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Gestão

- Publicada em 14/12/2021 às 12h43min.

As tendências e os desafios para a contabilidade no próximo ano

Avanço da informatização e exigências ESG estão entre as áreas de maior atenção no próximo ano

Avanço da informatização e exigências ESG estão entre as áreas de maior atenção no próximo ano


JANNOON028/FREEPIK.COM/DIVULGAÇÃO/JC
Nícolas Pasinato
Novas tecnologias, automação, inteligência artificial, atualização profissional, atendimento personalizado e conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). O que esses diferentes temas têm em comum? Todos se apresentam como tendência e desafios para o próximo ano na área de contabilidade.
Novas tecnologias, automação, inteligência artificial, atualização profissional, atendimento personalizado e conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). O que esses diferentes temas têm em comum? Todos se apresentam como tendência e desafios para o próximo ano na área de contabilidade.
O próximo ano também marcará a conclusão do Sistema de Escrituração Digital das Obrigações Fiscais, Previdenciárias e Trabalhistas: o eSocial. Criado em 2014, a implantação do Sistema informatizado de prestação de informações de empresas e trabalhadores deve ser finalizada em meados de 2022, o que demandará de todas as empresas, independentemente de seu segmento e de seu porte, uma adequação para o envio dos dados previstos na legislação por meio da ferramenta digital.
Com esse cenário de rápida transformação na área, é possível prever um próximo ano desafiador para os contadores e escritórios de contabilidade, mas também um ciclo de aprendizados e oportunidades. Daqui para frente, também, não haverá espaço para permanecer preso a modelos antigos, conforme alerta a presidente do Conselho Regional de Contabilidade do Estado (CRCRS), Ana Tércia L. Rodrigues.
“O mercado está sempre muito ativo e aquecido, com um grande gargalo de profissionais com preparação. Por isso, é necessário se preparar neste momento de transição dentro de um modelo cada vez mais digitalizado”, ressalta a contadora.
Conforme a presidente do CRCRS, a afinidade com as novas tecnologias e tendências do setor deve vir acompanhada de competências comportamentais, também conhecidas como soft skills. Entre as diferentes habilidades pessoais que estão sendo cada vez mais valorizadas no mercado, Ana Tércia aponta atenção especial para duas delas: comunicação e liderança.
“Passamos por um momento de diversas crises. Portanto, o profissional que souber se comunicar com a sua equipe, clientes e fornecedores e que souber ser um bom gestor terá um melhor desempenho aos desafios atuais”, avalia.
A modernização da área, no entanto, não passa somente pela qualificação dos profissionais de contabilidade. O poder público e seus diferentes órgãos reguladores possuem papel central para aperfeiçoar o ambiente digital que vem sendo desenvolvido no setor. Para a presidente do CRCRS, o governo federal está dando alguns sinais favoráveis a esse momento de mudanças. Um exemplo, segundo ela, é a lei da liberdade econômica aprovada em setembro deste ano, cujo objetivo é reduzir a burocracia de atividades econômicas e facilitar a abertura e o funcionamento de empresas.
A contadora, pondera, contudo, que ainda há muito a evoluir no chamado governo digital, especialmente quando se trata de ambiente tecnológico. “Não queremos nada demais. Queremos poder trabalhar e cumprir os prazos, algo que, muitas vezes, não é possível porque os sistemas não estão dando conta”, critica. No início de dezembro, a contadora exemplifica que o governo precisou limitar aplicações robotizadas no portal e-CAC como forma de solucionar diversas instabilidades no acesso ao sistema.

Gestão estratégica de dados e segurança cibernética são tendências para 2022

Gestão inteligente de dados e segurança cibernética, ou cyber security, são conceitos que devem aparecer cada vez mais tanto no debate quanto nas práticas envolvendo a contabilidade. Por meio de uma tecnologia de data analytics, por exemplo, é possível obter análises contábeis e financeiras de modo mais assertivo e estratégico, o que pode resultar em profissionais mais produtivos, além de um melhor relacionamento com os clientes.
O maior volume de dados e as diferentes ferramentas existentes para a sua gestão têm facilitado o dia a dia do contador. Por outro lado, essa acessibilidade veio acompanhada de riscos, principalmente após a implementação da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD). A norma, que visa estabelecer regras sobre coleta, armazenamento, tratamento e compartilhamento de dados pessoais, gera um forte impacto em uma área designada a receber uma série de informações, seja de pessoas físicas ou jurídicas.
Aprovada em 2018, a LGPD entrou em sua fase final de implementação somente este ano. Desde agosto, empresas e órgãos públicos que descumprirem normas previstas na legislação estão sujeitos a sanções que vão de uma simples advertência a multas de até R$ 50 milhões.
“O impacto da LGPD nos escritórios de contabilidade é direto, já que somos detentores de informações importantes de nossos clientes e de outras pessoas. Mais do que nunca, é necessário que estejamos próximos de nossos clientes para que nossa atividade traga a segurança que a lei exige”, defende a advogada e contadora Nara de Oliveira Tassinari.
De acordo com ela, a legislação conta com processos específicos que os escritórios contábeis devem estar atentos, como o consentimento durante o processo de recolhimento de dados e a definição de um profissional que irá fazer o uso dessas informações.
“Os escritórios de contabilidade devem criar um comitê de segurança de informações no qual haverá um profissional exclusivo: o Data Protection Officer - DPO, que será responsável pelo cumprimento da nova lei”, detalha Tassinari.
Outro cuidado crucial, conforme a advogada e contadora, diz respeito às empresas e organizações que tiverem companhias subcontratadas, uma vez que estas também precisarão se adaptar às medidas de proteção de dados para evitar casos de vazamentos e consequentes sanções.
Entre as exigências previstas que afetam diretamente o setor a partir da nova lei, está a necessidade de provar, por meio de documentos específicos, o consentimento do cliente para que o contador possa reter, registrar e armazenar seus dados pessoais, além de dispor de uma infraestrutura digital capaz de manter a segurança das informações.
“Neste processo de adaptação, os escritórios de contabilidade que ainda não se adequaram precisam tratar o assunto com máxima urgência. Buscar um profissional que esteja familiarizado com a LGPD é um diferencial”, aconselha Tassinari.
Além do uso de dados pessoais sensíveis sem o consentimento dos titulares, configura infração  a falta de transparência sobre como as informações pessoais serão utilizadas, a não comunicação de incidentes de vazamento de dados, o impedimento de acesso dos titulares aos dados armazenados, entre outros.  

