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reportagem especial

- Publicada em 14h00min, 15/08/2021. Atualizada em 16h16min, 17/08/2021.

Após duplicação, BR-116 deve gerar novo ciclo de desenvolvimento na Metade Sul

Ao custo total de R$ 1,7 bilhão, estrada já conta com 131,5 quilômetros liberados ao tráfego

Ao custo total de R$ 1,7 bilhão, estrada já conta com 131,5 quilômetros liberados ao tráfego


DNIT/DIVULGAÇÃO/JC
Roberto Ribeiro*
O fim da pandemia e a conclusão das obras de duplicação da BR-116. São os dois fatores que a Zona Sul espera para ver o turismo deslanchar na região. Ações estão em andamento para fomentar o PIB regional antes mesmo da finalização das obras na principal rodovia de ligação da zona sul gaúcha a Porto Alegre e outras regiões.
O fim da pandemia e a conclusão das obras de duplicação da BR-116. São os dois fatores que a Zona Sul espera para ver o turismo deslanchar na região. Ações estão em andamento para fomentar o PIB regional antes mesmo da finalização das obras na principal rodovia de ligação da zona sul gaúcha a Porto Alegre e outras regiões.
A obra, dividida em nove lotes, depois de pronta terá duplicado 211 quilômetros, extensão que separam Barra do Ribeiro, na Região Metropolitana, de Pelotas, polo regional no Extremo Sul do Estado. Atualmente, já estão duplicados 131,5 quilômetros – 62% do total. Falta, portanto, pouco mais de um terço para ser finalizada. O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) trabalha com a expectativa de entregá-la em 2022 – 10 anos depois de iniciar a empreitada.
Na Zona Sul do Estado, hoje, a duplicação da BR-116 no trecho entre Barra do Ribeiro e Pelotas é uma unanimidade entre políticos, empresários e autoridades. Paula Mascarenhas (PSDB), prefeita de Pelotas, maior município da Metade Sul, com pouco mais de 343 mil habitantes, e berço político do governador Eduardo Leite (PSDB), não pensa duas vezes: "Só tem benefícios", afirma.
Paula lembra que, do ponto de vista estratégico e logístico, a duplicação aproxima a Capital do porto do Rio Grande, fortalece a economia de "todos os municípios' na atração de novos investimentos e garante mais segurança e conforto de motoristas e demais usuários (razão que motivou a luta pela duplicação diante do alto índice de acidentes fatais enquanto o trecho só dispunha de pista simples). Ela acredita que o turismo venha a ser o primeiro setor a perceber as vantagens da facilidade de acesso à região com a sensível melhora nas condições de trafegabilidade na BR-116, nada menos que o principal corredor de entrada para o Extremo Sul do Brasil.
A prefeita de Pelotas acrescenta ainda a retomada, a partir de 8 de dezembro, de voos diários da linha Pelotas-Porto Alegre pela companhia aérea Azul - um atrativo a mais para consolidar o turismo na chamada Costa Doce. "Não foi por outra razão que nos unimos, gestores públicos, empresários, imprensa, para que a duplicação se tornasse realidade", esclarece.
A união a que se refere a chefe do Executivo pelotense pode ser encontrada entre os demais prefeitos da região. Presidente da Associação dos Municípios da Zona Sul (Azonasul), entidade que congrega 23 municípios associados, Vinícius Pegoraro (MDB) é outro entusiasta da obra, mesmo que a rodovia não passe por Canguçu, município para o qual foi reeleito em 2020 - "Não faz diferença", segundo ele, afirmando que "não existe crescimento isolado". Pegoraro cita vantagens como facilidade e agilidade de acesso aos municípios, segurança no trânsito e menor tempo de locomoção - sobretudo a Porto Alegre.
O prefeito conta que, atualmente, os 131,5 quilômetros duplicados oferecem uma viagem mais segura e o "tempo é praticamente o mesmo". Em seus deslocamentos para a capital, tem preterido a RS-265, que liga Canguçu a São Lourenço do Sul, até então a principal rota de acesso do município à BR-116. A rodovia estadual, embora pavimentada em toda sua extensão, fica em região de Serra, com subidas e descidas, em um traçado "tortuoso", "cheia de curvas" e incidência de neblina em vários pontos. Pegoraro prefere percorrer mais 20 quilômetros até o contorno de Pelotas (cuja obra está em reta final, com compromisso do ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, de ser concluída até o fim do ano), para seguir viagem em uma rodovia majoritariamente plana e com vários trechos duplicados.

