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Porto Alegre, quarta-feira, 16 de outubro de 2019.

Jornal do Comércio

JC Contabilidade

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Fala Profissional

Edição impressa de 16/10/2019. Alterada em 15/10 às 15h22min

IFRS 16 afetou 72% das empresas de capital aberto

Adriana destaca que houve acréscimo no volume de contratos para análise

Adriana destaca que houve acréscimo no volume de contratos para análise


/IBRACON/DIVULGAÇÃO/JC
Roberta Mello
A norma contábil internacional que mudou a forma como os contratos de arrendamentos são registrados, IFRS 16, impactou 72% das companhias de capital aberto de acordo com a divulgação apresentada nas demonstrações contábeis de 31 de dezembro de 2018. Levantamento realizado pelo Instituto dos Auditores Independentes do Brasil (Ibracon) analisou as demonstrações contábeis de 228 companhias de capital aberto e evidenciou que, em média, os ativos tiveram variação de 2,6% e os passivos de 2,7%.
A norma contábil internacional que mudou a forma como os contratos de arrendamentos são registrados, IFRS 16, impactou 72% das companhias de capital aberto de acordo com a divulgação apresentada nas demonstrações contábeis de 31 de dezembro de 2018. Levantamento realizado pelo Instituto dos Auditores Independentes do Brasil (Ibracon) analisou as demonstrações contábeis de 228 companhias de capital aberto e evidenciou que, em média, os ativos tiveram variação de 2,6% e os passivos de 2,7%.
Olhando apenas essa porcentagem, o impacto pode parecer pequeno, mas eles são refletidos nas demonstrações financeiras de empresas com orçamentos bilionários. A gerente técnica do Ibracon e responsável pela análise, Adriana Caetano, destaca que a norma é para todos e às vezes o mercado não tem essa consciência.
"A pesquisa mostrou, ainda, que as empresas com mais contratos de locação e/ou arrendamentos que não eram registrados anteriormente, como os setores de aviação, telecomunicações e varejo, foram as mais impactadas", salienta Adriana.
O levantamento se debruçou sobre as companhias do índice IBrX 100 da B3, indicador do desempenho médio das cotações dos 100 ativos de maior negociabilidade e representatividade do mercado de ações brasileiro.
Quando Adriana analisou o primeiro Formulário de Demonstrações Trimestrais (ITR) dessas mesmas companhias, o número já havia ultrapassado os 70%. Ao todo, 84% informaram que foram impactadas pela IFRS 16, sendo que a variação foi de 1,3% nos ativos e 1,3% nos passivos.
Ainda de acordo com o levantamento, 100% das companhias de aviação e de telecomunicações pesquisadas foram afetadas. No caso das companhias de aviação e de telecomunicações, os ativos tiveram uma variação de 23,4%, enquanto o passivo variou 31,5%. Já o setor de varejo aparece logo depois, com 86% das companhias pesquisadas impactadas pela nova norma contábil. Nesse caso, o ativo variou 12,8% e o passivo 13,3%.
JC Contabilidade - Há quanto tempo essa nova norma relacionada ao tratamento de arrendamentos entrou em vigor? As empresas estão conseguindo dar conta do que ela exige?
Adriana Caetano - A nova norma entrou em vigor em 1 de janeiro de 2019, mas já existia uma obrigatoriedade de divulgação dos possíveis impactos da adoção dessa nova norma para 31 de dezembro de 2018. Eu não consigo determinar exatamente se as empresas estão dando conta ou não por que fiz a pesquisa com base nas divulgações das demonstrações financeiras que foram emitidas, que são de companhias abertas e, por tanto, públicas. O que posso afirmar é que os preparadores das demonstrações das companhias têm comentado muito que está sendo um processo bastante desafiador a adoção das normas, pois existem muitos contratos e o volume e a variedade de contratos são grandes. Arrendamento não quer dizer que são só as locações. Existem contratos de prestação de serviços, por exemplo, que podem ser configurados como arrendamento.
Contabilidade - Então depende bastante do conteúdo de cada contrato. Eles devem ser analisados individualmente.
