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REPORTAGEM ESPECIAL

- Publicada em 21h08min, 21/02/2021. Atualizada em 17h42min, 22/02/2021.

Brasil enfrenta novo jogo no comércio internacional

Nova configuração política do mundo deve trazer alterações nas estratégias de comércio internacional

Nova configuração política do mundo deve trazer alterações nas estratégias de comércio internacional


MARIANA ALVES/JC
Thiago Copetti*
O somatório de pelo menos quatro recentes movimentos no cenário do comércio e das relações internacionais pode ter implicações no fluxo dos negócios globais a partir deste ano, com reflexos para o Brasil. Entre o final de 2020 e este início de 2021 o mundo assistiu ao começo de um novo governo nos Estados Unidos, à efetiva saída do Reino Unido da União Europeia (UE) - no chamado Brexit - e um amplo acordo comercial que reuniu 14 países na região da Ásia-Pacífico. Quase encerrando 2020, um tratado com foco financeiro entre a UE e a China, que passou despercebido por muitos por aqui, também pode reflexos no Brasil.
O somatório de pelo menos quatro recentes movimentos no cenário do comércio e das relações internacionais pode ter implicações no fluxo dos negócios globais a partir deste ano, com reflexos para o Brasil. Entre o final de 2020 e este início de 2021 o mundo assistiu ao começo de um novo governo nos Estados Unidos, à efetiva saída do Reino Unido da União Europeia (UE) - no chamado Brexit - e um amplo acordo comercial que reuniu 14 países na região da Ásia-Pacífico. Quase encerrando 2020, um tratado com foco financeiro entre a UE e a China, que passou despercebido por muitos por aqui, também pode reflexos no Brasil.
Analisar esta nova configuração do mundo passa a ser tanto um desafio quanto uma necessidade em âmbito comercial, de fluxos financeiros, de negócios e também diplomáticos. Parte das mudanças já começaram ou terão início em breve, enquanto outras tendem a se refletir e respigar nas estratégias de empresas multinacionais nos próximos anos. E como antever caminhos e possibilidades é importante ferramenta de inteligência comercial, gestores e analistas brasileiros começam a reposicionar o Brasil neste tabuleiro internacional.
Um dos principais pesos na balança comercial brasileira, e origem de boa parte de nosso saldo positivo, o agronegócio exige atenção em mais de uma esfera - tanto com abertura de mercados quanto com restrições. Vera Kanas, responsável pela área de Comércio Internacional da TozziniFreire Advogados, avalia que o movimento de multilateralismo que marca a atualidade do comércio exterior pode ter como reflexo, por exemplo, mais força nas questões ambientais. Neste sentido, observa a advogada, pode haver choque com o Brasil, quem ainda tem tempo de atualizar sua agenda ambiental.
"Temos um agronegócios forte, e não há oposição nisso com o meio ambiente, mas se tem no Brasil um segmento atrasado que não enxerga isso. Não temos uma política bem sucedida no tema e se continuarmos assim, o Brasil será visto como uma párea, o que não leva a lugar algum", alerta Vera.
Essa cobrança por mais sustentabilidade já começa a ser formalizada tanto pelo novo presidente dos EUA, John Biden, que recolocou os Estados Unidos no acordo de Paris, quanto pela Europa, que há tempos exige mais de parceiros com o Brasil no quesito preservação de florestas e ameaçam com retaliações sobre o agronegócio e outros fornecedores.
Por outro lado, em relação ao Reino Unido e a saída da União Europeia, o Brasil poderia ter ganhos de exportações. Isso, no entanto, depende de acertos no Mercosul e esbarra na falta de iniciativa da diplomacia brasileira em se antecipar e buscar tratados com o governo inglês, analisam especialistas.
Vera pondera que o Reino Unido sempre foi bastante aberto ao livre comércio e o cenário pode ser favorável. Com isso, acrescenta, o Brasil teria chances de intensificar o comércio com a região, mas está atrasado em iniciativas para tanto.
Há entraves regionais no horizonte, porém, acrescenta a especialista. Isso porque Mercosul e as divergências internas atrasam os processos. "Como bloco, isso é mais vagoroso especialmente quando já divergência, e Brasil e Argentina tem orientações políticas diferentes, em diferentes esferas. Inclusive a Argentina afirmou no informou no início da pandemia que se retiraria de todas as negociações comuns", comenta a advogada.
Ainda assim, se deve reforçar o foco no mercado britânico, já que haverá mudanças no comércio e nos impostos e tarifas de outros países da União Europeia. A partir do Brexit, o Brasil poderia ganhar presença com alguns produtos no Reino Unido, que agora pode fazer negociações individuais. Mas por outro lado, acrescenta Vera, o Reino Unido era uma voz ativa pelo livre comércio dentro da União Europeia, que pode agora se fechar um pouco mais ao fortalecer a posição de países com viés mais protecionistas.

