Porto Alegre, segunda-feira, 29 de março de 2021.

Jornal do Comércio

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reportagem especial

- Publicada em 20h05min, 28/03/2021.

Pandemia chega ao ápice no Brasil e prejudica recuperação econômica

País ultrapassa 300 mil mortes e tenta conter avanço da doença, que também atinge a economia

País ultrapassa 300 mil mortes e tenta conter avanço da doença, que também atinge a economia


freepik/divulgação/jc
Já se passaram 12 meses desde que a primeira morte em decorrência do novo coronavírus foi oficializada no Brasil. Junto com a notícia, em março do ano passado, vieram as primeiras medidas para tentar impedir o avanço da Covid-19 no País. Um ano depois, o Brasil amarga seu pior momento, com infecção de milhões de pessoas e mais de 300 mil mortos. A pandemia também tem vitimado milhares de empresas e microempreendedores, que se veem obrigados a fechar as portas. Agora, o País deposita suas esperanças para que a vacinação avance em ritmo mais ágil. Enquanto o Brasil não conseguir conter a disseminação da doença, especialistas dizem que será lento o processo de recuperação econômica.
Já se passaram 12 meses desde que a primeira morte em decorrência do novo coronavírus foi oficializada no Brasil. Junto com a notícia, em março do ano passado, vieram as primeiras medidas para tentar impedir o avanço da Covid-19 no País. Um ano depois, o Brasil amarga seu pior momento, com infecção de milhões de pessoas e mais de 300 mil mortos. A pandemia também tem vitimado milhares de empresas e microempreendedores, que se veem obrigados a fechar as portas. Agora, o País deposita suas esperanças para que a vacinação avance em ritmo mais ágil. Enquanto o Brasil não conseguir conter a disseminação da doença, especialistas dizem que será lento o processo de recuperação econômica.

Comércio e serviços fecham vagas e amargam pior desempenho registrado pelo setor

Supermercado é uma das atividades que registraram incremento em 2020
Supermercado foi uma das quatro atividades que registraram incremento no ano passado, revela pesquisa
MARCO QUINTANA/JC
Carlos Villela
O ano de 2020 entrou para a história do comércio gaúcho como o pior momento já enfrentado pelo setor. A pandemia de Covid-19 e suas medidas de contenção - isolamento social, restrições sanitárias e paralisação de atividades econômicas - levaram os comerciantes e prestadores de serviços a enfrentar um impacto difícil de calcular no faturamento, mas refletido diretamente na geração de vagas de trabalho.
A Fecomércio-RS elaborou estudo considerando dados do Novo Caged e utilizando como referência o total de vínculos empregatícios ativos em 31 de dezembro de 2019 pelos dados da Rais (Relação Anual de Informações Sociais) para avaliar a variação de postos formais de trabalho em 2020. Através desses dados, se percebe uma situação distinta para cada setor de comércio e serviços, diretamente ligado ao impacto da pandemia em cada um.
O comércio varejista registrou um saldo negativo de -3.204 vagas de trabalho, uma perda de aproximadamente 0,7% do total de estoque de 457.967 empregos registrado em 31 de dezembro de 2019. Um dos setores mais afetados dentro do varejo foi o de artigos do vestuário e acessórios, com uma redução de -11,4% (-5.196) do total de 45.565 vagas de trabalho.
O comércio de combustíveis para veículos automotores teve uma perda de 2283 vagas, -7,7% de um total de 29.736. Já a maior queda proporcional no varejo foi em calçados e artigos para viagem, onde as 1.680 vagas perdidas representam um total de -15,7% das 10.723 vagas de trabalho no fim de 2019.
Por outro lado, o comércio varejista de hipermercados e supermercados teve um saldo positivo de 4.797 vagas, aumentando em 4,4% as 108.975 vagas do setor. Outras áreas que apontaram desempenho positivo foram as de produtos farmacêuticos para uso humano e veterinário, com um saldo de 1.600 empregos e crescimento de 3,7%, a de minimercados, mercearias e armazéns (832 novas vagas e 3,4% de acréscimo) e comércio de ferragens, madeira e material de construção (saldo de 940 vagas, incremento de 2,8%).
A maior alta proporcional de estoque foi o comércio varejista de material elétrico, com 212 novos empregos, um total de 5,8% das 3.625 vagas no fim de 2019.
O comércio atacadista, por sua vez, registrou um saldo positivo de 883 novas vagas, um aumento de 0,9% em comparação com o estoque deixado em 2019, que era de 102.220. Na categoria de comércio e reparação de veículos automotores e bicicleta, a perda de 2.099 vínculos formais de trabalho levou à maior queda setorial, de -3,4% das 61.840 vagas ocupadas.
Ainda mais atingida que o comércio, a área de serviços registrou uma queda de -2,1% em 2020. Eram 1.031.063 contratados no fim de 2019, e 2020 encerrou com 21.607 vagas fechadas. Um dos setores mais afetados pelas restrições de locomoção e viagens durante a pandemia, as agências de viagens, que em dezembro de 2019 contratavam 4.217 pessoas, tiveram uma perda de 1.362 (-32,3%) de postos de trabalho.
Essas restrições afetaram também o transporte de passageiros intermunicipal, interestadual e internacional, que caiu 22,3% ao perder 1.922 vagas, e o municipal e Região Metropolitana, caindo 19% e perdendo 5.299 vagas. O setor de hotéis e similares também teve uma queda expressiva de 21,7%, fechando 3.821 postos. Restaurantes e outros estabelecimentos de serviços de alimentação e bebidas fecharam 2020 com um saldo negativo de -12.480 vagas, comparado ao total de 73.182 em 2019.
Outro setor bastante afetado foi o de educação infantil e creches, um dos poucos na área da educação em que a possibilidade de aulas remotas não foi adotado na mesma proporção do que o ensino fundamental em diante. A área fechou 1.029 vagas, caindo -8,5%.
A economista-chefe da Fecomércio-RS, Patrícia Palermo, afirma que é preciso considerar as sazonalidades nas contratações para entender os prejuízos. "O final do ano é um contratante de emprego, e o início do ano é demissor", diz ela. "Se pegar o varejo em um recorte de março a dezembro, temos uma visão menos pessimista do que realmente é." Ainda não há dados de janeiro e fevereiro de 2021 para considerar como o período demissionário, somado ao aumento de casos de Covid-19 no Estado e à bandeira preta que ainda vigora, interferiu no número de vagas de trabalho.
 

