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Opinião

- Publicada em 03h00min, 13/10/2020.

Distúrbio de home office

Miriana Basso Gomes
Um suspiro preocupado e minha paciente, uma senhora de 51 anos, pergunta:
Um suspiro preocupado e minha paciente, uma senhora de 51 anos, pergunta:
- Meus exames estão bons, doutora?
- Não muito. O seu colesterol e sua glicose subiram. Provavelmente o aumento de peso que teve nesses últimos meses contribuiu para piora desses exames.
Além de ter abandonado a academia, essa paciente estava comendo muito desde que abandonara o trabalho presencial e estava em regime de home office. Ela soubera também que um colega próximo havia infartado. Motivada por isso, havia tentado fazer alguns exercícios na última semana e se sentiu cansada. Não sabia se o cansaço era culpa da máscara, do ganho de peso ou de algum possível problema no coração.
- Estou preocupada, Doutora. Esse meu colega o qual infartou teve dor no peito e não procurou ajuda. Lembro que a senhora sempre diz que devemos consultar ou procurar a emergência do Instituto de Cardiologia em caso de sintomas.
A paciente relatou ainda que estava difícil de controlar o peso, pois "a geladeira ficava o dia todo perto". Ela também referiu que vinha brigando mais com o marido e sofrido com insônia.
- Dra, acho que estou descontando na comida. Será ansiedade?
Fala-se muito em ansiedade e depressão. Resumidamente, pode-se dizer que o deprimido vive no passado e o ansioso no futuro. Frente a uma pandemia, com um futuro preocupante, algumas pessoas podem recorrer ao aumento da ingestão de calorias como forma de compensação a uma situação de abalo. O aumento do apetite nessas circunstâncias pode ser considerado um resquício de um mecanismo evolutivo; já que nossa evolução selecionou genes para acúmulo de gordura em situações de estresse para servirem de reserva energética em períodos de escassez de alimentos.
Durante o exame físico, vejo que a pressão da minha paciente de 49 anos (que antes era normal) estava bastante elevada. Ela saiu da consulta com uma prescrição de dieta, medicações para pressão e colesterol; além de uma recomendação de procurar avaliação psiquiátrica.
Esse é mais um dia na minha rotina de consultório em tempos da pandemia da Covid-19. Essa paciente, assim como muitos, está fazendo home office. O trabalho dela está em dia, mas a sua saúde deu uma boa declinada. Quanto tempo ela levará para perder esses quilos e para recuperar a harmonia da rotina familiar que tivera antes do coronavírus?
Contudo, nem todos os exemplos são ruins. Outro dia, um paciente que eu insisti muitas vezes para parar de fumar apareceu na consulta -em plena pandemia- dizendo:
- Parei de fumar, doutora!
Confesso que fiquei surpresa. Nesse momento em que todos estamos mais frágeis, não esperava que ele fosse conseguir.
Ai ele me explicou: - Antes eu fumava indo para o trabalho e no intervalo com os colegas. Agora, como estou em home office, até tentei fumar umas 3 vezes em casa, mas minha filha de 6 anos brigou comigo. Então: parei.
Eu sorri e dei os parabéns. Na balança, ele havia também aumentado uns quilos, mas certamente o benefício de cessar o tabagismo se sobrepõe a tudo.
A verdade é que a rotina é essencial para a saúde. Um animal, mesmo com água e comida, pode ficar doente se for retirado do seu habitat. A saúde é considerada uma condição de bem-estar físico, psíquico e social. Quando nos é retirado a dimensão social, as mudanças vão se refletir na nossa mente e no nosso corpo.
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