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Opinião

- Publicada em 03h00min, 19/10/2020. Atualizada em 13h08min, 21/10/2020.

Investimentos imobiliários em meio à crise: um bom negócio?

Rafael Severo é CEO da Trend Investimentos

Rafael Severo é CEO da Trend Investimentos


Trend Investimentos/divulgação/jc
Rafael Severo
CEO da Trend Investimentos
CEO da Trend Investimentos
A crise sanitária enfrentada no mundo todo em decorrência do novo Coronavírus originou outra crise: a econômica. Desemprego e a consequente redução do poder de compra abalaram diversos segmentos. O mercado dos investimentos imobiliários, por sua vez, continuou ganhando a confiança de boa parte dos recursos dos poupadores devido ao seu lastro real.
Não é à toa que as principais aplicações financeiras são lastreadas em imóveis, como é o caso da poupança, cuja maior parte dos recursos é destinada ao financiamento imobiliário, dos CRIs, LCIs, LIGs e, agora, os CDBs vinculados à empreendimentos. Isso sem falar do ativo real, ou seja, a compra de um imóvel para reserva de valor e obtenção de renda.
Além disso, de uma hora para outra, milhões de brasileiros se viram confinados em casa e começaram a perceber a necessidade por mais espaço, aumentando o interesse pela aquisição de imóveis mais amplos.
Mas antes de falarmos mais sobre os tipos de investimentos imobiliários que existem e as opções para cada perfil de investidor, é importante termos em mente que muitas pessoas e empresas estão repensando o modelo de trabalho presencial. O futuro aponta para modelos híbridos ou até mesmo home office.
Portanto, definir um norte de investimentos 100% embasado na premissa de que tudo já mudou e de que já existe um novo normal, é precipitado, uma vez que ainda não retornamos a um ambiente de liberação total das atividades. Assim, para quem busca investimentos nesse momento e quer antecipar uma eventual consolidação de tendências provocadas pela pandemia, correr riscos ponderados e investir com segurança parece um caminho virtuoso.
Minha primeira dica é ter cautela na escolha do ativo imobiliário. É fundamental que o investidor conheça o risco das operações e entenda se o que ele pensa fazer é o ideal para seu momento de vida e está alinhado com seus objetivos financeiros. Existem diversas formas de fazer isso, desde a compra direta de um imóvel, até investimentos que financiam empreendimentos imobiliários ou crédito imobiliário.
O investimento em imóveis é um negócio de longo prazo. Quem compra um imóvel pronto para investir, busca uma combinação entre o rendimento mensal de locação, seja por temporada ou em contratos longos, e valorização do imóvel. Nesse sentido, temos dados recentes da Abrainc - Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias, que mostram que o investimento em imóveis rendeu em média 15,3% ao ano entre 2009 e 2019. Isso faz do investimento imobiliário, em termos de média de mercado, o melhor investimento da última década, sendo um negócio imbatível nesse período.
Há ainda, as modalidades atreladas aos recebíveis do investimento. Aderimos na Trend, recentemente, à duas modalidades principais. Uma de desenvolvimento e investimento em empreendimentos que façam sentido do ponto de vista de geração de renda, por meio de aluguéis somados à valorização do imóvel; e a outra em que oportunizamos aos investidores a possibilidade de participar como financiador dos empreendimentos em sua origem, via aquisição de CDBs vinculados.
Existe outra categoria de investimento imobiliário voltada a renda, mais sofisticada, conhecida pelos investidores como Empreendimento de Base Imobiliária, ou EBI. Nesse segmento, encontramos os hotéis, os shopping centers, parques temáticos, arenas, entre outros. Para definirmos se um EBI é um bom negócio, precisamos entender se aquele modelo de negócios que vai rodar no imóvel faz sentido. Isso passa por analisar o perfil de demanda existente, a oferta de serviços, entrega de valor aos usuários finais e a cultura da organização que fará a gestão do negócio.
Alguns investimentos que entendo que são tendências bem encaminhadas no mercado, e já apresentam uma procura em potencial relevante são: empreendimentos preparados para receber locações por temporada, ou operar em modelo híbrido; empreendimentos que congregam a possibilidade de moradia e trabalho, ou de uso misto; imóvel flexível, ou seja, um coringa para atender a demanda por moradia durante o tempo necessário e, logo após, permitir uma mudança para geração de renda de forma rápida; empreendimentos flexíveis, que oferecem serviços para recebimento de hóspede de locação por temporada, ou possibilidades de troca de ambiente, como sair de casa para um café, para um garden, ou uma estação de trabalho; e locais que ofereçam segurança sanitária.
As possibilidades de investimento vinculado ao mercado imobiliário são inúmeras, confira algumas categorias abaixo:
Se o foco desse investidor é renda e aumento patrimonial, o investimento direto em imóveis pode ser uma boa alternativa.
Se o investidor deseja investir sem ser proprietário do imóvel, apenas aproveitar a lucratividade de negócios imobiliários, ele pode investir em negócios que tenham imóveis ou empreendimentos em construção como lastro, como os CDBs vinculados, os Certificados de Recebíveis Imobiliários, Fundos Imobiliários, entre outros.
Se o investidor quer aplicar em ações de empresas de construção, ou em fundos imobiliários, deve estar atento às características específicas desse segmento, que tende a ter um comportamento de bolsa de valores, com variações mais bruscas de preços e rentabilidade, o que normalmente não acontece com os ativos reais ou investimentos com lastro em imóvel, onde os rendimentos tendem a ser mais previsíveis.
Por isso, é importante que o investidor busque uma assessoria especializada que lhe auxilie a entender seus objetivos e a encontrar a operação mais adequada ao seu perfil.