Supermercados e material de construção registraram alta em receita nominal

Itens essenciais e voltados à melhoria das instalações domésticas tiveram grande procura em função do isolamento social
Itens essenciais e voltados à melhoria das instalações domésticas tiveram grande procura em função do isolamento social
/MARCO QUINTANA/arquivo/JC
Carlos Villela
O impacto da Covid-19 no comércio, intensificado nos serviços, fica evidente quando se analisam os resultados das vendas em 2020. Um levantamento elaborado pela Bateleur Assessoria Financeira, baseado nos dados das Pesquisas Mensais do Comércio (PMC) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), aponta que o comércio gaúcho registrou uma variação positiva de 2% na receita nominal de vendas. Os serviços, por outro lado, tiveram uma queda expressiva de -12,3%.
De acordo com Fernando Marchet, CEO da Bateleur e coordenador do Núcleo de Economia da Federação de Entidades Empresariais do Rio Grande do Sul (Federasul), o setor de serviços e comércio foi o mais afetados pela pandemia, mesmo que uma leitura de dados não deixe margem para essa interpretação logo de cara. "Quando se olha o dado agregado de vendas e de receita no comércio, ele dá uma 'mascarada' no impacto que teve no setor como um todo porque os segmentos de supermercados e material de construção deram uma puxada no volume e na receita dessas vendas. Quando segrega esses dois setores, as quedas são muito expressivas", explica.
Os setores que registraram alta em receita nominal de vendas em 2020 foram justamente os de áreas consideradas "essenciais". Hipermercados e supermercados verificaram uma variação de 15,1%, enquanto materiais de construção tiveram um aumento pouco menor, de 12,8%. Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e cosméticos cresceram 1,7%.
Um setor que também conseguiu manter um resultado positivo, ou ao menos segurar a queda, foi o de móveis e eletrodomésticos, que teve uma variação positiva de 0,4% em receita nominal de vendas. Na visão de Marchet, esse resultado está relacionado, dentre outros fatores, ao bom momento da área de construção civil, que se manteve aquecida e acarretou um aumento na compra de móveis, especialmente considerando que o indivíduo que precisa passar mais tempo em casa tende a buscar ambientes de mais conforto. Entretanto, ressalta, a indústria de móveis gaúcha sofreu muito no período, e um dos motivos é a tendência mais corporativa - ou seja, produção de móveis para ambientes de trabalho.
Na ponta negativa estão livros, jornais, revistas e papelaria (-32,3%), vestuário e calçados (-28,9%), comércio de veículos e peças (-18,9%), materiais de escritório e informática (-14,2%) e combustíveis e lubrificantes (-12%).
Um problema que explica o impacto tão destrutivo da pandemia para o comércio e serviços é como essas atividades dependem da circulação do dia a dia. "O que se perdeu, se perdeu. Comércio tem muito disso, e o serviço de forma potencializada. O individuo não volta ao restaurante que não foi almoçar aquele dia, ele não vai cortar o cabelo de novo quando não cortou", ilustra o executivo.
Marchet aponta também que esses impactos foram ainda mais fortes em Porto Alegre, visto que, fora da Região Metropolitana, as medidas restritivas foram mais leves. "O interior do Estado foi um pouco mais contencioso na mobilidade no ano passado, mas em Porto Alegre tanto o governo estadual quanto a Prefeitura tinham um alinhamento em (o comércio) ficar parado, e ficou parado até outubro de forma severa", fala Marchet.
"De um lado, a gente fez uma restrição mais rígida, teve um impacto maior na economia e na geração de empregos. Do outro lado, em outros estados, a economia caiu menos e teve medidas menos restritivas", diz Marchet. "Se esperaria que, ao entrar em 2021, a gente colhesse o efeito disso, uma situação em que nossa saúde estaria melhor e outros estados piores, mas não é isso que a gente está vivendo. O Rio Grande do Sul está quase encabeçando a situação crítica do Brasil."
Ele compara o caso gaúcho com o estado vizinho: Santa Catarina foi a unidade federativa que mais gerou empregos formais em 2020: 53.050 vagas com carteira assinada, um total de 37,1% dentre os 142.690 empregos criados no ano passado no País. O Rio Grande do Sul ficou em penúltimo nas perdas, com 20.220 vagas a menos, distante do último lugar, o Rio de Janeiro com 127.155. (Carlos Villela)

