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Empresas & Negócios

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Com a Palavra Leandro Kunst

Edição impressa de 08/06/2020. Alterada em 08/06 às 09h51min

Planejamento é aposta da Construarte para passar pela crise

Leandro Kunst faz parte da segunda geração da família à frente da empresa

Leandro Kunst faz parte da segunda geração da família à frente da empresa


CONSTRUARTE/DIVULGAÇÃO/JC
Carlos Villela
Fundada em 1971 como uma empresa de construção e pinturas, a Construarte Engenharia e Construção está entre as 10 maiores do setor no Rio Grande do Sul, com atividades em 29 cidades e um portfólio de mais de 500 obras, que incluem hotéis, supermercados, hospitais, centros profissionais e condomínios residenciais.
Fundada em 1971 como uma empresa de construção e pinturas, a Construarte Engenharia e Construção está entre as 10 maiores do setor no Rio Grande do Sul, com atividades em 29 cidades e um portfólio de mais de 500 obras, que incluem hotéis, supermercados, hospitais, centros profissionais e condomínios residenciais.
A empresa completou 49 anos no dia 18 de maio, e segue a caminhada rumo ao cinquentenário em um período de incerteza por conta dos impactos da pandemia do coronavírus na economia. Para Leandro Kunst, diretor executivo da Construarte, organização e planejamento estão arraigados na cultura da empresa e vão ajudar a superar este período de crise.
Formado em Engenharia Civil e com especialização em Engenharia de Produção e Gestão da Qualidade pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Kunst faz parte da segunda geração da família à frente da empresa, e atribui a sobrevivência e crescimento da Construarte nos 49 anos de existência à capacitação de cada um dos funcionários.
"Somos dois irmãos e três sobrinhos na empresa, que se orgulham do comprometimento de todos com o negócio", afirma Kunst. "Vamos transformando ano a ano a nossa forma de trabalho na Construarte". O próprio nome da empresa remete ao caráter familiar - o sobrenome Kunst, em alemão, quer dizer "arte".
Pré-pandemia, a projeção de crescimento para este ano era estimada entre 30% a 40%. Nos últimos cinco anos, explica Kunst, a empresa cresceu bastante no setor de hotéis e residências com foco em turismo. Agora, com o impacto da pandemia e das medidas de restrição social, a expectativa da empresa é ao menos manter o faturamento de 2019. A prioridade agora, de acordo com Kunst, é a saúde dos funcionários. "Temos feito um trabalho a várias mãos com muita vontade e muito afinco, mas o que temos de consciência é que chegamos aqui mantendo a essência, mas se transformando, atuando cada vez mais áreas diferentes, novos tipos de obras e novos clientes", diz.
"Nos últimos cinco anos, nós crescemos bastante na área de hotelaria e construções residenciais na serra, muito focadas na questão do turismo. Agora, também é o setor mais atingido", lamenta.
Empresas & Negócios - Antes do início da pandemia, o setor da construção civil, puxado principalmente pelo estado de São Paulo, estava começando uma retomada nacional. Na sua avaliação, como o senhor percebia essa retomada nas atividades da empresa?
Leandro Kunst - Nós trabalhamos principalmente como construtora, e não como incorporadora. Nós tivemos um crescimento no mercado bastante expressivo nos últimos 7 ou 8 anos, mas mais voltado ao atendimento de incorporadores, que não queriam mais construir e somente incorporar. Nós tivemos um aumento forte na serra gaúcha, tivemos um crescimento bastante expressivo nessa região. Sentíamos que o mercado estava retomando. Nos últimos cinco anos nós crescemos bastante na área da hotelaria, um setor mais vinculado ao turismo, e construções residenciais na Serra. Nessas obras, o mercado teve um crescimento muito forte nos últimos cinco anos. E, agora, com certeza foi o setor mais atingido.
E&N - A construção civil foi um dos primeiros setores a permitir a retomada das atividades durante o período de isolamento. Quantas obras a empresa está tocando atualmente?
