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Opinião

- Publicada em 01h58min, 20/07/2020. Alterada em 01h58min, 20/07/2020.

A briga e o conflito de interesses

Gusmão destaca que, cada vez mais, o consumidor é quem dita as regras

Gusmão destaca que, cada vez mais, o consumidor é quem dita as regras


WARREN/DIVULGAÇÃO/JC
Tito Gusmão
Recentemente, um grande banco fez uma campanha criticando o conflito de interesses na indústria de investimentos. Sim, logo o banco, que indica a poupança como um bom investimento, que oferece fundos com taxas altíssimas, que entrega um resultado péssimo para milhares de brasileiros. O mais curioso nesta história é que as empresas atacadas pelo banco foram as corretoras e seus agentes autônomos. O próprio banco em questão é dono de quase metade da maior corretora do País.
Recentemente, um grande banco fez uma campanha criticando o conflito de interesses na indústria de investimentos. Sim, logo o banco, que indica a poupança como um bom investimento, que oferece fundos com taxas altíssimas, que entrega um resultado péssimo para milhares de brasileiros. O mais curioso nesta história é que as empresas atacadas pelo banco foram as corretoras e seus agentes autônomos. O próprio banco em questão é dono de quase metade da maior corretora do País.
Quase toda a indústria de investimentos no Brasil roda em cima do modelo de conflito de interesses, ponto. A questão é que a propaganda que você assiste e a briga nas redes sociais podem tentar dizer que não. Mas a verdade é que, sendo bem honesto, isso não basta de uma "conversa para boi dormir".
Existem dois modelos de remuneração na indústria de investimentos. O primeiro modelo se chama transacional, ou commission-based. Neste modelo, a comissão está embutida no produto. Existem produtos que custam mais caro e, por isso, pagam comissões maiores, e produtos mais baratos, que pagam comissões menores. Qual produto você acha que será oferecido para você?
"Mas Tito, se eu entrar em uma loja de camisetas, o bom vendedor vai tentar sempre vender as mais caras, pois ele ganha mais comissão!". Sim, porém, existe uma grande questão no conflito de interesse do mundo dos investimentos.
Investir bem é um bilhão de vezes mais importante do que comprar uma camiseta mais barata ou mais cara. Investir bem é colocar energia em algo que você conquistou. Então, do outro lado da mesa, você precisa de uma instituição alinhada com você e não uma instituição alinhada em ganhar comissão no curto prazo.
O segundo modelo de remuneração da indústria é o fee-based, no qual você paga uma taxa única na gestão dos seus investimentos e todas as comissões embutidas nos produtos voltam para você. Nele, a empresa ou o profissional tem uma única missão: selecionar os melhores produtos de investimentos para seu perfil e objetivos. É um modelo correto, transparente. É conhecido por ser a forma como os super-ricos investem, incluindo donos de corretoras e de bancos. Nos EUA, a maior parte da indústria já é assim. A época do broker, que ganha comissão em cada um dos produtos (como no filme O Lobo de Wall Street), vem morrendo.
Hoje, dois terços da indústria já são comandados pelo profissional que cobra um fee alinhado com o cliente. Na Inglaterra, o modelo transacional foi banido em 2012. Aqui no Brasil, essa indústria está crescendo, com corretoras como a Warren, que rodam 100% neste modelo e com outras gestoras e consultores de investimento.
"Mas Tito, meu dinheiro está em bancos ou outras corretoras. Estou sendo enganado?" Sim e não. Existem muitos profissionais rodando neste modelo commission-based que são fantásticos. Muitos deles peitando diretrizes vindas de cima. Então pode ser que você não esteja ferrado.
Na prática, o conflito de interesses significa quebra de confiança. O investidor não tem informações suficientes para confiar em quem está distribuindo os produtos financeiros. Mas o mercado de investimentos está evoluindo.
Estamos vivendo a época do customer centric. É o consumidor que manda, que tem o poder para simplesmente deletar uma empresa da vida dele e utilizar outra. Portanto, eu recomendo que você pergunte para o profissional que te atende qual o custo de cada produto que você investe e como ele é remunerado. Ter uma pessoa do outro lado da mesa alinhada com os teus interesses, fará uma diferença enorme para você.
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