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Opinião

- Publicada em 03h00min, 11/11/2020.

Governança Corporativa: sinônimo de longevidade para as empresas

Neusa Monser, Membro da Comissão de Estudos de Governança e Compliance do CRCRS

Neusa Monser, Membro da Comissão de Estudos de Governança e Compliance do CRCRS


/ACERVO PESSOAL/DIVULGAÇÃO/JC
Neusa Ballardin Monser
Coordenadora e professora do Centro Universitário Metodista IPA e sócia daG6 - Gestão e Governança
Coordenadora e professora do Centro Universitário Metodista IPA e sócia daG6 - Gestão e Governança
Esse tema despertou minha curiosidade no princípio, quando a Governança Corporativa (GC) iniciou no Brasil; hoje, já tem mais de duas décadas no País. E, por que despertou a minha curiosidade? A resposta está no seu objetivo principal que é de possibilitar que as empresas sejam longevas. Quantas empresas no Brasil sucumbem por problemas de gestão e de comando?
Estatísticas realizadas em 2020 apontam que as empresas que encerram suas atividades, em grande parte, são em consequência do impacto da pandemia da Covid-19 e, portanto, não compõem a análise a que me refiro. Porém, independentemente desse fato insólito, muitas empresas tradicionais que atuavam na Capital não mais existem.
Diversos são os fatores que contribuíram para o fim de suas atividades. Bergamini Júnior (2005) afirma que "somente uma boa governança não garante o sucesso das empresas, mas que uma governança fraca contribui para a sua destruição".
O Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), que é a organização responsável pela disseminação e orientação dessa prática no Brasil, estabelece os princípios da governança corporativa: transparência, equidade, prestação de contas e responsabilidade corporativa.
A transparência refere-se a disponibilizar informações, não somente as exigidas pela legislação, mas também as que podem orientar e auxiliar as partes interessadas (stakeholders). A equidade diz respeito ao tratamento justo e igualitário a todos os membros da corporação e também as partes interessadas. A prestação de contas envolve apresentar o desempenho da gestão em todos os seus aspectos (econômico, financeiro e empresarial), de forma compreensível e tempestiva. E, por fim, a responsabilidade corporativa que parte da mesma premissa da prestação de contas à sociedade, ampliando o foco para a sustentabilidade e a mitigação de riscos em geral, principalmente em relação aos aspectos financeiros, sociais e ambientais.
Esses princípios devem ser assimilados pela empresa em todas as suas ações e atitudes, não somente fazer parte dos documentos e frases fixadas nas paredes e no portal da empresa. Colocar em prática os princípios da GC exige foco e persistência e, em especial, o bom exemplo da alta administração.
A GC pode ser implantada em empresas de qualquer porte, podendo ser públicas, privadas ou sem fins lucrativos (Terceiro Setor); entretanto, o ideal é que se faça em etapas. Todavia, destaco que, para a implantação da governança, a gestão da empresa deve estar bem estruturada e organizada para amparar o processo.
Outra contribuição da Governança é a orientação do processo de sucessão do comando das organizações, fazendo com que a próxima geração possa conduzir os negócios iniciados por seus fundadores. Esse tema, em boa parte, não é tratado abertamente nas empresas, considerado, muitas vezes, como um fantasma que assombra o futuro das organizações. A sucessão quando tratada como uma estratégia empresarial, conduzida de forma profissional, reduz riscos e crises diante do afastamento ou ausência de fundadores/sócios.
Em live realizada pela Comissão de Estudos de Governança e Compliance do CRCRS foram citados dois exemplos de sucessão exitosa em organizações contábeis. O vídeo está disponível na TVCRCRS no YouTube. Assim, posso afirmar que definitivamente as boas práticas de Governança Corporativa fortalecem a gestão, principalmente no que se refere aos controles internos, melhora o comando/governo, mitiga os conflitos de agência e agrega valor à empresa, contribuindo para a longevidade das organizações.

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