Kunst - Temos 25 obras em andamento. Nós ficamos parados 15 dias, e, na medida que os decretos municipais de flexibilização foram acontecendo, fomos retomando.
E&N - A empresa é sediada em Igrejinha, um município de pequeno porte. Como o senhor percebe a relação entre a Construarte e a cidade?
Kunst - Nossa empresa está sediada, há 49 anos, no mesmo local. Temos uma relação muito forte com a cidade. Nós estamos na terceira geração da companhia, atuamos muito em entidades, auxiliamos em gestão, temos uma relação muito próxima com a comunidade.
E&N - Qual é a importância da responsabilidade social para a empresa, e como ela é trabalhada dentro da área da construção?
Kunst - É uma questão de olhar todos os envolvidos. O setor da construção ainda é muito informal. É comum ter contratação de terceiros nos canteiros de obra, e precisamos estar atentos para que todos estejam dentro das leis trabalhistas. E não apenas isso. Temos também que acompanhar de perto a forma como desempenham suas atividades para que seu trabalho não interfira na vizinhança, pois primamos pelo bom relacionamento com as comunidades.
E&N - Quais são as principais obras que a Construarte está desenvolvendo nesse momento?
Kunst - Não cito nominalmente por questão de sigilo de contratos, mas temos obras residenciais, comerciais e industriais em andamento. Temos quatro obras de hotelaria em andamento, umas 15 residenciais, sendo três incorporações próprias, e três obras industriais em andamento. Na nossa região, temos algumas incorporações previstas com parceiros. No Vale do Paranhana e na Serra, temos algumas prospecções de negócios para começar no ano que vem, e também alguns planejamentos de obras na região metropolitana.
E&N - Hoje, qual é o maior desafio na área da construção para o empresário?
Kunst - A retomada da confiança. Precisamos retomar a confiança num momento muito complicado, em que as pessoas estão com medo, o que, obviamente, trava investimentos e negócios. Por isso, a retomada da confiança é muito desafiadora para as pessoas pararem de olhar a curto prazo e enxerguem a médio e longo prazos. E a questão do financiamento, estamos falando em um setor muito dependente desse recurso.
E&N - O governo federal abriu algumas linhas de crédito e passou a elaborar o programa Pró-Brasil, projeto ainda pouco explicado, mas com um dos eixos sendo obras de infraestrutura. O senhor espera que aumente as vagas de emprego na construção civil por consequência disso?
Kunst - O Programa Pró-Brasil, que foi feito um anúncio preliminar, não afeta diretamente a nós. Mas eu acredito que a construção vai ser um dos setores que deve retomar, pela questão dos juros mais baixos, a busca por solidez, as pessoas adquirirem imóveis em função de juros mais baixos, então deve sim ter uma recuperação dessas demissões todas que tem acontecido, uma retomada gradual. Quanto tempo? Não sei, acredito que nos próximos messes vão ser um cenário conturbado, mas depois o nível de emprego deve ser retomado.
E&N - Qual era a estimativa de crescimento da empresa para este ano no momento pré-pandemia? E qual é a estimativa atual, dado o contexto?
Kunst - Tínhamos uma projeção de crescimento para esse ano na ordem de 40% em relação ao ano passado. Agora, estamos na expectativa de ao menos manter a receita do ano anterior, ou próximo a isso.
E&N - Nos seus 23 anos de atuação na empresa, como o senhor percebe o impacto da crise decorrente da pandemia?
Kunst - Cada crise é diferente uma da outra. Caso a gente soubesse o que vem pela frente, não haveria crise. E essa é sistêmica, é a primeira vez em 23 anos de atuação na empresa que vejo uma crise tão intensa como essa. É uma crise de medo, o mercado parou em todas as áreas em função do medo, e eu acredito que não seja em falta de recursos, o nível de liquidez no mundo é relativamente alto em relação a outros períodos, incentivos econômicos. É a mais desafiadora da nossa história aqui na empresa.
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