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Porto Alegre, segunda-feira, 25 de novembro de 2019.
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Edição impressa de 25/11/2019. Alterada em 25/11 às 16h26min

Grenal contra o preconceito e pela inclusão entra em campo

Torcidas serão alvo das ações que os dois clubes, historicamente rivais, estão colocando em campo

Torcidas serão alvo das ações que os dois clubes, historicamente rivais, estão colocando em campo


MONTAGEM/ARTE/JC
Patrícia Comunello
Não foi combinado, mas a coincidência de iniciativas de Grêmio e Inter reforça uma pauta que ganha, a cada dia, mais relevância no universo do futebol. A dupla Grenal, historicamente rival dentro das quatro linhas, está colocando em campo medidas decisivas para combater o racismo e outros preconceitos e discriminações.
Não foi combinado, mas a coincidência de iniciativas de Grêmio e Inter reforça uma pauta que ganha, a cada dia, mais relevância no universo do futebol. A dupla Grenal, historicamente rival dentro das quatro linhas, está colocando em campo medidas decisivas para combater o racismo e outros preconceitos e discriminações.
Os dois clubes adotam atitudes que inserem, na ação político-institucional das agremiações, iniciativas que vão de atitudes práticas conjuntas - como abrir o duelo de um Grenal com ato reforçando a campanha #ChegadePreconceito, liderada pelo Observatório de Discriminação Racial no Futebol - a debates, sessões de filmes, propostas de mudança nos estatutos e projetos inéditos em termos de Brasil.
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O consenso que se forma na epiderme dos dois times é que é preciso mais rigor na punição, além de educar e fazer a vigilância sobre o comportamento das torcidas organizadas. Também vão começar a surgir condutas para maior apuração de atos de preconceito a partir de iniciativas de federações de futebol e tribunais desportivos. 
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Presidentes Marcelo Medeiros (Inter) e Romildo Bolzan (Grêmio) com Marcelo Carvalho da campanha #ChegadePreconceito. Foto: Lucas Uebel 
Para simbolizar esse momento, a tradicional entrada dos times teve um ingrediente inédito no Grenal 422, em 3 de novembro. Crianças e adolescentes que seguiam os jogadores vestindo a camiseta da campanha #ChegadePreconceito eram ligadas a cada clube, o que nunca tinha ocorrido. Na rivalidade histórica, essa representação nunca tinha entrado em campo.
Ou seja, as diferenças, que não têm a ver com o jogo propriamente dito, podem, finalmente, estar sendo deixadas de lado. Mas o campeonato só está começando.   

Clube de Todos e laboratório de práticas antirracistas

ENTITY_apos_ENTITYAmbiente do estádio de futebol é indutor para manifestação de quem já é preconceituosoENTITY_apos_ENTITY, diz Bugin

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LUIZA PRADO/JC
O Grêmio está trazendo as ações para uma abordagem estrutural, como diz o vice-presidente do Conselho Deliberativo, Alexandre Bugin. Ainda em novembro, sai do forno uma plataforma de iniciativas dentro do projeto Clube de Todos.
Em 2020, os conselhos do Tricolor e os sócios podem avaliar a proposta de ter no estatuto um capítulo sobre a discriminação e também valorizando ações inclusivas, ampliando dispositivos que existem no regulamento atual e no Código de Ética.
O clube também vai firmar um protocolo de intenções com a Defensoria Pública da União (DPU) para montar um laboratório experimental de práticas antirracistas no futebol. O Grêmio será o primeiro time no País a adotar um acordo nesses moldes e que será assinado no começo de dezembro na sede do clube, na Arena Porto-Alegrense, entre a direção Tricolor e representantes do Grupo de Trabalho de Políticas Etnorraciais da DPU. O Grêmio foi procurado pela coordenadora do grupo, Rita de Oliveira, na metade do ano. Rita apresentou a proposta de ações conjuntas.
Bugin explica que a parceria com a DPU faz parte de mudanças mais profundas na forma como o clube está encarando esse tema e outras faces da discriminação, não só de raça, mas de gênero e outras dimensões.
"O nosso entendimento é que o ambiente do estádio de futebol, de um jogo, da torcida, é indutor para esse tipo de manifestação de quem já é preconceituoso, que é uma minoria, mas que, às vezes, prejudica a maioria", diagnostica o vice-presidente.
O divisor de águas é que o Tricolor decidiu instaurar uma lógica nas iniciativas para banir o preconceito. Em vez de seguir em campanhas mais efêmeras, que surgem no calor de novos fatos ou datas, o clube partiu para ações mais permanentes que estarão no pacote do Clube de Todos. As medidas, que abrangem diversas áreas do clube, torcidas e escolas de base, estão sendo formatadas desde o começo do ano.

