29/06/2018. Alterada em 29/06 às 01h00min

Mercado internacional de cargas deve crescer

Presidente da ABTI, Francisco Cardoso prevê alta nos negócios neste ano

Presidente da ABTI, Francisco Cardoso prevê alta nos negócios neste ano


/MARCO QUINTANA/JC
Jefferson Klein, de Bento Gonçalves
A greve dos caminhoneiros e a crise cambial da Argentina, principal destino de produtos manufaturados do Rio Grande do Sul, impactaram as exportações gaúchas em maio. Conforme levantamento realizado pela Fiergs, as exportações totais do Estado no mês passado, em comparação ao mesmo período de 2017, tiveram queda de 0,8%, ficando em US$ 1,77 bilhões. Apesar dessa diminuição, o presidente da Associação Brasileira de Transportadores Internacionais (ABTI), Francisco Cardoso, um dos palestrantes da Transposul, que se encerra nesta sexta-feira, manifesta otimismo quanto ao futuro da logística entre as nações.
"Vejo como muito boas as expectativas para o transporte rodoviário internacional de cargas já que as economias do Brasil e Argentina estão em fase de crescimento e ainda temos volume de negócios crescentes com o aumento das relações do Paraguai com o Brasil", ressalta o dirigente. Sobre os reflexos para os setores logísticos nacional e internacional com a recente paralisação dos caminhoneiros, o presidente da ABTI enfatiza que houve um acúmulo muito grande de cargas em fronteiras após o final da greve. Essa situação acabou proporcionando um represamento que triplicou a quantidade de caminhões em Uruguaiana, o que gerou atrasos em entregas e coletas e enormes prejuízos para exportadores, importadores e transportadoras.
Cardoso alerta para o impacto do custo da ociosidade. O dirigente destaca que as tarifas do transporte rodoviário internacional de cargas são formadas por fatores como distância e tempo de viagem, sendo o maior gargalo a retenção de caminhões em fronteiras com cargas de importação.
De acordo com a Fiergs, o Rio Grande do Sul deixou de faturar mais de US$ 271 milhões com as exportações por conta da paralisação dos caminhoneiros. Em contrapartida, as importações totais em maio, por sua vez, subiram 11,7% no Estado, em relação ao mesmo mês no ano passado, fechando em US$ 789 milhões. No acumulado do ano, entre janeiro e maio, as exportações gaúchas foram de US$ 9,19 bilhões, o que representa alta de 39% em relação ao mesmo período de 2017. Desse total, a indústria foi responsável por US$ 6,83 bilhões, elevação de 45,8%. Quanto às perdas no País, a Fiergs calcula que o valor das mercadorias que deixaram de ser embarcadas no mês passado em âmbito nacional, por conta da greve dos caminhoneiros, alcançou US$ 2,94 bilhões.

Logística precisa evoluir para atender demandas

Kruse defende maior interação entre varejo e transportadores

Kruse defende maior interação entre varejo e transportadores


FREDY VIEIRA/JC
Considerada como uma peça fundamental para a cadeia varejista, com a modernização das relações comerciais e das plataformas tecnológicas de consumo, a logística também precisa evoluir para atender às necessidades desse segmento. De acordo com o presidente do Sindilojas Porto Alegre e vice-presidente da Fecomércio-RS, Paulo Kruse, é fundamental criar uma maior interação entre o varejo e os transportadores.
"Nos dias de hoje, a exigência dos consumidores é por rapidez, pois há muita competitividade entre os comerciantes", pondera. O dirigente reforça que a operação de entrega das mercadorias deve ser a melhor possível. Kruse adianta que a tendência é de que cada vez mais o e-commerce seja aprimorado e acredita que as próprias transportadoras passarão a assumir funções de entregas de artigos que hoje são muito centralizadas nos Correios.
O presidente do Sindilojas Porto Alegre foi um dos palestrantes da Transposul, inaugurada na quarta-feira em Bento Gonçalves, e abordou a importância da logística como diferencial competitivo do varejo. "Não há como um (varejo) existir sem o outro (logística)", salienta o dirigente. Kruse argumenta que o mundo vem verificando rápidas e diversas mudanças devido à internet e isso causa também reflexos na relação transportadoras e lojistas.
O dirigente adianta que esse cenário fará com que as empresas tenham que se adaptar à evolução. Um ponto defendido pelo presidente do Sindilojas Porto Alegre é que as transportadoras não se limitem apenas a deslocar as mercadorias, mas funcionem ainda como depósitos para os lojistas. Um problema que precisa ser combatido, segundo o empresário, é o roubo de cargas. Além disso, as estradas brasileiras enfrentam uma situação precária que precisa ser melhorada e as regiões centrais das grandes cidades adotam horários restritos para a entrega de mercadorias, o que atrapalham as operações.

Economia circular atenua impactos ao ambiente

Uma forma de aprimorar o aproveitamento dos recursos que a sociedade utiliza é o objetivo da economia circular. O consultor de empresas na área de soluções para reciclagem e meio ambiente Luiz Henrique Hartmann explica que se se trata da mudança do paradigma da economia linear que extrai, transforma, usa e descarta. Já na economia circular, após o produto enfrentar todas essas etapas, o item volta a ser processado, até esgotar todos os limites.
Hartmann, que também é diretor do Sindicato das Indústrias de Material Plástico no Estado do Rio Grande do Sul (Sinplast-RS), recorda que muitas embalagens são concebidas para serem descartadas tão logo sejam utilizadas e isso gera problemas ambientais. O consultor ressalta que esse movimento da economia circular, na cadeia do plástico, é mundial e envolve fabricantes de matérias-primas, transformadores e usuários finais. A ideia é que se estabeleça o conceito de que toda concepção de uma embalagem envolva um projeto de reciclagem. Hartmann recorda que entre os segmentos da economia que estão inseridos nesse cenário estão os frigoríficos, higiene e limpeza e alimentação.
Sobre a Política Nacional de Resíduos Sólidos (instituída pela Lei nº 12.305, de 2010), o diretor do Sinplast-RS considera que a iniciativa fracassou no Brasil. O dirigente argumenta que a ação foi concebida meramente com viés social, o que é uma questão importante, mas esqueceu da parte econômica. "A política de resíduos sólidos foi assinada, mas nunca foi implementada", frisa. Hartmann afirma que o País está décadas atrasado em termos de tecnologia para reciclagem e reaproveitamento de materiais.
Conforme o dirigente, o plástico carrega ainda um estigma muito forte quanto ao impacto ambiental. No entanto, reforça que a sociedade não tem como viver hoje sem o plástico, o que precisa ocorrer é a mudança quanto às maneiras de descarte. "Enquanto tivermos gente jogando embalagens pela janela do carro, o plástico continuará sendo vilão, mas plástico não tem perna, não tem asa ou nadadeira, se está no lugar errado, alguém colocou lá", argumenta.
 
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