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Reportagem especial

- Publicada em 14h00min, 29/08/2021. Atualizada em 18h06min, 29/08/2021.

Porto Alegre perde espaço na produção industrial do Rio Grande do Sul

Cidade passou por transformação nas últimas décadas e ampliou a oferta nos setores de comércio e serviços

Cidade passou por transformação nas últimas décadas e ampliou a oferta nos setores de comércio e serviços


EDUARDO BELESKE/PMPA/JC
Luiz Fernando Aquino e Diego da Costa, especial para o JC
 
 

No rastro do modelo econômico das grandes capitais brasileiras, Porto Alegre, com o tempo, se desindustrializou. A cidade, que abrigou empresas como Taurus, Brahma, Gerdau, Steigleder, Neugebauer e Tintas Renner, para citar alguns nomes bem conhecidos, passou por uma transformação nas últimas décadas e ampliou a oferta nos setores de comércio e serviços.
Conforme o IBGE, em 1999, a produção industrial de Porto Alegre representava 30% do PIB, que era de R$ 15,6 bilhões. Atualmente, conforme dados da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs), a indústria participa com 8,3% do PIB da cidade, que é de R$ 77,13 bilhões. Em perspectiva estadual, a indústria de Porto Alegre representa 6,2% do PIB industrial do RS.
Hoje, o setor emprega 55,1 mil trabalhadores em Porto Alegre, o que representa 10,1% dos empregos formais do município, que é de 545,4 mil no total. Mais da metade desses estão na indústria da construção (28,2 mil, representando 51,2% do total do setor industrial). A indústria de transformação responde por 22,4 mil postos ocupados, com os destaques vindos dos segmentos de alimentos (3 mil), veículos automotores (2,8 mil), borracha e plástico (1,6 mil) e químicos (1,7 mil).
Porto Alegre tem ainda 102.548 trabalhadores formais atuando na área do comércio, o que significa 18,8%; e 386.266 trabalhadores na área de serviços, o que dá um total de 70,8%. Na da agropecuária, a Capital registra 1.536 trabalhadores, o que representa 0,3% do total. Já o setor de serviços representa 89,6% do PIB da cidade, conforme dados do IBGE de 2018. Dentro dos serviços, se destacam o comércio, os serviços de saúde, a educação e as atividades ligadas à administração pública.
Conforme o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs), Gilberto Porcello Petry, esse movimento de diminuição da participação da indústria de transformação é verificado em muitas grandes cidades e capitais. Existe uma tendência, de acordo com ele, de as metrópoles se especializarem no setor de serviços, e as indústrias tendem a migrar para cidades próximas ao Interior.
"Aconteceu nas principais cidades do mundo ao longo dos últimos 70 anos e o mesmo se deu em Porto Alegre. O custo de oportunidade de manter um grande terreno em uma Capital acaba ficando muito elevado, bem como os custos para a expansão de uma planta e todos os cuidados para atendimentos das normas ambientais e de segurança exigidos para a operação de uma fábrica", explica.
Questionado sobre quais áreas ainda poderiam ser exploradas pelas empresas do setor que resistem em Porto Alegre, o presidente da Fiergs foi enfático: "Acredito que não podemos falar em áreas não exploradas, mas em potenciais que a cidade ainda pode desenvolver. Existe um eixo importante que vai de Porto Alegre até o Vale dos Sinos que tem se desenvolvido em torno da tecnologia e da área da saúde."
Na avaliação do dirigente, em uma projeção a curto prazo para a indústria de Porto Alegre, gaúcha e brasileira, como um todo, o setor continuará enfrentando os mesmos entraves do mundo pré-pandemia. O entendimento é de que o Brasil possui uma elevada e complicada carga tributária - mais de 40% do Produto Interno Bruto (PIB) vai para custeio da máquina pública, sendo 13% para o pagamento do funcionalismo -, e a infraestrutura deficiente encarece o preço final dos produtos, o que diminui a competitividade externa.