Inciativas ESG ganham espaço na contabilidade

Ana Tércia diz que desafio é ajudar empresas a mensurar impacto da sustentabilidade
Ana Tércia diz que desafio é ajudar empresas a mensurar impacto da sustentabilidade
CLAITON DORNELLES /JC
Outro tema que deve, cada vez mais, fazer parte das discussões no meio contábil, segundo a presidente do CRCRS, Ana Tércia L. Rodrigues, está ligado a questões ambientais. “O desafio é contribuir com as empresas a mensurar o impacto gerado por programas de sustentabilidade, mostrando aos investidores e acionistas de que forma isso gera valor ao negócio”, acrescenta.
Iniciativas ESG - Environmental, Social and Governance (em português, Ambiental, Social e Governança) estão se popularizando no meio corporativo e, cada vez mais, são vistas como peças fundamentais no desenvolvimento econômico. De encontro a esse movimento, o Conselho Federal de Contabilidade (CFC) aprovou, no final de 2020, o Comunicado Técnico Geral (CTG) 09 – Relato Integrado. A iniciativa tem o objetivo de padronizar relatórios que atendam aos temas da agenda ESG e serve de referência metodológica de diretrizes, integrando informações financeiras com as não financeiras.
Entre as diretrizes do Comunicado Técnico constam a melhoria da qualidade da informação disponível aos investidores e demais stakeholders; a promoção de uma abordagem mais coesa e eficiente do relato corporativo e o aperfeiçoamento da prestação de contas e da responsabilização pela gestão da base abrangente de capitais – financeiro, manufaturado, intelectual, humano, social, de relacionamento e natural.
“Temos que ter em mente que os temas sobre sustentabilidade e os impactos que causam sobre os investimentos e negócios não são uma tendência ou um modismo. Essa é uma questão central para empresas, investidores e sociedade, e todas as informações precisam estar expressas em relatório abrangente e padronizado”, disse à época da aprovação da norma o presidente do CFC, Zulmir Breda.

Automação de atividades contábeis e empresas de nicho devem seguir em alta

A pandemia tornou clara a necessidade de atualização dos profissionais contábeis e do uso de ferramentas tecnológicas em suas atividades. Transcorrido o auge da crise sanitária os efeitos e as tendências promovidas ao longo do período devem se manter em 2022.
Um exemplo é a aceleração de processos de automação inseridos nas atividades do contador. “Apesar de parecerem uma espécie de ameaça, os softwares de automação são grandes auxiliares dos contadores. Atualmente, o mercado disponibiliza programas que facilitam o controle e a gestão de documentos, o que é fundamental para que as empresas contábeis se mantenham competitivas no mercado”, avalia a advogada e contadora Nara de Oliveira Tassinari.
Além da inteligência artificial, outra tendência apontada por especialistas da área é o surgimento, cada vez em maior quantidade, das empresas contábeis de nicho ou especializadas. “As companhias encontram nos nichos oportunidades de aprofundar conhecimentos e oferecer serviços mais personalizados. Em um mundo com tantas peculiaridades e regularizações diferentes para cada setor, os nichos seguirão como tendência”, avalia a presidente do Conselho Regional de Contabilidade do Estado (CRCRS), Ana Tércia L. Rodrigues.
Como desafios no setor, a contadora Ana Tércia cita ainda as incertezas relacionadas ao ambiente econômico atual do País, que acabam impactando nas demonstrações contábeis, projeções e orçamentos das empresas para o próximo ano. “A CVM (Comissão de Valores Mobiliários) deve divulgar orientações até o final do mês sobre como os contadores devem proceder para o encerramento dos balanços de 2021, levando em consideração o cenário algumas dessas questões econômicas”, afirma.
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