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Opinião

- Publicada em 03h00min, 27/07/2020. Atualizada em 03h00min, 27/07/2020.

Contraprova do plástico

Kabe provoca debate quanto à falta de gestão de resíduos e rebate papel de vilão do plástico

Kabe provoca debate quanto à falta de gestão de resíduos e rebate papel de vilão do plástico


BRASKEM/DIVULGAÇÃO/JC
Yuki Kabe
Especialista em Avaliação de Ciclo de Vida na Braskem
Especialista em Avaliação de Ciclo de Vida na Braskem
Em tempos de banimento de itens de plástico, é fundamental analisar de forma mais crítica se encarar o produto como vilão do meio ambiente é a melhor solução para problemas ambientais que precisamos solucionar. O plástico é um item para auxiliar a sociedade e as empresas em soluções para mudanças climáticas, por exemplo, que são consideradas pela Organização das Nações Unidas (ONU) a principal ameaça para o meio ambiente. Nesse sentido, a luta contra a poluição plástica não pode se tornar uma guerra contra os plásticos em si.
Na construção civil, a invenção do cimento e do concreto revolucionou a forma como construímos edificações. Sua resistência é indispensável, entretanto, tecnologias atuais de produção de cimento são grandes emissoras de gases do efeito estufa e a substituição do concreto por materiais como o plástico, nas áreas não estruturais, reduzem custos e impacto ambiental. Outra vantagem são os benefícios para a saúde. O plástico é fundamental para evitar contaminação, sendo utilizado na fabricação das máscaras recomendadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para evitar transmissão de doenças.
Mas, como garantir um futuro com plástico e equilíbrio ambiental? A desinformação é um grande problema. As famosas "ilhas de plástico no meio do Oceano Pacífico ou no mar do Caribe", por exemplo, sempre apresentadas como ilustração do que é despejado diariamente nos mares, são, na sua maior parte, resultados de grandes fenômenos naturais que arrastaram lixo para os mares, como o furacão Katrina, que varreu o litoral sul dos Estados Unidos em 2005 e os tsunamis que atingiram o sudeste asiático em 2004 e a costa leste do Japão em 2011.
Obviamente, a presença de resíduos plásticos no meio ambiente é reflexo de uma ineficiência na gestão de resíduos, mas a origem do problema é muito mais complexa, com particularidades em cada canto do mundo.
O Haiti é um país com quase nenhuma infraestrutura de coleta de lixo e localizado na rota de furacões que, junto com a chuva, levam resíduos para o oceano. Lagos, a maior cidade da Nigéria, tem mais de 20 milhões de habitantes e não conta com água encanada e o consumo de água em garrafa PET é exorbitante.
A Indonésia, um país formado por quase 20 mil ilhas, tem o desafio de pensar gestão de resíduos para regiões geográficas distintas. Na Europa, a indústria turística é um dos setores que mais geram resíduos plásticos.
É necessário investir mais em pesquisa e criar ciência em torno destas informações para um diagnóstico mais preciso, sem discrepância de dados. Para contribuir, a indústria mundial do plástico está se movimentando para gerar estatísticas, relatórios e guias para criadores de políticas públicas.
O Plastic Leak Project, capitaneado pela Quantis, uma consultoria ambiental europeia focada na gestão do ciclo de vida do plástico, é uma das iniciativas mais recentes para criação de uma metodologia de quantificação que possa ser utilizada em níveis municipal e nacional por setores privado e público.
A intenção é identificar perda de plástico em setores da indústria e desenvolver ações mitigatórias. Já estão sendo analisados dados dos setores de embalagem, têxtil e de fabricação de pneus. Nem sempre o plástico será a melhor alternativa, mas precisamos reconhecer que para muitos casos o plástico é a solução mais viável do ponto de vista ambiental. Não é possível pensar em um futuro sustentável sem o plástico.
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