União Europeia se aproxima da China

Acordo financeiro com o governo chinês muda o foco de investimentos do bloco econômico europeu
Acordo financeiro com o governo chinês muda o foco de investimentos do bloco econômico europeu
/THIERRY CHARLIER/AFP/JC

Enquanto o Reino Unido se preparava para efetivamente deixar o bloco europeu, a União Europeia correu para assinar um significativo acordo financeiro com a China, no apagar das luzes de 2020, diz Bruno Porto, líder da área de Mercado Internacional e sócio da PwC Brasil. Ele se refere ao UE-China Comprehensive Agreement on Investment (CAI), sacramentado no fim de dezembro passado.

Porto coloca que o acordo entre China e o bloco europeu não afeta diretamente o Brasil, mas muda o foco do bloco econômico europeu em seus investimentos. E, por outro lado, o tratado com o Mercosul segue em passos lentos mesmo depois de avanços em 2019, após anos estagnado. Ainda hoje, após 20 anos de tratativas e com poucos avanços reais. E, no momento, ainda enfrenta resistências e críticas devido às posições ambientais do Brasil que marcam o atual governo federal.

"Agora, além das ressalvas ao Brasil, as empresas europeias terão um novo estímulo para investir na China. O acordo elimina necessidade de se fazer joint venture para investir no país, assim como o fim da obrigatoriedade de transferir tecnologia. Se abre, assim, o interesse de muitos setores europeus para investimentos diretos na China", explica o executivo.

Porto destaca ainda que o Brasil já tem pouco investimento industrial na China e enfrenta dificuldade para ampliar a pauta de exportações, basicamente primária e extrativa.

"Acessar o mercado chinês, além da pauta que já temos, é um desafio. E, neste sentido, os novos acordos nos prejudicam. As indústrias brasileiras já não têm condições de competir com as europeias atualmente, na maior parte dos casos, e especialmente após esse novo acordo financeiro", analisa o executivo.