Segurança da rodovia já é uma realidade para municípios próximos

Cortada pela BR-116, Camaquã, com pouco mais de 66 mil habitantes no Centro-Sul do Estado, já não vive aos sobressaltos em relação a BR-116.

Na rodovia que corta o município, até 2012, quando se iniciaram as obras da duplicação, não eram raras ocorrências de acidentes com morte envolvendo amigos e parentes de famílias da cidade. "A angústia era muito grande", lembra o vereador João Pedro Grill (PSB), eleito vice-presidente da Frente Parlamentar designada pela Câmara de Vereadores do município a acompanhar o andamento dos trabalhos.

No entanto, a BR-116 ainda traz preocupação à cidade - felizmente, não mais pelos acidentes, mas pela lentidão do serviço verificada no Lote 5, que cruza a área urbana do município a partir do Km 397,22 ao Km 422,30 (já na área urbana do Cristal), num total de 25,08 quilômetros. "Ficou muito para trás", queixa-se o vereador.

Apesar disso, o trabalho executado até aqui é bem recebido em Camaquã. Além de praticamente zerar o índice de acidentes com mortes, melhora a qualidade de vida do morador local que precisa se deslocar a Porto Alegre ou a Pelotas, cuja distância é quase a mesma, tanto em direção à Capital quanto para a Zona Sul, especialmente para Porto Alegre - com o adiantado processo de duplicação a partir de Barra do Ribeiro. "Antes, precisava sair até com duas horas de antecedência para evitar transtornos no trânsito", lembra João Pedro Grill.

Para Jussara Argoud, gestora de turismo da Regional Sul do Sebrae, a rodovia totalmente duplicada oferecerá muito mais segurança aos usuários. Melhoria sensível que irá naturalmente se refletir no turismo da Costa Doce. "É uma ação de infraestrutura necessária, muito mais gente vai se sentir encorajada a pegar o carro e conhecer novos destinos", afirma.

Além da segurança, a duplicação aproxima a Zona Sul da Região Metropolitana e demais regiões, como Vale dos Sinos, Vale do Taquari, Serra e Planalto. Ela mesma reforça o testemunho desse fenômeno. Por experiência própria, mesmo com trechos ainda não duplicados, a gestora de turismo do Sebrae percebe em carros de passeio que a duração da viagem Pelotas-Porto Alegre já diminuiu em meia-hora. Dependendo do fluxo de veículos na rodovia, o deslocamento pode ser concluído em menos de três horas - menos tempo para percorrer o trecho com mais segurança traz um benefício e tanto para o turismo da Costa Doce.

Pelotas, maior destino da região, é, conforme Jussara, um "indutor", uma porta de entrada para a Zona Sul, o que ajuda o turista fazer outros deslocamento pela região, pelo menos nos mais próximos como Rio Grande, Morro Redondo, Arroio do Padre e São Lourenço do Sul - dentre esses, o município mais distante (74 quilômetros). Já a pouco mais de 130 quilômetros está Jaguarão, porta de entrada para o Uruguai.

