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Com a palavra Rafael Weber

- Publicada em 03h00min, 22/03/2021.

Gaúcha África Seguros agora é Hatteras, operação com sede em SC

Fundador da África Seguros, Rafael Weber agora é sócio e Head de Negócios da Hatteras

Fundador da África Seguros, Rafael Weber agora é sócio e Head de Negócios da Hatteras


/Ismael Steffen/Divulgação/JC
Vinicius Appel

Com sete anos de experiência em operações de seguro corporativo, Rafael Weber decidiu, em 2018, utilizar o período de non-compete, quando não poderia trabalhar por uma empresa do mesmo ramo em que atuava, para fazer um benchmarking, estudando o que o restante do mundo estava fazendo. Decidido de que só fundaria uma empresa própria se entendesse que existia um modelo de operação de seguros diferente do comum, buscou entender melhor o que estava acontecendo no Vale do Silício, nos Estados Unidos, e na China.

Com sete anos de experiência em operações de seguro corporativo, Rafael Weber decidiu, em 2018, utilizar o período de non-compete, quando não poderia trabalhar por uma empresa do mesmo ramo em que atuava, para fazer um benchmarking, estudando o que o restante do mundo estava fazendo. Decidido de que só fundaria uma empresa própria se entendesse que existia um modelo de operação de seguros diferente do comum, buscou entender melhor o que estava acontecendo no Vale do Silício, nos Estados Unidos, e na China.

Com o objetivo de fazer diferente do que era praticado por outras empresas do ramo, Weber planejou uma operação com foco em resolver os problemas dos clientes. Foi assim que surgiu, em agosto de 2018, a África Seguros, que possuía sede em Porto Alegre até outubro de 2020, quando anunciou a associação a um grupo empresarial catarinense e a mudança de nome para Hatteras. A operação passou a ser administrada pela holding Hatteras e mudou sua sede para a cidade de Itajaí, em Santa Catarina.

JC Empresas & Negócios - Como foi tomada essa decisão de se associar a uma empresa catarinense?

Rafael Weber - A África Seguros atendia um dos fornecedores do grupo. Nós desenvolvemos uma apólice de seguro única no Brasil para operação dos aeroportos, e o formato de trabalho desenvolvido chamou a atenção. Houve o interesse do grupo pelo modelo de negócio porque entenderam que era um modelo diferente, que colocava o cliente no centro. Então iniciou a negociação para analisar de que maneira poderíamos ampliar e escalar esse modelo de negócio.

E&N - Quais foram as mudanças no formato de operação da empresa?

Weber - Saímos de Porto Alegre e viemos para Itajaí, onde a Hatteras passa a fazer parte do grupo, junto de outras empresas de diversos segmentos e presentes em diversos Estados que, na soma, passa de 500 colaboradores e que trabalha também de uma forma um pouco diferente e inovadora, com pessoas multidisciplinares. Por exemplo, nós temos a nossa Head de Contratos que atua tanto na Hatteras quanto nas outras empresas do grupo. É uma das inteligências desse modelo de negócios. Começamos a trabalhar os seguros com essa base de clientes que o grupo já tinha em outras empresas e tem sido um tremendo sucesso. Conseguimos crescer em torno de 18% de novembro até o começo de março. Quatro meses de operação e, na realidade, estamos terminando a transição agora.

E&N - Como surgiu o nome Hatteras?

Weber - Hatteras é o farol mais alto da América do Norte. O farol serve para uma analogia à nossa holding, que procura despertar confiança e mais solidez. Se a gente analisar, a função primordial do farol é guiar embarcações com segurança pelos mares. Nessa analogia a Hatteras é um farol que guia os clientes para que eles atravessem seus caminhos em segurança. Outra coisa, o farol é uma ideia que atravessou séculos, então é mais ou menos a analogia com seguro, mesmo atravessando séculos e ainda sendo uma questão tradicional, é uma ferramenta importante para os navegadores. O farol guia as embarcações e a gente quer guiar as empresas.

