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Com a Palavra Ricardo Vontobel

- Publicada em 06/11/2021 às 13h00min.

Aos 130 anos, Chocolates Neugebauer quer expandir mercado

Demanda por chocolates fez empresa crescer dois dígitos por ano, explica Ricardo Vontobel

Demanda por chocolates fez empresa crescer dois dígitos por ano, explica Ricardo Vontobel


NEUGEBAUER/DIVULGAÇÃO/JC
Marcelo Beledeli
Em setembro passado a Neugebauer, a primeira fábrica de chocolates do Brasil, completou 130 anos de história. Fundada em Porto Alegre pelos irmãos Franz e Max Neugebauer, juntamente com o amigo Fritz Gerhardt, ela é hoje a terceira marca de chocolates no Rio Grande do Sul, com liderança regional no segmento de barras. Após passar por diversas dificuldades financeiras, mudando de proprietários ao longo das décadas, a empresa foi adquirida, em 2010, pelo grupo Vonpar, que realizou vários investimentos para modernização de produtos, além da construção de uma nova fábrica em Arroio do Meio, considerada uma das mais modernas da América Latina. O seu faturamento estimado para 2021 é de R$ 570,2 milhões, enquanto o valor consolidado de 2020 foi de cerca de R$ 432 milhões.
Em setembro passado a Neugebauer, a primeira fábrica de chocolates do Brasil, completou 130 anos de história. Fundada em Porto Alegre pelos irmãos Franz e Max Neugebauer, juntamente com o amigo Fritz Gerhardt, ela é hoje a terceira marca de chocolates no Rio Grande do Sul, com liderança regional no segmento de barras. Após passar por diversas dificuldades financeiras, mudando de proprietários ao longo das décadas, a empresa foi adquirida, em 2010, pelo grupo Vonpar, que realizou vários investimentos para modernização de produtos, além da construção de uma nova fábrica em Arroio do Meio, considerada uma das mais modernas da América Latina. O seu faturamento estimado para 2021 é de R$ 570,2 milhões, enquanto o valor consolidado de 2020 foi de cerca de R$ 432 milhões.
O carro-chefe da empresa é o chocolate, com uma média de 74 mil quilos produzidos ao dia, seguido pelos candies, com produção de 35 mil quilos, e o doce de leite Mu-Mu, com 20 mil quilos. Contando com marcas consagradas como 1891, Amor Carioca, Bib's, Refeição, Stikadinho e Mu-Mu, a empresa tem planos de crescimento de mercado. Com 65% das vendas concentradas no Sul do Brasil, a Neugebauer está avançando uma estratégia de distribuição para aumentar os negócios em outras regiões. Nesta entrevista, o presidente da Neugebauer, Ricardo Vontobel, fala sobre como foi o processo de modernização da empresa, os efeitos da pandemia e da crise econômica nos negócios e os plano para o futuro, entre outros temas.
JC Empresas & Negócios - O que mudou na Neugebauer desde que foi adquirida pelo grupo Vonpar, em 2010?
Ricardo Vontobel - Quando nós assumimos a Neugebauer, a situação da empresa era bem delicada. Tínhamos uma fábrica muito antiga, com baixa produtividade, em que as perdas no processo industrial eram muito grandes. O maquinário fazia com que a qualidade do produto ficasse um pouco comprometida. O primeiro movimento que fizemos, naquele momento, foi exatamente no sentido de construir uma nova fábrica. Tomamos a decisão de transferir a unidade industrial para Arroio do Meio, o que foi um grande passo, uma vez que estávamos construindo uma fábrica sem ainda termos volume de vendas suficiente para dar ocupação total ao espaço. Mas, a partir da nova fábrica, começamos a construir uma nova etapa para a Neugebauer. Conseguimos ter produtos de melhor qualidade, os equipamentos que colocamos lá são o que há de melhor no mundo na produção de chocolate, e começamos a redefinir a imagem dos produtos. Além disso, em questão de mercado, buscamos chegar a um maior número de clientes, aumentando a nossa distribuição horizontal.
E&N - Como foi esse crescimento de mercado?
Vontobel - A Neugebauer estava praticamente restrita ao mercado do Rio Grande do Sul. Hoje estamos presentes no Brasil inteiro e exportando para todos os continentes. Quando assumimos, tínhamos uma participação de 1% no mercado brasileiro, hoje temos quase 5%. Estamos construindo uma estrutura de distribuição no Brasil inteiro. Hoje temos centros de operação logística em Minas Gerais, Paraná e São Paulo. À medida que formos expandindo, provavelmente teremos que abrir um centro também no Nordeste. E estamos inovando, a cada ano introduzimos novos produtos para ganhar participação de mercado e começando a comercializar fora do Brasil. Hoje estamos presentes no Chile, Argentina, Colômbia; em balas e pirulitos, exportamos para o Haiti, para a África. Recentemente exportamos nosso primeiro contêiner de chocolate para o Japão. Hoje, a exportação representa em torno de 12% do nosso volume de vendas. Mas temos o mundo ainda para ser conquistado.