Ásia e Oceania ficam ainda mais próximos

Parceria entre 12 países foi assinada em 15 de novembro de 2020
Parceria entre 14 países foi assinada em 15 de novembro de 2020
/ASEAN.ORG/REPRODUÇÃO/JC
O Regional Comprehensive Economic Partnership (RCEP), ou Parceria Econômica Regional Abrangente, assinado em 15 de novembro de 2020, reúne 12 países da Ásia, mais Austrália e Nova Zelândia. É um novo e grande bloco econômico, com regras de livre comércio que gradativamente vão entrando em vigor e ampliando o fluxo de mercadorias entre o bloco, composto também por Indonésia, Japão, Filipinas, Coréia do Sul, Cingapura, Tailândia e Vietnã, entre outros países. E, claro, com a força chinesa transformando o RCEP em um bloco ainda maior do que a União Europeia (UE).
"O RCEP deixa clara a meta de transformar aquele pedaço da Ásia em uma força maior da economia global, diminuindo tarifas e facilitando a circulação regional de mercadorias. Isso tem relação com supply chain na China, já que Vietnã, Coréia do Sul e Indonésia e outros tem participando cada vez mais deste circuito de manufatura industrial. Com o acordo eles devem interagir mais rápido e com mais força", explica Bruno Porto, da PwC. O acordo, acrescenta o executivo, vem na sequência de pesados investimentos chineses no chamando Belt and Road, ou Nova Rota da Seda, quando foram construídas ferrovias, rodovias e portos, aproximando o bloco com a Europa.
A RCEP, indiretamente, pode afetar o fluxo de comércio brasileiro para a região. Segundo analistas de comércio exterior, os impactos podem incluir itens em que o Brasil compete com a produção da Nova Zelândia e Austrália. A pauta comum inclui carnes, celulose e minérios, entre outros. Como é alta a demanda chinesa e o Brasil grande produtor de matérias-primas, o País seguirá com grande força competitiva - mas ainda assim a redução de tarifas para as remessas das duas nações que integram a Oceania vão exigir reforço na eficiência brasileiro e reposição de preços.
Mesmo que não seja um acordo profundo no que se refere à liberalização drástica e rápida do comércio, Vera Kanas, responsável pela área de Comércio Internacional da TozziniFreire Advogados, destaca que o RCEP é um acordo bastante amplo, englobando importantes países de diferentes portes (de Japão e China ao Vietnã, Indonésia, Filipinas, Cingapura e Tailândia) e que, por isso, precisa ser olhado com atenção. Vera destaca, por exemplo, que o novo bloco se tornou, proporcionalmente, maior do que a UE em termos de PIB e população. "No médio e longo prazo haverá desvio de comércio, pois muitas empresas irão preferir importar destes países, com tarifas menores. E, neste sentido, o Brasil poder perder mercado", observa.
O mercado lácteo na China, um segmento onde o Brasil recentemente fechou acordo de exportação, também pode ter no RCEP um redutor. Isso porque Nova Zelândia e Austrália são grandes exportadores do produto. Para competir, o Brasil precisará compensar ainda mais os custos de produção.
 

Biden traz mudanças ao comércio multilateral

WASHINGTON, DC - FEBRUARY 10: U.S. President Joe Biden speaks as he makes a statement at the South Court Auditorium at Eisenhower Executive Building February 10, 2021 in Washington, DC. President Biden made a statement on the coup in Burma.   Alex Wong/Getty Images/AFP
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Tendência é de que presidente democrata não coloque mais barreiras comerciais
ALEX WONG/GETTY IMAGES/AFP/JC
A força da economia dos EUA e a mudança na política com a saída do republicano Donald Trump da Casa Branca, agora ocupado pelo democrata John Biden, não determinará o fim da guerra comercial com a China, mas trará mudanças no comércio multilateral.
Para Vera Kanas, responsável pela área de Comércio Internacional da TozziniFreire Advogados, além de uma disputa econômica menos midiática, a tendência é de que Biden não coloque mais barreiras - ou ao menos não o faça da forma radical e unilateral como era praxe de seu antecessor. "Biden é mais favorável ao multilateralismo, o que não significa livre comércio, mas dialogar mais, não ter tantas barreiras e ser menos fechado do que o Trump era", pondera.
Com o multilateralismo, acrescenta a advogada, questões ambientais entram em pauta com mais força no comércio exterior. Isso tende fazer com que mais parceiros do Brasil exijam preservação de florestas, por exemplo. Neste sentido, pode haver choque com o governo brasileiro, que ainda teria tempo de atualizar sua agenda ambiental. "Temos um agronegócio forte, e não há oposição nisso com o meio ambiente, mas temos uma política não bem sucedida no tema. Se seguirmos assim, o Brasil seguirá visto como um pária e isso não leva a lugar algum", alerta Vera.
Para Lígia Dutra, superintendente de Relações Internacionais da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o tema ambiente e agropecuária pode ser favorável ao Brasil. Ligia diz que o agronegócio brasileiro é mais sustentável do que o norte-americano, por exemplo. O problema, diz Lígia, é basicamente de comunicação e protecionismo. "O tema da sustentabilidade ambiental nos favorece, porque já fazemos isso, mas temos de mostrar melhor e ser mais protagonistas nisto", diz Lígia.
 