Cofres públicos perderam receita com ICMS e ISS; gastos aumentaram na saúde

Arrecadação de ICMS na venda de vestuário e calçados encolheu no Estado
Com isolamento social, a arrecadação de ICMS na venda de vestuário e calçados encolheu
FREDY VIEIRA/ARQUIVO/JC
Thiago Copetti
A pandemia e o isolamento social promoveram movimentos opostos nas finanças públicas, em geral, em uma equação complexa: houve queda na arrecadação estadual e nos municípios, e aumentos nas despesas com saúde.
No caso do Rio Grande do Sul, a perda real (levando em conta a inflação de 4,52%) no montante que entrou nos cofres com a retração no consumo (leia-se arrecadação de ICMS) chegou a R$ 1,1 bilhão em 2020 em relação a 2019. Em valores nominais, a receita caiu de R$ 36,531 bilhões para R$ 36,381. Ou seja, além de não crescer mesmo com o preço de tudo subindo, a arrecadação ainda encolheu.
Em relação à previsão inicial do governo, levando em conta crescimento econômico, esse valor mais do que dobraria, somando R$ 2,4 bilhões. Na outra ponta, os investimentos diretos em saúde se elevaram em R$ 1,14 bilhão, de acordo com a Secretaria Estadual da Fazenda (dos quais R$ 820 milhões vieram de repasses federais).
Foram períodos muitos diferentes ao longo dos últimos 12 meses. O Estado vinha crescendo até fevereiro de 2020, com mais de 5% de incremento real sobre o ano anterior, explica o responsável pela pasta, Marco Aurélio Cardoso. Depois, entre abril e agosto, houve queda de até 30% na arrecadação de ICMS em alguns períodos.
"E entre setembro e dezembro teve um efeito rebote com o impacto do auxílio e alguns setores que não pararam de funcionar, e se recuperou uma parte das perdas", explica Cardoso.
O isolamento social levou as pessoas a saírem menos às ruas, e reduzir gastos com diferentes itens ligados à mobilidade: carros, combustíveis e calçados. Foram estes os setores arrecadadores de ICMS que registraram maior impacto.
"Primeiro, foi a queda em calçados e vestuário, e segundo, de veículos, especialmente entre abril e agosto. No setor de calçados e vestuário a arrecadação em relação a 2019 caiu R$ 600 milhões, nos veículos caiu R$ 200 milhões e nos combustíveis R$ 430 milhões", lista o secretário estadual da Fazenda.
Alguns poucos segmentos tiveram crescimento, amenizando os danos no caixa, como o varejo de supermercados, alimentos em geral e venda de produtos de maior necessidade, com incremento de R$ 650 milhões em relação a 2019.
"São comportamentos bem extremos entre os setores. Ainda estamos apurando os dados de 2021, que devem trazer retração consequente desse período de isolamento social", antecipa Cardoso.
No Estado como um todo, no sentido mais amplo, houve retração grande na arrecadação com serviços, cujo imposto, o ISS, vai direto para os cofres municipais, alerta o secretário. Nestes 12 meses, destaca, entre os setores mais afetados pela pandemia estão turismo e eventos.
"São grandes recolhedores de ISS, mas além de afetar cofres municipais, atinge o ICMS do Estado também porque afetou diretamente a renda das pessoas que trabalham com essas atividades, causando um reflexo grande no consumo", explica Cardoso.
A partir de setembro, o Rio Grande do Sul chegou a registrar certa retomada no setor de construção, com obras em imóveis e reforma de residências, especialmente nas classes média e de alta renda, o que se refletiu no ICMS do último trimestre de 2020. Por outro lado, o Estado precisou, constantemente, injetar mais dinheiro na Saúde.
Em relação ao ano anterior, como consequência direta da pandemia, além do aporte de recursos federais vinculados à Saúde, de R$ 820 milhões, outros cerca de R$ 400 milhões extras foram direcionados para este fim com recursos próprios do Estado. E, ao contrário do que possa parecer, diz Cardoso, não houve menos despesas na educação devido à redução de atividades em meio ao isolamento social.
"Na pasta, o grande gasto é com pessoal. Se economizou um pouco na parte de custeio, mas houve demandas maiores por treinamento na questão de aulas digitais, compra de EPIs para proteção dos servidores e álcool gel para que as escolas pudessem reabrir. Esse gasto ficou relativamente estável", assegura o secretário.

