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Conjuntura

- Publicada em 20h45min, 04/04/2021.

Pandemia afeta indústria de maneira distinta

Jefferson Klein
RETRANCA PAG 8 - Pandemia afeta indústria de maneira distinta
RETRANCA PAG 8 - Pandemia afeta indústria de maneira distinta
Passado cerca de um ano do início da pandemia de coronavírus no Brasil, alguns segmentos aumentaram vendas e outros diminuíram
Jefferson Klein
A Covid-19 impactou a economia do Brasil e do Rio Grande do Sul como um todo, contudo alguns segmentos foram mais resilientes que outros. Conforme dados da Fiergs e da Secretaria da Fazenda gaúcha, no Estado, dentro do setor industrial, as áreas que sofreram mais com a pandemia foram as de couro e calçados e de veículos automotores. Por outro lado, alimentos, produtos de metal, papel e plásticos tiveram aumentos de vendas.
De uma maneira em geral, levantamento da Fiergs aponta que o desempenho da indústria de transformação gaúcha, entre março a dezembro de 2020, teve quedas de 6,4% em produção física, 3% em faturamento real e um saldo negativo de vagas de emprego na ordem de 16.871, em relação ao mesmo período do ano anterior. “Como fato inesperado, a pandemia obrigou as empresas a agirem rapidamente em várias frentes para dar conta do cancelamento dos pedidos e projetos” comenta o presidente da Fiergs, Gilberto Petry.
De acordo com dados da Secretaria da Fazenda, o coureiro-calçadista foi o segmento mais impactado, com uma queda de vendas de 19,6% no acumulado entre 16 de março do ano passado e 28 de fevereiro de 2021. “O couro e calçado até recuperou um pouco, com a reabertura das atividades, mas para o de veículos automotores a retomada está mais distante”, aponta o economista-chefe da Fiergs, André Nunes de Nunes. Ele lembra que esses setores foram atingidos com uma intensa redução de comercialização tanto no mercado interno como no externo.
No caso dos calçados, o economista argumenta que muitas coleções que seriam produzidas foram canceladas e a necessidade das pessoas ficarem mais em casa também fez com que o consumo caísse bastante. O presidente executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), Haroldo Ferreira, admite que o setor foi um dos mais atingidos pela pandemia. Ele destaca que a produção nacional de calçados no ano passado atingiu cerca de 720 milhões de pares, uma retração de 20,8% em relação a 2019. “Isso nos remeteu a patamares de 16 anos atrás”, comenta o dirigente.
As exportações também foram atingidas, sendo que foram comercializados no mercado externo em 2020 cerca de 93,8 milhões de pares (redução de 18,6% em relação ao período anterior), o que significou um resultado de US$ 658,3 milhões (diminuição de 32,3% - desempenho também afetado devido à valorização do dólar ante ao real). O panorama adverso refletiu ainda nos empregos, com o setor fechando 2020 com 247,68 mil postos de trabalho, uma queda de 7,9%.
Ferreira ressalta que o resultado do Rio Grande do Sul não foi muito diferente do verificado na média nacional. Entre as causas que implicaram esses efeitos negativos, o dirigente cita as restrições que impediram que as pessoas fossem nas lojas e experimentassem os produtos. Com o começo de 2021 apresentando dados mais promissores (a produção de calçados no País teve um incremento de 7% em janeiro deste ano contra o mesmo mês em 2020), a Abicalçados se permitiu ser mais otimista com as previsões. A expectativa inicial para 2021 era de uma elevação de 14,1% na produção de calçados e de 14,9% nas exportações.
No entanto, Ferreira adverte que esse número será revisado, devido aos novos cenários que se apresentaram quanto ao coronavírus. A atualização da projeção ocorrerá após o fechamento do primeiro trimestre. “A situação para 2021 é bastante delicada”, diz o presidente executivo da Abicalçados. Contudo, ele frisa que a perspectiva ainda é que este ano seja melhor que 2020.

Insegurança refreou vendas de veículos

Quanto ao mercado de veículos, a pandemia gerou um clima de incerteza na economia que fez com que muitos compradores optassem por postergar a decisão de adquirir esses bens. O presidente do Fenabrave/Sincodiv-RS, Paulo Siqueira, destaca que, em decorrência do coronavírus, houve severas restrições em geral, tanto na indústria como no varejo da cadeia automobilística.
Conforme o dirigente, entre março e abril do ano passado o mercado brasileiro registrou um déficit de cerca de 80% nas vendas de veículos. “Ao final de 2020, houve uma recuperação e a queda acabou não sendo tão acentuada (em torno de 20%)”, aponta Siqueira.
O presidente do Fenabrave/Sincodiv-RS afirma que 2021 começou com uma expectativa otimista e o setor de automóveis projetava um crescimento de 20%, em relação ao ano anterior. Porém, a nova onda da Covid-19 deixou mais complexa a realização de previsões. Sendo assim, Siqueira diz que fica difícil estimar um percentual de incremento para este ano, mas calcula que, apesar das dificuldades, com o avanço da vacinação, o resultado deverá ser positivo.
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