Porto do Rio Grande ganha em competitividade, diz superintendente

BR-392, que liga Pelotas a Rio Grande, ainda tem trecho de pista simples
BR-392, que liga Pelotas a Rio Grande, está quase toda duplicada também
DNIT/DIVULGAÇÃO/JC
Vão muito além do turismo os ganhos que a duplicação trará à Metade Sul. Para o superintendente do Porto do Rio Grande, Fernando Estima, que ainda comemora o melhor semestre da história no terminal, a lógica é simples.
Conforme o executivo, a BR-116 duplicada representa mais eficiência e mais agilidade, o que confere ganhos significativos em logística: "Menos tempo, menos acidentes e menos custos, o que torna o terminal ainda mais competitivo."
A tendência, portanto, à medida que a duplicação avança, é de colecionar novos recordes de movimentação de cargas. Entre janeiro a junho deste ano o superporto movimentou 20.805.726 de toneladas de cargas exportadas - acréscimo de 11,80% em relação ao mesmo período de 2019 e de 4,43% ao primeiro semestre do ano passado.
Entre os produtos, destaque para movimentação de madeira, com variação positiva de 307,83% em relação ao primeiro semestre de 2020, seguido por trigo (alta de 69,01%) e farelo de soja, ganho de 24,02%.
Hoje, a BR-392, entre Pelotas e Rio Grande, conta com 50 quilômetros duplicados, mas ainda há muito por fazer, como um gargalo bem em frente ao terminal: são nove quilômetros de pista simples (lote 4) que ficaram para trás na obra de duplicação da 392. "Ainda tem muito acidente ali", lamenta Fernando Estima.
Situação que não passa despercebida também pelo vice-presidente de Infraestrutura da Federação das Entidades Empresariais do Rio Grande do Sul (Federasul), Antônio Carlos Bacchieri Duarte. Com laços familiares na região, não esconde o entusiasmo com duplicação da BR-116 - "estrada duplicada é vetor de investimento", prega - mas entende que o lote 4 não duplicado da BR-392 precisa entrar no radar do Ministério da Infraestrutura.
 

Complexo de R$ 70 milhões a 14 minutos do centro de Pelotas

A duplicação da BR-116 ainda não terminou e já demonstra o potencial econômico que a obra de infraestrutura oferece à Zona Sul. O gerente comercial e de marketing do Eixo-Sul Complexo Logístico, Fabio Cardoso, admite: não fosse o empreendimento, dificilmente o projeto que prevê investimentos de R$ 70 milhões em uma área de um milhão de metros quadrados a 14 minutos do centro de Pelotas teria saído do papel.

"Não fosse a duplicação, sem chance. Tornaria o projeto inviável", confirma ele. O complexo já é uma realidade, embora ainda em fase inicial. E a proximidade com a área central de Pelotas, não é o único atrativo. O Eixo-Sul (quase em frente ao posto da Polícia Rodoviária Federal) está estrategicamente localizado também em relação ao superporto do Rio Grande, ao Uruguai e à capital do Estado.

Os lotes começaram a ser oferecidos no mercado a partir do ano passado. Colonial Implementos, revendedor da multinacional Stara, Brasspress e Grupo Petrópolis Itaipava já operam no empreendimento, cuja infraestrutura prevê área de lazer arborizada com quadra multiesportiva, redeiro, cancha de bocha, espaço para xadrez e ciclovia.

Até agora R$ 20 milhões já foram investidos pela Duo Investimentos no local, que ainda tem, entre as vantagens, um retorno próximo junto ao elevado da Vila Princesa, na zona Norte de Pelotas.

