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Opinião

- Publicada em 03h00min, 29/04/2020.

Transformação digital: mais performance, menos riscos tributários

Odair Benedito Leandro da Silva, líder de Tax na Grant Thornton

Odair Benedito Leandro da Silva, líder de Tax na Grant Thornton


/Grant Thornton/Divulgação/JC
Odair Benedito Leandro da Silva
Líder de Tax na Grant Thornton
Líder de Tax na Grant Thornton
As áreas tributárias das empresas estão cada vez mais eficientes e, reduzindo cada vez mais custos com a transformação digital que permite otimizar processos e controles mais ágeis e previsíveis dentro das empresas, mesmo diante da complexidade e instabilidade do sistema fiscal e tributário brasileiro.
Para se ter uma ideia do cenário, um levantamento realizado pelo Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT) aponta que o Brasil possui uma média de 46 normas tributárias editadas diariamente desde a promulgação da Constituição Federal, em 1988.
Já o Banco Mundial estima que, a cada ano, as empresas brasileiras destinam 1.958 horas de suas equipes para cumprir com as determinações do Fisco - sendo que mundialmente esse volume de horas chega a ser oito vezes menor. E entre os países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), a média é ainda mais enxuta - 161 horas anuais. Ou seja, no Brasil, o tempo dos colaboradores que poderia ser destinado à produtividade, redução de custos ou melhores práticas de governança, é destinado para cumprir determinações do Fisco.
Os dados tornam óbvia a desvantagem imposta às companhias com operações no Brasil, obrigadas a lidar com um sistema fiscal e tributário altamente complexo. Prova disso, há tempos o País enfrenta longas discussões para promover uma Reforma Tributária.
Por outro lado, as organizações que estão atentas aos impactos da transformação digital têm mais potencial competitivo frente a desafios históricos. Tecnologias como internet das coisas, machine learning e o RPA - sigla em inglês para automação robótica de processos - permitem que atividades repetitivas passem a ser executadas por meio de mecanismos de inteligência artificial em uma fração de tempo e taxas de erro significativamente menores. Isso porque, além de acelerar a velocidade de análise e localização de dados, a tecnologia permite a avaliação dos processos de forma ampla, facilitando sua revisão e, consequente sua simplificação.
Essa transformação também contribui para que procedimentos como os realizados pela Receita Federal sejam ainda mais efetivos em suas checagens e análises. Com um maior instrumental de base tecnológica à disposição do governo, é possível analisar de forma mais assertiva dados tributários. O resultado disso já se reflete em números. A aplicação de multas devido a incoerências em informações vem crescendo.
Nos exercícios de 2013 a 2016, o total de autuações superou em 48,67% o total verificado nos quatro exercícios anteriores (de 2009 a 2012). E, de acordo com dados da própria Receita Federal, 97% dos autos de infração já são gerados automaticamente pelos sistemas de fiscalização - prova de que instrumentos como internet das coisas e inteligência artificial já definem um novo ambiente também na fiscalização.
Para as empresas, essa nova realidade amplia a necessidade de acelerar a sua própria transformação digital e fazê-la integrar à lista de prioridades dos tomadores de decisão. E o momento atual demonstra ser propício para promover mudanças de rumo, principalmente, se considerados os fatores financeiros.
As novas ferramentas promovem maior retorno em relação ao investimento que exigem, desde a ampliação da confiabilidade em relação aos processos manuais e da respectiva menor propensão a autuações e multas, até a maior eficiência da equipe em processos de maior foco estratégico aos negócios.
 
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