Brasil está se isolando e perde força ao desprezar Mercosul, diz professor

País estimulou parceiros a buscarem outros rumos, afirma Visentini
País estimulou parceiros a buscarem outros rumos, afirma Visentini
/MARIANA ALVES/JC
O atual mosaico de múltiplos acordos internacionais, em um cenário de crise econômica global, guarda paralelos com as mudanças ocorridas nos anos 1930, no Pós-Guerra, e na grande depressão econômica da época, avalia o professor e coordenador do núcleo de estratégia de Relações Internacionais da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), Paulo Visentini.
Ainda que não tenha ocorrido um colapso financeiro global, como no início do século passado, diz Visentini, diferentes nações estão, da mesma forma, politicamente tentando explorar oportunidades. O que se soma ao fato de que o comércio livre já vinha sofrendo restrições como legado do governo Trump, acrescenta o professor, o que já vinha levando o comércio mundial a fluir menos e ser mais negociado.
"Por isso temos novos blocos e acordos comerciais de comércio e investimentos. Durante quatro anos, Trump atacou o comércio multilateral, interrompendo acordos anteriores e eliminando a Parceria Transpacífico. A China acabou aproveitando essa oportunidade e concluíram o RCEP", analisa Visentini.
Além dos entraves ao comércio com a China, o coordenador de núcleo de estratégia de Relações Internacionais da Ufrgs diz que Trump deixou como marca encarar como concorrentes até mesmo países parceiros.
"Ele fez isso com a Índia, um país aliado, e também colocou sanções sobre a Austrália. A visão de Trump era como se estivesse administrando uma empresa, retaliando adversário. Isso afetou o comércio mundial, e muitos estão buscando retomar as atividades econômicas e os acordos paralelos como instrumentos para isso", explica Visentini.
O professor acrescenta, ainda, que dezenas de negociações comerciais internacionais estão sempre em andamento, o que as vezes leva muitos anos e boa parte sequer se concretiza. Em outros, os parceiros chegam a acordos.
"Neste sentido a China foi muito bem e a União Europeia, também penalizada pela saída do Reino Unido e até mesmo por algumas pressões do governo Trump, entendeu que o caminho para a retomada de investimentos e de desenvolvimento econômico passa pela China", diz Visentini.
O Brasil, ao contrário, pondera, nos últimos anos não fez esforços para manter o Mercosul, mesmo sendo parcialmente refém do bloco para concretizar novas parcerias comerciais. Se o Mercosul funcionasse bem, explica Visentini, o Brasil teria uma área de influência à sua volta e, hoje, não estaria tão isolado no cenário internacional. Ao não ter valorizado e até remar contra o Mercosul, o Brasil estimulou os parceiros a seguirem outros rumos.
"A Argentina, por exemplo, partiu sozinha em acordos próprios, inclusive com a China. O Uruguai também buscou suas próprias parcerias. O Brasil apostou em um caminho solitário e autossuficiente, e agora, com uma pressa muito grande, precisará dialogar com estes acordos que estão sendo feitos por outros países", analisa Visentini.
O País estaria até mesmo colocando em xeque o acordo do Mercosul com a União Europeia, que depois de anos avançou em 2019, mas voltou a ter ressalvas da UE pela forma com o Brasil conduz as questões no atual governo, lembra Visentini.
"Nesta mudança global, que foi rápida e brusca, o Brasil acabou ficado meio sozinho. E logística é, talvez, o ponto mais importante e também limitador para o País. Hoje, é um setor no qual se precisa buscar recursos externos urgentemente", sintetiza o professor.
 