Ampliação e novos negócios surgem às margens da rodovia

Paradouro Grill terá uma terceira unidade, agora no sentido Capital
Paradouro Grill terá uma terceira unidade, agora no sentido Pelotas-Porto Alegre
grill/divulgação/jc
A duplicação da BR-116 no trecho Guaíba-Pelotas não representa apenas um corredor de mão dupla no desenvolvimento regional da Zona Sul do Estado. Também abre perspectivas para novos negócios às margens da rodovia.
A atual geração (a quarta) da família de gestores do estabelecimento mais tradicional da BR-116 entre Pelotas e Porto Alegre tem planos de instalar o terceiro empreendimento, desta vez no lado direito da via, sentido Pelotas-Porto Alegre. Atualmente, o Paradouro Grill conta com duas unidades: a matriz, no km 428, no Cristal, onde está há 63 anos, próxima da ponte sobre o rio Camaquã, e a filial, o Grill Camaquã, situado no km 396 da rodovia.
Hoje no comando, Jorge Lourenço Grill, bisneto do idealizador Alexandre Grill Neto e neto de Vanderlei Grill, gestor que ampliou o negócio para além uma lancheira modesta e um posto de combustíveis, sabe que a duplicação representa oportunidades que não podem ser ignoradas. "Principalmente depois de pronta, [a obra] vai chamar muita gente para a Zona Sul, tanto para turismo como para negócios, é sinônimo de desenvolvimento", afirma.
João Pedro não esconde as possibilidades de faturamento e novas vagas de empregos com mais um paradouro sob a administração da família. Hoje, contabiliza 50 funcionários apenas na matriz. O novo empreendimento, projeta ele, deve abrir até 80 empregos diretos no Cristal. "Imagina o que isso representa em uma cidade de sete mil habitantes?", questiona.

Rio Grande trabalha para dar praia o ano inteiro

Atração turística no verão, Praia do Cassino é hoje o maior bairro do município, com 40 mil moradores
Atração turística no verão, Praia do Cassino é hoje o maior bairro do município, com 40 mil moradores
CAMILA DOMINGUES/PALÁCIO PIRATINI/DIVULGAÇÃO/JC
De olho na perspectiva que se abre com a alavancagem do turismo na região com a conclusão prevista pelo Dnit para 2022 das obras de duplicação da BR-116, Rio Grande anuncia ações para fazer do principal cartão postal do município um destino turístico o ano inteiro. O desafio é tornar o Balneário Cassino convidativo durante as quatro estações.
Embora distante 60 quilômetros do contorno de Pelotas, limite da duplicação da BR-116, lideranças do município contam com os benefícios que a obra irá oferecer à região como um todo. Chegar a Rio Grande por Pelotas não é problema. O trecho da BR-392 que separa as duas cidades polo da Zona Sul está duplicado. E, para além do porto, Rio Grande é ativo importante na rota da Costa Doce.
Maior praia do mundo, com 200 quilômetros de extensão entre os molhes do canal de acesso ao terminal portuário e Santa Vitória do Palmar, na fronteira com o Uruguai, o Cassino se projeta como destino turístico não apenas no verão.
O projeto (Cassino 4 Estações) está no ar. Tem site, página no Facebook e conta no Instagram. Três opções para o internauta ficar por dentro de notícias, da história do balneário, do conteúdo da proposta, informações sobre serviços e eventos agendados.
De acordo com o titular da Secretaria Municipal do Cassino, Sandro Boka, o Cassino 4 Estações aproveita o embalo do balneário ser hoje o maior bairro do Rio Grande, com 40 mil moradores. Dado que se comprova, segundo ele, a cada fim de tarde pelo fluxo de veículos em direção ao balneário pela ERS 734, já duplicada. "Lembra o verão", diz Boka, entusiasta da tendência de migração populacional para o Cassino. "Atrai infraestrutura", justifica. E aposta: "Essa história de vir ao Cassino só no veraneio vai acabar."
Se depender do projeto, a ideia de que a maior praia do mundo é atrativa além do verão se torna realidade. Programações estão agendadas e tantas outras em fase de elaboração. A primeira delas tem local e data: o 1º Acampamento Farroupilha, a partir do dia 10 de setembro, no antigo camping do Balneário - estrutura que está sendo reativada. O segundo evento também já está na agenda: etapa do Sul-brasileiro de Jet-Ski, em outubro.
Na sequência, segundo o secretário, é fixar o balneário no circuito de competições em todos os níveis de esportes náuticos (kitesurf, surf, windsurf), além cross country (bicicleta) e travessias (tanto por carro como a pé) até o Chuí pelo "abismo horizontal" que uma praia de mar aberto, não recortada, sem morros e enseadas é capaz de oferecer.
Aqui, a ideia é prestar assistência e pontos de apoio, além de inserir os habitantes que moram no trecho, em balneários com acesso apenas pela beira da praia - Verga, Sarita e Albardão -, para interagir com aficionados por esse tipo de aventura.
 

