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Porto Alegre, quarta-feira, 22 de julho de 2020.

Jornal do Comércio

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Empresas & Negócios

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gestão

- Publicada em 22h26min, 16/02/2020. Atualizada em 18h42min, 20/02/2020.

Métodos ágeis aceleram projetos e dão tração a empresas no mercado

 Cenário de incertezas exige que empresas validem iniciativas em curto espaço de tempo

Cenário de incertezas exige que empresas validem iniciativas em curto espaço de tempo


/IJEAB VIA FREEPIK.COM/DIVULGAÇÃO/JC
Patricia Knebel
A sua empresa vive um contexto de incertezas diante das mudanças aceleradas do mercado? A ideia de ficar um ano pensando e desenvolvendo um projeto já não faz mais sentido como no passado, já que provavelmente vai fazer o seu negócio ser atropelado pela concorrência? Você sente que precisa envolver melhor os seus profissionais nas decisões para, assim, conseguir retê-los?
A sua empresa vive um contexto de incertezas diante das mudanças aceleradas do mercado? A ideia de ficar um ano pensando e desenvolvendo um projeto já não faz mais sentido como no passado, já que provavelmente vai fazer o seu negócio ser atropelado pela concorrência? Você sente que precisa envolver melhor os seus profissionais nas decisões para, assim, conseguir retê-los?
Bom, ao que tudo indica, essa é uma ótima oportunidade para começar a olhar mais atentamente para as metodologias ágeis. No cerne da proposta, está a perspectiva, já muito praticada pelas startups, de validação de hipóteses em um curto espaço de tempo. Não é preciso começar com um projeto gigantesco, como o desenvolvimento de um aplicativo, e finalizá-lo só daqui muito tempo, se o caminho pode ser ir fatiando as entregas, sentindo a reação do cliente e ir aprimorando. Sem falar a perspectiva de dar autonomia para as pessoas tomarem decisões e deixar de lado um pouco as documentações, que muitas vezes tornam o trabalho tão burocrático.
"É quase um grito de liberdade para quem está desenvolvendo um projeto. Não precisa pedir tantas autorizações e assinar muitos papéis, pois as pessoas que estão acompanhando in loco o desenvolvimento têm mais autonomia para tomar decisões", observa o diretor de agilidade organizacional da Magazine Luiza, Henrique Imbertti.
A empresa foi uma das que colocou o pé no acelerador nesse assunto. Hoje em dia, a agilidade está no cerne de tudo que é pensado e desenvolvido pela área de tecnologia da gigante varejista. Para o gestor, o ágil significa, nessa confusão vivida pelo mercado, a possibilidade de conseguir progredir mesmo em um cenário de constantes mudanças. "A ideia é que você consiga se mover mesmo tendo incertezas, porque na medida que progride, vai se adaptando às mudanças e avançando. E sempre dando autonomia com responsabilidade para as pessoas que estão criando o produto poderem tomar decisões", explica.
Quem lidera esses projetos é o Laboratório de Pesquisa e Desenvolvimento, criado em 2011. Durante alguns anos, a área tradicional de tecnologia da empresa e o lab atuaram dividindo as ações, em uma espécie de modelo bimodal. Mas, com o tempo, isso começou a mudar.
"No modelo convencional, a área de tecnologia pegava um projeto e ficava muito tempo pensando e criando até poder apresentar algo aos gestores. Sem falar que demorava muito para reagir às mudanças. Já no lab, começamos a fazer mais rapidamente, identificando o problema, resolvendo uma parte dele e demonstrando toda semana ao COO para ir validando", relembra Imbertti.
O primeiro grande desafio aconteceu no ano de 2014, quando a companhia decidiu utilizar a cultura da agilidade no e-commerce da marca. "Algumas pessoas não se adaptaram a essa nova cultura e chegaram a sair da empresa, mas o resultado na operação foi muito positivo, pois o e-commerce passou a ter menos problemas e entregar as soluções mais rapidamente", conta. Um ano depois, o lab passou a tomar conta de todos os projetos da Magazine Luiza. O time, que era de 180 pessoas e depois 380, já está em 1,2 mil.
Imbertti, que já passou por players como Yahoo e Spotify, conta que o tema da agilidade foi se profissionalizado até que, em 2017, foi criada a diretoria de Agilidade Organizacional, área que ele lidera hoje em dia. Uma das metas agora é fazer esse tema perpassar toda companhia. "Não dá para pensar o ágil somente como algo do setor de tecnologia, mas como valores que podem ser expandidos para todas as áreas", analisa.

