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Responsabilidade social

- Publicada em 31 de Janeiro de 2022 às 03:00

Sopa do pobre ajuda moradores de rua há 90 anos na Capital

No início da pandemia, por medidas de precaução, atividades foram paralisadas por duas semanas

No início da pandemia, por medidas de precaução, atividades foram paralisadas por duas semanas


/divulgação/jc
Quando o Coronel Gedeon Leite visitou Lisboa em 1932, visualizou um grupo de pessoas que ofertava sopa para moradores de rua e ficou deslumbrado. Ao voltar para Porto Alegre, ele tinha um propósito: formar uma instituição que tivesse o mesmo espírito de caridade daquele que viu em Portugal. Guiado por esse sentimento, no dia 7 de abril do mesmo ano, Leite fundou a Sociedade Espírita Ramiro D'Ávila, em homenagem ao doutor Ramiro D'Ávila,conhecido em Porto Alegre como médico dos pobres.
Quando o Coronel Gedeon Leite visitou Lisboa em 1932, visualizou um grupo de pessoas que ofertava sopa para moradores de rua e ficou deslumbrado. Ao voltar para Porto Alegre, ele tinha um propósito: formar uma instituição que tivesse o mesmo espírito de caridade daquele que viu em Portugal. Guiado por esse sentimento, no dia 7 de abril do mesmo ano, Leite fundou a Sociedade Espírita Ramiro D'Ávila, em homenagem ao doutor Ramiro D'Ávila,conhecido em Porto Alegre como médico dos pobres.
Naquele primeiro momento, filas gigantescas se formavam em frente à sede que, na época ficava rua Avaí, no Centro Histórico. Leite observava que as pessoas vinham de muito longe e não tinham o que comer. Assim, a Sopa do Pobre nasceu como um departamento ligado à Sociedade Espírita Ramiro D'Ávila de uma visão humanitária que Gedeon Leite tinha de sempre servir aquele que precisa de ajuda seja física, psicoemocional ou ainda espiritual. "Não existe uma definição da doutrina espírita que não a que resulte na prática contínua da caridade", explica Edilson Vargas, presidente da Instituição.
Antes da pandemia, de terça a sexta-feira, o projeto servia aproximadamente 600 pratos de sopa para moradores de rua, das 10h às 11h30min. A sede atual da Sociedade Espírita, localizada na avenida Getúlio Vargas, número 497, no bairro Menino Deus, conta com um refeitório com capacidade para 55 pessoas e com um limite de 25 minutos para cada pessoa comer. Além disso, a iniciativa ainda presta um trabalho assistencial distribuindo roupas, objetos de higiene (sabonete, escova de dente, etc), cobertores, material escolar, brinquedos e também tinham um espaço dedicado para tomar banho (com toalha e sabonete) e fazer pequenos curativos.
Quando chegou a pandemia, num primeiro momento, tudo era incógnita para a equipe. As atividades foram paralisadas por duas semanas, mas logo em seguida os funcionários se reuniram para voltar a assistir. Uma vez que era perigoso aglomerar dentro de um refeitório, ao invés de ofertar sopa, o projeto passou a oferecer lanches como cachorro quente, pão com manteiga e leite quente para os moradores de rua. Mesmo com dificuldades, a Sociedade Espírita Ramiro D'Ávila continuou com seu trabalho de distribuição de roupas e objetos, além de máscaras.
"Terrível. Eles foram completamente abandonados", comenta Vargas sobre a situação dos moradores de rua durante a pandemia. Nesse momento em que todas estavam muito vulneráveis, a Sociedade Espírita compreende que as pessoas podiam estar com medo da população sem teto por serem possíveis vetores do vírus, mas, mesmo assim, eles entenderam que era justamente o momento para não desassistir. "A crise é um momento de crescimento de todos nós enquanto eternos espíritos aprendentes que nós somos", pontua Vargas.

Projeto sobrevive por meio de doações

A Sopa do Pobre transcende as fronteiras da Sociedade Espírita Ramiro D'Ávila, atendendo os moradores de rua - as ações também ocorrem em asilos, comunidades periféricas de Porto Alegre e os habitantes das ilhas. "Nós temos a graça de estarmos muito bem localizados, bem como 90 anos e absoluta credibilidade frente a comunidade porto-alegrense e aí nós recebemos muitas doações", agradece Edilson Vargas. Hoje o projeto sobrevive única e exclusivamente através de doações das pessoas que acreditam no trabalho que é feito. A Sociedade Espírita conta com nove salas de brechós dentro da sua sede, divididos por departamentos: roupa feminina, masculina, infantil, luxo, bolsas, bazar, bijuterias, livros, sapatos e eletrodomésticos, sendo a maior parte dos produtos doações da comunidade.
Com itens a partir dos R$ 2, o brechó fica aberto de segunda a quinta, das 10h até às 12h, e à tarde, das 13h às 16h. Aliás, conscientes de sua responsabilidade social, apenas uma parte das doações é separada para o brechó, a grande maioria é doada para assistir moradores de rua, comunidades e instituições da cidade e entorno.
Em 90 anos de atuação, a Sociedade Espírita Ramiro D'Ávila tem como mensagem a prática contínua da caridade e não olhando sempre para frente, mas sim para o lado, pois pode ser que alguém esteja precisando de ajuda. "Quando eu olho só para o Norte, só estou tendo um foco. E dentro da minha vida, para eu ser feliz, eu preciso de muitos focos. Eu preciso olhar pra todas as direções e convidar quem quiser ir nesse caminho rumo à felicidade que venha comigo", sentencia Vargas.
Em 2021, a companhia área Gol doou cincotoneladas de lanches de bordo que foram distribuídos para a população sem teto e as comunidades ao redor da iniciativa. É possível doar roupas, objetos, comidas e mantimentos para o projeto através do site: www.sopadopobre.com. Para itens maiores, eles contam com um veículo e 2 funcionários para ajudar no transporte.