Adriana - Exatamente, por isso o volume de contratos para analisar ficou muito grande. Não são só contratos de locação ou aquele em que está escrito leasing. As empresas tiveram de rever todos os tipos de contrato e aí reside o desafio.
Contabilidade - A pesquisa destaca também que os setores mais impactados são os setores de aviação, telecomunicações e varejo. Por quê?
Adriana - No caso do varejo eu percebo que são as lojas, que normalmente são locadas, e os galpões onde ficam armazenadas as mercadorias. Além disso, no varejo, tem a prestação de serviço de administração do almoxarifado e dos estoques. A aviação está entre os três principais por que os aviões são praticamente todos usados devido a contrato de leasing. As empresas de aviação quase não utilizam avião comprados. E as empresas de telecomunicação são bastante impactadas por causa do uso das torres de transmissão - colocadas em terrenos que geralmente são locados. Em todos esses casos são feitos contratos com mais de 12 meses e, por isso, de acordo com a norma, devem ser registrados nos balanços.
Contabilidade - A pesquisa aponta que 72% das empresas de capital aberto do IBrX 100 foram afetadas. Vocês esperavam que esse número seria tão grande?
Adriana - Nós já tínhamos a expectativa de que o número de contratos que fariam parte do escopo da norma seria bastante grande e que, nesse sentido, muitas empresas seriam impactadas. A gente já tinha essa percepção por que o próprio IFRS Foundation tem um material explicativo com pesquisa demonstrando que muitas empresas seriam impactadas e que seu efeito seria a contabilização de até US$ 3 trilhões.
Contabilidade - Mesmo que apontassem seus efeitos sobre os balanços de 2018, as empresas passam a ser obrigadas a adotar a nova norma nas suas demonstrações apenas a partir deste ano?
Adriana - Sim, em 1 de janeiro de 2019 as empresas já tinham de começar a adotar. Isso para quem tem de fazer ITR, obviamente. Para quem não tem, daí é só no encerramento do exercício. A gente vai conseguir ver o impacto mesmo no final deste ano, pois no ITR a divulgação é muito limitada.
Contabilidade - Quem deve se preocupar com isso agora são principalmente as empresas grandes, que já têm departamentos fiscais e tributários bastante maduros. Mas a gente vê que mesmo esses gestores ainda têm dúvidas. Você concorda com isso e que se trata de uma novidade bastante complexa?
Adriana - É verdade que ainda existem dúvidas. Elas são principalmente em relação à forma de adoção da regra internacional. Nesse sentido, mesmo as companhias abertas que já estavam se preparando desde o ano passado ou há mais tempo ainda têm dúvidas. Quanto às empresas obrigadas, as fechadas, que não têm publicação das informações trimestrais, também devem prestar atenção. Esta norma é super impactante para todas. Se você olhar para fins de resultado não os reflexos podem não ser tão grandes assim. Só que o maior diferencial desta norma é a abrangência mesmo e isso independe se a empresa é grande, média ou pequena.
Contabilidade - A adoção dessa norma também acaba gerando uma diferença grande entre demonstrações de resultados anteriores e os mais atuais. Como analisá-los?
Adriana - O que eu tenho visto nas divulgações das companhias que a gente analisou é que principalmente em relação a resultado e Ebitda, as companhias estão divulgando com e sem o efeito do IFRS 16 para facilitar para o usuário da demonstração financeira. Assim ele consegue enxergar e fazer sua análise. Em algum lugar dentro da divulgação da demonstração financeira ou no Relatório da Administração está explícito como é expurgando o efeito do IFRS 16.
Contabilidade - E os investidores devem levar em conta o resultado com ou sem?
Adriana - Eu não posso falar pelos investidores, mas o que tenho acompanhado é que as empresas que determinam grau de investimento estão por enquanto fazendo a análise da forma como faziam antes - excluindo o efeito da adoção do IFRS 16 ao fazer análise de resultado e análise de Ebitda,. Mas também não é excluindo totalmente. Elas já apontam os resultados sem e com o efeito também em algum lugar.
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