Pelotas coordena Governança Regional da Costa Doce

Diversidade cultural e patrimônio histórico são marcas da cidade
Diversidade cultural e patrimônio histórico são marcas da cidade
JANINE TOMBERG/DIVULGAÇÃO/JC

Maior destino turístico da Costa Doce gaúcha, cabe a Pelotas, desde julho passado, a coordenação da Instância de Governança Regional (IGR) da Costa Doce. A incumbência é do titular da Secretaria Municipal de Desenvolvimento, Turismo e Negócios, Gilmar Bazanella.

Embora sem relação aparente entre o posto de coordenação e a importância do município no contexto do roteiro, a cidade mereceu um lugar de destaque no estudo de "Posicionamento e estratégias para o turismo da Costa Doce Gaúcha", do IPM-Unisinos. Sob o título Pelotas Criativa, o município teve elencado no levantamento uma série de potencialidades que justificam a relevância. A começar pela diversidade cultural, enriquecida pela colonização portuguesa, africana, alemã e, em menor medida, italiana e francesa. Atualmente conta também com expressiva comunidade uruguaia e árabe, em sua maioria empresários do comércio varejista.

A diversidade também se manifesta no segmento universitário, com a presença de estudantes de várias regiões do Estado e do País - em um ambiente de marcada tradição artística e boemia, em um cenário de patrimônio histórico, cultura popular, praias como Laranjal e Barro Duro, uma colônia de pescadores e ainda a zona rural, na Serra dos Tapes.

Diante das potencialidades levantadas, pela primeira vez as duas cidades polo da Zona Sul irão desenvolver conjuntamente eventos complementares de fim de ano na tentativa de agregar esforços e oferecer a turistas dispostos a visitar os dois municípios um roteiro diverso e complementar.

A parceria foi selada dia 28 de julho no gabinete da prefeita Paula Mascarenhas (PSDB), com a presença do chefe do Executivo do Rio Grande, Fabio Branco (MDB), e secretários municipais.

"Momento histórico", comemorou Paula. "É a primeira vez que Pelotas e Rio Grande estão unidas em um projeto conjunto. Tem tudo pra dar certo." Branco compartilha do otimismo. E entende que os ganhos estão além dos municípios envolvidos: "Quem ganha é a região."

A programação deve ocorrer a partir da última semana de novembro a antevéspera do Natal, a depender logicamente do status em que estiver a crise sanitária provocada pela pandemia do Coronavírus. Nos dois municípios, a existe a ideia comum de agregar valores locais aos festejos natalinos.

Em Rio Grande, o projeto Ondas de Natal prevê, segundo o secretário especial do Cassino, Sandro Boka, concerto da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre (Ospa), paradas de Natal aos sábados e domingos, chegada do Papai Noel "com pegada tropical", além de, como o nome do evento sugere, ações na beira do mar do Cassino como pré-réveillon e a própria festa da virada. Em Pelotas, segundo a Secretaria de Desenvolvimento, Turismo e Negócios o evento deve repetir os moldes das edições anteriores do Natal, Doce Natal. A programação, em fase de elaboração, deverá ser realizada conforme os protocolos a serem anunciados durante a realização do evento.

O que é a IGR da Costa Doce

Embora ainda sem uma personalidade jurídica, a Instância de Governança Regional da Costa Doce segue exemplos bem-sucedidos que transformaram em realidade o discurso que recomenda atuação em rede e integração entre municípios para florescer a indústria turística.