Ajustes realizados em 2019 ajudaram a reduzir as dificuldades do ano passado

Manter todos os investimentos neste período de arrecadação menor só foi possível, acrescenta o secretário estadual da Fazenda, Marco Aurélio Cardoso, porque o governo conseguiu em 2019 aprovar a reforma administrativa, com reduções no custeio da estrutura da máquina pública e mudanças no sistema de Previdência. Não fosse por isso, nos períodos mais críticos, quando a arrecadação do ICMS despencou até 30%, não haveria recursos para manter o sistema funcionando nem direcionar valores para a saúde.
"Vale lembrar que os repasses federais só vieram no segundo semestre, após 90 dias em queda acelerada da arrecadação com ICMS (que apenas em abril caiu 27,9%). Sem os ajustes anteriores, promovido pelo governo, não teria sido possível aguentar aquele período", avalia Cardoso.
A redução no custeio interno foi na ordem de R$ 100 milhões e as despesas previdenciárias caíram R$ 673 milhões, fruto do aumento da contribuição dos servidores, reduzindo o déficit previdenciário. Cardoso destaca ainda que, em 2019, o governo de Eduardo Leite havia regularizado muitas pendências de repasse de valores atrasados aos hospitais gaúchos.
"Sem isso, a situação seria ainda mais complicada para atender as necessidades da Covid-19. E, por outro lado, não cortamos ações que eram importantes mesmo em meio à crise. Por exemplo como os gastos com a pasta da agricultura, que necessitou mais recursos em função da estiagem", acrescenta Cardoso.
Com o programa de perfuração de poços e açudes e apoio à irrigação, assegura, o Estado teve um aumento de quase R$ 100 milhões paras a pasta. A arrecadação do agronegócio, no entanto, foi duramente afetada, mesmo com a alta nas commodities. O PIB do setor, de acordo com a o Departamento de Economia e Estatística (DEE) da Secretaria Estadual de Planejamento, Governança e Gestão, caiu 29,6% no desempenho do ano.
"Contudo, claro que os preços aumentando em função de exportações e dólar evitaram que o Estado tivesse enfrentado uma crise ainda maior do que se houvesse apenas a estiagem, sem a melhora nas cotações. Houve uma mitigação dos danos econômicos", pondera Cardoso. (Thiago Copetti)
 
Os efeitos da Covid-19 no PIB gaúcho

O Produto Interno Bruto (PIB) do Rio Grande do Sul caiu 7% em 2020. Deste total, 4,3 pontos percentuais são ligados diretamente à pandemia. Os outros 2,7 pontos seria vinculados à estiagem.
  • Na Indústria, os setores mais duramente afetados, por demanda retraída ou por problemas para operar as linhas de produção (como falta de matérias-primas), foram Móveis (-10,0%), Couros e calçados (-21,9%) e Veículos, reboques e carrocerias (-21,9%).
  • Na área de serviços as maiores retrações foram nas categorias Outros serviços (-12%, o que inclui hotelaria e restaurantes) e comércio (5,4%).
  • Dentro do comércio, que impactou diretamente na arrecadação de ICMS, as maiores reduções foram em Livros, jornais, revistas e papelaria (-34,4%), em Tecidos, vestuário e calçados (-28,8%), venda de veículos (-20,2%) e Equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação (-18,8%).
  • Com isso, além de não crescer o equivalente a inflação oficial de 2020 (4,52 %), o PIB do Estado encolheu de R$ 480,577 bilhões em 2019 para R$ 473,419 bilhões.
Fonte: DEE/SPGG