Foco na ampliação do turismo e da indústria da inovação

Prefeito anuncia um conjunto de medidas para incentivo do setor de eventos.
Na foto: Rodrigo Lorenzoni
Queremos sedimentar Porto Alegre como destino turístico, diz Rodrigo Lorenzoni
LUIZA PRADO/JC
Mesmo com a redução histórica das últimas décadas e o processo de desindustrialização, Porto Alegre teve um aumento do número de alvarás no setor de indústria no período da pandemia. Em 2019, eram 2.181 alvarás. Em 2021, são 2.499 em funcionamento, um crescimento de 14,6% em dois anos. As características predominantes da indústria, atualmente, conforme a Prefeitura de Porto Alegre, são voltadas para confecção de roupas, construção civil e fabricação de gêneros alimentícios.
O secretário de Desenvolvimento Econômico de Porto Alegre, Rodrigo Lorenzoni, explica que o aumento de alvarás, mesmo diante da pandemia, se deve ao desenvolvimento da área da alimentação. De acordo com ele, uma vez que as pessoas deixaram de ir a restaurantes e passaram a consumir em suas casas ou no trabalho, elas começaram a contar com serviços especializados: "O crescimento da área gastronômica foi uma consequência de um setor que encontrou possibilidade diante do fechamento do comércio tradicional. Temos um universo de 4 milhões de pessoas e isso gera um espaço consumidor considerável para o aumento desses alvarás. Porto Alegre tem uma natureza empreendedora, com vocação para encontrar soluções diante dos desafios e estamos felizes que tenha acontecido essa reação econômica nesse período tão conturbado".
Em relação ao futuro de Porto Alegre, o secretário enfatiza a importância de investir e incentivar o desenvolvimento de duas áreas: o turismo e a tecnologia da inovação. "Da indústria tradicional já temos os segmentos bem estabelecidos há décadas. Agora, existem duas áreas de atuação que entendemos que são de vocação da cidade e precisam ser estimuladas por políticas públicas: a tecnologia da inovação, que está muito presente nos nossos polos universitários e precisa ser ainda mais incentivada; e o turismo, que tem um potencial extraordinário". O plano, conforme Lorenzoni, é constituir a Capital como um destino turístico consagrado na América do Sul. "Nosso desafio aqui é esse, olhar de forma estratégica para a característica econômica de Porto Alegre, que hoje está voltada para a prestação de serviços e atendimento ao público", considera.
 

Testemunha das mudanças na economia da cidade ao longo dos anos

Anton Karl Biedermann lembra que não há mais espaço, na Capital, para uma planta industrial de grande porte
Anton Karl Biedermann lembra que não há mais espaço, na Capital, para uma planta industrial de grande porte
JONATHAN HECKLER/arquivo.JC
Para entender e compreender o desenvolvimento econômico de Porto Alegre, é preciso considerar, e muito, a história de Anton Karl Biedermann. Auditor e responsável pela gestão financeira dos maiores empresários do Rio Grande do Sul desde a década de 1950, o ex-presidente da Federação de Entidades Empresariais do Rio Grande do Sul (Federasul) esbanja vigor e lucidez aos 95 anos. Biedermann também foi presidente do Conselho de Administração do Sebrae e presidente do Conselho de Administração da Polo-RS.
Tendo presenciado todas as grandes transformações econômicas do século XX e do século XXI, Biedermann assistiu às mudanças do capitalismo e a fusão de empresas históricas que buscavam atender melhor à demanda do mercado interno e externo. "Vivemos, no século XX, um período muito rico, em que os empreendedores, por sua grande competência individual, abriram diversas empresas que são lembradas até hoje pela população gaúcha", relembra ele. Desde fogões, geladeiras e roupas até ferramentas, metalurgia e gêneros alimentícios trazidos da Europa. "Realmente elas fizeram a história de Porto Alegre e do Rio Grande do Sul. A localização e a área portuária facilitaram muito para que estas empresas se instalassem na Capital. Depois, consequentemente, muitas se fundiram para atender à necessidade que era cada vez mais crescente com o aumento da população", detalha.
Em relação ao processo de desindustrialização, Biedermann aponta que a diminuição da produção industrial de Porto Alegre deve ser vista como algo natural, tendo em vista o aumento do trânsito nas áreas centrais da cidade, a dificuldade de logística e a incapacidade de aumentar a infraestrutura que chegou praticamente ao seu limite. Ele também destaca a necessidade de serem realizadas reformas tributárias e administrativas, em uma perspectiva de país, para atrair investimento das mais diversas áreas.
"Esta situação (a desindustrialização em Porto Alegre) já era esperada há muito tempo e aconteceria normalmente. A Capital foi, aos poucos, se transformando culturalmente e hoje é uma prestadora de serviços. Além disso, pelo número de habitantes, não é o local ideal para que uma indústria se instale. É preciso mais espaço para uma planta industrial. Temos um Interior no Rio Grande do Sul que é fantástico e que pode abrigar perfeitamente empresas novas relacionadas às áreas da tecnologia da informação e de produção de maquinários para o agronegócio", analisa.
Ainda segundo o dirigente, para que uma empresa dê certo em qualquer área, a inovação tem que ser um elemento de predominância: "Os maiores erros que os grandes empresários podem cometer é não estarem de olho na inovação, na modernização, no que acontece lá fora, naquilo que deve ser melhorado constantemente para que a empresa permaneça competitiva. Somado a isso, não construir um sucessor capaz e adequado para seguir os negócios inviabiliza a sobrevivência da empresa", reitera.

