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Porto Alegre, terça-feira, 14 de janeiro de 2020.

Jornal do Comércio

Empresas & Negócios

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Tecnologia

Edição impressa de 06/01/2020. Alterada em 06/01 às 08h41min

Possibilidades de inovação do 5G empolgam o mercado

Dados apontam que essa tecnologia deverá ser responsável por até US$ 13,2 trilhões em vendas

Dados apontam que essa tecnologia deverá ser responsável por até US$ 13,2 trilhões em vendas


JOSEP LAGO/AFP/JC
Patricia Knebel
Cidades inteligentes, carros e veículos autônomos, jogos em nuvem, alta tecnologia no campo, telemedicina turbinada. A perspectiva da chegada do 5G é, sem dúvida alguma, animadora. Dados do IHS Markit, provedora global de informações com sede em Londres, apontam que essa tecnologia deverá ser responsável por até US$ 13,2 trilhões em vendas e 22,3 milhões de empregos até 2035.
Cidades inteligentes, carros e veículos autônomos, jogos em nuvem, alta tecnologia no campo, telemedicina turbinada. A perspectiva da chegada do 5G é, sem dúvida alguma, animadora. Dados do IHS Markit, provedora global de informações com sede em Londres, apontam que essa tecnologia deverá ser responsável por até US$ 13,2 trilhões em vendas e 22,3 milhões de empregos até 2035.
A altíssima capacidade de tráfego - 20 vezes maior que a tecnologia 4G - e a baixa latência, que é o tempo entre enviar um pacote de dados e receber a resposta, são as grandes novidades.
Muito mais do que os avanços que nos acostumados a ver com a migração do 2G, 3G e 4G, trata-se, agora, de uma evolução capaz de viabilizar aplicações realmente inovadoras. Mas não adianta esperar que todos esses benefícios cheguem imediatamente. O avanço será gradual, comenta Eduardo Tude, presidente da Teleco, consultoria especializada em telecom. "Em 2019, vimos as primeiras implantações pelo mundo, ainda em estilo hotspot, mais demonstrativas e com coberturas restritas. Em 2020, a perspectiva é de um avanço mundial mais massivo, puxado pela China", projeta. Se isso acontecer, em 2021, já será possível ver no mercado smartphones 5G com preços acessíveis.
Em novembro de 2019, eram 46 redes 5G em operações no mundo inteiro, segundo relatório da 5G Americas, associação setorial dos principais provedores de serviços e fabricantes do setor de telecomunicações. Os early adopters, perfil de usuário que geralmente adota primeiro as novidades, já estão aproveitando alguns dos benefícios.
De acordo com a consultoria Ovum, eram cerca de 12,9 milhões de conexões 5G no final de 2019 - número que deverá saltar para 1,3 bilhão de conexões em 2023. "Os leilões do Brasil, da Colômbia, de El Salvador e do Uruguai podem acelerar a expansão regional da LTE, aumentando o mercado em potencial da tecnologia. A região já lançou três redes comerciais 5G, e outros podem entrar no mercado até o final deste ano", comenta o vice-presidente da 5G Americas para a América Latina e Caribe, Jose Otero.
No Brasil, uma das maiores amarras ainda é o leilão de espectro da tecnologia 5G. Inicialmente, a previsão da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) é que ele aconteceria em 2020. Mas já se cogita que ficará para 2021.
"O leilão é que dará a largada. Enquanto não tivermos isso, as operadoras continuarão estudando o mercado e as perspectivas, mas precisam ter frequência para avançar nos projetos", alerta Tude. Ainda assim, mesmo que o leilão seja protelado, o Brasil não deverá ficar para trás, na opinião do gestor. "O nosso timing é ter as redes 5G em 2021. Se o leilão for feito no final de 2020 ou início de 2021, as operadoras ainda assim poderão ter as redes funcionando em alguns meses", analisa.

Quinta geração vai potencializar aplicações de IoT e IA

Para Cássio Pantaleoni, da SAS Brasil, paradigma será mudado

Para Cássio Pantaleoni, da SAS Brasil, paradigma será mudado


/SAS Brasil/Divulgação/JC
Não são apenas as aplicações em setores tradicionais que serão beneficiadas pela quinta geração da internet móvel; as novas tecnologias exponenciais alcançarão outro patamar nos próximos anos. Uma delas é a Internet das Coisas (IoT), mercado cujo impacto econômico é estimado entre US$ 4 trilhões e US$ 11 trilhões até 2025, segundo projeções do Instituto Global da McKinsey. A perspectiva é que diversas aplicações que envolvem a conexão entre objetos serão viabilizadas em setores como agronegócios, smart cities e varejo.
Outra tecnologia que será fortemente afetada pelo 5G é a Inteligência Artificial (IA). Hoje, fala-se muito no poder da IA para a melhoria dos processos internos, na medida em que é possível definir parâmetros que automatizem a tomada de decisões. Mas, para o presidente do SAS Brasil, Cássio Pantaleoni, o 5G vai provocar uma mudança de paradigma.
"A capacidade de decisão será transferida para os objetos físicos do mundo. A tecnologia de quinta geração vai gerar um potencial fantástico para IA, na medida em que permitirá que decisões possam ser tomadas em um carro em movimento, em uma casa automatizada ou em no monitoramento de uma frota de caminhões seja feito realmente em tempo real", projeta Pantaleoni.