E&N - Após a mudança da sede para Santa Catarina, a empresa segue atuando no Rio Grande do Sul?

Weber - A sede do grupo é em Santa Catarina, mas a empresa segue operando no Rio Grande do Sul. Hoje, nós temos clientes em 16 estados do Brasil e, de uma forma ou de outra, a gente está presente. Por exemplo, o grupo tem operação em Recife com uma das empresas e, querendo ou não, a Hatteras passa a estar presente em Recife também.

E&N - Por quais adaptações a empresa precisou passar em razão da pandemia?

Weber - Aí está o grande segredo. Em 2018, quando fui fazer esse benchmarking do Vale do Silício e da China, entendi que não fazia mais sentido as corretoras terem as estruturas que elas tinham, os espaços físicos. Então a África já foi fundada nesse modelo de negócio inovador e, quando iniciou a pandemia, a gente não precisou adaptar absolutamente nada. Não precisamos reunir a equipe e dizer "a partir de amanhã funciona assim", pelo contrário, validou aquele modelo de negócio que a gente acreditava e que, agora, muitos passam a acreditar por conta da pandemia. Esse é um dado curioso porque, quando a África era apenas uma ideia, em 2018, eu mostrava o modelo de negócio que eu estava propondo e a pergunta que eu mais ouvia era se isso iria dar certo. Era algo completamente diferente do que as seguradoras faziam no mercado. Essa questão de home-office era uma tendência que ia acontecer nos próximos quatro ou cinco anos e eu brinco que a pandemia validou o negócio da África Seguros ao invés da gente ter que se reestruturar. Crescemos 53% no ano passado e hoje corretores de seguradoras brincam comigo dizendo que lá atrás achavam que era loucura, mas que agora tudo faz sentido.

E&N - Quais os objetivos da Hatteras para os próximos meses deste ano?

Weber - A gente brinca que o propósito da Hatteras é o coração e a alma da empresa e é o que a gente busca comunicar, que é capacitar as empresas para crescerem seguras. Então o grande objetivo é escalar essa operação levando conhecimento e educação ao maior número de empresas e ao maior número de empresários possíveis, gerando essa tranquilidade e questionando de fato se os contratos atuais estão corretos e se as empresas estão estruturadas para crescerem de forma segura. O cenário mostra que 90% dos sinistros, quando ocorrem, trazem surpresas desagradáveis, então o nosso trabalho é, antes de formatar o contrato, eliminar estas surpresas ou, no caso daquelas que não se pode eliminar, informar ao cliente para que ele esteja preparado e tenha um plano de contingência que vá além do seguro. A minha visão é que as empresas precisam descobrir os propósitos dela, não porque isso virou moda ou é bonito falar, mas para entenderem qual é de fato o coração e a alma da empresa. O propósito da Hatteras define o significado que a marca tem na vida dos nossos clientes e motiva eles a utilizarem nossos serviços, não apenas porque a gente tem qualidade ou oferece o melhor preço, mas porque contribui para uma causa maior que é capacitar as empresas para crescerem seguras. Então o objetivo central é escalar essa operação, mas escalar ela alinhada ao propósito, não em quantidade, mas sim em qualidade.

E&N - Quais são os planos da empresa para os próximos anos?

Weber - A gente tem um grande projeto, que eu não posso abrir, mas que pode ser capaz de surpreender o mercado de seguro corporativo. Em cima disso é que estamos caminhando para os próximos anos. Trabalhamos muito nos horizontes da inovação. No horizonte 1, a intenção é fazer melhor, mais rápido ou mais barato do que a gente faz hoje. No horizonte 2, resolver algumas questões emergentes como a transformação digital no backoffice. Transformar processos que ainda são analógicos em digitais junto aos clientes. No horizonte 3, que é o novo, o horizonte mais à frente, a gente já está no desenvolvimento de um projeto amplo, que esperamos conseguir colocar no mercado em até dois anos e que pode escalar a operação de capacitar as empresas para crescerem seguras.

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