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Empresas & Negócios

- Publicada em 21 de Maio de 2022 às 14:00

Práticas em ESG aumentam entre empresas e entes públicos no Brasil

Eduardo Baltar avisa que créditos de carbonos fazem parte da rotina de diversas empresas

Eduardo Baltar avisa que créditos de carbonos fazem parte da rotina de diversas empresas


Ecofinance Negócios/Divulgação/JC
Jefferson Klein
Ações na área de ESG (Environment, Social and Governance) nunca foram tão demandas no País pela iniciativa privada e poderes públicos como nos últimos dois anos. A constatação é do fundador e CEO da Ecofinance Negócios, Eduardo Baltar. A empresa presta consultoria nesse segmento e é especializada no desenvolvimento de projetos de créditos de carbono, inventários de emissões de gases do efeito estufa, certificações de sustentabilidade e transação de ativos ambientais. O executivo acrescenta que as medidas de ESG são hoje um diferencial de mercado e de acesso aos mecanismos globais de financiamento.
Ações na área de ESG (Environment, Social and Governance) nunca foram tão demandas no País pela iniciativa privada e poderes públicos como nos últimos dois anos. A constatação é do fundador e CEO da Ecofinance Negócios, Eduardo Baltar. A empresa presta consultoria nesse segmento e é especializada no desenvolvimento de projetos de créditos de carbono, inventários de emissões de gases do efeito estufa, certificações de sustentabilidade e transação de ativos ambientais. O executivo acrescenta que as medidas de ESG são hoje um diferencial de mercado e de acesso aos mecanismos globais de financiamento.
Empresas&Negócios (E&N) - Qual a sua avaliação do atual mercado de carbono (sistema de compensações de emissão de gases de efeito estufa)?
Eduardo Baltar - O mercado de carbono é algo de nicho, bem específico, mas atuamos com isso há 15 anos e agora, nos últimos dois anos, eu considero que o mercado deu uma virada, a demanda aumentou bastante. A Ecofinance, quando foi criada, tinha como grande objetivo assessorar projetos no Brasil a obter e comercializar créditos de carbono. Mas, além desse tipo de projetos, hoje a gente trabalha muito forte com o que chamamos de inventário de emissões de gases de efeito estufa, que é a mensuração das emissões de determinada operação. Pode ser de uma empresa, uma cidade ou evento. A partir daí podem ser desenvolvidas estratégias para reduzir as emissões dessa instituição e trabalhar, se for possível, na busca de crédito.
E&N - Quem são os contratantes dos inventários de emissões de gases do efeito estufa?
Baltar - O inventário é como se fosse uma foto que mostra as emissões de gases de efeito estufa de uma determinada atividade, em dado período de tempo. Que atividade é essa? Isso quem determina é o cliente. Eu posso fazer um inventário de uma empresa como um todo, de uma unidade empresarial, de um evento, de um processo ou até de uma linha de produto da companhia. Isso pode ser para qualquer setor da economia. Muitas vezes a gente pensa que um escritório não tem emissão de carbono, mas tem, com consumo de energia, resíduo gerado, transporte das pessoas que vão trabalhar no local. Qualquer atividade proporciona emissão de carbono.
E&N- Ao que parece as práticas quanto à sustentabilidade se diversificaram no decorrer dos anos, correto?
Baltar - Exatamente. Aconteceram algumas coisas. Uma delas foi que a pauta ESG se fortaleceu, principalmente, no setor financeiro que começou a exigir isso das empresas. Está cada vez mais presente a questão das finanças sustentáveis. O setor financeiro vai cobrar dos projetos que ele apoia esse tema.
E&N - O sistema financeiro e o mercado dão preferência a quem adota práticas sustentáveis?
Baltar - Sim. A gente tem alguns clientes que são exigidos pelo mercado em que atuam de reportar as informações de emissão de carbono do seu produto, de sua empresa. Se não reportar, vai ter dificuldade. A Europa está mudando a regulação para produtos importados de países que têm problema com desmatamento, vai cobrar auditorias. Mudou, não é uma questão de ambientalismo, é uma questão de mercado hoje.
E&N - O mercado de carbono e as práticas de ESG estão restritos às grandes empresas?
