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Com a Palavra

- Publicada em 03h00min, 09/11/2020. Atualizada em 10h13min, 10/11/2020.

Banco Randon completa 10 anos com foco no digital

 Executivo diz que é preciso se conectar cada vez mais aos clientes

Executivo diz que é preciso se conectar cada vez mais aos clientes


/MARCO QUINTANA/JC
Roberto Hunoff
O Banco Randon, uma das unidades da divisão de serviços das Empresas Randon, de Caxias do Sul, faz balanço positivo de seus primeiros 10 anos de atuação, somando mais de R$ 10 bilhões de crédito concedido e alcançando mais de 5 mil clientes no Brasil. Nos últimos anos, a instituição vem construindo um movimento para conectar-se, cada vez mais, com a inovação e a transformação digital. É com base nesta estratégia que o banco se prepara para ampliar sua base de clientes, até agora concentrada, principalmente, nos distribuidores de implementos rodoviários da marca, para todo o segmento de transportes e logística, visando, em especial, o profissional da área, seja proprietário de empresa, motorista empregado ou autônomo. O superintendente Joarez Piccinini acredita em forte expansão nos próximos anos, ancorada em graduais investimentos em tecnologias e soluções digitais e oferta de ampla gama de serviços e produtos. No primeiro semestre de 2020, a instituição apresentou R$ 617 milhões de ativos de crédito e patrimônio líquido de R$ 148 milhões.
O Banco Randon, uma das unidades da divisão de serviços das Empresas Randon, de Caxias do Sul, faz balanço positivo de seus primeiros 10 anos de atuação, somando mais de R$ 10 bilhões de crédito concedido e alcançando mais de 5 mil clientes no Brasil. Nos últimos anos, a instituição vem construindo um movimento para conectar-se, cada vez mais, com a inovação e a transformação digital. É com base nesta estratégia que o banco se prepara para ampliar sua base de clientes, até agora concentrada, principalmente, nos distribuidores de implementos rodoviários da marca, para todo o segmento de transportes e logística, visando, em especial, o profissional da área, seja proprietário de empresa, motorista empregado ou autônomo. O superintendente Joarez Piccinini acredita em forte expansão nos próximos anos, ancorada em graduais investimentos em tecnologias e soluções digitais e oferta de ampla gama de serviços e produtos. No primeiro semestre de 2020, a instituição apresentou R$ 617 milhões de ativos de crédito e patrimônio líquido de R$ 148 milhões.
Empresas & Negócios - Qual a sua avaliação sobre a evolução nestes 10 anos de Banco Randon?
Joarez Piccinini - A instituição é pioneira e única no País no segmento de implementos rodoviários. Surgiu com foco de atuação na cadeia de negócios das Empresas Randon e seguiu linhas mais tradicionais, de atender os distribuidores. Quando começou a operar, em 2010, era muito importante ter capacidade para repassar recursos do BNDES, que à época tinha programas com juros subsidiados. Por isso, era o financiamento preferido dos clientes do segmento de transportes. Ao longo desses 10 anos, desenvolvemos uma relação com os distribuidores, financiando, principalmente, estoques de produtos e peças. Em menor número, atendemos transportadores, compradores de autopeças e fornecedores do grupo, chegando a uma base superior a 5 mil clientes. Essa base de clientes parece não ser representativa quando comparada com outros bancos, mas o valor do tíquete médio é elevado. Temos atividade lucrativa, não nos padrões dos demais bancos, porque operamos com taxas atrativas.
E&N - Qual é a estratégia da instituição para crescer nos próximos anos?
Piccinini - Entramos em nova fase, movimento que todas as empresas Randon estão fazendo, que é da inovação. Na área financeira, é ainda mais forte pelo surgimento das fintechs, o que permitiu o desenvolvimento de uma série de pequenas soluções. Isto trouxe benefícios, como o aumento de pessoas bancarizadas, pois o Brasil ainda tem grande parte da população sem acesso ao sistema financeiro. Outra vantagem é fazer com que haja concorrência num setor concentrado, aqui e no mundo, por meio de ofertas, produtos, serviços e taxas melhores. O Banco Randon segue adotando tecnologias e soluções para ter crescimento maior que nos últimos 10 anos. Usaremos ferramentas que aumentam a qualidade do atendimento final ao cliente, com mais celeridade nas respostas e assertividade nas decisões, e ganhando escala de crescimento. Estamos em processo de aprendizado na utilização de aplicativos, contratações por meio virtual e portal para fornecedores das Empresas Randon. Isto está permitindo acelerar os processos e os negócios.