Indústria sente impacto de forma distinta

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ARTE JC
Jefferson Klein
A Covid-19 impactou a economia do Brasil e do Rio Grande do Sul como um todo - contudo, alguns segmentos foram mais resilientes que outros. Conforme dados da Fiergs e da Secretaria da Fazenda gaúcha, no Estado, dentro do setor industrial, as áreas que sofreram mais com a pandemia foram as de couro e calçados e de veículos automotores. Por outro lado, alimentos, produtos de metal, papel e plásticos tiveram aumentos de vendas.
De uma maneira em geral, levantamento da Fiergs aponta que o desempenho da indústria de transformação gaúcha, entre março a dezembro de 2020, teve quedas de 6,4% em produção física, 3% em faturamento real e um saldo negativo de vagas de emprego na ordem de 16.871, em relação ao mesmo período do ano anterior. "Como fato inesperado, a pandemia obrigou as empresas a agirem rapidamente em várias frentes para dar conta do cancelamento dos pedidos e projetos" comenta o presidente da Fiergs, Gilberto Petry.
De acordo com dados da Secretaria da Fazenda, o coureiro-calçadista foi o segmento mais impactado, com uma queda de vendas de 19,6% no acumulado entre 16 de março do ano passado e 28 de fevereiro de 2021. "O couro e calçado até recuperou um pouco, com a reabertura das atividades, mas para o de veículos automotores a retomada está mais distante", aponta o economista-chefe da Fiergs, André Nunes de Nunes. Ele lembra que esses setores foram atingidos com uma intensa redução de comercialização tanto no mercado interno como no externo.
No caso dos calçados, o economista argumenta que muitas coleções que seriam produzidas foram canceladas e a necessidade das pessoas ficarem mais em casa também fez com que o consumo caísse bastante. O presidente executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), Haroldo Ferreira, admite que o setor foi um dos mais atingidos pela pandemia. Ele destaca que a produção nacional de calçados no ano passado atingiu cerca de 720 milhões de pares, uma retração de 20,8% em relação a 2019. "Isso nos remeteu a patamares de 16 anos atrás", comenta o dirigente.
As exportações também foram atingidas, sendo que foram comercializados no mercado externo em 2020 cerca de 93,8 milhões de pares (redução de 18,6% em relação ao período anterior), o que significou um resultado de US$ 658,3 milhões (diminuição de 32,3% - desempenho também afetado devido à valorização do dólar ante ao real). O panorama adverso refletiu ainda nos empregos, com o setor fechando 2020 com 247,68 mil postos de trabalho, uma queda de 7,9%.
Ferreira ressalta que o resultado do Rio Grande do Sul não foi muito diferente do verificado na média nacional. Entre as causas que implicaram esses efeitos negativos, o dirigente cita as restrições que impediram que as pessoas fossem nas lojas e experimentassem os produtos. Com o começo de 2021 apresentando dados mais promissores (a produção de calçados no País teve um incremento de 7% em janeiro deste ano contra o mesmo mês em 2020), a Abicalçados se permitiu ser mais otimista com as previsões. A expectativa inicial para 2021 era de uma elevação de 14,1% na produção de calçados e de 14,9% nas exportações.
No entanto, Ferreira adverte que esse número será revisado, devido aos novos cenários que se apresentaram quanto ao coronavírus. A atualização da projeção ocorrerá após o fechamento do primeiro trimestre. "A situação para 2021 é bastante delicada", diz o dirigente.

Diminuição do poder aquisitivo dos consumidores preocupa empresas

Apesar dos bons resultados, uma apreensão do setor da alimentação para 2021 é a perda do poder aquisitivo da população, que implicaria a queda de consumo, gerando retração em alguns segmentos. Outro problema, citado pelo presidente do Sindicato das Indústrias da Alimentação do Estado do Rio Grande do Sul (SIA), Marcos Oderich, é que o ambiente incerto que se apresenta atualmente torna difícil realizar planejamentos para o futuro.
O dirigente frisa que os segmentos que menos foram afetados e até mesmo cresceram durante a pandemia foram os que tinham condições de vender seus produtos para o consumo doméstico e não os voltados para estabelecimentos como restaurantes e bares, que enfrentaram várias segu restrições de funcionamento. Particularmente na área em que o grupo Oderich atua, a de conservas, o empresário diz que houve aumento de comercialização, assim como se verificou com temperos, balas e chocolates.
Porém, o dirigente reforça que, até por problemas enfrentados por fornecedores da cadeia, como os fabricantes de embalagens, percebeu-se uma elevada inflação do custo dos produtos que são insumos importantes para a indústria da alimentação. “Subiu mais de dois dígitos (acima de 10%) e em alguns casos até três dígitos (superior a 100%), como é o caso do plástico, vidro, papel e papelão”, aponta Oderich. Dentro desse contexto, o integrante do SIA argumenta que um bom desempenho de alguns segmentos da alimentação em questão de volumes, não significa necessariamente um excelente resultado financeiro. Segundo ele, há uma resistência muito grande do varejo para que esses aumentos de custos sejam repassados. (Jefferson Klein)
 
 

Insegurança dos consumidores quanto aos reflexos da crise refreou vendas de veículos