Baltar - Já está alcançando as companhias de menor porte. Nas estratégias de ESG, inventário de carbono e desenvolvimento de planejamentos que podem agregar valor a produtos, a serviços, à imagem da empresa, isso se aplica a companhias de qualquer porte. Já o projeto de crédito de carbono em si, não é que seja aplicado somente em grandes empresas, porém, no trâmite atual, ele ainda é custoso. Então, para a iniciativa ser viável, atrativa do ponto de vista financeiro, ela precisa gerar uma quantidade de redução de carbono significativa. Às vezes um projeto de um pequeno empresário ou produtor não se viabiliza sozinho, mas ele se unindo com outras pequenas instituições, talvez seja viável.
E&N - Quantos créditos de carbono a Ecofinance movimentou recentemente?
Baltar – Já vendemos do ano passado para cá em torno de 7 milhões de créditos de carbono. Até então, a gente tinha alcançado mais ou menos 8 milhões. O que aconteceu? Com o acordo de Paris, em que está bem claro que é necessário a descarbonização da economia como um todo no mundo até 2050, isso refletiu no comportamento do mercado financeiro, das empresas. É possível ver agora várias companhias se comprometendo a serem carbono zero até 2050. Tudo isso fez com que a demanda por créditos de carbono voltasse a se elevar.
E&N - Quem está comprando os créditos de carbono?
Baltar - Há os compradores de empresas que têm o interesse de compensar as emissões de carbono por uma estratégia de ESG, isso tanto no Brasil como externamente. Existem também companhias e países que têm metas obrigatórias de redução de emissão e há intermediários financeiros, como bancos e fundos, surgindo para isso.
E&N - Quais projetos no Rio Grande do Sul a Ecofinance assessorou na venda de créditos de carbono?
Baltar - O empreendimento Baesa - Energética Barra Grande (hidrelétrica localizada na divisa entre o Estado e Santa Catarina) a gente assessora desde 2008. É um complexo que já teve milhões de créditos de carbono comercializados. Outro projeto no Rio Grande do Sul é o da pequena central hidrelétrica (PCH) Santa Carolina, da Creral, que vendeu crédito de carbono no ano passado para uma empresa da Índia. Temos um projeto aprovado na ONU, que ainda não vendeu crédito, mas estamos trabalhando para vender que é da Hidrotérmica (PCHs Boa Fé, Autódromo e São Paulo). Temos também um projeto aprovado para a Certel, que abrange duas pequenas centrais hidrelétricas, Cazuza Ferreira e Rastro de Auto, e para a Caal, que envolve casca de arroz, em Alegrete.
E&N- Qual foi o trabalho desenvolvido pela Ecofinance para o município de Porto Alegre?
Baltar – Fomos responsáveis por assessorar o ICLEI, que é uma organização não governamental global, a desenvolver o inventário de carbono da cidade de Porto Alegre. E, recentemente, em 2021, fizemos a atualização do inventário através de um consórcio formado por Ecofinance, ICLEI e WayCarbon (o estudo apontou que as emissões de Gases de Efeito Estufa – GEE da capital gaúcha variaram entre 2,5 e 2,3 milhões de tCO2 entre 2016 e 2019, com uma redução de 5,6% no período).
E&N - A prefeitura de Porto Alegre pretende contratar uma empresa para planejar como a cidade irá cumprir a meta de reduzir as emissões de carbono em 50% até 2030 e zerar até 2050. A Ecofinance pretende concorrer a esse serviço?
Baltar - Muito provavelmente, vamos concorrer. Não sei se individualmente ou em parcerias, mas temos experiência, por exemplo, de ter trabalhado no plano de ação climática das cidades de Recife e Fortaleza e do estado de Pernambuco.
E&N - O governo federal anunciou, em meados de maio, o decreto que regulamenta o mercado de carbono no Brasil. Qual a sua opinião sobre a medida?
Baltar - Foi definido que vai ser criado o sistema nacional de redução de emissão, instituindo o mercado de carbono e aplicando a alguns setores econômicos, citados na Política Nacional de Mudanças Climáticas. O decreto estabelece que cada setor terá que apresentar seu plano de redução e a partir das bases desses planejamentos é que as metas de diminuição serão estabelecidas. Foi dado um prazo de 180 dias para esses planos serem apresentados. O decreto é um avanço no estabelecimento do mercado de carbono no Brasil, mas ao mesmo tempo deixa algumas lacunas. Ele confunde um pouco o mercado regulado com o voluntário e cria uma unidade de metano evitado que é algo que não existe em lugar nenhum do mundo.
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