E&N - Mas o banco continuará atendendo o mesmo perfil de clientes?
Piccinini - A ideia agora é atuar dentro da grande cadeia de transporte e logística, mas não será mar aberto. Além dos clientes do grupo, queremos chegar a outros, como transportadores, empregados destas e autônomos. Este público tem necessidades diárias, remuneração interessante para níveis de Brasil e enquanto viajam precisam atender a família, com crédito ou algo similar. Vamos oferecer alternativas financeiras, cartão de crédito, seguro, aplicações, financiamentos. Usaremos tecnologias, especialmente as móveis por celular, porque é um público que está sempre na estrada, distantes, com dificuldades de chegar até um caixa eletrônico. Com o avanço das comunicações vai facilitar ainda mais. Como conhecemos o setor de transportes, podemos nos antecipar às demandas e apresentar as soluções. Vemos uma base para ter uma expansão sólida, ser um diferencial. Mas não teremos agências bancárias. Vamos colocar aplicativos à disposição, o cliente terá a solução no celular.
E&N - O banco já tem metas de expansão definidas?
Piccinini - Ainda não fixamos metas para números futuros. Mas com esta visão de soluções tecnológicas, será possível ajustar o atendimento conforme a demanda. Estamos negociando com canais de distribuição. Recentemente aportamos recursos em uma startup, que tem uma base de milhares de clientes. Com outros canais poderemos fazer acordos operacionais, criando correspondentes bancários, onde vamos capturar clientes e negócios. Mas o foco seguirá sendo clientes do setor de transportes, o que será um diferencial, pois conhecemos as particularidades da atividade.
E&N - O crescimento deve se dar por meio da migração de clientes de outros bancos?
Piccinini - Uma parte sim e outra de novos clientes não bancarizados. Acreditamos muito na fidelização, porque na crise de 2015 não deixamos de atender ao setor de transporte. Os clientes perceberam isto. Num movimento mais para a frente vamos atrair aqueles que não tiveram bom relacionamento bom com outros bancos. O pessoal que está ingressando no mercado, os jovens em especial, tem visão mais pró-digital e se identificará com as tecnologias.
E&N - Qual o montante de investimentos neste processo?
Piccinini - Não são valores expressivos, mas gradativos, porque o maior investimento num banco é elevar seu capital. Temos discutido para ocorrer no futuro, na medida em que o processo avançar. O grupo tem volume anual grande de aportes e, a partir de agora, parte irá para o banco. As alocações serão proporcionais às demandas e alguns custos já foram colocados no balancete semestral deste ano.
E&N - Com esta mudança, a dependência do banco dos produtos do grupo tende a ser menor?
Piccinini - Sim, vamos ter menos dependência do segmento de implementos. Além de ampliar a carteira com as pessoas físicas, especialmente, temos toda uma gama na área de reposição de peças. Com a incorporação da Nakata ao grupo, teremos crescimento grande nestes clientes, porque o mercado de reposição sempre foi mais resiliente às crises. Com o banco nos dois segmentos, teremos diversificação e menor dependência da demanda da atividade de implementos. Para dar suporte a isto, pretendemos estabelecer conexões com rede de oficinas multimarcas e com postos de combustíveis, criando mais alternativas de soluções para os clientes. Com base maior de clientes, teremos novas demandas.
E&N - De que forma a pandemia do coronavírus impactou o funcionamento do banco?
Piccinini - No fim de março, foi uma situação difícil, não se tinha como prever nada. Mas alguns setores, como agronegócio, não pararam. Por lógica, o setor de transporte associado a eles foi menos prejudicado e manteve o funcionamento. Falando com distribuidores eles confirmavam que, mesmo fechados, havia demanda por manutenção. O período de incertezas foi curto. O resultado do primeiro semestre, mesmo assim, ficou abaixo do inicialmente esperado. No segundo semestre, a recuperação está em velocidade mais forte do que se indicava. Por isso, para o fechamento de ano, esperamos algo similar a 2019. Para o próximo ano, caso aprovadas as reformas necessárias, os poderes se ajustarem e ocorrerem as concessões para a iniciativa privada, a expectativa é positiva. Mas adotamos cautela e esperamos que seja um crescimento sustentável e não pontual.
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