Segredo do modelo está na aposta nas pessoas

Para Prikladnicki, Brasil está avançado e tem trabalho sofisticado na área

Para Prikladnicki, Brasil está avançado e tem trabalho sofisticado na área


/CAMILA CUNHA/ASCOM PUCRS/DIVULGAÇÃO/JC
A ideia de entregar valor aos clientes em ciclos curtos, com equipes auto organizadas e com mais autonomia e a partir de uma estrutura de gestão flexível é cada vez mais sedutora. Isso faz dos métodos ágeis um conjunto de valores e preceitos muito aderente aos modelos de negócios atuais.
Mas, se a sua adoção traz tantos benefícios para as corporações, porque só agora parece ter virado hype? "Porque não tem mais saída. Não temos mais um único setor no mercado que esteja sentado na estabilidade. Ou muda ou morre", alerta o CEO Surya e especialista em metodologias ágeis, Luiz C. Parzianello.
Outra grande mudança que existe agora, e que está levando à expansão do modelo, é que o conceito da agilidade, que surgiu nos departamentos de tecnologia das empresas, chegou às áreas de negócios.
"O interesse pelo tema começou pelos curiosos, depois se institucionalizou nos departamentos de TI, aí veio o interesse das outras áreas e, então, chegou ao RH, que é quem está naturalmente levando esse modelo para toda a empresa", comenta Rafael Prikladnicki, diretor do Tecnopuc, especialista em metodologias ágeis, um dos fundadores da Agile Alliance Brazil, a primeira subsidiaria fora dos Estados Unidos da instituição.
Aliás, a comunidade brasileira e, especialmente gaúcha, é muito respeitada no mundo quando o assunto é a agilidade. "Estamos bem avançados no Brasil, com empresas com um trabalho bem sofisticado nessa área. Não devemos em nada para nenhum país nos projetos de implementação da agilidade", diz Prikladnicki.
Esse boom não significa, porém, que todas as empresas que estão apostando na agilidade entenderam exatamente como esse modelo funciona. Parzianello analisa que muitas operações estão correndo atrás do tempo perdido e acham que a agilidade é a pílula da salvação da pátria, quase um milagre capaz de resolver todos os problemas.
"Agilidade é, antes de tudo, um modelo mental. Muitas empresas querem implantar como se fosse um produto ou um template, que irá naturalmente tornar os times mais produtivos, mas não é assim", complementa.
Uma premissa básica desta metodologia é, justamente, colocar as pessoas no centro das interações. Isso significa o trabalho em time interdependente, pessoas com um propósito comum, que aceitam a mudança e não resistem a ela. Que se focam no valor gerado e prezam pela melhoria contínua. "Há uma forte popularização em torno do tema, mas é preciso propósito entendimento de que agilidade, mais do que processos, é muito dependente de pessoas", complementa Prikladnicki.
Para Parzianello, desenvolver um produto é um processo de aprendizagem. Pessoas são a essência de tudo. A ideia é que as empresas parem de mapear processos, deixem de lado a burocracia e confiem nas pessoas.
"A nova economia digital não é só tecnologia. Os avanços não brotam do além; times desenvolvem toda essa tecnologia e esses time estão tendo que ter cada vez mais velocidade de inovação, de aprendizagem, experimentação, mudança, não atuam no mesmo modelo de gestão do passado", analisa.

