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- Publicada em 29/11/2021 às 03h00min.

Concorrência afeta setor de maquininhas

Setor de meios de pagamento digital também encontra no Pix um forte concorrente na atualidade

Setor de meios de pagamento digital também encontra no Pix um forte concorrente na atualidade


/Marcelo Camargo/Agência Brasil/JC

O ambiente de concorrência acirrada e de aumento das despesas para expandir a operação tem colocado forte pressão sobre as chamadas empresas de maquininhas que, tecnicamente, formam o setor de adquirência e atuam como meio de pagamento de estabelecimentos comerciais.

O ambiente de concorrência acirrada e de aumento das despesas para expandir a operação tem colocado forte pressão sobre as chamadas empresas de maquininhas que, tecnicamente, formam o setor de adquirência e atuam como meio de pagamento de estabelecimentos comerciais.

O setor tem sofrido em diferentes países especialmente com a alta da inflação, que força os bancos centrais a sinalizarem o início do aperto nas condições fiscais e monetárias. O ambiente de elevada concorrência proporcionada pelas big tech americanas e grandes redes de varejo também vem penalizando empresas de tecnologia que ainda estão em processo de consolidação no mercado.

No Brasil, pesam ainda o aumento dos juros já em curso e seu consequente impacto nas despesas de empresas de comércio e serviços, que utilizam o sistema de forma massiva, bem como o avanço de outras alternativas de pagamentos, como o Pix, e a entrada de novas companhias nesse setor, como Magazine Luiza, que lançou a MagaluPay.

As ações da indiana do setor de tecnologia financeira Paymt, por exemplo, desabaram cerca de 30% desde a abertura de capital na semana passada na Bolsa da Índia, com investidores cautelosos frente à concorrência elevada e os possíveis impactos que os juros mais altos trarão para os lucros corporativos no segmento.

A americana Fiserv, parceira na maquininha da Caixa no Brasil, registra retração de 11,7% no ano na Nasdaq.

As ações de Stone, PagSeguro, Cielo e Getnet que atuam no Brasil também estão sob intensa volatilidade, na esteira da divulgação de balanços do terceiro trimestre que trouxeram resultados abaixo do esperado e levantaram dúvidas sobre o desempenho futuro dos negócios.

No ano, as ações da Stone já caíram 79,6% na Nasdaq, onde os papéis estão listados. Já as ações de PagSeguro PagBank, acumulam retração de 51,2% na Nyse (Bolsa de Nova York). Listadas na B3, no Brasil, Getnet tem queda de 65% no ano e Cielo, de 45,7%.

No acumulado de janeiro até a quarta-feira passada, os papéis desse grupo, juntos, já perderam cerca de R$ 160,9 bilhões em valor de mercado, segundo dados da Bloomberg. A maior queda é da Stone, de aproximadamente R$ 104 bilhões, seguida pela PagSeguro, com tombo de R$ 47 bilhões em valor de mercado no período.

Regulamentação na China influi no mercado internacional

Informações antigas somente serão computadas no caso de quem aderiu voluntariamente após 2011
Informações antigas somente serão computadas no caso de quem aderiu voluntariamente após 2011
/FANJIANHUA - FREEPIK/DIVULGAÇÃO/JC

O aumento da regulamentação do governo chinês sobre empresas de tecnologia do país também tem contribuído para turvar a avaliação de especialistas quando se tratam de análises desse segmento em nível internacional.

Segundo reportagem da Reuters, a Warburg Pincus, um grande investidor global do Ant Group, revisou para baixo o valor da empresa. A fintech chinesa valeria 15% menos, cerca de US$ 200 bilhões (R$ 1,12 trilhão). A gestora levou em consideração os riscos de uma reestruturação no negócio.

Na semana passada, outro gigante chinês, o grupo de comércio eletrônico Alibaba, reduziu a previsão de sua receita anual, alegando que os negócios sofriam com aumento da concorrência e da repressão regulatória.

O Alibaba agora espera que a receita registre aumento entre 20% e 23% até março do ano que vem, ritmo mais lento desde a sua estreia no mercado de ações, em 2014, e abaixo da projeção realizada em maio, que estabeleceu crescimento de 29,5%.

Na semana passada, a Stone reportou lucro líquido ajustado de R$ 132,7 milhões no terceiro trimestre de 2021, uma queda de 53,9% sobre o resultado de um ano antes.

Analistas esperavam, em média, lucro líquido de R$ 193 milhões. As ações da empresa caíram 34,6% no pregão seguinte à divulgação dos resultados como resposta aos números reportados. "Os resultados [da Stone] criam incerteza adicional quanto ao momento da recuperação do negócio", escreveram os analistas do banco Goldman Sachs.

A competição crescente que pressiona as margens do negócio, as despesas acima das expectativas para expandir a operação e a dificuldade para ganhar participação de mercado estão entre os riscos citados pelos analistas do banco americano para a evolução das operações da Stone nos próximos meses.

Mesmo no caso da Cielo, que viu seu lucro mais do que dobrar no terceiro trimestre, a visão de especialistas também aponta para uma cautela maior. "Embora marginalmente positivos, os resultados do terceiro trimestre de 2021 [da Cielo] não alteram nossa visão de que a empresa enfrenta um cenário competitivo difícil que ficará ainda mais acirrado nos próximos meses, conforme o aumento do custo de captação ocasionado pelo aumento das taxas de juros obriga as empresas adquirentes a reajustar suas taxas para manter a lucratividade", afirmaram os analistas do Itaú BBA sobre a adquirente controlada pelo Banco do Brasil e pelo Bradesco.

Na semana passada, o fundador e presidente do conselho de administração da PagBank PagSeguro, Luiz Frias, afirmou que as perspectivas incertas para o crescimento da economia brasileira em 2022 não devem causar grande impacto para negócios digitais que vêm se beneficiando do aumento da digitalização nos hábitos da população.

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