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Com a palavra

- Publicada em 21h20min, 07/03/2021. Atualizada em 12h51min, 08/03/2021.

Comando feminino na Termolar aquece expectativas para 2021

No comando da empresa, Natalie Ardrizzo espera primeiro semestre ainda difícil

No comando da empresa, Natalie Ardrizzo espera primeiro semestre ainda difícil


MARIANA ALVE/JC
Patrícia Comunello
Para enfrentar 2020 e atravessar 2021, dois anos pandêmicos, Natalie Ardrizzo, 32 anos e presidente da gaúcha Termolar desde 1º de março, aplicou como nunca um conselho herdado do pai, o uruguaio Jorge Ardrizzo, que fundou a empresa em 1958 - ele faleceu em 2016. "Meu pai dizia que não se deve dar 20 passos em um dia, mas um passinho por vez em direção ao objetivo. Isso se chama constância", recorda Natalie, que agregou à referência paterna ensinamentos de dez anos praticando jiu-jitsu, esporte que é faixa roxa. Da luta, a administradora emprestou uma habilidade decisiva para qualquer empresário brasileiro, ainda mais agora: a resiliência.
Para enfrentar 2020 e atravessar 2021, dois anos pandêmicos, Natalie Ardrizzo, 32 anos e presidente da gaúcha Termolar desde 1º de março, aplicou como nunca um conselho herdado do pai, o uruguaio Jorge Ardrizzo, que fundou a empresa em 1958 - ele faleceu em 2016. "Meu pai dizia que não se deve dar 20 passos em um dia, mas um passinho por vez em direção ao objetivo. Isso se chama constância", recorda Natalie, que agregou à referência paterna ensinamentos de dez anos praticando jiu-jitsu, esporte que é faixa roxa. Da luta, a administradora emprestou uma habilidade decisiva para qualquer empresário brasileiro, ainda mais agora: a resiliência.
Natalie, que adora participar de discussão e aprovação do design e concepção de novos produtos e recentemente começou a surfar, aponta que o primeiro semestre ainda é de incertezas, mas espera um fechamento do ano "mais significativo". Na Termolar, com sede na Zona Sul de Porto Alegre, a irmã de Carolina, ex-CEO e que agora está no conselho de administração, vai comandar 600 funcionários e escolheu outra mulher para reforçar o time e inspirar mais trabalhadoras a encarar postos de liderança. "As mulheres, às vezes - pode ser até um pouco polêmico falar isso -, são as que não acreditam em seu potencial. Falta um pouco de autoconfiança", provoca a presidente da marca de garrafas térmicas mais conhecida dos gaúchos.  
JC Empresas & Negócios - O que muda com a tua entrada na presidência? 
Natalie Ardrizzo -  Eu já vinha atuando em funções de CEO, mesmo sem ser, devido à gestão compartilhada com minha irmã que estava no posto antes de criarmos a função de presidente. Tomávamos muitas decisões em conjunto, com a ideia de que duas cabeças pensam melhor juntas. O que é diferente agora é que sai minha irmã e também entra a Cláudia Ceolato, nossa funcionária e contabilista, na função de diretora de Operações. Como presidente, estarei envolvida com algumas gerências, como a financeira, que é minha expertise, além de inovação e produto.
E&N - As mulheres ainda enfrentam desafios de reconhecimento para que seja 'normal' ocupar postos de comando? 
Natalie - Tem muito disso, mas as mulheres, às vezes, pode ser até um pouco polêmico falar isso -, são as que não acreditam em seu potencial. Quando convidei a Cláudia para ser diretora, ela não aceitou inicialmente. Precisou de um tempo para maturar a proposta. Enquanto no passado, homens que promovi a gerente não hesitaram em aceitar porque sabiam que eram capazes. As mulheres relutam, por vezes, em achar que têm capacidade de lidar com certas situações. Falta um pouco de autoconfiança. As mulheres estudam mais que os homens, isso está provado, mas precisam se apresentar mais. No nosso caso, a nova diretora de Operações era melhor preparada, com uma visão estratégica, que outros oito gerentes homens que concorriam à função.   