Sem saber o que esperar da economia, compradores postergaram decisão de adquirir um carro
Sem saber o que esperar da economia, compradores postergaram decisão de adquirir um carro
/NÍCOLAS CHIDEM/arquivo/JC
Jefferson Klein
Quanto ao mercado de veículos, a pandemia gerou um clima de incerteza na economia que fez com que muitos compradores optassem por postergar a decisão de adquirir esses bens. O presidente do Fenabrave/Sincodiv-RS, Paulo Siqueira, destaca que, em decorrência do coronavírus, houve severas restrições em geral, tanto na indústria quanto no varejo da cadeia automobilística.
Conforme o dirigente, entre março e abril do ano passado, o mercado brasileiro registrou um déficit de cerca de 80% nas vendas de veículos. "Ao final de 2020, houve uma recuperação e a queda acabou não sendo tão acentuada (em torno de 20%)", aponta Siqueira.
O presidente do Fenabrave/Sincodiv-RS afirma que 2021 começou com uma expectativa otimista e o setor de automóveis projetava um crescimento de 20%, em relação ao ano anterior. Porém, a nova onda da Covid-19 deixou mais complexa a realização de previsões. Sendo assim, Siqueira diz que fica difícil estimar um percentual de incremento para este ano, mas calcula que, apesar das dificuldades, com o avanço da vacinação, o resultado deverá ser positivo. (Jefferson Klein)
 

Arroz é destaque entre alimentos

De março de 2020 a fevereiro deste ano, vendas do cereal cresceram 37%
De março de 2020 a fevereiro deste ano, vendas do cereal cresceram 37%
/Sindiveg/Divulgação/JC
Um setor que claramente passou por menos instabilidade durante a pandemia foi o de alimentos (apesar de muitos restaurantes e bares terem que interromper as suas atividades em diversas ocasiões, o consumo doméstico fez com que as empresas que atuam nessa área não sofressem tanto).
Dentro desse universo, o arroz verificou um desempenho excepcional. Segundo informações da Secretaria Estadual da Fazenda, no acumulado entre 16 de março de 2020 e 28 de fevereiro deste ano, as vendas do cereal registraram uma elevação de 37%.
O presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), Alexandre Velho, destaca que o arroz faz parte da cesta básica e, mesmo com uma elevação no patamar dos seus preços, continua sendo um produto acessível para os consumidores. "Uma família de quatro pessoas não gasta mais do que R$ 25,00 a R$ 30,00, por mês, comendo arroz todos os dias", calcula o dirigente.
Velho comenta que o incremento de demanda no Brasil, somado a um dólar valorizado, que facilitou as exportações, e a diminuição da área plantada, provocou o aquecimento dos preços do produto. Para 2021, o presidente da Federarroz espera a manutenção dos preços do cereal, apesar de admitir a preocupação quanto à pressão nos custos de produção devido à menor disponibilidade de matérias-primas para os fertilizantes.
Além do arroz, as vendas das carnes de frango e suína também tiveram bom desempenho durante a pandemia. O presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, reforça que as empresas que atuam nesse campo foram consideradas de atividades essenciais. "Nós tivemos a responsabilidade de produzir comida para as pessoas", enfatiza o dirigente. Ele ressalta ainda que o segmento lida com a criação de animais, que hoje contabiliza cerca de 1 bilhão de frangos e algo em torno de 40 milhões de suínos. "Esse ativo que está aí não pode parar", argumenta.
No caso do frango, no mercado interno, Santin informa que houve um aumento na oferta no ano passado, em volume, entre 6% a 7%, e as exportações tiveram um incremento de 0,4%. Já os suínos verificaram uma elevação de produção de 0,5% no mercado nacional e alta de 36% nas vendas externas. O presidente da ABPA resume em uma frase o principal fator que fez com que o setor não fosse tão impactado pela pandemia: "todo mundo tem que comer". (Jefferson Klein)

Crise atinge Vaticano e leva à redução salarial

Pontífice anunciou que, a partir de 1 de abril, vencimentos serão reduzidos de acordo com cargos
Pontífice anunciou que, a partir de 1 de abril, vencimentos serão reduzidos de acordo com cargos
/ANDREAS SOLARO/AFP/JC
Os reflexos econômicos da pandemia não pouparam nem mesmo o menor país do mundo. O papa Francisco decidiu cortar os salários de cardeais e clérigos em razão do agravamento da crise econômica no Vaticano causada pela pandemia de coronavírus. Um alto prelado do Vaticano disse que esta seria a primeira vez que a medida foi tomada.
Em uma carta apostólica publicada na semana passada, o papa anunciou que a partir de 1 de abril o salário dos cardeais será reduzido em 10%, e o dos chefes e secretários de ministérios em 8%. Clérigos e religiosos terão o pagamento reduzido em 3%. "Um futuro economicamente sustentável requer hoje, entre outras decisões, a adoção de medidas relativas aos salários dos funcionários", escreveu o papa.
Ele considera que as despesas devem ser contidas e por isso decidiu intervir "segundo critérios de proporcionalidade e progressividade" com ajustes que afetam especialmente os clérigos, os religiosos e os níveis mais altos de remuneração, informou o site Vaticano News.
 Acredita-se que cardeais que trabalham no Vaticano e vivem lá ou em Roma recebem cerca de € 4 mil a € 5 mil (R$ 26.520 a R$ 33.150) por mês, e muitos moram em apartamentos grandes com aluguéis abaixo do mercado.
 Francisco, de 84 anos, vem de família da classe trabalhadora e sempre insistiu que não quer despedir pessoas em tempos econômicos difíceis. A decisão foi tomada em razão do "déficit que há vários anos marca a gestão econômica da Santa Sé" e, sobretudo, pela situação provocada pela pandemia, "que afetou negativamente todas as fontes de receitas da Santa Sé", explicou o papa no documento.
 Os aumentos salariais por tempo de serviço também estão suspensos por dois anos para todos os funcionários de nível 4 e superiores. As contas do Vaticano estão no vermelho pela queda nas doações (25%), à perda líquida de receita dos Museus do Vaticano (85%) e às reduções que teve de aplicar em 2020 aos aluguéis de suas instalações para empresas em crise após o ano sombrio causado pela pandemia.
A Cúria Romana, administração central da Igreja Católica que agrupa 60 entidades ao serviço do papa, registrou um buraco "da ordem dos € 90 milhões" (cerca de R$ 600 milhões), nas suas contas de 2020, em comparação a um déficit de € 11 milhões (cerca de R$ 73 milhões) em 2019.
 