Agronegócio deve olhar mais para a Ásia e avançar negócios com Reino Unido

Uvas do Vale do São Francisco para exportação
Uvas do Vale do São Francisco para exportação
/WENDERSON ARAUJO/CNA/JC

Para a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o Brasil precisa acelerar a busca de acordos e correr atrás do que não foi feito nos últimos anos em termos de acordos de comércio exterior, especialmente com países asiáticos e com o Reino Unido. Lígia Dutra, superintendente de Relações Internacionais da CNA, aponta que, nos dois casos, há carência de empenho brasileiro em fechar acordos tanto com o Reino Unido pós-Brexit (o que foi feito antecipadamente por outros países) quanto com diferentes nações asiáticas.

"O Brasil, salvo um acordo comercial bastante limitado com a Índia, e com quase nada de agrícola, não tem acordo com nenhum outro país asiático. E a Ásia representou 52% de tudo que o agronegócio exportou em 2020. Este é o caminho. Ainda que a China represente a maior parte dos embarques, há outros mercados relevantes, como Coreia do Sul, Japão, Vietnã. Já estávamos em situação de desvantagem grande e o RCEP amplia isso", alerta Lígia.

Em fase inicial, diz a executiva, há apenas um acordo entre Brasil e Coreia do Sul, o que pode avançar em 2021, e o governo também estaria com tratativas comerciais com a Indonésia e Vietnã, que priorizados igualmente trariam ganhos para a balança comercial do agro e ao Brasil como um todo, com o ingresso de divisas, geração de renda e empregos, acrescenta Ligia. Neste mesmo caminho, em 2021, dentro do projeto Agro.BR, a CNA inclusive ampliará sua presença na Ásia. Além da representação em Xangai, a entidade já trabalha para abrir o segundo escritório no continente - desta vez, em Singapura.

Já na Europa, um amplo estudo da entidade indica as oportunidades e desafios para os embarques agrícolas para o Reino Unido, agora oficialmente fora da União Europeia. Isso porque itens que antes as nações do bloco enviavam ao Reino Unido agora terão tarifas e taxas antes inexistentes e, com isso, o agronegócio brasileiro ganha competitividade. Um ponto de atenção, destaca Ligia, é a logística, já que boa parte das exportações brasileiras chegava ao mercado britânico em portos de outros países europeus.

"A União Europeia é um grande exportador agrícola, e o Reino Unido, o importador. E o Brasil tem boa participação neste mercado, mas pequena perto do potencial. A própria China exporta mais alimentos ao Reino Unido do que o Brasil, um dos maiores produtores de alimentos do mundo", compara a executiva.

Desde janeiro, está em vigor o novo regime tarifário britânico pós-Brexit (UK Global Tariffs), com produtos e alíquotas de importação desgravadas, ou seja, reduzidas a zero, para diferentes nações. Outros terão tarifas simplificadas, e uma terceira categoria será de produtos com taxas reduzidas, além da medida de simplificação. Ao todo, a proposta do Reino Unido altera as tarifas de importação aplicadas sobre 563 produtos do agronegócio.

O estudo da CNA indica que os bens para os quais as alíquotas foram reduzidas representaram 47,3% do comércio de produtos do agronegócio mundial com o Reino Unido. Quanto ao comércio com o Brasil, o montante liberado equivale a US$ 533 milhões (valor referente a 2019). Caso de frutas como o limão, que teve reduções tarifárias de até 14 pontos percentuais, ao se comparar com as tarifas máximas aplicadas pela União Europeia para o produto. Assim como também foram reduzidas as alíquotas aplicadas sobre uvas e maçãs. Vinhos e cacau em pó foram liberados e poderão ingressar no mercado britânico sem a necessidade do pagamento de imposto de importação.

Um dos setores mais beneficiados é o de óleos essenciais, que teve as tarifas liberalizadas para todos os produtos. De acordo com o estudo, o Brasil é um importante fornecedor de óleos essenciais de laranja ao Reino Unido, representando, em 2019, um marketshare de 33,4% das importações totais do mercado.

Assinatura

Thiago Copetti é jornalista, especializado em Gestão de Empresas e setorista de agronegócio do Jornal do Comércio. Também é bacharel em Relações Internacionais, com foco em temas sino-brasileiros
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