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Porto Alegre, quarta-feira, 05 de dezembro de 2018.
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Jornal do Comércio

JC Contabilidade

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Fala Profissional

Edição impressa de 05/12/2018. Alterada em 04/12 às 16h13min

Empresas familiares devem ter estruturas de governança

Wengrover aponta avanço do mercado na adoção de estratégias que garantam uma melhor gestão

Wengrover aponta avanço do mercado na adoção de estratégias que garantam uma melhor gestão


GIULIANO CECATTO/IBGC/DIVULGAÇÃO/JC
Roberta Mello
O Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), em parceria com a Amcham, realizou, em novembro, o 4º Seminário de Governança Corporativa. O objetivo do encontro foi conhecer as estratégias adotadas pelas companhias, principalmente com estruturas familiares, para se manterem em conformidade.
O encontro destacou a importância da adoção das melhores práticas de governança corporativa por parte de empresas e famílias empresárias. Neste ano, o IBGC lançou um termômetro da governança praticada pelas companhias fechadas - aquelas que não estão obrigadas a passar por auditoria e, portanto, podem ter estruturas de acordo com as suas necessidades. "A Métrica de Governança Corporativa é um instrumento de autoavaliação voluntário. O resultado que temos até agora mostra que temos muito a avançar. A nota média das empresas participantes - e metade delas é familiar - é 29 de um total de 100 pontos", comenta o coordenador-geral do IBGC Capítulo Sul, Leonardo Wengrover.
JC Contabilidade - Como a governança pode ajudar a manter a saúde financeira dos negócios?
Leonardo Wengrover - Governança é, acima de tudo, o conceito básico de converter princípios em recomendações claras e objetivas, alinhando o interesse de todas as partes interessadas (stakeholders) com um único objetivo, preservar e gerar valor para a organização no longo prazo e, ato contínuo, a toda cadeia de stakeholders.
Contabilidade - O que leva as empresas a buscarem implementar estruturas e estratégias de governança?
Wengrover - São diversas as motivações que levam as organizações a implementarem as boas práticas de governança. Entre elas estão a necessidade de profissionalização da gestão, de retenção de talentos, de melhorar o relacionamento com clientes e fornecedores, de administrar conflitos corporativos e familiares de forma eficiente e conciliadora, e de revisar constantemente seu planejamento estratégico e seu propósito. A adoção dessas boas práticas, entre outras, diminui os riscos corporativos reduzindo o custo financeiro e, consequentemente, melhorando a saúde financeira dos negócios. Por fim, contribui na longevidade organizações.
Contabilidade - Como as empresas brasileiras estão adequadas e preocupadas em adotar estratégias de governança?
Wengrover - O mercado brasileiro está avançando. Neste ano, tivemos a estreia do Informe do Código Brasileiro de Governança Corporativa - Companhias Abertas. Trata-se do primeiro código de governança aplicável a todas as companhias abertas brasileiras, o que nos põe em linha com o que já acontece em mercados maduros, como o do Reino Unido. O Código Brasileiro não impõe regras às empresas, mas permite que elas justifiquem o motivo para a não adoção de boas práticas. Este modelo, conhecido como "pratique ou explique", reconhece que a governança corporativa não tem um tamanho único e estimula o desenvolvimento contínuo das organizações. É importante valorizarmos as empresas que investem de fato na governança - aquela que se reflete na cultura da empresa e no comportamento de colaboradores e stakeholders, e não é apenas um checklist.
Contabilidade - E as empresas familiares, que eram o foco do encontro?
Wengrover - As empresas familiares respondem por mais de 65% do PIB do País e estão conscientes dos desafios. Aqui, existe um espaço enorme para trabalharmos, e a energia empreendida nessas empresas gera grandes resultados. Muitas empresas familiares no País estão passando da segunda para a terceira geração, já que foram fundadas por imigrantes no século passado, e mais de 90% dessas empresas não irão sobreviver à etapa do "consórcio de primos" (terceira geração) sem a adoção de estruturas e conceitos de governança.
