Porto Alegre, quarta-feira, 04 de março de 2020.

Jornal do Comércio

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Gestão

Notícia da edição impressa de 04/03/2020. Alterada em 03/03 às 15h14min

Fusões e aquisições no Rio Grande do Sul cresceram 10% em 2019

Estado ocupa o quinto lugar no ranking do estudo da KPMG, com 53 transações

Estado ocupa o quinto lugar no ranking do estudo da KPMG, com 53 transações


PRESSFOTO VIA FREEPIK.COM/DIVULGAÇÃO/JC
O número de fusões e aquisições realizadas por empresas do Rio Grande do Sul aumentou cerca de 10% em 2019, se comparado ao ano anterior. Com um acréscimo de cinco operações em relação ao volume registrado em 2018 (53), foram concretizadas 58 transações no Estado no último ano.
O número de fusões e aquisições realizadas por empresas do Rio Grande do Sul aumentou cerca de 10% em 2019, se comparado ao ano anterior. Com um acréscimo de cinco operações em relação ao volume registrado em 2018 (53), foram concretizadas 58 transações no Estado no último ano.
Os dados são de uma pesquisa da KPMG realizada com 43 setores da economia brasileira. Em 2019, os setores que mais realizaram fusões e aquisições (em inglês, M&A - Mergers and Acquisitions) no Rio Grande do Sul, ocupando os cinco primeiros lugares, foram: tecnologia da informação (9); outros setores (7); empresas de internet (6); instituições financeiras (5); hospitais e laboratórios de análises clínicas; alimentos, bebidas e tabaco; shopping centers e pontos de venda (todos com 4).
No Brasil, ainda de acordo com levantamento exclusivo realizado pela KPMG, registrou-se em 2019 um novo recorde de fusões e aquisições, com 1.231 transações concretizadas. O número representa crescimento de 27,3% em comparação com 2018, quando foram realizadas 967. Pela terceira vez consecutiva, essas operações quebram recordes, considerando 830 em 2017.
As regiões Sudeste e Sul do Brasil foram as que mais se destacaram. São Paulo foi o estado líder com 750 operações, seguido de Rio de Janeiro (119), Paraná (73), Minas Gerais (60), Rio Grande do Sul (53) e Santa Catarina (44).
Um dos fatores que contribuíram para os resultados no ano passado foi o aumento considerável nas transações domésticas, que saltaram de 550 em 2018 para 782 em 2019. Trata-se de um crescimento de 42,2%.
As aquisições por empresas estrangeiras também apresentaram expansão relevante, de 19%, totalizando 374 transações em comparação às 315 de 2018. Estas operações apresentaram forte aceleração no segundo semestre, quando foram concretizadas 223, ante 151 do primeiro semestre.
De acordo com o sócio-líder da área de Fusões e Aquisições da KPMG no Brasil, Luís Motta, "as empresas brasileiras têm apresentado mais apetite para implementar seus planos de expansão no País, com investimentos de longo prazo, no caso específico, por meio de aquisições". Os dados sinalizam, ainda, que o Brasil passou a ter maior relevância na rota dos investidores estrangeiros a partir deste ano.
Além disso, as informações levantadas na pesquisa podem ser interpretadas como uma consequência da melhoria gradativa da economia nacional. "O terceiro recorde consecutivo de fusões e aquisições, com destaque para as transações domésticas, mostram um impacto direto nos negócios da confiança dos empresários. Outro ponto de destaque que devemos observar é que, novamente, as empresas ligadas à inovação e tecnologia continuam realizando muitas operações", analisa Motta.
Quando se analisa os dados de todo País, o setor de empresas de internet manteve a liderança, saltando de 169 operações em 2018 para 293 em 2019, uma alta de 73%, seguida pelos setores de tecnologia da informação (158), hospitais e laboratórios de análises clinicas (87), segmento imobiliário (77), outros setores (72), alimentos, bebidas e fumo (52) e companhias de energia (51).
Muitas empresas nacionais e estrangeiras têm adotado fusões e aquisições como estratégia de crescimento e fortalecimento dos seus negócios no Brasil, destaca o sócio da KPMG. "Outra questão que se apresenta de maneira relevante é o investimento em inovação de modelos de negócios tradicionais, por meio de investimento dos fundos de venture capital, em empresas de internet e de tecnologia", completa.

M&A segue tendência de consolidação no Brasil

Natal diz que o baixo valor da moeda faz aumentar interesse no País
Natal diz que o baixo valor da moeda faz aumentar interesse no País
/NATAL & MANSSUR/DIVULGAÇÃO/JC
O crescimento acima do recorde histórico no número de fusões e aquisições fusões e aquisições (em inglês, M&A - Mergers and Acquisitions) no País e as previsões das consultorias de crescimento ainda maior em 2020 trazem à tona as discussões sobre a necessidade de as empresas brasileiras se prepararem cada vez mais para esses processos.
O especialista em Estratégicas Societárias e Sucessórias pela FGV e sócio do escritório Natal & Manssur Eduardo Gonzaga Oliveira de Natal, destaca que esse movimento está muito amparado no baixo valor da nossa moeda. Isso significa que há uma disposição deste volume se manter ao longo do ano, tendo em vista que o Real segue em ritmo de queda.
Dados divulgados pela Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento (Unctad) ajudam a confirmar essa tendência: o País subiu da sexta para a quarta posição entre os principais destinos de investimentos estrangeiros no mundo em 2019 e recebeu US$ 75 bilhões em recursos externos, contra US$ 60 bilhões em 2018.
Segundo Natal, "o baixo valor da nossa moeda faz o preço dos ativos ser muito atrativo para os investidores". "Outro ponto é o arrefecimento da economia internacional, o que desvia o foco para países como o Brasil. Sem falar no nosso mercado consumidor, de mais de 200 milhões de pessoas", avalia o especialista.
"A Reforma da Previdência, a MP da Liberdade Econômica, a previsibilidade de haver uma reforma administrativa e as privatizações são movimentos que também reforçam a confiança do investidor estrangeiro no Brasil e atraem negócios", complementa o advogado George Leandro Luna Bonfim, especialista em assessoria para fundos de Private Equity e Venture Capital em operações de compra e venda de empresas no Brasil, e que também atua no escritório Natal & Manssur.
Segundo Bonfim, duas áreas são bastante promissoras para essa consolidação: a construção civil, em crescimento acelerado desde o ano passado, e o setor imobiliário. "A previsão é que 2020 seja melhor ainda", projeta o advogado.
 