Avanço do 5G depende de ecossistema propício

Para Ferrari, mercado ainda precisa esperar o momento certo para investir no novo sistema

Para Ferrari, mercado ainda precisa esperar o momento certo para investir no novo sistema


SINDITELEBRASIL/DIVULGAÇÃO/JC
O mercado aguarda ansiosamente a realização do leilão de espectro da tecnologia 5G pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Mas, para o presidente-executivo do Sindicato Nacional das Empresas de Telefonia e de Serviços Móvel Celular e Pessoal (SindiTelebrasil), o economista Marcos Ferrari, é preciso esperar o momento certo. "O ideal é que ocorra quando houver plena segurança jurídica e regulatória para a realização dos investimentos esperados", destaca o gestor da entidade que é a representante dos interesses das operadoras de telecom.
Empresas&Negócios - O que podemos esperar do 5G para 2020?
Marcos Ferrari - Para o Brasil, espera-se que seja um ano em que haja a definição prévia e clara das regras do processo licitatório e das políticas públicas decorrentes na nova tecnologia.
E&N - Na visão da entidade e, consequentemente, das operadoras, quais os caminhos mais certeiros para a implantação no Brasil e quais os riscos?
Ferrari - A nossa visão contempla a promoção aos investimentos em rede, consequentemente, uma precificação equilibrada, não arrecadatória, e a segurança jurídica/regulatória na modelagem do edital. É importante termos um ecossistema propício à implantação de infraestrutura, como a Lei das Antenas, a redução da carga tributária e o uso de fundos públicos para a utilização dessa infraestrutura pela população mais carente, entre outros fatores críticos de sucesso.
E&N - Qual o momento ideal para ocorrer o leilão do espectro?
Ferrari - O leilão deve ocorrer quando houver plena segurança jurídica e regulatória para a realização dos investimentos esperados. O ecossistema de 5G ainda está amadurecendo, e, no Brasil, temos outros desafios que precedem a modelagem do edital, como definição da banda, convivência com a TVRO (Television Receive Only em Banda C - parabólicas), divisão dos lotes e precificação do espectro.
E&N - Quais os desafios para o 5G deslanchar no Brasil e como poderá habilitar tecnologias como IoT e IA?
Ferrari - A tecnologia pode deslanchar no Brasil se o ambiente para a atração de investimentos for propício e abrangente. Isso depende da modelagem do edital e dos demais aspectos regulatórios que promovem a construção de mais infraestrutura para a prestação dos serviços. Efetivamente, a utilização do 5G na aplicação de facilidades de Internet das Coisas ou na Inteligência Artificial é fator fundamental, já que será o suporte principal para o desenvolvimento do ecossistema. Entendemos que a adequação tributária sobre os serviços que suportarão a oferta de IoT e IA é fundamental, pois a rentabilidade para a disponibilidade de dispositivos é mínima, não sendo possível o desenvolvimento do ecossistema nas condições atuais. Outro ponto relevante é a necessidade de revisão da regulamentação existente sobre os serviços de telecomunicações, que devem dar suporte às aplicações de IoT e IA, tornando-a mais flexível e menos intrusiva, uma vez que o 5G tornará essas aplicações mais dinâmicas.