Para os EUA, recuperação da economia depende da vacinação

A secretária do Tesouro dos Estados Unidos, Janet Yellen, afirmou que a vacinação é crítica para a recuperação do nível de atividade no país. Ela ressaltou que as instituições financeiras nos Estados Unidos estão "mais saudáveis hoje" devido sobretudo às ações emergenciais adotadas pelo governo americano e pelo Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) para ajudar a mitigar a recessão provocada pela pandemia do coronavírus.
"É importante reguladores terem atenção sobre riscos administrados pela BlackRock e outras firmas", disse Yellen em resposta à senadora democrata Elizabeth Warren, na qual questionou "de forma hipotética, o que aconteceria à economia do país se a BlackRock, que administra perto de US$ 9 trilhões em ativos", enfrentasse sérios problemas e eventualmente quebrasse. "Riscos enfrentados por assets são diferentes dos enfrentados por bancos", acrescentou.
 

Países europeus voltam a restringir atividades

As infecções por coronavírus têm aumentado em vários países da Europa, principalmente pelo cansaço das populações com os confinamentos prolongados e pelo aumento da circulação e dos contatos. No entanto, a adoção de medidas que voltem a reduzir o número de pessoas nas ruas e adoção rígida dos protocolos sanitários tem sido a forma de os governos tentarem reverter o quadro da terceira onda no continente europeu. 
Os governos federal e regionais belgas, por exemplo,  endureceram as restrições de circulação no país, devido à duplicação no número quinzenal de novos casos e ao aumento no número de hospitalizações.
Segundo o conselho que orienta medidas contra a Covid-19 no país, a taxa de testes positivos aumentou na última semana, principalmente entre adolescentes (10-19 anos) e na faixa de 40 a 64 anos. A maioria das contaminações ocorreu em escolas e no trabalho, segundo o governo.
Até o dia 25 de abril, no máximo quatro pessoas de famílias diferentes podem se reunir ao ar livre, e lojas não essenciais só podem receber clientes com hora marcada e limite de ocupação, de acordo com o tamanho da loja.
As aulas foram suspensas em todos os níveis de ensino de 29 de março a 2 de abril, a não ser no caso das creches e de crianças cujos pais sejam trabalhadores considerados essenciais (como profissionais de saúde). Serviços como cabeleireiros, manicures, massagistas e tatuadores voltaram a ser suspensos. O governo também vai aumentar a fiscalização sobre o trabalho remoto.
 