E&N - As vendas serão maiores em 2021?
Vontobel - Neste ano o desempenho é bastante satisfatório, vamos crescer algo em torno de 30%, e fechar nosso faturamento em torno de R$ 570 milhões.
E&N - Qual é o tamanho da produção hoje?
Vontobel - Nosso volume de produção é de 74 mil quilos de chocolate por dia, 35 mil quilos de candy (balas e pirulitos) e 20 mil quilos de doce de leite. Ou seja, 120 mil quilos diários de produtos.
E&N - A pandemia afetou o trabalho na indústria?
Vontobel - Mesmo durante a pandemia não demitimos ninguém. Pelo contrário, contratamos. Um mês atrás começamos, em uma de nossas linhas, o terceiro turno de produção. Temos hoje 654 colaboradores, sendo 453 atuando na planta industrial.
E&N - De que forma a inflação e os efeitos da pandemia têm afetado os negócios?
Vontobel - Em 2021 temos um aumento de quase 15% no custo de produção. Primeiro, porque a alta do dólar está impactando no preço de matérias-primas. Além disso, o custo logístico de contêineres aumentou de 4 a 5 vezes. Então a gente tem que se adaptar a essa realidade. A primeira consequência é que as margens de lucro são sacrificadas. A segunda é oferecer produtos que tenham em sua configuração uma possibilidade de precificação para que fiquem acessíveis ao consumidor. Um fenômeno que ajuda é o aumento de consumo durante a pandemia. As pessoas, ficando mais tempo em casa, consumiram mais chocolates. Esse aumento de volume também minimizou impacto de custo porque você consegue diluir parte desse aumento. Quem tinha ociosidade de produção consegue diluir aumento de custo com aumento de volume. Mas é evidente que aumento de volume não é suficiente para igualar toda essa relação. Hoje temos um sacrifício de margem de lucro que é real. Mas temos tomado cuidado em não abrir mão, mesmo com pressão de custos, da nossa qualidade. Não mudamos nossa formulação para que isso fosse uma saída para esse aumento. Estamos mantendo nossa política de termos produtos de qualidade, acreditando que essa situação de custos é transitória.
E&N - Como foi realizada a modernização das marcas?
Vontobel - Hoje temos um portfólio maior de produtos. Temos previsão de 5 a 10 lançamentos por ano, ou aumentando os sabores em linhas que já existem ou criando produtos novos. Claro, do ponto de vista comercial, o mercado de chocolate no Brasil não mudou muito nesse período. A maior parte do volume comercializado no País é de chocolate em barras ou bombom bola, isso não mudou. Nossa principal atualização foi a forma como chegamos no mercado, na exibição do nosso produto, nas embalagens, no merchandising que se faz no ponto de venda. Por exemplo, hoje a nossa barra é laranja. Quando iniciamos as atividades na empresa, contratamos uma consultoria para que fizesse avaliação do mercado de chocolate, e uma das coisas que chamou a atenção é que brasileiro gosta de cores vivas, que passem essa imagem colorida na embalagem. Também identificamos que brasileiro gosta de um produto que derreta na boca. Então são detalhes que a gente vai aproximando. Algo específico que vem crescendo no mundo e no Brasil é o chocolate com teor de cacau mais alto. Para isso temos a linha 1891, que tem chocolate com até 70% de cacau. É um segmento mais especifico de consumidores com paladar mais apurado.
E&N - Quais os investimentos planejados para o futuro?
Vontobel - Como o grande aporte que fizemos foi a fábrica de Arroio do Meio, que foi planejada para atender a demanda por alguns anos, não temos mais realizado muito investimento fabril. Em 2021, fizemos uma expansão na produção de massa de chocolate e estamos prevendo, para 2023 e 2024, o aumento de nossa capacidade produtiva na parte de moldagem. Essa é a ideia. Mas tudo depende do que vai acontecer a partir de agora em relação ao mercado. Temos inflação voltando, com pressão nos custos e no poder de compra do consumidor. Mas a empresa vem crescendo anualmente dois dígitos nos últimos três ou quatro anos, e ainda estamos projetando crescimento de dois dígitos para 2022 e 2023. Se isso acontecer, teremos que que expandir a fábrica. Estamos muito confiantes no futuro. Sabemos que a Neugebauer, no setor de chocolate, é uma empresa pequena que está voltando para o mercado, mas que tem futuro promissor. Confiamos nesse futuro e vamos continuar investindo no crescimento das marcas e da empresa.
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