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Porto Alegre, segunda-feira, 28 de setembro de 2020.

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Responsabilidade Social

- Publicada em 03h00min, 28/09/2020.

Rede Indígena auxilia artesãs impossibilitadas de trabalhar

Centro de Referência Afro-Indígena precisa de reparos após ter sido atingido por ciclone bomba

Centro de Referência Afro-Indígena precisa de reparos após ter sido atingido por ciclone bomba


/Divulgação/Centro de Referência Afro-indígena do RS
João Pedro Rodrigues
A pandemia tem sido um empecilho na vida de diversos trabalhadores do País. Devido à impossibilidade de sair de casa para exercer as suas atividades e garantir a sua renda, muitos tiveram grandes dificuldades para se manter, ficando sem alternativas senão através do auxílio emergencial disponibilizado pelo Governo ou da solidariedade de pessoas que resolveram ajudar.
A pandemia tem sido um empecilho na vida de diversos trabalhadores do País. Devido à impossibilidade de sair de casa para exercer as suas atividades e garantir a sua renda, muitos tiveram grandes dificuldades para se manter, ficando sem alternativas senão através do auxílio emergencial disponibilizado pelo Governo ou da solidariedade de pessoas que resolveram ajudar.
Este é o caso das mulheres indígenas artesãs atendidas pelo Centro de Referência Afro-Indígena do Rio Grande do Sul, espaço que luta pela defesa e retomada do território indígena e promove o protagonismo e as discussões sobre pautas referentes aos povos e à questão afro-indígena. Antes da chegada do coronavírus, as trabalhadoras iam todos os dias para a Capital a fim de vender os seus artesanatos na Rua dos Andradas ou em torno do Mercado Público e comprar alimentos para a família. Muitas vezes, no entanto, não conseguiam efetuar nenhuma venda e precisavam, ainda, retornar para as aldeias.
Foi percebendo essa situação que o Centro de Referência passou a acolhê-las. Dessa forma, elas passaram a ficar no espaço, situado na Cidade Baixa, quando necessário, fazer oficinas de cestaria e rodas de conversas sobre as temáticas envolvendo a cultura dos povos Guarani e Kaingang. Em março, porém, esta realidade mudou, e elas não puderam mais retornar à cidade em razão da possibilidade de contaminação.
O coletivo, comprometido à causa, teve de encontrar outra forma de auxiliar essas mulheres que passaram a fazer parte dele. Desde então, passou a ajudá-las através da chamada Rede Indígena Porto Alegre contra o Coronavírus, iniciativa de apoio emergencial desenvolvida pelo Centro de Referência com o objetivo de arrecadar e distribuir cestas básicas, produtos de higiene e limpeza e máscaras, além de outras demandas necessárias para auxiliá-las.
"Tanto a Funai, que seria o órgão que teria que prestar esse atendimento, e a Sesai (Secretaria Especial de Saúde Indígena), na questão da saúde e da prevenção do coronavírus, se isentaram completamente das suas responsabilidades", afirma Alice Martins, mulher indígena no contexto urbano e uma das lideranças do coletivo. "Então, o Centro de Referência criou a Rede Indígena".
Atualmente, são 12 pessoas que fazem parte do grupo e da rede, e mais de 35 mulheres indígenas auxiliadas. Elas estão presentes em diferentes localidades da região metropolitana de Porto Alegre, como em comunidades indígenas do bairro Mário Quintana, de São Leopoldo, Camaquã e Itapuã. Até o momento, já foram distribuídas mais de 650 cestas básicas.
Ao longo dos seis meses de existência, a rede já realizou, também, dois financiamentos coletivos para angariar fundos para a compra de cestas básicas e manutenção do espaço do Centro de Referência, que foi prejudicado com o ciclone bomba que passou pelo Estado no mês de julho, ocasionando perdas na sua estrutura. "Sem o espaço, não tem como ter Rede Indígena e não tem como continuar fazendo o trabalho", frisa Alice. Em uma das campanhas, a meta era alcançar o valor de R$ 20 mil, porém só foram arrecadados cerca de R$ 9 mil.
Agora, mesmo sem os financiamentos acontecendo, o coletivo segue arrecadando materiais para doação. As saídas para a realização das entregas normalmente são feitas de duas a três vezes na semana, tendo dias já pré-estabelecidos e combinados com as mulheres para que estejam cientes. Uma das maiores dificuldades é a comunicação com as elas, que não possuem fácil acesso a internet.
Essa foi uma das razões pela qual Alice, através do Centro de Referência, também teve que auxiliá-las no cadastro para o recebimento do auxílio emergencial, que garantiu mais um sustento. Mesmo assim, segundo ela, três delas não conseguiram adquirir.
Alice destaca, ainda, o rigoroso trabalho de higienização realizado pelo grupo para que os materiais sejam entregues da melhor forma possível para as comunidades. Os produtos são higienizados, reembalados e, somente depois, distribuídos dentro nas comunidades aos núcleos de mulheres indígenas artesãs. O coletivo procura também conscientizar os membros das aldeias acerca do perigo de contaminação.
Há uma grande preocupação quanto a isso devido a surtos que já ocorreram em aldeias, como na Kaingang de São Leopoldo no mês de junho, quando sete indígenas testaram positivo através do teste rápido, entre os 27 que apresentavam sintomas gripais. Com a vivência comunitária, o vírus pode se espalhar facilmente. Outra questão é o fato de algumas pessoas quererem fazer entregas por conta própria diretamente às mulheres indígenas, o que pode ameaçar a população local em razão da falta de garantia de cuidados higiênicos.
Interessados em colaborar com a rede podem marcar horário para entregar as doações através do telefone (51) 98491.3118. As entregas são feitas no Centro de Referência Afro-indígena, localizado na Travessa Comendador Batista, 26, no Bairro Cidade Baixa. Podem ser doadas cestas básicas, alimentos, roupas, fraldas e materiais de higiene e limpeza.
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