Na ponta, procura consolidar um grupo unido na formação de políticas públicas e buscar recursos junto ao Estado e à União. Além de gestores de 21 municípios, a Governança conta com representantes da iniciativa privada (empreendedores), parceiros do Sistema S e universidades.

São Lourenço do Sul confirma Reponte em 2022

Município é um dos mais ativos turisticamente da região e concentra balneário às margens da Lagoa dos Patos
Município é um dos mais ativos turisticamente da região e concentra balneário às margens da Lagoa dos Patos
FREDY VIEIRA/arquivo/JC

Um dos municípios historicamente mais ativos na área do turismo na Zona Sul do Estado procura retomar seu calendário de eventos a partir do ano que vem. Mês passado, o martelo foi batido. O 34º Reponte da Canção Nativa será realizado nos dias 8 e 9 de abril no Galpão Crioulo do camping municipal de São Lourenço do Sul, às margens da Lagoa dos Patos.

A ideia do secretário de Turismo, Indústria e Comércio, Luiz Carlos Citrine Braga, é de que a realização do festival signifique a retomada do sempre concorrido calendário de eventos de São Lourenço do Sul.

Se vai mesmo ocorrer como programado não depende unicamente do município. O prefeito Rudimar Harter (PDT) explica: "Tínhamos que definir uma data em função da agenda dos artistas e contamos com que a vacinação seja concluída ainda em 2021, mas se houver uma nova cepa seremos obrigados a rever."

Exatamente por isso que os demais eventos que costumam agitar a cidade delimitada à Leste por uma das orlas mais bonitas a que se tem acesso da Lagoa dos Patos e à Oeste, do outro lado da BR-116, pela Serra dos Tapes, onde se concentram empreendimentos da área do turismo rural e pomerano, como o Caminho Pomerano - onde se pode degustar o peito de ganso defumado, uma iguaria tão típica como saborosa -, estão em modo stand by. Não são poucos - especialmente os de verão. Alguns chegam a quase dobrar a população do município.

É o caso do Réveillon. A virada do 31 de dezembro para 1º de janeiro, com direito à orla lotada na confortável praia da Barrinha para assistir aos shows pirotécnicos e musicais, "uma loucura", emenda Harter, faz com que São Lourenço do Sul receba, pelo menos na última vez em que foi realizado, na virada do 2019 para 2020, mais de 80 mil pessoas - quase o dobro da população, de 43 mil habitantes.

O Réveillon não é o único sob ameaça. O secretário Luiz Carlos Citrine Braga cita outros: festival de verão, festa de Iemanjá/Nossa Senhora dos Navegantes, Carnaval, moto-lagoa, eventos náuticos, Südoktoberfest - para ficar apenas nos que lhe vêm à mente. A pandemia não só rasga o calendário como atinge em cheio a capacidade instalada do município para receber turistas.

Segundo dados da Secretaria de Turismo, Indústria e Comércio, a "Pérola da Lagoa" enumera 55 empreendimentos que se beneficiam diretamente do setor. São restaurantes, pizzarias, sorveterias, rede hoteleira com mais de 1,5 mil leitos entre hotéis e pousadas, área de camping e centenas de imóveis para locação - grande parte deles nas proximidades dos balneários. A não ocupação decorrente das medidas de controle da pandemia, faz com que São Lourenço contribua para perdas estimadas de R$ 4,79 bilhões no setor do turismo apenas no Rio Grande do Sul. Os números, somados desde março de 2020, quando a crise sanitária chegou ao Brasil, são da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). A agricultura, responsável por 70% do PIB do município, "garantiu sobrevida", completa Braga. 

Fenadoce vai exigir maior articulação entre gestores

Edição do próximo ano será um teste para o trade da região
Edição do próximo ano será um teste para o trade da região
FENADOCE/DIVULGAÇÃO/JC

A próxima edição da Feira Nacional do Doce, mais provável em junho de 2022, deverá se converter em um teste e tanto na qualificação dos operadores da Costa Doce Gaúcha. Afinal, se tudo transcorrer conforme o roteiro, a 28ª Fenadoce voltará a ser realizada no momento em que o setor estará aquecido em todo o país após dois anos de demanda reprimida forçada pela pandemia e com a principal via de acesso terrestre à região na reta final dos serviços de duplicação.