Contabilidade - E o setor de cooperativas, que, como as organizações familiares, tem grande potencial e vem apresentando crescimento?
Wengrover - As cooperativas vêm fazendo o seu papel. Temos ótimos exemplos no Rio Grande do Sul. E, em relação às Sociedades de Economia Mista, no IBGC, estamos focados na preservação das conquistas dos últimos anos. A Lei nº 13.303 blindou as estatais e sociedades de economia mista da influência político-partidária ao proibir a indicação de pessoas sem a devida qualificação para os cargos de conselheiro de administração e diretor estatutário. Agora, essa conquista está ameaçada, e estamos trabalhando para evitar um retrocesso.
Contabilidade - Há também pesquisas do IBGC que demonstrem, especificamente, a popularização do tema da governança corporativa entre as organizações?
Wengrover - Talvez, um dos melhores indicadores seja o do crescimento do instituto ao longo dos seus 22 anos de vida. Na fundação do instituto eram somente três colaboradores, e, atualmente, contamos com mais de 60 colaboradores. Os cursos promovidos pelo IBGC também são um bom termômetro. Mesmo ampliando o número de cursos promovidos e a grade de opção, estamos sempre com as salas lotadas. Outro ponto que chama muito a atenção é em nosso Estado. No Rio Grande do Sul, o IBGC Capítulo Sul cresceu 50% nos últimos dois anos em número de associados. É um salto expressivo, que mostra a preocupação das organizações gaúchas e brasileiras nesse assunto.
Contabilidade - Quais as tendências nessa área? O que mais chama atenção nos encontros?
Wengrover - Estamos vivendo a era da transparência, um dos pilares fundamentais da governança corporativa. Essa deliberação ética é o que consolida a identidade das organizações e tem reflexos sobre a sua cultura e, finalmente, sobre sua reputação. A coerência entre o pensar, o falar e o agir. Com apenas dois ou três cliques, temos acesso farto às verdadeiras informações. Não podemos nos dar ao luxo de perdermos a credibilidade nas nossas cadeias de stakeholders. Reputação reduz custo de capital e cria valor para as organizações. Não há mais espaço para relações distorcidas. Se estamos buscando stakeholders altamente qualificados, como imaginar que esses agentes esperariam algo diferente de nós mesmos? Ganhos de uns em detrimentos e perdas de outros. Se houver esse desequilíbrio, o sistema não está harmônico, e, consequentemente, haverá perda de valor para a organização no longo prazo. Governança é simples. É um sistema autossustentável, um sistema que se retroalimenta.
Contabilidade - Mas para empresas com relações familiares pode se tornar complicado?
Wengrover - No mundo das empresas familiares, isso se torna ainda mais desafiador. Segundo a empresa de auditoria PwC, em uma de suas publicações sobre empresas familiares, nos próximos cinco anos, teremos a maior transferência de patrimônio mundial entre gerações. Outro ponto que, sem sombra de dúvidas, vem tirando o sono de muitos conselheiros são as novas tecnologias disruptivas. É atribuição máxima do conselho de administração saber de onde virão os novos desafios das organizações. Neste ano, o IBGC organizou a sua Jornada Técnica anual ao Vale do Silício, para onde levamos mais de 50 conselheiros de administração para estudarmos os novos desafios tecnológicos. Em 2019, a nossa Jornada Técnica será a Israel, com o mesmo objetivo de aprendermos sobre inovação nos países que são referência mundial.
Contabilidade - E como os departamentos fiscais e contábeis podem participar dessas adequações?
Wengrover - Os departamentos fiscal e contábil, apesar de não integrarem a estrutura de governança das empresas, são fundamentais para a geração de informações de qualidade. Essas informações norteiam a gestão e o conselho de administração. Em recentes apresentações em dois importantes seminários no Rio Grande do Sul, das entidades mais representativas no setor, Ibracon-RS e Sescon-RS, comentei que a 5ª edição do Código de Melhores Práticas do IBGC vem muito mais sugestiva do que prescritiva e coloca um peso importante justamente nos agentes de governança. As pessoas, dentro das organizações, têm um papel fundamental na busca pelas melhores práticas. Como mencionado anteriormente, estruturas, por si só, não fazem milagre.
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