Indústria da construção civil gera mais da metade dos empregos na Capital

Setor emprega cerca de 28,2 mil trabalhadores na cidade, maior contingente do setor industrial do município
Setor emprega cerca de 28,2 mil trabalhadores na cidade, maior contingente do setor industrial do município
JOYCE ROCHA/arquivo/JC
A construção civil ergue moradias, centros comerciais e culturais, hospitais, escolas, parques, praças e entre tantos outros espaços públicos. Contribui com o bem-estar, conforto e segurança da sociedade, atuando de forma intensa no desenvolvimento urbano das cidades. No caso da Capital, em que o PIB de R$ 77,13 bilhões representa 16,9% do PIB do Rio Grande do Sul, esta é uma realidade que se faz ainda mais presente.
Não é à toa que mais da metade dos empregos gerados pela indústria de Porto Alegre estão na área da construção civil. Conforme a Fiergs, são 28,2 mil trabalhadores, o que representa 51,2% do total de empregos do setor. Segundo o presidente do Sindicato das Indústrias da Construção Civil no Estado (Sinduscon-RS), Aquiles Dal Molin, existem cerca de 300 empresas atuando na área na Capital, entre construtoras, empreiteiras e incorporadoras. Anualmente, são investidos mais de R$ 1 bilhão em obras públicas e empreendimentos imobiliários da área privada.
"Estamos com uma ótima expectativa para o último trimestre de 2021 e para 2022. Acredito que a construção civil tem plenas condições de ser o carro chefe na geração de emprego e no desenvolvimento de Porto Alegre. Temos ainda alguns gargalos burocráticos que precisam ser resolvidos, mas, mesmo assim, estamos otimistas com os incentivos que a área receberá", destaca.
Conforme o presidente do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias da Construção Civil de Porto Alegre (STICC), Gelson Santana, a tendência é de que mais profissionais sejam contratados com a abertura dos estabelecimentos na Capital e a vacinação da população contra a Covid-19. "A partir da reabertura do comércio e o retorno das atividades, estamos tendo um investimento maior, tanto da área privada como da área pública, para a realização de grandes obras. É uma indústria que gera muito emprego, conta com uma grande cadeia produtiva e envolve muitas pessoas", explica.
Entre as principais empresas que atuam na área no município de Porto Alegre, é possível citar a Melnick Even, a Nex Group, a Rotta Ely, a Arquisul, Goldsztein Cyrela, Chies Incorporadora, CFL Incorporadora, Lottici Incorporação e Construção, Mocellin Incorporações, Tomasetto Engenharia, entre outros.
 