Situação que provavelmente vai favorecer um fluxo ainda maior que a média de 300 mil pessoas por edição - número suficiente para lotar, nos fins de semana, entre visitantes e expositores de outras regiões do Estado e do País, a rede hoteleira durante os 20 dias de evento. De novo, integrar é a palavra-chave. O desafio, de acordo com José Laitano, do Conselho de Gestão da Câmara dos Dirigentes Lojistas de Pelotas (CDL), responsável pela organização da Feira, é integrar a Fenadoce a outras atrações turísticas de Pelotas e região.

Só em Pelotas o roteiro da Costa Doce Gaúcha dispõe de empreendimentos na zona rural, a rota das Charqueadas, museus e intensa vida noturna - isso, claro, se trabalhando com cenário de pós-pandemia. "Estreitar as relações para além do Centro de Eventos, com a cidade e a Zona Sul é o desafio que nos espera", diz Laitano. Para quando? "2022, com certeza", responde o integrante da CDL de Pelotas.

Repaginada e com novo nome, Festa do Mar volta em abril de 2022

Também a depender do progresso da vacinação contra a Covid-19, da queda do número de casos e da volta à normalidade, Rio Grande e São José do Norte anunciam para abril do ano que vem a realização da Festmar.

O evento, iniciativa da Câmara de Dirigentes Lojistas do Rio Grande e de São José do Norte, representa a retomada da então Festa do Mar, mas agora em outro formato. O pré-lançamento ocorreu semana passada, quando o projeto foi apresentado a possíveis apoiadores. Segundo a presidente da CDL dos dois municípios, Letícia Vanzelote, a Festmar pretende pulverizar atrações em núcleos com programação de ordem gastronômica, cultural e esportiva nos galpões do Porto Velho no Centro Histórico do Rio Grande, na Associação Rural do município, no Cassino e em São José do Norte.

A gastronomia à base de frutos do mar, como a anchova, bolinhos de peixe, entre outros, permanece como o carro-chefe do evento e a expectativa de público é estimada pela organização entre 150 mil e 200 mil visitantes. 

Benefícios da duplicação se estendem a Jaguarão, na fronteira com o Uruguai

Ponte Internacional Barão de Mauá une o município gaúcho a Rio Branco, no Uruguai, e é porta de entrada para os free-shops do país vizinho
Ponte Internacional Barão de Mauá une o município gaúcho a Rio Branco, no Uruguai, e é porta de entrada para os free-shops do país vizinho
Ronaldo Morgado Segundo/Wikimedia Commons/JC
Fronteira com o Uruguai, a 140 quilômetros do Contorno de Pelotas (limite da obra de duplicação da BR-116). O prefeito Fávio Telis (MDB) não se ressente com o fato de o alargamento da pista não se estender até os limites de Jaguarão. Ele tem certeza de que, se a obra termina longe da cidade, ao mesmo tempo a aproxima dos benefícios esperados para toda a região com a esperada conclusão do empreendimento, prevista para o ano que vem.
Reconhecida pelo turismo de compras nos free-shops localizados já em território uruguaio, em Rio Branco, separada da cidade brasileira apenas por uma ponte, Jaguarão está consolidada no turismo da Costa Doce Gaúcha como um dos principais destinos do carnaval de rua na região.
Em 2020, último ano em que o evento foi realizado, a média estimada pela prefeitura foi de 30 mil visitantes em cada um dos quatro dias de folia. Detalhe: a população, dados de 2020, é de 26.5 mil habitantes.
Com a duplicação da BR-116, Telis não tem dúvida de que a cidade vai ser ainda mais procurada: "A obra não precisa atravessar Jaguarão." Motivos, segundo ele, não faltam, para que o município e a região recebam mais visitantes. No caso de Jaguarão, elenca motivos: tem Carnaval, o apelo por produtos importados nos free-shops em Rio Branco e um potencial a ser trabalhado em quesitos como gastronomia campeira, balneários municipais, artesanato, patrimônio, cultura nativista, entre outros.
 