Colorado cria linha de denúncia e vota mudança no estatuto

Homofobia é o preconceito mais velado e difícil de combater no mundo do futebol, diz Najla

Homofobia é o preconceito mais velado e difícil de combater no mundo do futebol, diz Najla


LUIZA PRADO/JC
O Inter combina diversos movimentos para neutralizar e eliminar atos de preconceito e discriminação, e promover ações de inclusão e respeito a diferenças, informa a coordenadora da Diretoria de Inclusão Social, Najla Rodrigues Diniz. 
De 13 a 15 de dezembro, sócios vão votar em propostas que inserem novos dispositivos no estatuto do clube que incluem novas punições a atos de preconceito praticados por dirigentes e funcionários.
No Dia da Consciência Negra, em 20 de novembro, o clube anunciou a criação de um canal de denúncias de episódios de racismo, homofobia e machismo durante jogos no estádio Beira-Rio, que poderão ser feitas pelo número de WhatsApp (51) 98117-7779.
O Colorado demarcou o terreno das ações em um gesto emblemático. O Beira-Rio foi iluminado com as cores do orgulho LGBT em 28 de junho, lembrando a data em 1969, quando o bar Stonewall, em Nova Iorque, foi invadido pela polícia com reação de frequentadores gays e lésbicas. As luzes no estádio também marcaram a criação da Diretoria de Inclusão e o recado foi claro sobre os atos de homofobia. 
"Homofobia é o preconceito mais velado e difícil de combater no mundo do futebol", constata Najla. A diretoria vai encarar de frente esse tabu com ações frequentes. "Antes éramos movidos pelo calendário, queremos que seja uma política permanente. O Clube do Povo reúne toda a diversidade", reforça a coordenadora. O trabalho focará as torcidas organizadas, pois muitas puxam cânticos com mensagens preconceituosas.
A mudança do estatuto insere novo parágrafo ao artigo 16, prevendo que atos discriminatórios ou preconceituosos decorrentes de nacionalidade, cor, gênero, religião, classe social, capacidades ou limitações individuais serão punidas com perda de cargos pelos dirigentes e exclusão de direitos sociais. Outras duas propostas atingem o respeito a diferenças e também à acessibilidade.   

Defensora pública da União aposta em nova abordagem do racismo no futebol

Rita diz que quer colocar o debate do racismo dentro de campo e espera que ele não saia mais

Rita diz que quer colocar o debate do racismo dentro de campo e espera que ele não saia mais


RITA DE OLIVEIRA/ARQUIVO PESSOAL/JC
A cooperação que a Defensoria Pública da União (DPU) está prestes a selar com o Grêmio para implantar um laboratório de práticas antirracistas no futebol atende a um anseio de uma das fomentadoras da iniciativa.
A defensora pública e coordenadora do Grupo de Trabalho de Políticas Etnorraciais da DPU, Rita de Oliveira, destaca que a abertura do Tricolor para firmar o protocolo de intenções, que será o documento a ser assinado no começo de dezembro, é um passo importante para "colocar o debate do racismo dentro de campo e que ele não saia mais".
Rita aposta que as ações poderão ser um marco na forma de encarar essa chaga que se acentua, ou por casos, ou por falta de efetividade de medidas. Um dos apoiadores na iniciativa será o Observatório da Discriminação Racial no Futebol, que tem sede em Porto Alegre e que monitora os casos nos estádios e em canais como as redes sociais.
"A gente enxergou no futebol um espaço para fazer um enfrentamento mais efetivo e para ampliar a comunicação sobre o racismo", diz a defensora.sobre o racismo", diz a defensora.
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