Neugebauer tomou o caminho de Arroio do Meio

Fábrica de R$ 200 milhões, inaugurada em 2013, produz mais de 100 itens da empresa de chocolates
Fábrica de R$ 200 milhões, inaugurada em 2013, produz mais de 100 itens da empresa de chocolates
NEUGEBAUER/DIVULGAÇÃO/JC
A Neugebauer foi fundada em 17 de setembro de 1891, em Porto Alegre, pelos irmãos Franz, Ernest e Max Neugebauer e pelo sócio Fritz Gerhardt. Foi a primeira fábrica de chocolates do Brasil e completa, no próximo mês, 130 anos de história. Está presente em mais de 50 países e atualmente está sediada no município de Arroio do Meio. A construção da atual fábrica teve investimento de R$ 200 milhões e possui uma área de mais de 30 mil metros quadrados.
Com eficientes tecnologias de fabricação, embalagens e equipamentos do mercado mundial, após a aquisição pela Grupo Vonpar em 2010, a empresa unificou a produção de chocolate, candies e doce de leite na nova sede inaugurada no ano de 2013.
A empresa tem hoje cerca de 430 colaboradores atuando na planta industrial, entre operação e apoio. No total, são 630 colaboradores, produzindo mais de 100 produtos, muitos deles conhecidos tradicionalmente por gerações, entre eles: Amor Carioca, Mu-Mu, Bib's, Napolitano, Stikadinho, chocolates Neugebauer, Refeição, Amor Amor, Piff Pop e Plim Plim.
Conforme o presidente da Neugebauer, Ricardo Vontobel, após as mudanças, que garantiram uma capacidade de fabricação muito maior, o objetivo é levar a marca para todos os cantos do Brasil. "A prioridade é o aumento de distribuição e a busca de uma exposição de destaque de nossas marcas no ponto de venda. Da mesma forma que conquistamos o consumidor gaúcho, queremos surpreender tanto os consumidores quanto os canais de distribuição de outros Estados, com a qualidade do nosso produto e serviços prestados aos canais de vendas", considera.
Ainda segundo Vontobel, é preciso criar estratégias para sempre manter a empresa competitiva no mercado: "Temos consciência de que a qualidade não é o bastante para manter uma empresa competitiva no mercado. Por isso, estamos sempre alinhando ela com investimentos permanentes e um processo de gestão contínuo". Um dos objetivos, conforme o empresário, é evoluir o portfólio e oferecer ao mercado consumidor uma grande variedade de produtos e lançamentos baseados em tecnologia, modernidade e design inovadores.
Roberto Mallmann, gerente industrial da Neugebauer, sintetiza a essência da empresa: "Quando juntamos estas novas tecnologias com funcionários comprometidos e felizes com aquilo que estão fazendo, nós conseguimos também eternizar a nossa qualidade", conclui.