Descontrole da Covid-19 no Brasil leva a restrições por países vizinhos

Lacalle Pou anunciou medidas, como fechamento de lojas de fronteira, após identificar variante brasileira do vírus
Lacalle Pou anunciou medidas, como fechamento de lojas de fronteira, após identificar variante brasileira do vírus
/PABLO PORCIUNCULA/AFP/JC
Peru e Colômbia proibiram voos do Brasil. O Uruguai mandou mais doses de vacinas para a fronteira com o Rio Grande do Sul. O Chile prevê possível quarentena para quem chega do Brasil. Os argentinos impuseram restrições à entrada de brasileiros e a Venezuela tem medo da variante surgida no País.
Nesta sexta-feira (26), foi a vez da Argentina anunciar a suspensão de voos do Brasil, Chile e México a partir de sábado (27) para evitar que linhagens diferentes do novo coronavírus entrem no país, enquanto se prepara para uma segunda onda de infecções.
O governo argentino informou, em comunicado, que as medidas, que incluem exames e isolamento obrigatório de cidadãos voltando de outras regiões, entrarão em vigor amanhã. "Até segunda ordem, voos rotineiros do Chile, Brasil e México serão suspensos", disse o comunicado.
Líder de contaminações e mortes em números absolutos e relativos na região, o Brasil desperta preocupação nos vizinhos. Há alguns dias, a Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou ter grande preocupação com a letalidade e a transmissão do vírus entre os brasileiros. "Se o Brasil não for sério, continuará afetando sua vizinhança - e além", afirmou Tedros Adhanom, diretor da OMS. O Brasil é o terceiro país com mais vizinhos no planeta - faz fronteira com 9 nações, além da Guiana Francesa, ficando atrás de Rússia e China. "Muitos estão caminhando na direção certa, mas não é o caso do Brasil", criticou Mark Ryan, da cúpula da OMS.
Embora tenha 3% da população mundial, hoje um em cada quatro mortos por covid no mundo é brasileiro. O País registra ainda recordes negativos em sua média de mortes desde o início de março, mostrando que a pandemia está em seu pior momento.
Para Marcos Azambuja, ex-embaixador do Brasil na Argentina, o País precisa "voltar aos trilhos" e agir depressa no momento em que a pandemia perde força em outras partes do mundo, com a vacinação. "O Brasil não pode ser retardatário. Não pode se transformar num pária sanitário do planeta", disse.
 "Como grande laboratório da imunidade de rebanho, o Brasil tornou-se uma ameaça para a segurança da saúde global", afirma a professora Deisy Ventura, coordenadora da pós-graduação em saúde global da USP. "Além de sequelas, mortes evitáveis e do custo para o sistema de saúde em insumos e leitos, a disseminação do vírus favorece mutações virais e novas variantes."
As restrições afetam ainda os clubes brasileiros que disputam a Copa Libertadores. No início do mês, a Conmebol transferiu o jogo entre Ayacucho e Grêmio do Peru para o Equador. A mudança foi necessária em razão do veto imposto pelas autoridades peruanas à entrada de brasileiros. Os peruanos jogaram no Brasil, já que a tradicional regra de reciprocidade adotada entre nações não se aplica a normas sanitárias. Os brasileiros, portanto, têm recebido tratamento diferente nos países vizinhos em relação ao dispensado a eles aqui.
Ao todo, 108 países impedem a entrada livre de brasileiros ou turistas que tenham passado por aeroportos no País, segundo levantamento do Estadão, com base em dados da Associação Internacional de Transportes Aéreos (Iata), sites de agências de viagens e contatos com as embaixadas no Brasil.
O presidente do Uruguai, Luis Lacalle Pou, determinou o fechamento de repartições públicas entre outras medidas, que visam "reduzir a mobilidade" para conter a forte escalada das infecções por Covid-19. O país vizinho, que chegou a ser exemplo na região no início da pandemia, adotou medidas mais restritivas após a descoberta da variante brasileira no Uruguai.
Como parte do pacote, estão o fechamento de todos os serviços públicos, exceto os essenciais; a suspensão de aulas presenciais e espetáculos públicos; fechamento de ginásios e lojas na fronteira.
 

Portugal prorroga estado de emergência por 15 dias e Alemanha testa passageiros

O governo de Portugal anunciou, na quinta-feira passada (25), a extensão da emergência em todo o país por 15 dias.
No entanto, caso os números de infecções apresentarem queda, é possível que museus, restaurantes e mercados sejam reabertos antes do previsto.
De acordo com a legislação portuguesa, o estado de emergência é limitado a 15 dias, mas pode ser prorrogado indefinidamente por períodos de duas semanas. O país começou a afrouxar as restrições em 15 de março, reabrindo livrarias, creches, pré-escolas, escolas primárias e cabeleireiros.
Por medida acordada em meados de março, os portugueses não podem se deslocar entre os municípios entre amanhã e 5 de abril, durante o período que é tradicionalmente movimentado por causa do feriado de Páscoa.
Na tendência de intensificar as medidas de restrição na Europa, o Ministério da Saúde da Alemanha anunciou que todas as pessoas que chegarem ao país devem apresentar um teste de Covid-19 negativo antes da partida a partir deste domingo (28). Segundo o anúncio, o exame deve ter menos de 48 horas e ser pago pelo passageiro.
As companhias aéreas estão fazendo centenas de voos extras para lidar com o aumento na demanda, pressionando o governo para encontrar maneiras de garantir que os turistas que retornam não piorem a propagação da Covid na Alemanha. A medida visa a alta movimentação do feriado de Páscoa.
Esta será a primeira vez que a Alemanha está introduzindo uma obrigação de teste geral para todos os passageiros com destino ao país. Anteriormente, apenas aqueles vindos de áreas de risco eram obrigados a fazer quarentena ou a realizar o teste antes de entrar no país.
Na semana passada, a Alemanha bateu seu recorde na contagem diária desde 14 de janeiro. Em 24h, surgiram 22.657 novos casos e foram registradas 228 mortes por Covid-19 em 24h. Para ter a flexibilização, a ideia da nação era reduzir para 50 novos casos semanais a cada 100 mil residentes.
 
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