Não faltam atrações na região da Costa Doce

A gestora de projetos de turismo da Regional Sul do Sebrae, Jussara Argoud, lembra que resistências foram rompidas junto aos gestores municipais da região e hoje se depara com abordagens que classifica como "maduras e conscientes" em relação à pauta. Nem sempre foi assim. "Já tive que implorar por audiências com prefeitos e secretários para falar sobre turismo", afirma.

Hoje, em conversas com gestores públicos, o clima, ela diz, é de "grande expectativa". Não é para menos. Atrações não faltam pelos quatro territórios da Costa Doce. São destinos que oferecem parques de aventura, trilhas, cicloturismo, museus, travessias, gastronomia diversificada, observação de aves, como na Lagoa do Peixe, em Tavares ("recebem gente do mundo todo pra isso", informa), patrimônio natural como a Estação Ecológica do Taim, patrimônio histórico, praias, turismo rural, eventos, vinícolas, pousadas, cafés, restaurantes, free-shops. A lista é grande. "É muita beleza natural e cultural, a Costa Doce não precisa de parque temático", diz.

Se hoje o extenso roteiro que perfaz a Costa Doce (mais de 500 quilômetros de Guaíba, na Região Metropolitana, ao Chuí, na fronteira com o Uruguai) se consolida como o principal destino turístico do Rio Grande do Sul, somente atrás dos oferecidos na região Serra, é porque um longo trabalho tem sido feito em parceria entre poder público, empreendedores, universidades e demais agentes.

Enquanto a vacinação contra a Covid-19 avança, bem como a duplicação da BR-116, a gestora do Sebrae recomenda manter na ponta processos de qualificação. Fica a dica: "Turista quer conforto e infraestrutura", afirma. "Ninguém sai de casa para passar trabalho."

Trecho com pedágios segue com impasse na região

Em nota, Ecosul destacou que desistiu em 'função da ausência de um ambiente favorável à renovação'
Concessionária irá cumprir o atual contrato, que termina no ano de 2026
FREDY VIEIRA/arquivo/JC
Enquanto seguem as obras de duplicação da BR-116, a permanência da concessionária Ecosul, que administra as praças de pedágio na Zona Sul do Estado, vive um impasse. Há pendências quanto à prorrogação de contrato e ao preço da tarifa, hoje de R$ 12,30 para carros de passeio, no âmbito do Tribunal de Contas da União (TCU). A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) contesta o parecer técnico e recorreu ao Tribunal.
O contrato atual, que expira em março de 2026, já foi prorrogado duas vezes. A legislação prevê apenas um adiamento contratual. A concessionária já entregou projeto junto à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) solicitando uma terceira prorrogação e a instalação de mais duas praças de pedágio entre Camaquã e Eldorado do Sul. Em troca, assumiria obras viárias na BR-392 (viaduto no km 8,9, duplicação do lote 4 e a recuperação da segunda ponte sobre o canal São Gonçalo) e a conclusão da duplicação da BR-116.
Outra questão pendente em relação à concessionária diz respeito ao preço da tarifa cobrada nas praças de pedágio. O TCU aponta superfaturamento na ordem de R$ 804 milhões e determina a redução dos atuais R$ 12,30 para R$ 6,80 em veículos de passeio. De acordo com o coordenador de Comunicação Institucional da Ecosul, Johny Calegaro, a concessionária não é parte do recurso que a ANTT apresentou ao TCU e só vai se comunicar quando for citada.
 

*Roberto Ribeiro é natural de Pelotas e jornalista formado pela Universidade Católica de Pelotas. Atualmente, trabalha como repórter e assessor de comunicação freelancer.
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