Marcas conhecidas, como Torta de Sorvete e Do Tambo, investem em Porto Alegre

Roberta tem fábrica no bairro Glória para atender produção da Torta de Sorvete
Roberta tem fábrica no bairro Glória para atender produção da Torta de Sorvete
MARIANA ALVES/JC
Uma sacada e o bom olho para o mercado abriram o caminho para a Torta de Sorvete. Tendo iniciado os trabalhos no ano de 1987, a proprietária, Roberta Maestri, que inaugurou a nova fábrica em 2015, explica que tudo começou quando ela e sua sócia perceberam que os restaurantes não serviam sobremesas. Com uma fábrica de 500 metros quadrados localizada no bairro Glória e uma loja no bairro Moinhos de Vento, a pequena indústria hoje emprega 18 funcionários, produz mais de 5 mil tortas e doces por mês e atende a gigantes como o Grupo Zaffari, o Restaurante Barranco e uma série de supermercados da Capital e do Litoral do Rio Grande do Sul. Fabrica diariamente tortas de sorvete, tortas de pão de ló, sobremesas geladas de 140 gramas e torta de sorvete em fatia de 150 gramas sob encomenda. A empresa também atende por tele-entrega.
"Naquela época, os locais são se preocupavam com bolos, tortas ou qualquer tipo de doce. Serviam apenas a comida. Então nós enxergamos uma possibilidade de mercado muita boa. Com isso, construímos toda uma rede de distribuição e uma marca que atende a grandes varejistas de todo o Estado. Agora, ainda temos a nossa própria loja e atendemos encomendas", explica.
Na área dos laticínios, a empresa Iogurtes Do Tambo produz iogurtes artesanais com receitas exclusivas desde 1995 em Porto Alegre. Localizada no bairro Passo d'Areia, a fábrica possui 500 metros quadrados, 20 funcionárias e produz mensalmente cerca de 100 mil potes de iogurte. A empresa busca atender a vários tipos de clientes. Entre eles, os que possuem restrições alimentares com alguns ingredientes, tal como o açúcar, as gorduras saturadas, o glúten e a lactose.
Entre os principais consumidores da Iogurtes Do Tambo, estão: academias, escolas, lojas de produtos saudáveis especializados, faculdades, hospitais e grandes redes como o Grupo Zaffari, atendendo também por tele-entrega e por aplicativos como o iFood. Produzido com leite parcialmente desnatado e com frutas de verdade, cuidadosamente selecionadas para garantir o melhor sabor, a Iogurte Do Tambo combina ingredientes naturais com uma variedade de sabores.
A sócia-proprietária Gabriela Terrazas, que divide o negócio com a mãe, Maria Inês Terrazas, explica que um novo pátio fabril, com mil metros quadrados, irá ampliar os negócios para outros Estados do Brasil. Com um investimento de R$ 4 milhões, a nova fábrica, que está localizada na região do 4º Distrito, na Zona Norte da Capital, está com a estrutura praticamente pronta. A meta é alcançar o mercado nacional.
"A Do Tambo é uma empresa que preza pela qualidade e o nosso diferencial é o cuidado na hora da produção. Temos 20 funcionárias, todas mulheres, que cortam, lavam e fabricam manualmente cada um dos potes de iogurte. Oferecemos opções diversas para que as pessoas possam consumir iogurte sem nenhum tipo de restrição. O nosso objetivo é levar este produto qualificado para mais pessoas", destaca.

Tecnopuc fomenta a inovação em Porto Alegre

Pandemia tem sido um acelerador de transformação, afirma Jorge Audy
Pandemia tem sido um acelerador de transformação, afirma Jorge Audy
PUCRS/DIVULGAÇÃO/JC
Com uma área construída de 90 mil metros quadrados, o Parque Científico e Tecnológico da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (Tecnopuc) investe em uma das áreas mais importantes para o desenvolvimento econômico no século XXI: a inovação.
Sediada em Porto Alegre e com sua estrutura ampliada até Viamão, o Tecnopuc reúne 178 organizações parceiras, mais de 300 startups apoiadas, 6.200 pessoas envolvidas e mais de 150 conexões com ambientes de inovação no Brasil e no mundo.
Atuando nas áreas da indústria criativa; na tecnologia da informação e comunicação; ciências da vida; e energia e meio ambiente, o ecossistema de 11,5 hectares envolve empresas públicas e privadas, centros de pesquisa, startups e entidades profissionais e empresariais em uma comunidade articulada que colabora para o desenvolvimento de negócios inovadores. As organizações que compõem o Parque são de diferentes portes, mercados e tecnologias, formando uma comunidade de empresas e pessoas. O ambiente proporciona a aproximação de membros das empresas do Parque e da Universidade, a partir da Rede Inovapucrs.
Entre os cases de sucesso desenvolvidos pelo Tecnopuc está o Protótipo Cateter de Alto Fluxo. Integrantes da Rede Inovapucrs desenvolveram o protótipo de um conector para sistema de alto fluxo impresso em 3D que possibilita que pacientes em tratamento com Covid-19 recebam maior fluxo de oxigênio, diminuindo a necessidade de intubação. O projeto foi desenvolvido no Centro de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Ideia), no Tecnopuc Fablab, e testado no Hospital São Lucas da PUCRS.
Outro bom exemplo de criatividade e protagonismo dos jovens é o evento Maratona de Inovação. O evento integra o conhecimento acadêmico com a prática de mercado, explorando o potencial de geração de novos produtos ou negócios (startups) no contexto da solução proposta, usando metodologias criativas em um ambiente de inovação e empreendedorismo.
Os alunos encontram problemas reais que os desafiam a pensar e criar soluções a partir do raciocínio investigativo, da empatia e da interação com outros participantes. O evento envolve todos os estudantes das sete escolas da universidade e os sete agentes de inovação das respectivas instituições.
Na mesma linha, o Tecnopuc conta também com o projeto Tecnopuc Experience. Totalmente aberto ao público, o evento propõe uma imersão no universo da inovação e do empreendedorismo, com foco em networking. Nas últimas edições, mais de 7 mil pessoas passaram pelo evento. O Tecnopuc oferece atividades como workshops, oficinas, matchmakings e áreas de empresas do parque, apresentando seus produtos e serviços, além de espaços de colaboração e networking.
Outro trabalho que pode ser destacado do Tecnopuc é o Tecnopuc CriaLab, um laboratório de experiências criativas, em que a promoção da inovação é orientada pela abordagem de design thinking. São desenvolvidos projetos em que se exploram problemas e se desenham experiências centradas nas pessoas, aplicando a criatividade a projetos (e processos), gerando valor, impacto e resultado para a sociedade.
Somente em 2020, foram 171 pessoas capacitadas, 41 projetos realizados, 16 projetos com estrutura de Universidade, 25 projetos com empresas parceiras, 53 interações com startups do Tecnopucrs, 25 professores envolvidos com o Crialab, 5 interações com escolas da Pucrs e 1 prêmio nacional.
Durante a primeira live do Tecnopuc Talks, que debateu temas como empreendedorismo, inovação e o contexto nacional e internacional diante da Covid-19, o superintendente de Inovação e Desenvolvimento da Pucrs e responsável pelo Tecnopuc, Jorge Audy, destacou que a pandemia está sendo um momento de profundas transformações nas mais diversas áreas.
"Estamos vivendo um momento que é um brutal acelerador do processo de transformação digital. Este é um aspecto central para debater o atual cenário. Isso acontece na economia, na educação e em outras áreas de forma simultânea. A inovação tecnológica é uma mudança que veio para ficar e vai exigir uma adaptação, mas vamos evoluir muito em novos projetos, principalmente no que diz respeito à sustentabilidade", explica.