Controle da segurança e privacidade será complexo

Em alguns casos específicos, vulnerabilidades podem causar danos à saúde

Em alguns casos específicos, vulnerabilidades podem causar danos à saúde


Charles via Unsplash/Divulgação/JC
Os dados do mundo inteiro chegarão a 175 zettabytes até 2025. Em 2010, quando o 4G foi implementado, eram 1,2 zettabyte. Os avanços das aplicações são promissores, mas também representarão inúmeras novas ameaças graças ao aumento em volume e velocidade de transferência dos dispositivos conectados, alerta o analista de segurança da Kaspersky, Amin Hasbini.
Em alguns casos específicos, vulnerabilidades podem causar danos à saúde, como se um instrumento terapêutico do cliente estiver desconectado e não funcionar. Sem falar em ameaças dos carros autônomos que possam ser controlados remotamente por cibercriminosos ou ameaças a sistemas críticos, como de fornecimento de água e energia.
"Para que o 5G de fato possibilite avanços técnicos e melhore a qualidade de vida das pessoas, sem a interferência de agentes maliciosos, é essencial que haja uma união de forças entre fornecedores de tecnologia e entidades dos governos. Isso depende da inovação do 5G", aponta Hasbini.
O aumento na velocidade e na quantidade de dispositivos conectados à rede trará novas oportunidades de ataques, como DDoS em grande escala e um maior desafio na proteção das redes e de seus dispositivos. Outra questão relevante é a de que o 5G será implementado em cima de uma infraestrutura prévia, o que significa que ele herdará as vulnerabilidades e as configurações incorretas de seu predecessor, o 4G.
Ademais, espera-se que os dispositivos de Internet das Coisas e Máquina a Máquina (M2M) ocupem uma parte maior da capacidade de rede. A interação de todos esses dispositivos provavelmente desencadeará problemas inéditos no desenvolvimento dos produtos e no comportamento dos dispositivos.
Outra questão é a privacidade. Devido ao curto alcance, o 5G exigirá a implementação de mais torres de comunicação em centros e edifícios comerciais. Isso aumentará os riscos de coleta e rastreamento da localização precisa dos usuários. Outro problema é que os provedores de serviços 5G terão amplo acesso a grandes quantidades de dados enviados pelos dispositivos, que podem mostrar exatamente o que está acontecendo dentro da casa da pessoa, como descrever o ambiente em que ela vive, além de fornecer detalhes sobre os sensores residenciais.

Usos mais promissores do 5G

  • Acesso fixo sem fio: O 5G pode substituir a banda larga residencial e comercial, eliminando a necessidade de manter uma infraestrutura fixa de fibra ótica, que exige altos investimentos, e oferecer soluções de conectividade que apresentam entre 10 e 100 vezes mais capacidade comparadas com as redes 4G.
  • Jogos em nuvem: Os jogos em nuvem representam uma grande mudança no mundo dos jogos, migrando o trabalho intensivo de renderização e processamento gráfico do dispositivo do usuário para servidores da rede. Com servidores edge, a latência da rede 5G será muito reduzida, um dos requisitos para entregar jogos em nuvem para dispositivos móveis.
  • Rede inteligente: Dispositivos sem fio poderão usar as redes de comunicação bidirecional em redes de energia para detectar, monitorar e ajustar o uso e consumo de energia elétrica remotamente. A 5G será o catalisador, com a capacidade muito maior de transmissão de dados e latência ultra baixa que as aplicações de rede inteligente exigem.
  • Realidade Estendida (RX): Realidade Aumentada (RA) & Realidade Virtual (RV) - 5G: Também vai suportar a expansão do mercado de RX. Aplicações de realidade estendida (RX) estão entre as aplicações edge mais importantes que o setor está desenvolvendo.
  • Veículo Aéreo Autônomo (UAV): Um dos principais requisitos da 5G é a latência ultra baixa e essa característica, em conjunto com a robótica, deve iniciar uma nova era de medicina remota, robôs industriais e drones - ou Veículos Aéreos Autônomos (Unmanned Aerial Vehicles - UAVs). A 5G ampliará as capacidades dos UAVs e Sistema de Administração de Tráfego.
  • Assistência médica: A saúde, especialmente a telemetria, é um dos principais casos de uso da IoT e investimento nessa área deve aumentar rapidamente entre 2017 e 2022. Novos dispositivos de saúde dependerão do URLLC e sincronização do tempo da 5G para rapidamente compartilhar e controlar informações precisas. Várias tarefas podem ser realizadas remotamente, como o compartilhamento de vídeos para realizar diagnósticos, ou controlar uma bomba de insulina ou realizar uma cirurgia via robô.
Fonte: Relatório Inovação em Serviços 5G da 5G Americas

A economia do 5G

A expectativa é que o 5G beneficiará de uma forma ampla a economia e a vida das pessoas. Isso porque, esse padrão estará presente em dispositivos móveis conectando pessoas a pessoas e pessoas a objetos.
  • Indústrias conectadas: Em 2035, quando o benefício econômico total da 5G deve ser alcançado em todo o mundo, segmentos como varejo, educação, transporte e entretenimento e tantos outros produzirão até US$ 13,2 trilhões em bens e serviços habilitados pelo 5G móvel tecnologia.
  • Geração de empregos: Somente a cadeia de valor 5G móvel poderia gerar até US$ 3,6 trilhões em receita em 2035 e suportar até 22,3 milhões de novos empregos.
  • PIB global: Com o tempo, espera-se que a contribuição total de 5G para o crescimento do PIB global real seja equivalente a um país do tamanho da Itália. Atualmente, a Itália está classificada como a oitava maior economia do mundo.
Fonte: The 5G Economy, Qualcomm
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