Thoughtworks ajuda a disseminar essência da velocidade

Thoughtworks nasceu em Chicago (EUA) e que tem a cultura da agilidade em sua essência

Thoughtworks nasceu em Chicago (EUA) e que tem a cultura da agilidade em sua essência


THOUGHTWORKS/DIVULGAÇÃO/JC
Não tem mais como atender o tempo de mercado atuando da mesma forma de sempre, mantendo os mesmos processos formais e valorizando mais o plano do que as mudanças inerentes aos negócios.
Se o projeto prevê o desenvolvimento de um aplicativo, em duas semanas os gestores já conseguem ver uma versão mais simples do meu app, e não é preciso esperar seis meses para ver a tela. "O grande produto é feito de várias pequenas partes e as empresas passaram a ver valor nisso", afirma a consultora de Desenvolvimento Principal da Thoughtworks, Rosi Teixeira.
Para ela, a agilidade traz força para os negócios porque respeita a mudança, e os princípios ágeis entregam valor rápido. "E rápido, agora, é decisivo nos negócios. Se demora para dar um passo o concorrente dá três na sua frente", analisa Rosi.
E se tem uma empresa que pode falar com propriedade disso é a Thoughtworks, que nasceu em Chicago (EUA) e que tem a cultura da agilidade em sua essência. "A Thoughtworks trabalha com essa metodologia desde 2000 e ela se mistura com os nossos princípios e a forma como acreditamos que podemos entregar software de valor para as pessoas", comenta a gestora.
Mas levou tempo para o mercado acreditar que os métodos ágeis poderiam ser a resposta para muitas dos desafios impostos pelo mercado nos dias atuais. Um dos motivos disso, explica Rosi, é que a engenharia de software tradicional sempre foi uma área muito próxima da engenharia civil.
Trabalhar no projeto de um prédio ou de um software trazia semelhanças nos processos, como ao fazer o levantamento dos requisitos e juntar documentos. Sem falar que são disciplinas em que todas as fases de desenvolvimento são respeitadas, com pessoas especialistas em pedaços do processo e que, muitas vezes, não se conectam. Cada um era dono da sua ideia e daquele pedaço.
"Isso fazia com que levasse tanto tempo para um software ficar pronto que, quando isso acontecia, o mercado já tinha mudado e as necessidades dos clientes eram outras. Eles acabavam recebendo o projeto depois de um ano para cumprir contrato, mas não tinha mais significado, e isso frustrava também as pessoas que tinham desenvolvido", comenta. É exatamente o oposto do que prega a agilidade.
Mas, mesmo com grandes vantagens, até hoje algumas pessoas olham para a agilidade com desconfiança. Entre os receios está o da falta de documentação. "O fato de focar nas pessoas não quer dizer que não tenha sistematização. Seguimos planejamento, mas isso não é maior que as outras coisas, até porque os planos mudam ao longo do projeto", explica Rosi. Sem falar na estranheza que muitas vezes o desenvolvimento ágil causa por pressupor que você acredite muito nas pessoas. 

Arezzo&Co aposta em lideranças

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/AREZZO
"Se eu me trancar em uma sala para pensar um projeto, quando sair o problema original já será outro". Esse é o exemplo que o diretor executivo de transformação digital da Arezzo&Co, Maurício Bastos, gosta de dar para reforçar a aposta que a empresa faz no uso dos métodos ágeis para desenvolver projetos.
O primeiro investimento foi aprovado em 2019 com a criação de sqeds, espaços físicos onde ficam os times ágeis. São salas mais isoladas, projetadas para criar um ambiente de segurança e conforto emocional para os profissionais, conectados com o restante da empresa.
A Arezzo&Co também contou com parceiros para disseminar a agilidade, como a empresa Surya e um agile coach contratado para fazer parte do time. "Hoje temos três lideranças, voltadas para as áreas de negócios, tecnologia e metodologia. O agile coach é o protagonista da mudança cultural e guardião da nossa metodologia", explica.
O ano passado foi o primeiro que a empresa trabalhou nos seus projetos dentro da perspectiva da agilidade. "Priorizamos alguns desafios como integração de canais, logística, Business Intelligence e merchandising, tudo contemplando o uso das metodologias ágeis", conta. A ideia para 2020 é contaminar a companhia. "Agilidade envolve transformar a cultura e as pessoas mais do que ferramentas técnicas", pontua.

O que é o Manifesto Ágil

Documento escrito em 2001 por nomes como Kent Beck, Martin Fowler, Robert C. Martin e Dave Thomas, prevê:
  • Indivíduos e interações mais que processos e ferramentas
  • software em funcionamento mais que documentação abrangente
  • colaboração com o cliente mais que negociação de contratos
  • responder a mudanças mais que seguir um plano 
     
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