Kley Hertz aposta na produção de medicamentos em Porto Alegre

A indústria farmacêutica é uma das áreas que mais crescem em Porto Alegre. Um bom exemplo neste segmento é a empresa Kley Hertz Farmacêutica S.A. Fundada em 1947 pelo empresário alemão Gerhard Hertz, a Kley Hertz encontra-se hoje entre as dez maiores indústrias farmacêuticas de MIP (medicamentos isentos de prescrição médica) de capital nacional do país.
A empresa tem um portfólio de mais de 60 marcas e 180 apresentações, atuando nos segmentos MIPs, fitoterápicos, suplementos, alimentos, cosméticos, dermocosméticos, medicamentos com prescrição médica e produtos para a saúde.
A Kley Hertz possui uma moderna unidade industrial e um centro de distribuição (CD) em Porto Alegre. Também possui outros três CDs em Cotia (SP); Contagem (MG); e Serra (ES). Por meio da rede de distribuidores e representantes, a empresa está presente em mais de 50 mil pontos de venda em todo Brasil. Ao todo, são mais de 900 colaboradores e mais de 200 tipos de produtos diferenciados com oferta em diversas regiões do País.
Todo este volume de produção, organização e crescimento da marca podem ser explicados pelo coordenador Administrativo e Pessoal da Kley Hertz, Luciano Dahlke, que destaca a mudança de cenário na empresa após a utilização de software para o Sistema de Metadados. Após o uso do novo sistema, a Kley Hertz reduziu os custos, e a equipe ganhou autonomia, agilidade, produtividade e também tempo para se tornar um RH mais estratégico. "Após este procedimento, tivemos uma economia nos custos e reduzimos mais de R$ 100 mil por ano com a parte operacional", destaca.
 

*Luiz Fernando Aquino é jornalista formado pela Unisinos, com experiência de repórter de Economia nos jornais NH e Zero Hora, além de passagens por assessorias de imprensa.
*Diego da Costa é jornalista formado pela Unisinos. Possui experiência em jornal impresso, assessoria de imprensa e rádios do Interior.
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