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Cláudia (à esquerda) pediu um tempo para pensar antes de aceitar convite de Natalie para ser diretora. Foto: Mariana Alves/JC
E&N - O critério foi buscar uma mulher? 
Natalie - Esse não foi um fator decisivo. Mas me enche de orgulho saber que é uma mulher, além de ser a profissional que ela é. Ela também decidiu montar um grupo de funcionárias para receber mentoria e serem incentivadas a participar mais na empresa.  
E&N - Como foi o primeiro ano da pandemia para a Termolar?
Natalie - O ano passado foi desafiador devido ao aumento generalizado dos valores das matérias-primas, o que reduziu muito a margem. Tivemos faturamento bruto de cerca de R$ 202 milhões, pouco acima de 2019, que foi de R$ 193 milhões. O dólar e o frete subiram muito e estamos tendo até agora de lutar para conseguir polímeros no mercado, situação que deve continuar no primeiro semestre de 2021. Um contêiner que pagávamos US$ 1,5 mil, antes da pandemia, passou a US$ 9 mil agora. São insumos que vêm da China, Índia e Vietnã, na Ásia. O ano de 2020 comercialmente foi muito favorável. Todo mundo estava querendo nossos produtos, mas não conseguíamos produzir devido à falta de insumos, por que não chegavam a tempo ou por falta de oferta. O fim do ano foi o pior período. 
E&N - Como foi projetar 2021 com este cenário que persiste?
Natalie - Primeiro, seguimos a estratégia de cuidar do caixa, manter a rentabilidade, crescer em produtividade. Também estamos mantendo o investimento em melhorias, equipamentos e novos produtos, com alguns limites devido a esta realidade. Vamos chegar a cerca de R$ 9 milhões em aportes desde 2019, se for confirmada a projeção de R$ 2,5 milhões neste ano. No começo do segundo semestre, vamos cumprir uma dos nossas metas, que é colocar sempre um produto novo por ano no mercado. A novidade deste ano está lindíssima, mas é segredo, por enquanto (risos). Posso dizer que é um produto térmico para casa e que atende o que o público busca. Também já estamos fazendo troca de coleção, com 39 novos modelos e 10 cores novas.   
E&N - Diante de fatores complicados e outros promissores, qual é o resultado esperado?   
Natalie - A gente prevê um crescimento muito bonito este ano (risos). Será de mais de dois dígitos. É possível que a receita bruta avance em torno de 20%, pois há uma demanda reprimida ainda de 2020. O lucro deve ficar abaixo de 20%, porque o cenário ainda é de instabilidade. A gente aposta na força da marca, referência, por exemplo, para conservar água quente para o chimarrão, o forte no Sul, mas que tem como campeã de vendas a garrafa térmica para manter o café quente. Como as pessoas estão mais em casa, isso impulsionou o consumo. A pandemia também fez as vendas on-line crescerem 80%, mas este segmento representa pouco na comercialização total. Vamos ativar um plano estratégico este ano para o e-commerce.
E&N - O que preocupa ainda para o ano?
Natalie - Qualquer empresário vai dizer que é a alta instabilidade da economia, como o dólar, que pode nos desviar da projeção para o ano. Os fatores que pesam mais é o custo de matéria-prima e o abastecimento. Mas estamos otimistas em relação ao segundo semestre e o meu orçamento demonstra isso. No primeiro, o plano é bem realista por causa das dificuldades. Acredito na melhora significativa do abastecimento, dos empregos e do fluxo da atividade no segundo semestre. Se não vier a retomada, já levamos muito nas costas desde 2020: vamos respirar fundo e seguir em frente, o que tem muito a ver com a resiliência do empresariado brasileiro. 
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