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Porto Alegre, quarta-feira, 28 de novembro de 2018.

Jornal do Comércio

JC Contabilidade

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Opinião

Edição impressa de 28/11/2018. Alterada em 28/11 às 08h42min

Compliance para o combate a fraudes empresariais

Gleriani Ferreira
Em tempos de Lava Jato a população tomou mais conhecimento dos métodos adotados em investigações, acompanhando o uso de câmeras e microfones escondidos, além de outros instrumentos tecnológicos cada vez mais eficientes.
No âmbito empresarial, muitos prejuízos são causados com desvios de cargas, inadimplência por parte de clientes-fantasma, subornos e propinas orquestradas por colaboradores de diversas áreas. Por serem assuntos sigilosos, poucos livros e artigos acadêmicos apresentam casos e seus desdobramentos. Na maioria dos casos, as empresas procuram esconder o ocorrido, mas vale lembrar que há muitas lições que podem ser aproveitadas para aperfeiçoar os processos de controle.
Além disso, a descoberta e a punição têm o efeito de inibir novas ocorrências dentro da empresa. Porém, tão importante quanto identificar fraudes é reunir provas inequívocas, a fim de garantir punição aos culpados.
Como diz um ditado popular, apenas colocamos o cadeado no portão depois do roubo. No entanto, muitas empresas estão aderindo às boas práticas de Compliance, exatamente porque estão percebendo os inúmeros riscos aos quais estão expostas. Edson Cardoso, da Igefe Consultoria, possui mais de 20 anos de experiência em Compliance e diz que empresas de todos os portes podem registrar perdas em alguma parte das suas operações, mas, para ele, muitos casos são evitáveis. "Não devemos fazer julgamentos antecipados, mas também não podemos subestimar as pessoas." Sua experiência mostra que, frequentemente, as fraudes contam com colaboradores de diferentes departamentos que atuam como uma quadrilha, podendo envolver também parceiros externos.
Alguns sinais podem ser percebidos como uma repentina elevação no padrão de vida de algum colaborador que passa a demonstrar gastos incompatíveis com seus rendimentos oficiais. Também pode ser notado o hábito de algum colaborador que prefere utilizar seu telefone particular para contatar fornecedores e prestadores de serviço. Erros propositais em conferências realizadas em áreas de expedição podem favorecer a saída de mercadorias, assim como notas fiscais falsificadas elevam os reembolsos com despesas inexistentes.
Boas práticas que evitam prejuízos financeiros e reputacionais devem começar com a definição de um Código de Conduta, mas não se trata apenas de mais um manual para ser esquecido na gaveta ou na intranet das grandes corporações. Um canal de denúncias costuma ser muito eficiente, principalmente porque dá voz àqueles que estão sendo penalizados ou notaram alguma irregularidade e querem denunciar em segurança. Cardoso destaca que todos os casos devem ser apurados com sigilo e imparcialidade.
Mapeamento de riscos e treinamento periódico também são medidas capazes de melhorar a performance da empresa porque evitam desperdícios e prejuízos de diversas formas. Por exemplo, a equipe de vendas e os analistas de crédito podem evitar fraudes se estiverem atentos ao perfil de compra dos clientes, pois há alguns sinais que podem indicar práticas ilícitas, inclusive com a conivência de representantes comerciais, transportadoras etc.
Por todos esses motivos, empresários e gestores, reservem uma parte do seu dia para analisar cuidadosamente sua empresa. Deleguem as atividades rotineiras e desliguem o "botão das ações automáticas". Abram um espaço na agenda para observar seus colaboradores, clientes, prestadores de serviços etc. Somente assim serão capazes de identificar riscos e também oportunidades, essenciais para garantir a sustentabilidade do seu negócio.
Professora de Sustentabilidade da Universidade Presbiteriana Mackenzie Alphaville
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