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mercado imobiliário

- Publicada em 03h00min, 14/09/2020.

Projeto mostra vivência em lares na quarentena

Instagram @habitaraquarentena compartilha experiências geradas pela pandemia

Instagram @habitaraquarentena compartilha experiências geradas pela pandemia


/Natália Henkin/Divulgação/JC
Marcelo Beledeli
Quais as mudanças a experiência do isolamento social devem gerar nas expectativas da população em relação às suas residências? Tentar responder a esta questão levou a arquiteta Camila Thiesen a lançar o projeto Habitar a Quarentena. A sócia do escritório Metropolitano Arquitetos iniciou a página no Instagram (@habitaraquarentena) para coletar relatos de como as pessoas estão transformando sua relação com o lar e como as características dos imóveis interferem em suas vidas.
Quais as mudanças a experiência do isolamento social devem gerar nas expectativas da população em relação às suas residências? Tentar responder a esta questão levou a arquiteta Camila Thiesen a lançar o projeto Habitar a Quarentena. A sócia do escritório Metropolitano Arquitetos iniciou a página no Instagram (@habitaraquarentena) para coletar relatos de como as pessoas estão transformando sua relação com o lar e como as características dos imóveis interferem em suas vidas.
Segundo Camila, a ideia para a página começou a surgir quando percebeu que alguns clientes de projetos de arquitetura de interiores que estavam em andamento passaram a mudar seus planos conforme o isolamento social avançava. "Isso gerou a curiosidade de saber como essa nova rotina está se refletindo na arquitetura e construção. Criei a página no Instagram para talvez aprofundar depois em nível acadêmico", conta.
Grande parte dos relatos, segundo Camila, destacam uma alteração profunda na concepção das condições dos lares. "Muitas pessoas usavam a casa como um lugar de passagem, ficavam o dia fora e só voltavam para dormir", constata. Agora, destaca, passaram a percebem quais são os ambientes mais silenciosos, como entra a luz e em que horários, características que antes eram uma preocupação mais do arquiteto que do cliente.
"Esse período está servindo para as pessoas conhecerem mais suas rotinas e suas casas, e estão vendo que o fator de morar bem e com qualidade influencia no bem-estar pessoal", afirma a arquiteta.
Uma das participantes do projeto é a designer de moda Liana Schantz que, no dia 20 de julho, morava em um apartamento térreo no bairro Petrópolis, em Porto Alegre. "Quando passei a ficar em casa o dia todo, percebi um problema sério da residência: ela praticamente não pegava sol. As janelas não davam acesso à rua, não tinha ideia de como estava o mundo externo. Isso acabou virando um pesadelo, desenvolvi depressão, até um dos meus gatos pegou fungo, e decidi me mudar", explica.
Após três semanas de pesquisas, Liana mudou-se para um apartamento mais iluminado e espaçoso em uma região próxima de seu antigo lar. "Meu apartamento anterior era bom, fiz muitas reformas para deixar como queria, mas, como ficava pouco tempo em casa, não percebia os problemas. Agora penso muito mais na minha casa do que antes. Provavelmente vou levar essa preocupação para o resto da vida."
Para colaborar com o projeto Habitar na Quarentena, é necessário enviar relato e registro fotográfico. O texto, assinado ou anônimo, tem que revelar as dificuldades enfrentadas e os aspectos positivos da vivência da quarentena no lugar onde a pessoa se encontra, identificando a localização atual. Já as fotos precisam mostrar os ambientes da casa, detalhes do espaço, das atividades e do convívio dos moradores. Podem ser enviadas até 10 fotografias no formato preto e branco para o e-mail habitaraquarentena@gmail.com.

Nova relação com ambientes e preocupação com detalhes devem permanecer

A forma como as pessoas se relacionam com suas casas sofreu uma mudança forte durante a pandemia de Covid-19. Segundo especialistas, a necessidade de passar mais tempo dentro dos imóveis tem levado os moradores a perceber detalhes que antes não se preocupavam, e essa nova relação com os ambientes deve permanecer, trazendo impactos no mercado imobiliário.
"A casa deixou de ser um espaço temporário para ser permanente", explica Alexandre Rosa Bento, professor de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Feevale. "Ela não é mais apenas um ponto de dormitório, que as pessoas curtiam somente no fim de semana. As pessoas têm que trabalhar em casa, os filhos assistem as aulas em sistema remoto e as famílias precisaram se readaptar a esse novo cenário", comenta.
Segundo Bento, as demandas causadas pelo uso maior da residência, especialmente devido ao trabalho em home office, têm levado a diversas intervenções nos lares, o que já começa a refletir nos pedidos de projetos de arquitetura. "A casa deixou de ser uma questão de planejar quarto, sala e banheiro. Agora, as pessoas querem uma sacada onde, além de pegar sol, possam trabalhar nela. Querem ter a possibilidade de usar a cozinha como escritório caso alguém esteja ocupando a sala, e isso exige iluminação melhor, uma mesa, tomadas", exemplifica o professor.
Para Ellen Renata Bernardi, sócia da Ospa Arquitetura e Engenharia, a experiência do isolamento social pode também gerar outras mudanças de planejamento na localização das residências. A arquiteta destaca que a internet institucionalizou as relações profissionais a distância.
Essa nova relação, que faz com o que o espaço de trabalho seja também o espaço de moradia, retira a dependência de planejar a vida de acordo com os espaços profissionais. "No pós-pandemia, as pessoas podem optar por morar mais longe dos centros urbanos, mas em locais maiores e com mais conexão com o exterior", afirma.
A própria arquiteta teve que realizar mudanças em seu apartamento devido às necessidades de adaptar o espaço para exercer seu trabalho e obter mais conforto. "A sala de estar se transformou em meu escritório. Como o espaço é enxuto, optei por abrir mão da televisão e montar duas estações de trabalho. A mesa e os computadores vieram do escritório, e o sofá se transformou em sala de reuniões", comenta.
Segundo Ellen, antes da pandemia, por passar pouco tempo em casa, o fato de não ter uma vista perene nas janelas não incomodava. "Eu já cogitava me mudar, mas minha procura era focada em apartamentos de, no máximo, um dormitório e 50 m². Hoje, certamente ter um escritório desvinculado da área social seria uma opção mais acertada. Se pudesse ter terraço ou sacada, então, me mudaria imediatamente."
 
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