Novo normal: é possível trabalhar com as suas habilidades

Nilson Filatieri
CEO da HeroSpark
Não vou bater na tecla que a boa e velha rotina com a qual estávamos acostumados foi por água abaixo em 2020. A alternativa encontrada é a adaptação: o trabalho é possibilitado por meio de softwares, os atendimentos médicos são feitos em videochamadas e o aprendizado acontece no formato EAD (ensino a distância). Esses são alguns exemplos de como, mesmo que indiretamente, a crise aprofundou a familiaridade dos brasileiros com soluções digitais.
E sinceramente, acredito que tal comportamento não será esquecido quando a pandemia passar. Na verdade, a tendência da digitalização se consolidará em áreas mais complexas, como carreiras e educação, e mudará o formato tradicional de aprendizado e capacitação.
O ensino remoto mostrou indícios de crescimento nos últimos anos e projeções interessantes para o futuro. Um estudo da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES), estima que em 2022 o número de calouros em aulas à distância superará os matriculados no modelo tradicional.
Tal informação mostra como o conhecimento está cada vez mais acessível, principalmente para quem tem uma rotina intensa e/ou mora longe das metrópoles brasileiras e busca praticidade no aprendizado. Além dos calouros, também é válido considerar profissionais com carreiras consolidadas que investem em cursos EAD para ampliar suas habilidades para o "novo normal".
Mesmo que o chamado "Novo normal" ainda seja uma incógnita, os profissionais buscam aproveitar o tempo livre da reclusão para aprofundarem seus conhecimentos e habilidades, seja para se tornar um especialista em seu cargo atual ou para se lançar em um novo momento profissional e se tornar seu próprio chefe.
Hoje, quando falamos de trabalhar de forma autônoma ou se tornar um freelancer, é comum que a primeira coisa que venha a mente é a Gig Economy, mais conhecida como "a economia dos bicos". Porém, em um novo contexto de pós-pandemia, eu aposto as minhas fichas no fortalecimento de uma nova tendência: a Passion Economy.
Como o próprio nome diz, a Passion Economy é uma tendência na qual profissionais podem monetizar habilidades e conhecimentos com um propósito. Os negócios criados com essa perspectiva tendem a ser criativos e possibilita a união entre flexibilidade, vocação e realização; e assim como a digitalização que comentei, esse movimento também foi impulsionado pela pandemia que fez as pessoas adaptarem seus estilos de vida e/ou planos de carreira.
Apesar do nome ser novo e parecer que essa tendência surgiu agora, não posso deixar de pensar que já falava de Passion Economy quando disse: "Escolha um trabalho que você ama e você nunca terá que trabalhar um dia sequer na vida".
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