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Porto Alegre, segunda-feira, 28 de setembro de 2020.

Jornal do Comércio

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Empresas & Negócios

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Com a Palavra

- Publicada em 03h00min, 28/09/2020.

Pandemia reforça usos de produtos plásticos

Entrevista com o presidente do Sinplast, Gerson Haas

Entrevista com o presidente do Sinplast, Gerson Haas


/MARIANA CARLESSO/arquivo/JC
Jefferson Klein
Normalmente visto como um vilão pelos impactos que o seu descarte incorreto acarreta, durante a pandemia do coronavírus a maior necessidade de materiais descartáveis, nas tele-entregas e nos processos hospitalares, fez com que a utilização do plástico fosse mais valorizada e sua imagem revista, afirma o presidente do Sindicato das Indústrias de Material Plástico no Estado do Rio Grande do Sul (Sinplast-RS), Gerson Haas. Uma prova que produtos feitos a partir de resinas termoplásticas tiveram e têm um papel de destaque nesse momento é que o segmento, apesar da retração da economia, conforme o dirigente, está apresentando um crescimento de vendas.
Normalmente visto como um vilão pelos impactos que o seu descarte incorreto acarreta, durante a pandemia do coronavírus a maior necessidade de materiais descartáveis, nas tele-entregas e nos processos hospitalares, fez com que a utilização do plástico fosse mais valorizada e sua imagem revista, afirma o presidente do Sindicato das Indústrias de Material Plástico no Estado do Rio Grande do Sul (Sinplast-RS), Gerson Haas. Uma prova que produtos feitos a partir de resinas termoplásticas tiveram e têm um papel de destaque nesse momento é que o segmento, apesar da retração da economia, conforme o dirigente, está apresentando um crescimento de vendas.
Empresas & Negócios - Como a questão do coronavírus afetou o mercado dos transformadores de plástico?
Gerson Haas - Na grande parcela das empresas, teve até aumento, principalmente as companhias que produzem para a área de saúde, para os hospitais. Uma pequena quantidade teve redução, como quem trabalha para indústria automobilística e de caminhões. Mas, quem produz para os segmentos de alimentos, de bebidas, farmacêutico, entre outros, uma enorme parte, teve crescimento. A minha empresa se enquadra nesse cenário.
E&N - A sua companhia (Soprasinos, de Novo Hamburgo) produz que materiais?
Haas - Fazemos garrafas para a indústria de alimentos, de bebidas e farmacêutica. Tivemos um crescimento em torno de 15% no período da pandemia. E empresas que fabricam artigos semelhantes aos nossos, e não apenas garrafas, mas colheres, copos e pratos plásticos, tiveram um grande aumento nesse sentido, por causa do pague e leve dos restaurantes, das tele-entregas.
E&N - Somando todos os segmentos, de quanto foi o incremento das vendas do setor?
Haas - Na média ponderada, eu acredito em um crescimento de 2% a 3%, na média geral, no mercado nacional. Tanto que chegou a faltar matéria-prima, gerando dificuldades no atendimento das demandas.
E&N - Uma reclamação recorrente dos transformadores neste ano foi o aumento do preço das resinas termoplásticas, qual foi esse impacto?
Haas - Em agosto a alta foi de 10% e no começo de setembro, em torno de 12%. Em quatro meses, junho, julho, agosto e setembro, tivemos um incremento acima de 35%.
E&N - Os transformadores estão repassando essas elevações no custo da matéria-prima?
Haas - Sim, estamos repassando.
E&N - O mercado está absorvendo esses aumentos ou está migrando para outros produtos?
Haas - Essa é uma grande preocupação, mas a gente tem que repassar, não pode ficar no vermelho. É uma briga, porém não há opção.
E&N - A questão da pandemia ajudou a melhorar a imagem do plástico?
Haas - Bastante. O pessoal já vê o material hoje com outros olhos. Se analisarmos o isolamento nos hospitais foi feito com plástico. As camas de hospitais tinham um filme de plástico por cima. Além disso, as roupas usadas pelas pessoas que combatem a doença contêm plástico, assim como as máscaras face shield. O plástico passou a ser uma importante ferramenta no enfretamento da pandemia.
E&N - Cada vez mais se encaminha a venda da principal petroquímica brasileira, a Braskem. Qual a sua visão sobre essa movimentação do mercado?
Haas - Isso vai acontecer. Eu vejo como positivo, porque acreditamos que a venda será fatiada. O que eu quero dizer com isso? O polo de Triunfo vai ser uma empresa "A", o polo de São Paulo uma companhia "B" e a Bahia um grupo "C". Esse é o nosso entendimento.
E&N - Essa modelagem do negócio seria positiva para os transformadores, pois aumenta a competição quanto ao fornecimento de matérias-primas?
Haas - Exatamente. Vai ter concorrência novamente, coisa que não existe mais hoje, a não ser concorrência internacional. Se eu não quiser comprar da empresa "A", poderei comprar da "B" ou da "C".
E&N - O que é preciso para aumentar a reciclagem dentro do setor do plástico?
Haas - Está em crescimento, mas ainda estamos longe de chegar a um patamar considerado bom. A economia circular vem apresentando aumento de demanda, materiais estão faltando em diversos pontos para os recicladores. O que precisamos é de mais apoio do poder público. É preciso colocar em prática a Política Nacional de Resíduos Sólidos e a logística reversa. É necessário exigir dos municípios a coleta seletiva, que esse material vá para as cooperativas e dali possa ser tudo reciclado, plástico, papel, vidro, metais etc.
E&N - Era esperado um crescimento da produção das chamadas resinas verdes (feitas a partir de matérias-primas de origem orgânica, como o etanol, da cana-de-açúcar), porém o mercado desse material praticamente estagnou. Passou o momento desse segmento?
Haas - Há a possibilidade de crescimento nessa área. Existem clientes que estão dispostos a pagar mais para ter uma resina renovável, de origem que não seja fóssil. A sustentabilidade vai começar a exigir esse tipo de ação. Mas, ainda é muito cara a resina verde hoje, esse é o problema. É algo ao redor de 70% a mais do que a convencional.
E&N - Como evitar que situações de grande impacto ambiental, como é o caso da formação de uma ilha de plástico no oceano, possam ocorrer?
Haas - Em primeiro lugar precisamos aumentar a educação ambiental e ensinar nas escolas as crianças a separarem os resíduos corretamente, para daqui a 30 anos repassarem essas informações em suas casas e parar a história de aumentar a quantidade de plásticos em rios e mares. No caso do plástico no oceano, há uma tecnologia de boias que está retirando esse material e diversas entidades de renome, como o clube de futebol Real Madrid, estão fazendo produtos com isso, como no caso do time espanhol, uniformes. 7
E&N - O mercado do plástico já chegou no limite de suas aplicações ou há novos usos a serem explorados?
Haas - Existe muita tecnologia por vir, a nanotecnologia, por exemplo, pode ser utilizada para o aumento do prazo de validade de alimentos, de bebidas e de remédios envoltos em plástico. Também há uma solução com fita plástica que elimina mofo. A nanotecnologia está entrando forte no setor.
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