Empresas devem se preparar para o processo e definir metas, alertam especialistas

Os especialistas alertam que é preciso estar preparado e contar com uma consultoria para iniciar um processo de M&A. "Levando em conta que as médias e pequenas empresas estão, preferencialmente, na mira dessa tendência, é muito importante o empresário brasileiro fazer a lição de casa e colocar a casa em ordem, antes mesmo que se inicie a due dilligence", pontua Natal.
O trabalho é complexo e envolve análises de contingências civis, trabalhistas, tributárias, regulatórias, previdenciárias, além da projeção do que pode vir a ser um problema, em função das boas práticas ou não. O empresário que não se prepara, em geral, se frustra com a precificação após a due dilligence, porque o valor cai muito dependendo das contingências.
Para George Bonfim, fazer um raio x da empresa não é relevante apenas para a precificação, mas também para traçar uma estratégia correta de futuro. "O empresário tem que saber que tipo de investidor ele quer. Se deseja apenas um fundo de investimento para crescer e se manter na gestão ou busca um parceiro estratégico para desenvolver o negócio no Brasil. Se está pensando em sair do negócio e como quer fazer a passagem desse bastão. Entender onde a empresa está e saber o que ela quer para o negócio é crucial para uma operação bem-sucedida", afirma Bonfim.
A recomendação, portanto, é se antecipar e saber que a operação é complexa e pode levar mais tempo do que se espera. "A operação de M&A é bastante complexa e não ocorre em 30 ou 60 dias. Muitas vezes a empresa precisa passar por um estágio de saneamento, de auditoria financeira, jurídica, fiscal, precisa entender os estágios do processo. Se tentar atropelar as etapas e queimar a largada, terá sérios problemas lá na frente", finaliza Bonfim.

Cenário depende da aprovação das reformas e tende a se acelerar a partir do ano que vem

Lara Schwartzmann
Lara Schwartzmann
/Trench Rossi Watanabe Divulgação JC
Uma pesquisa global realizada pelo escritório Baker McKenzie e Oxford Economics, em cooperação estratégica com o escritório Trench Rossi Watanabe, aponta o ano de 2020 como ainda tímido em relação ao volume de fusões e aquisições e ofertas públicas iniciais de ações no Brasil. De acordo com a sócia do Trench Rossi Watanabe, Lara Schwartzmann, a expectativa de aprovação de importantes reformas para endereçar o déficit fiscal e propiciar um ambiente de negócios mais favorável no País vem impactando positivamente as transações no Brasil.
Contudo, Lara explica que "as turbulências políticas e econômicas pelas quais os países da América Latina passam afetaram a decisão de investidores estrangeiros que buscavam evitar os riscos de investir no mercado nacional". A previsão da pesquisa feita em nível mundial é de redução de aproximadamente 9% em fusões e aquisições no período em relação a 2019.
Em termos de valor, a movimentação representará uma queda de US$ 40,4 bilhões em 2019 para R$ 37 bilhões este ano. No que se refere a IPOs, o estudo indica redução de 32% em valores negociados, saindo de US$ 1,46 bilhão em 2019 para US$ 1 bilhão em 2020.
O levantamento revela também um cenário mais promissor no biênio 2021-2022, com a expectativa de recuperação econômica no País em que o valor das fusões e aquisições deve superar, respectivamente, os US$ 40 bilhões e os US$ 47 bilhões. "A tendência é que a economia brasileira se recupere gradativamente conforme importantes reformas, como a da previdência e subsequentemente a tributária, sejam aprovadas, refletindo em um aumento a curto e médio prazo no volume das transações", afirma Lara.
O estudo também aponta que é esperada uma queda nas fusões e aquisições em todo mundo. A média global de redução para 2020, em relação com 2019, em fusões e aquisições é estimada em 25% - variação de US$ 2,8 trilhões para US$ 2,1 trilhões. Os IPOs também sofrerão impacto importante no período, uma queda de 23%, indo de US$ 152 bilhões para US$ 116 bilhões, se descontados os efeitos da potencial listagem da Saudi Aramco, que representará um grande volume financeiro, porém pontual.
Segundo Lara, "os principais motivos para esse cenário são as incertezas advindas da guerra comercial entre EUA e China, e uma economia global em desaceleração. "No entanto, as operações de fusões, aquisições e IPOs continuam sendo uma importante estratégia de crescimento para empresas globalmente e esperamos que as condições econômicas melhorem a partir de 2021", afirma.